A história da língua portuguesa começa no Império Romano, a maior potência econômica, política e militar de seu tempo, e um dos maiores impérios de toda a História. Em seu apogeu, no século II EC, seus domínios incluíam a Europa, a Ásia Menor e o norte da África, e envolviam todo o Mar Mediterrâneo, chamado pelos romanos de mare nostrum ("nosso mar"). No ano 218 AEC, as legiões romanas invadiram a Península Ibérica durante a guerra contra Cartago, sua poderosa rival norte-africana. Os cartagineses dominavam também grande parte da península, inclusive a cidade de Olisipo, hoje Lisboa. Destruídas Cartago e suas colônias, os romanos ocuparam a Ibéria, anexando-a a seu império crescente. A língua dos dominadores – o latim – foi imposta aos povos que habitavam a região, como os lusitanos e os celtas. É desse latim que, séculos mais tarde, nascerá a língua portuguesa.


SPQR
SPQR
Senatus Populusque Romanus (O Senado e o Povo Romano). No século II de nossa era, a sigla imperial SPQR encontrava-se por toda parte do mundo então conhecido. Ela aparecia nos documentos oficiais e nas moedas que circulavam da Lusitânia ao Egito, do Saara à Britânia. E também estava estampada nos estandartes das centenas de legiões militares, cuja força mantinha unido o vasto império. No centro deste mundo estava a capital, Roma, a capital desse mundo, era uma metrópole multicultural fervilhante, com mais de um milhão de habitantes. Os romanos eram exímios engenheiros e levaram sua cultura e tecnologia aos pontos mais distantes do império, inclusive à Península Ibérica, onde edificaram inúmeras cidades, com aquedutos, termas, templos e teatros, cujas ruínas provocam admiração ainda hoje.

O fim do império romano e os reinos germânicos
O fim do império romano e os reinos germânicos
No século III, o Império Romano foi dividido em dois: o Império Romano do Ocidente, com a capital em Roma; e o Império Romano do Oriente, com a capital em Constantinopla. Um século mais tarde, o Império do Ocidente caiu, enfraquecido por invasões de tribos vindas do norte europeu. Nessa época, a Ibéria foi dominada por dois povos germânicos, os suevos e os visigodos, que ocuparam a maior parte da península por mais de dois séculos. Apesar desse longo período, as línguas góticas dos novos governantes não foram impostas à população, que continuou falando latim. Esse latim, porém, foi pouco a pouco se modificando. No antigo território imperial, os vários falares românicos passaram a ser chamados de "romances". Foram esses romances regionais que, séculos mais tarde, deram origem às atuais línguas latinas – o português, o galego, o espanhol, o catalão, o francês, o italiano e o romeno.
As muitas vidas do latim
As muitas vidas do latim
Enquanto o latim vulgar ia se transformando, o latim culto deixou de ser falado por volta do século VII EC. No entanto, o latim culto escrito (ou latim clássico) sobreviveu sob a forma do latim medieval, que se tornou uma língua internacional entre os séculos V e XV, utilizada pela Igreja Católica e pela diplomacia europeia. Entre os séculos XV e XVIII, o latim também passou a ser adotado como língua franca entre filósofos e cientistas europeus. As obras revolucionárias de físicos e astrônomos como Galileu Galilei, Johannes Kepler e Nicolau Copérnico foram escritas originalmente na língua dos romanos.
Et cetera
Et cetera
De vez em quando o latim ressuscita no meio da língua portuguesa, como por exemplo, quando dizemos et cetera, que em latim quer dizer "e as coisas restantes". A expressão era usada exatamente como usamos hoje, ao fim de uma enumeração qualquer. Sua forma abreviada – etc. – também não nasceu agora. Nos manuscritos medievais, ela aparecia como “&c”. Ganhou a grafia atual nos textos em latim científico, entre os séculos XVI e XVIII. Usamos o latim ainda em muitas outras expressões, como a priori, curriculum vitae, ipsis litteris, habeas corpus, in loco, status quo, sine qua non, alter ego, grosso modo, per capita, RIP (requiescat in pace, isto é, "descanse em paz"), idem, ibidem, et cetera e tal.

Latim culto x Latim vulgar
Latim culto x Latim vulgar
No Império Romano, falavam-se dois tipos de latim: o latim culto, utilizado pelos aristocratas, políticos e escritores; e o latim vulgar, falado nas ruas pelo povo. O termo "latim vulgar" usado pelos linguistas pode causar certa confusão, pois a palavra "vulgar" aqui não tem o sentido que usamos comumente, de "grosseiro". Nesta expressão, "vulgar" vem diretamente da palavra latina vulgus, que significa "povo". O português nasceu dessa modalidade popular do latim falado por soldados e comerciantes romanos que emigraram para a Península Ibérica. Na tabela ao lado, você pode comparar algumas palavras em latim culto, latim vulgar e português

O Império RomanoDepoimento especializado
O sistema político RomanoDepoimento especializado
Enfraquecimento do Império Romano Depoimento especializado
Línguas latinasDepoimento especializado

SpartacusCartaz
Julius CesarCartaz
Ben-HurCartaz
Astérix et la surprise de CésarCartaz
CleópatraCartaz
SatyriconCartaz
La Fureur des gladiateursCartaz
As palavras do latim culto também geraram outras palavras em português – substantivos e adjetivos do mesmo campo de sentido da palavra original. Domus não entrou em português como casa, mas gerou o adjetivo "doméstico" (da casa), por exemplo. De ager veio "agricultor". De equus, "equitação". De sidus, sideral. De potare, potável.
















![Fac-símile de fragmento de lápide funerária islâmica encontrada em Élvas, Portugal, datada do século XII. A peça em pedra apresenta inscrição em árabe entalhada em baixo-relevo. O texto corresponde a uma invocação comum da tradição islâmica, que diz:
“Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso. Abençoe [Deus a Muhammad...]”.
A peça reflete os costumes funerários muçulmanos no contexto da presença árabe na Península Ibérica.](https://m-lingua-portuguesa.s3.sa-east-1.amazonaws.com/38b8b3e70ecc266b55d6919b00dc0c08.jpeg)





























































































































































![Reprodução fotográfica de passaporte familiar alemão emitido em 04 de fevereiro de 1924 pelo Der Landrat (Alemanha). Documento em papel impresso e manuscrito, com fotografia em preto e branco de casal e quatro crianças, carimbos oficiais e assinaturas. Contém dados do titular, Otto [Laisskowski] (nascido em 07 de novembro de 1888, em Rogainem, agricultor) e de sua esposa, [Anastasia] (nascida em 25 de novembro de 1895, em Gasthausen). Registra residência em Rogainem, características físicas (olhos azuis, cabelos loiros, compleição magra). Ambos são registrados com o cabelo loiro, de estatura média e de rosto alongado. Inclui também o registro dos filhos, [Anisch] nascida em 10 de novembro de 1913; [Fritz] nascido em 08 de setembro de 1914; [Lorenz] nascido em 29 de janeiro de 1917; e [Paul] nascido em 23 de fevereiro de 1923.](https://m-lingua-portuguesa.s3.sa-east-1.amazonaws.com/ae2e163a1798292c05ebcb8208b1e99e.jpeg)



















![{"blocks":[{"type":"paragraph","data":{"text":"Imagem fotográfica retrata trabalhadores migrantes da região do Nordeste em um andaime atuando na construção civil na cidade de São Paulo em 1953.\n\nA fotografia foi feita a partir do interior do edifício, ela apresenta três homens adultos em cima de um andaime suspenso por cordas, enquanto o homem a esquerda regula a altura do andaime, os outros dois homens a direita rebocam a janela. Ao fundo no horizonte é possível ver diversos prédios da cidade."},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}}],"version":"2.31.0-rc.7"}](https://m-lingua-portuguesa.s3.sa-east-1.amazonaws.com/164c88b53e1232e6495e2b6c3ca9bbdf.jpeg)










![{"blocks":[{"type":"paragraph","data":{"text":"O vídeo é um clipe transmitido pela Tv Globo da música \"Sandra Rosa Madalena\", interpretada por Sidney Magal e de autoria de Roberto Livi e Miguel Sidras. "},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"\n\nLetra da música:\nQuero vê-la sorrir, quero vê-la cantar\nQuero ver o seu corpo dançar sem parar\nQuero vê-la sorrir, quero vê-la cantar\nQuero ver o seu corpo dançar sem parar\n\nEla é bonita, seus cabelos muito negros\nE o seu corpo faz meu corpo delirar\nO seu olhar desperta em mim uma vontade\nDe enlouquecer, de me perder, de me entregar\n\nQuando ela dança todo mundo se agita\nE o povo grita o seu nome sem parar\nÉ a cigana Sandra Rosa Madalena\nÉ a mulher com quem eu vivo a sonhar\n\nQuero vê-la sorrir, quero vê-la cantar\nQuero ver o seu corpo dançar sem parar\nQuero vê-la sorrir, quero vê-la cantar\nQuero ver o seu corpo dançar sem parar\n\nDentro de mim mantenho acesa uma chama\nQue se inflama se ela está perto de mim\nQueria ser todas as coisas que ela gosta\nQueria ser o seu princípio e ser seu fim\n\nQuando ela dança todo mundo se agita\nE o povo grita o seu nome sem parar\nÉ a cigana Sandra Rosa Madalena\nÉ a mulher com quem eu vivo a sonhar\n\nQuero vê-la sorrir, quero vê-la cantar\nQuero ver o seu corpo dançar sem parar\nQuero vê-la sorrir, quero vê-la cantar\nQuero ver o seu corpo dançar sem parar\n\nQuero vê-la sorrir, quero vê-la cantar\nQuero ver o seu corpo dançar sem parar\nQuero vê-la sorrir, quero vê-la cantar\nQuero ver o seu corpo dançar sem parar\n\nQuero vê-la sorrir, quero vê-la cantar\nQuero ver o seu corpo dançar sem parar\nQuero vê-la sorrir, quero vê-la cantar\nQuero ver o seu corpo dançar sem parar"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}}],"version":"2.31.0-rc.7"}](https://m-lingua-portuguesa.s3.sa-east-1.amazonaws.com/9cfdddb34df22dc89092e1e72b751891.jpeg)
![{"blocks":[{"type":"paragraph","data":{"text":"O vídeo é um clipe produzido pelo programa de televisão Fantástico da Rede Globo, com direção de Jodele Larcher. No clipe aparecem os quatro integrantes da banda Legião Urbana: Renato Russo, Marcelo Bonfá, Dado Villa-Lobos e Renato Rocha, tanto em estúdio quanto tocando no show. Além dos artistas aparecem diversas imagens do Brasil, como praias, cidades, indústria, Amazônia, entre outras.\n"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Letra da música:"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Nas favelas, no senado"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Sujeira pra todo lado"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Ninguém respeita a constituição"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Mas todos acreditam no futuro da nação"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Que país é esse?"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Que país é esse?"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Que país é esse?"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"No Amazonas, no Araguaia-ia-ia"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Na Baixada Fluminense"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Mato Grosso, Minas Gerais"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"E no nordeste tudo em paz"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Na morte eu descanso"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Mas o sangue anda solto"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Manchando os papéis"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Documentos fiéis"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Ao descanso do patrão"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Que país é esse?"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Que país é esse?"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Que país é esse?"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Que país é esse?"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Terceiro mundo se for"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Piada no exterior"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Mas o Brasil vai ficar rico"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Vamos faturar um milhão"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Quando vendermos todas as alma"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Dos nossos índios num leilão"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Que país é esse?"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Que país é esse?"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Que país é esse?"},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Que país é esse? "},"tunes":{"alignment":{"alignment":"left"}}}],"version":"2.31.0-rc.7"}](https://m-lingua-portuguesa.s3.sa-east-1.amazonaws.com/90f41a07cfa7df84547c4fbbb5e93b72.png)











