Brazilian Portuguese

Here you can explore a timeline of the history of the Portuguese language in Brazil. One of the experiences in the Museum’s long-term exhibition, “Portuguese of Brazil,” presents three main themes: the origins of the Portuguese language, its expansion to other territories, and its reconfiguration in the Americas, addressing the life of the language in Brazil.

From Latin to the present day, the content is organized into 14 modules divided by historical periods, forming a narrative that encourages critical reflection on the key moments in the history of the language. It features testimonials by Maria Bethânia and Ailton Krenak, references to the work Marília de Dirceu and to Racionais MC’s, as well as commentary from experts and a variety of objects, including an original Tupinambá artifact.

In this digital interface, you can access an adapted version of the content presented in the museum. To explore the full experience, click here.

Aqui você acessa uma linha do tempo da história da língua portuguesa no nosso país. Uma das experiências da exposição de longa duração do Museu, “Português do Brasil”  apresenta três temas: as origens da língua portuguesa, a expansão da língua para outros territórios e a reconfiguração do português na América, abordando a vida da língua no Brasil. 

Do latim aos dias atuais, os conteúdos estão estruturados em 14 módulos divididos por períodos históricos, em uma narrativa que propõe a reflexão crítica sobre os principais momentos da história da língua. Há depoimentos de Maria Bethânia e Ailton Krenak, referências à obra Marília de Dirceu e aos Racionais MC’s, além de comentários de especialistas e objetos diversos, como um artefato tupinambá original. 

Nesta interface digital, é possível acessar uma versão adaptada dos conteúdos expostos no museu. Para acessar todos os conteúdos dessa experiência, clique aqui.

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O módulo Ave, Cesar! (Do século III AEC ao século VIII EC) aborda a história da língua portuguesa a partir do Império Romano. Neste módulo são apresentados vídeo-depoimentos de especialistas na temática, acervos iconográficos e acervos textuais que remetem a circulação da língua portuguesa no Império Romano.

Origens da Lingua Portuguesa

Do século III AEC ao século VIII EC

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A história da língua portuguesa começa no Império Romano, a maior potência econômica, política e militar de seu tempo, e um dos maiores impérios de toda a História. Em seu apogeu, no século II EC, seus domínios incluíam a Europa, a Ásia Menor e o norte da África, e envolviam todo o Mar Mediterrâneo, chamado pelos romanos de mare nostrum ("nosso mar"). No ano 218 AEC, as legiões romanas invadiram a Península Ibérica durante a guerra contra Cartago, sua poderosa rival norte-africana. Os cartagineses dominavam também grande parte da península, inclusive a cidade de Olisipo, hoje Lisboa. Destruídas Cartago e suas colônias, os romanos ocuparam a Ibéria, anexando-a a seu império crescente. A língua dos dominadores – o latim – foi imposta aos povos que habitavam a região, como os lusitanos e os celtas. É desse latim que, séculos mais tarde, nascerá a língua portuguesa.

A história da língua portuguesa começa no Império Romano, a maior potência econômica, política e militar de seu tempo, e um dos maiores impérios de toda a História. Em seu apogeu, no século II EC, seus domínios incluíam a Europa, a Ásia Menor e o norte da África, e envolviam todo o Mar Mediterrâneo, chamado pelos romanos de mare nostrum ("nosso mar"). No ano 218 AEC, as legiões romanas invadiram a Península Ibérica durante a guerra contra Cartago, sua poderosa rival norte-africana. Os cartagineses dominavam também grande parte da península, inclusive a cidade de Olisipo, hoje Lisboa. Destruídas Cartago e suas colônias, os romanos ocuparam a Ibéria, anexando-a a seu império crescente. A língua dos dominadores – o latim – foi imposta aos povos que habitavam a região, como os lusitanos e os celtas. É desse latim que, séculos mais tarde, nascerá a língua portuguesa.

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Imagem de moeda romana com efígie do imperador César Augusto. Anverso com a imagem do imperador Augusto, representado com traços idealizados que reforçam sua autoridade e divindade imperial. No reverso, a inscrição SPQR (Senatus Populusque Romanus), símbolo da legitimidade conferida pelo Senado e pelo povo de Roma, frequentemente utilizado para afirmar o poder e a unidade do Império. A peça reflete a propaganda política do período e a centralidade de Augusto na construção do regime imperial.

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Imagem do Templo Romano de Évora, conhecido como Templo de Diana, construído no século I d.C., localizado em Évora, Portugal. A fotografia registra a imponente estrutura composta por colunas coríntias em granito, remanescentes de um dos templos romanos mais bem preservados da Península Ibérica. O monumento integra o centro histórico de Évora, reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO.

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Senatus Populusque Romanus (O Senado e o Povo Romano). No século II de nossa era, a sigla imperial SPQR encontrava-se por toda parte do mundo então conhecido. Ela aparecia nos documentos oficiais e nas moedas que circulavam da Lusitânia ao Egito, do Saara à Britânia. E também estava estampada nos estandartes das centenas de legiões militares, cuja força mantinha unido o vasto império. No centro deste mundo estava a capital, Roma, a capital desse mundo, era uma metrópole multicultural fervilhante, com mais de um milhão de habitantes. Os romanos eram exímios engenheiros e levaram sua cultura e tecnologia aos pontos mais distantes do império, inclusive à Península Ibérica, onde edificaram inúmeras cidades, com aquedutos, termas, templos e teatros, cujas ruínas provocam admiração ainda hoje.

SPQR

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Mapa ilustrado representando o Império Romano em sua máxima extensão territorial, por volta do ano 117 EC, durante o reinado do imperador Trajano. Estão identificadas províncias romanas, povos vizinhos, rios, mares e cidades importantes do período, como Roma, Alexandria, Antioquia, Jerusalém, Londinium e Eburacum. O mapa destaca os limites geográficos do império e sua abrangência sobre Europa, Norte da África e parte do Oriente Médio.

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Representação figurativa de um combate entre dois gladiadores, ambos com escudos circulares ornamentados e elmos com cristas coloridas. Ao fundo, observadores ou organizadores do espetáculo vestem túnicas claras com faixas verticais. O mosaico exibe inscrições em latim com possíveis nomes ou epítetos dos personagens retratados. A cena é emoldurada por faixa decorativa em padrão xadrez.

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No século III, o Império Romano foi dividido em dois: o Império Romano do Ocidente, com a capital em Roma; e o Império Romano do Oriente, com a capital em Constantinopla. Um século mais tarde, o Império do Ocidente caiu, enfraquecido por invasões de tribos vindas do norte europeu. Nessa época, a Ibéria foi dominada por dois povos germânicos, os suevos e os visigodos, que ocuparam a maior parte da península por mais de dois séculos. Apesar desse longo período, as línguas góticas dos novos governantes não foram impostas à população, que continuou falando latim. Esse latim, porém, foi pouco a pouco se modificando. No antigo território imperial, os vários falares românicos passaram a ser chamados de "romances". Foram esses romances regionais que, séculos mais tarde, deram origem às atuais línguas latinas – o português, o galego, o espanhol, o catalão, o francês, o italiano e o romeno.

O fim do império romano e os reinos germânicos

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Enquanto o latim vulgar ia se transformando, o latim culto deixou de ser falado por volta do século VII EC. No entanto, o latim culto escrito (ou latim clássico) sobreviveu sob a forma do latim medieval, que se tornou uma língua internacional entre os séculos V e XV, utilizada pela Igreja Católica e pela diplomacia europeia. Entre os séculos XV e XVIII, o latim também passou a ser adotado como língua franca entre filósofos e cientistas europeus. As obras revolucionárias de físicos e astrônomos como Galileu Galilei, Johannes Kepler e Nicolau Copérnico foram escritas originalmente na língua dos romanos.

As muitas vidas do latim

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De vez em quando o latim ressuscita no meio da língua portuguesa, como por exemplo, quando dizemos et cetera, que em latim quer dizer "e as coisas restantes". A expressão era usada exatamente como usamos hoje, ao fim de uma enumeração qualquer. Sua forma abreviada – etc. – também não nasceu agora. Nos manuscritos medievais, ela aparecia como “&c”. Ganhou a grafia atual nos textos em latim científico, entre os séculos XVI e XVIII. Usamos o latim ainda em muitas outras expressões, como a priori, curriculum vitae, ipsis litteris, habeas corpus, in loco, status quo, sine qua non, alter ego, grosso modo, per capita, RIP (requiescat in pace, isto é, "descanse em paz"), idem, ibidem, et cetera e tal.

De vez em quando o latim ressuscita no meio da língua portuguesa, como por exemplo, quando dizemos et cetera, que em latim quer dizer "e as coisas restantes". A expressão era usada exatamente como usamos hoje, ao fim de uma enumeração qualquer. Sua forma abreviada – etc. – também não nasceu agora. Nos manuscritos medievais, ela aparecia como “&c”. Ganhou a grafia atual nos textos em latim científico, entre os séculos XVI e XVIII. Usamos o latim ainda em muitas outras expressões, como a priori, curriculum vitae, ipsis litteris, habeas corpus, in loco, status quo, sine qua non, alter ego, grosso modo, per capita, RIP (requiescat in pace, isto é, "descanse em paz"), idem, ibidem, et cetera e tal

Et cetera

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Fac-símile de xilogravura presente na obra Hypnerotomachia Poliphili, representando uma cena alegórica intitulada Batalha de amor em sonho de Polifilo. A imagem mostra figuras mitológicas e simbólicas envolvidas em uma batalha encenada, com elementos arquitetônicos inspirados na Antiguidade clássica. A composição reflete o caráter onírico e filosófico do livro, combinando arte, literatura e alegoria.

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No Império Romano, falavam-se dois tipos de latim: o latim culto, utilizado pelos aristocratas, políticos e escritores; e o latim vulgar, falado nas ruas pelo povo. O termo "latim vulgar" usado pelos linguistas pode causar certa confusão, pois a palavra "vulgar" aqui não tem o sentido que usamos comumente, de "grosseiro". Nesta expressão, "vulgar" vem diretamente da palavra latina vulgus, que significa "povo". O português nasceu dessa modalidade popular do latim falado por soldados e comerciantes romanos que emigraram para a Península Ibérica. Na tabela ao lado, você pode comparar algumas palavras em latim culto, latim vulgar e português

Latim culto x Latim vulgar

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Luiz Marques inicia sua fala dizendo que o surgimento do Império Romano está intimamente ligado à guerra e um de seus maiores diferenciais foi a expertise de se converter conquistas militares em poderes políticos efetivos. Em seguida, explica que graças às alianças formadas com outros povos, a língua latina se expandiu no continente. Ao final, Luiz Marques explica que o direito romano prevalece no mundo ocidental e na atualidade pelo fato de ser formal e que permitiu um mapeamento do conjunto do comportamento humano.

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Luiz Marques explora os elementos, funções e figuras centrais do sistema político romano, destacando sua organização e impacto. Em seguida, aborda a sofisticação da engenharia e da arquitetura romanas, evidenciando os avanços técnicos e estruturais que permitiram a construção de cidades, aquedutos, estradas e monumentos que marcaram a paisagem do império.

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Ataliba Castilho discorre que da dificuldade em se manter um império tão vasto como era o romano, houve a necessidade em dividi-lo em Império Romano do Ocidente, com capital em Roma, cuja população falava latim e Império Romano do Oriente, com a Capital em Constantinopla - atual Istambul - cuja população falava grego. Em seguida comenta que os germanos que invadiram a península Ibérica aprenderam o latim vulgar já nas suas modificações que vinham se sucedendo naquele território.

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Ataliba Castilho discorre primeiramente sobre as origens do latim, afirmando que ele surge da família indo-europeia. Em seguida, comenta as conexões com outras famílias indo-europeias realizadas pelos romanos em decorrência de sua invasão na Península Ibérica e de que forma surgem as línguas como o castelhano e o português. Após, ele explica as diferenças entre o que seria um latim culto e um latim vulgar e o que surgiu a partir delas. Ao final, discorre sobre as aplicabilidades do latim que sobreviveram ao mundo contemporâneo.

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Em cartaz: os romanos no cinema

Passados 2 mil anos, o Império Romano ainda nos interessa. Mesmo extinto, ele continua vivo em nosso imaginário. Seu incrível poderio, suas guerras brutas, suas intrigas políticas, tudo nos fascina em sua história remota. Júlio César, por exemplo, é re-assassinado todos os anos em algum ponto do planeta, numa encenação da peça de William Shakespeare. E o cinema de Hollywood continua apaixonado pelo tema. Mesmo já tendo realizado dezenas de filmes como Spartacus ou Gladiador, a cada poucos anos surge uma nova superprodução do gênero. Os antigos romanos ainda garantem uma boa bilheteria. Logo abaixo do texto, uma série de cartazes de filmes podem ser clicados e ampliados pelo visitante.(Gladiador, Spartacus, Julius Caesar, Ben-Hur, Astérix et la surprise de Cesar, Cleopatra, Satyricon)

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O filme Spartacus, dirigido por Stanley Kubrick e lançado em 1960, é uma produção norte-americana baseada na história real do gladiador trácio que liderou uma das maiores revoltas contra a ordem estabelecida no Império Romano no século I a.C. Ambientado em um momento de consolidação das instituições romanas, o longa-metragem apresenta aspectos da organização social, militar e cultural de Roma, além de destacar os espetáculos públicos, como os combates de gladiadores. No contexto da exposição “Ave, César!”, o filme contribui para refletir sobre o cotidiano do mundo romano e sobre a presença do latim como língua de circulação e poder que, ao se espalhar por territórios como a Península Ibérica, daria origem séculos mais tarde à língua portuguesa.

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Imagem digital do cartaz do filme “Julius Caesar”. Lançado em 1953 e dirigido por Joseph L. Mankiewicz, o longa é uma adaptação da peça homônima de William Shakespeare, retratando as tensões políticas, a conspiração e o assassinato do líder romano. Estrelado por Marlon Brando, James Mason e John Gielgud, o filme é reconhecido por sua abordagem dramática e interpretação clássica. A imagem digital é exibida em monitor interativo, compondo uma experiência expositiva voltada à cultura visual e às representações históricas no cinema.

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Imagem digital do cartaz do filme “Ben‑Hur". O épico dirigido por William Wyler e lançado em 1959 — vencedor de 11 prêmios Oscar e estrelado por Charlton Heston — narra a trajetória de Judah Ben‑Hur na Judeia do século I, célebre pela icônica corrida de bigas. A versão digital é exibida em monitor interativo, integrando uma proposta expositiva que destaca a cultura visual, a narrativa bíblico‑histórica e o legado do cinema clássico.

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Imagem digital do cartaz do filme “Astérix et la Surprise de César”, exibida em monitor interativo. A animação francesa, lançada em 1985 e baseada nos quadrinhos de René Goscinny e Albert Uderzo, acompanha Astérix e Obélix em uma missão para resgatar seus amigos capturados pelos romanos.

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Imagem digital do cartaz do filme “Cleópatra”. O cartaz promove o épico cinematográfico dirigido por Joseph L. Mankiewicz e lançado em 1963, com Elizabeth Taylor no papel principal. Reconhecido por sua produção monumental, o filme retrata a trajetória da rainha egípcia em meio às disputas políticas com Roma. A imagem digital é exibida em monitor interativo.

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Imagem do cartaz do filme “Satyricon”, dirigido por Federico Fellini e lançado em 1969. Inspirado na obra homônima do escritor romano Petrônio, o longa apresenta uma narrativa fragmentada e onírica sobre a Roma Antiga, explorando temas como decadência, desejo e absurdo. A peça gráfica é exibida digitalmente em monitor interativo.

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Imagem digital do cartaz do filme “La Fureur des Gladiateurs”. Lançado em 1964 e dirigido por Mario Caiano, o longa pertence ao gênero peplum (filmes épicos ambientados na Antiguidade) e retrata batalhas e conspirações no contexto do Império Romano. A imagem digital é exibida em monitor interativo, integrando uma proposta expositiva que valoriza a cultura visual e a representação histórica no cinema.

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As palavras do latim culto também geraram outras palavras em português – substantivos e adjetivos do mesmo campo de sentido da palavra original. Domus não entrou em português como casa, mas gerou o adjetivo "doméstico" (da casa), por exemplo. De ager veio "agricultor". De equus, "equitação". De sidus, sideral. De potare, potável.

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O segundo módulo da experiência Português do Brasil, intitulado: Presença Árabe (do séc VIII ao XII) refere-se a expansão da presença árabe na Península Ibérica a África e consequentemente a expansão do português nesses territórios. Este módulo conta com vídeos de especialistas sobre a questão, outros vídeos que apresentam acervos da época, mapas, imagens e réplicas de esculturas da época.

do séc VIII ao XII

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No ano de 711 DC, exércitos árabes atravessaram o mar pelo Estreito de Gibraltar, que separa a África da Península Ibérica. Dominaram as terras antes ocupadas pelos suevos e visigodos e que abrigavam um mosaico de culturas. Ali, garantindo a liberdade de culto e de posses, criaram um ambiente de tolerância, em que árabes, cristãos e judeus conviveram por vários séculos. Na península, falava-se o romance, língua derivada do latim vulgar que logo foi fortemente influenciada pela força da língua e da cultura árabes, fundamentais na formação do que viria a ser o idioma português. A palavra “Gibraltar”, por exemplo, vem do árabe geb-al-Tárik, o Cabo de Tárik, nome de um dos generais que comandou a invasão. Talvez tenha sido a primeira palavra de origem árabe dentre as milhares usadas até hoje na língua portuguesa.

No ano de 711 DC, exércitos árabes atravessaram o mar pelo Estreito de Gibraltar, que separa a África da Península Ibérica. Dominaram as terras antes ocupadas pelos suevos e visigodos e que abrigavam um mosaico de culturas. Ali, garantindo a liberdade de culto e de posses, criaram um ambiente de tolerância, em que árabes,
cristãos e judeus conviveram por vários séculos. Na península, falava-se o romance, língua derivada do latim vulgar que logo foi fortemente influenciada pela força da língua e da cultura árabes, fundamentais na formação do que viria a ser o idioma português. A palavra “Gibraltar”, por exemplo, vem do árabe geb-al-Tárik, o Cabo de
Tárik, nome de um dos generais que comandou a invasão. Talvez tenha sido a primeira palavra de origem árabe dentre as milhares usadas até hoje na língua portuguesa.

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Mapa ilustrativo que representa a máxima expansão territorial do Império Árabe-Islâmico entre os anos de 622 e 750 da Era Comum. O artefato visual destaca as diferentes fases de conquista, desde a unificação da Península Arábica sob Maomé até o apogeu do califado Omíada, abrangendo territórios no Oriente Médio, norte da África, Ásia Central e Península Ibérica. A progressão é apresentada com variações cromáticas por períodos, auxiliando na leitura diacrônica da formação do império.

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Junto com sua língua, os árabes levaram para o mundo ibérico uma cultura de avançados conhecimentos científicos e tecnológicos. Introduziram conceitos de diversas ciências, como astronomia, astrologia, matemática, física, medicina, botânica, geografia, história, política e filosofia, além de técnicas agrícolas. Foi muito importante também sua influência nas artes (literatura, poesia e música) e na arquitetura, que pode ser admirada até os dias de hoje em edificações preservadas, tanto em terras de Portugal como na Espanha. O maior esplendor da cultura árabe na península, no entanto, ocorreu na região chamada de “Al Andalus”, conhecida em nossos dias como Andaluzia, correspondente ao sul da Espanha.

Junto com sua língua, os árabes levaram para o mundo ibérico uma cultura de avançados conhecimentos científicos e tecnológicos. Introduziram conceitos de diversas ciências, como astronomia, astrologia, matemática, física, medicina, botânica, geografia, história, política e filosofia, além de técnicas agrícolas. Foi muito importante também sua influência nas artes (literatura, poesia e música) e na arquitetura, que pode ser admirada até os dias de hoje em edificações preservadas, tanto em terras de Portugal como na Espanha. O maior esplendor da cultura árabe na península, no entanto, ocorreu na região chamada de “Al Andalus”, conhecida em nossos dias como Andaluzia, correspondente ao sul da Espanha.

A língua carrega saberes

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Vídeo interativo de 1001 palavras de origem árabe usadas no português.

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É a denominação dada a cada um dos caracteres que usamos para representar os números – 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9. A palavra deriva do árabe Al-Khwarizmi que quer dizer “natural de Khwarizm”. Esse é o lugar onde nasceu o célebre matemático muçulmano Abu Jafar Mohammed Ibn Musa (780-850 EC), que viveu a maior parte da vida em Bagdá. Foi a sua obra Soma e divisão segundo o cálculo dos indianos que introduziu no Ocidente a numeração decimal e cada um dos sinais gráficos dos números que usamos atualmente, conhecidos como “algarismos arábicos”. Os árabes também apresentaram ao mundo ibérico o conceito e o símbolo do “zero”, que é o mesmo que “vazio”, “vácuo”, “nulo”, “não existente”. Desenvolvido a partir da cultura indiana antiga, o zero, que é uma abstração, tornou possíveis os cálculos matemáticos, fundamentais para o desenvolvimento da ciência, da computação à física, da astronomia à química.

É a denominação dada a cada um dos caracteres que usamos para representar os números – 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9. A palavra deriva do árabe Al-Khwarizmi que quer dizer “natural de Khwarizm”. Esse é o lugar onde nasceu o célebre matemático muçulmano Abu Jafar Mohammed Ibn Musa (780-850 EC), que viveu a maior parte da vida em Bagdá. Foi a sua obra Soma e divisão segundo o cálculo dos indianos que introduziu no Ocidente a numeração decimal e cada um dos sinais gráficos dos números que usamos atualmente, conhecidos como “algarismos arábicos”. Os árabes também apresentaram ao mundo ibérico o conceito e o símbolo do “zero”, que é o mesmo que “vazio”, “vácuo”, “nulo”, “não existente”. Desenvolvido a partir da cultura indiana antiga, o zero, que é uma abstração, tornou possíveis os cálculos matemáticos, fundamentais para o desenvolvimento da ciência, da computação à física, da astronomia à química.

Algarismo

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Imagem digital de uma pintura que retrata um dos interiores ornamentados da Alambra, palácio mouro localizado em Granada, sul da Espanha. O espaço apresenta rica decoração em estilo islâmico, com azulejaria geométrica, arcos ogivais, arabescos florais e inscrições caligráficas em árabe, elementos típicos da arte islâmica. A ausência de figuras humanas ou animais reflete os princípios religiosos que regem essa estética. A imagem destaca o esplendor arquitetônico e decorativo da civilização islâmica durante o período de Al-Andalus (séculos VIII a XV), quando a Península Ibérica foi um centro de convivência entre muçulmanos, judeus e cristãos, e cenário de intercâmbio cultural que influenciaria profundamente a língua e a cultura portuguesas.

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Imagem digital de duas páginas do Liber Abaci, obra matemática escrita por Leonardo de Pisa (Fibonacci) em 1202. O manuscrito, em latim, apresenta texto com cálculos, diagramas e exemplos numéricos utilizando algarismos arábicos, com destaque para o uso do zero e da notação decimal. Rubricas e marcas em vermelho organizam os conteúdos, caracterizando o uso didático da obra. Este livro é considerado marco na introdução formal dos sistemas indo-arábicos na Europa cristã.

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Vídeo com participação do antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro, registrado em 2000. No início, Darcy afirma que foram os árabes que ensinaram aos europeus a cultura grega e romana, além de introduzirem os números arábicos. Ao final, o vídeo apresenta cenas antigas do cotidiano na cidade de Lisboa, ilustrando aspectos da vida urbana portuguesa. A obra combina depoimento reflexivo com imagens documentais, reforçando a continuidade da influência árabe na formação da cultura luso-europeia.

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Registro audiovisual da apresentação da fadista portuguesa Amália Rodrigues em 1990, interpretando a música “Ai Mouraria”, de Frederico Valério e Amadeo do Valle. Ao longo da performance, o vídeo intercala imagens da cantora com cenas documentais do cotidiano na cidade de Lisboa, destacando elementos arquitetônicos e urbanos do tradicional bairro da Mouraria. A obra evoca o fado como expressão da identidade portuguesa e resgata visualmente o ambiente que inspirou a canção.

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Vídeo com depoimento do antropólogo e ensaísta Antonio Risério, que discorre sobre as influências árabes na formação cultural, linguística e urbanística de Portugal, decorrentes do período de dominação islâmica na Península Ibérica. Destaca a diferença entre a lógica urbana das cidades portuguesas – com traçados orgânicos e influência árabe – e as cidades castelhanas, mais reticuladas. Ao final, comenta sobre os distintos projetos urbanísticos que Portugal e Espanha tentaram implantar na América: cidades racionais, planejadas, que segundo ele tiveram êxito em um caso e fracassaram em outro.

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A população da Península Ibérica sob o domínio muçulmano era muito heterogênea. Todos gozavam de liberdade de culto, mas tinham de se submeter ao pagamento de tributos e às regras comerciais estabelecidas pelos árabes. Além dos árabes seguidores de Alá e de Maomé, havia cristãos e judeus, que preservaram seus próprios ritos e preceitos. Os cristãos eram chamados de “moçárabes”: falavam o romance nas relações familiares, mas adotaram o árabe e o modo de vida muçulmano nas relações comerciais. Depois da reconquista da península pelos cristãos, os árabes que permaneceram ficaram conhecidos como “mudéjares” ou “mouros de pazes”.

A população da Península Ibérica sob o domínio muçulmano era muito heterogênea. Todos gozavam de liberdade de culto, mas tinham de se submeter ao pagamento de tributos e às regras comerciais estabelecidas pelos árabes. Além dos árabes seguidores de Alá e de Maomé, havia cristãos e judeus, que preservaram seus próprios ritos e preceitos. Os cristãos eram chamados de “moçárabes”: falavam o romance nas relações familiares, mas adotaram o árabe e o modo de vida muçulmano nas relações comerciais. Depois da reconquista da península pelos cristãos, os árabes que permaneceram ficaram conhecidos como “mudéjares” ou “mouros de pazes”.

Árabes, judeus e cristãos

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Fac-símile de fragmento de lápide funerária islâmica encontrada em Élvas, Portugal, datada do século XII. A peça em pedra apresenta inscrição em árabe entalhada em baixo-relevo. O texto corresponde a uma invocação comum da tradição islâmica, que diz:
“Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso. Abençoe [Deus a Muhammad...]”.
A peça reflete os costumes funerários muçulmanos no contexto da presença árabe na Península Ibérica.

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Os árabes ficaram cerca de 550 anos na Península Ibérica. Pouco a pouco eles foram sendo expulsos pelos cristãos, do Norte em direção ao Sul, com avanços e retrocessos, até a conquista de Lisboa, em 1147, e a tomada da região do Algarve, por volta de 1260. Apenas em 1492 eles foram definitivamente expulsos da península, com a entrada dos exércitos de Castela em Granada.

Os árabes ficaram cerca de 550 anos na Península Ibérica. Pouco a pouco eles foram sendo expulsos pelos cristãos, do Norte em direção ao Sul, com avanços e retrocessos, até a conquista de Lisboa, em 1147, e a tomada da região do Algarve, por volta de 1260. Apenas em 1492 eles foram definitivamente expulsos da
península, com a entrada dos exércitos de Castela em Granada.

A expulsão

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O terceiro módulo da experiência Português do Brasil, intitulado: Minha pátria é minha língua (séc XII ao séc XV) refere-se à criação do reino Portucale e a expansão do galego-português. Este módulo conta com vídeos de especialistas sobre a questão, cópias de manuscritos da época e um fac-símile de um alaúde (instrumento musical).

Expansão da língua portuguesa

(séc XII ao séc XV)

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A criação do reino de Portugal, então chamado “Portucale”, coincidiu com a expansão do galego-português, língua que viria a originar a língua portuguesa. Entre os séculos XII a XV, essa língua foi se distinguindo claramente dos demais idiomas da região, num processo determinante para a conformação da nação portuguesa, a primeira do mundo. Em 1179, D. Afonso Henriques obteve o reconhecimento formal da independência de Portugal pelo Papa, embora suas fronteiras ainda não estivessem estabelecidas. Nesse mesmo período, exércitos lusitanos cristãos, auxiliados por cruzados mercenários, prosseguiam na reconquista da Península Ibérica com a expulsão dos árabes. A tomada da rica cidade de Lisboa (1147) que, na ocasião, já era habitada por cerca de 60 mil famílias e abrigava o maior porto marítimo europeu da costa atlântica, foi um marco desse processo.

A criação do reino de Portugal, então chamado “Portucale”, coincidiu com a expansão do galego-português, língua que viria a originar a língua portuguesa. Entre os séculos XII a XV, essa língua foi se distinguindo claramente dos demais idiomas da região, num processo determinante para a conformação da nação portuguesa, a primeira do mundo. Em 1179, D. Afonso Henriques obteve o reconhecimento formal da independência de Portugal pelo Papa, embora suas fronteiras ainda não estivessem estabelecidas. Nesse mesmo período, exércitos lusitanos cristãos, auxiliados por cruzados mercenários, prosseguiam na reconquista da Península Ibérica com a expulsão dos árabes. A tomada da rica cidade de Lisboa (1147) que, na ocasião, já
era habitada por cerca de 60 mil famílias e abrigava o maior porto marítimo europeu da costa atlântica, foi um marco desse processo.

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Podemos datar a existência das línguas a partir de documentos nos quais elas apareçam escritas. E quando uma dada língua chega a ser escrita, é por que já vinha sendo falada há muito tempo. Há quanto tempo Impossível saber. Os primeiros documentos escritos em galego-português aparecem na segunda década do século XIII: o Testamento de Afonso II e a Notícia de Torto. Nesse período, testemunha-se uma extraordinária floração da poesia lírica: cantigas de amor, de inspiração provençal, em que fala o homem; cantigas de amigo, mais populares, em que fala a mulher; e cantigas de escárnio e maldizer, poemas satíricos. Logo, podemos dizer que o português já existe há 800 anos. Ataliba T. de Castilho.

Podemos datar a existência das línguas a partir de documentos nos quais elas apareçam escritas. E quando uma dada língua chega a ser escrita, é por que já vinha sendo falada há muito tempo. Há quanto tempo Impossível saber. Os primeiros documentos escritos em galego-português aparecem na segunda década do século XIII: o Testamento de Afonso II e a Notícia de Torto. Nesse período, testemunha-se uma extraordinária floração da poesia lírica: cantigas de amor, de inspiração provençal, em que fala o homem; cantigas de amigo, mais populares, em que fala a mulher; e cantigas de escárnio e maldizer, poemas satíricos. Logo, podemos dizer que o português já existe há 800 anos. Ataliba T. de Castilho.

A idade de uma língua

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A língua portuguesa é menos a língua que os portugueses falam, que a voz que fala os portugueses. [...] Se a escutássemos bem, ouviríamos nela os rumores originários da longínqua fonte sânscrita, os mais próximos da Grécia e os familiares de Roma. Juntemos-lhe algumas vozes bárbaras das muitas que assolaram a antiga Lusitânia, uns pós de arábica língua, que espanta não tenham sido mais densos, e teremos o que chamamos, com apaixonada expressão, “o tesouro do Luso”.

A língua portuguesa é menos a língua que os portugueses falam, que a voz que fala os portugueses. [...] Se a escutássemos bem, ouviríamos nela os rumores originários da longínqua fonte sânscrita, os mais próximos
da Grécia e os familiares de Roma. Juntemos-lhe algumas vozes bárbaras das muitas que assolaram a antiga Lusitânia, uns pós de arábica língua, que espanta não tenham sido mais densos, e teremos o que chamamos, com apaixonada expressão, “o tesouro do Luso”.

A voz que fala os portugueses

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 No final do século XIV, Portugal já havia se estabelecido como a primeira nação da Era Moderna no Ocidente. O centro cultural, econômico e político girava entre Lisboa e Coimbra, cidades ricas, cosmopolitas, movimentadas e diversas. Por ali circulavam árabes, moçárabes, cristãos e judeus, que conviviam, geravam riqueza e conhecimento. Outras cidades portuárias – como Setúbal, Porto, Viana do Castelo e Lagos – eram agitados entrepostos comerciais e tiveram papel fundamental nas ligações marítimas entre as nações europeias, a costa atlântica e a África. Mais do que isso, elas foram o ponto de partida para a grande expansão da língua portuguesa.

No final do século XIV, Portugal já havia se estabelecido como a primeira nação da Era Moderna no Ocidente. O centro cultural, econômico e político girava entre Lisboa e Coimbra, cidades ricas, cosmopolitas, movimentadas e diversas. Por ali circulavam árabes, moçárabes, cristãos e judeus, que conviviam, geravam riqueza e conhecimento. Outras cidades portuárias – como Setúbal, Porto, Viana do Castelo e Lagos – eram agitados entrepostos comerciais e tiveram papel fundamental nas ligações marítimas entre as nações europeias, a costa atlântica e a África. Mais do que isso, elas foram o ponto de partida para a grande expansão da língua portuguesa.

Lisboa, metrópole moderna

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Provém do latim solitas, -atis [solidão, isolamento]. O termo latino primário provavelmente é solus [só, sozinho, abandonado]. A saudade denota abandono, solidão causada pela ausência de algum ente querido, seja pela distância espaço temporal, seja pela morte. O termo “desolação” possui a mesma origem etimológica – quer dizer “abandonado, largado a si”; pode-se, assim, dizer que a saudade é uma espécie de desolação.

Provém do latim solitas, -atis [solidão, isolamento]. O termo latino primário provavelmente é solus [só, sozinho, abandonado]. A saudade denota abandono, solidão causada pela ausência de algum ente querido, seja pela distância espaço temporal, seja pela morte. O termo “desolação” possui a mesma origem
etimológica – quer dizer “abandonado, largado a si”; pode-se, assim, dizer que a saudade é uma espécie de desolação.

Saudade

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“Alaúde” é palavra proveniente do árabe al’ûd. Conhecido pelos povos do Oriente desde a Antiguidade, foi no século IX que formas rudimentares do instrumento foram introduzidas na Europa e na Península Ibérica pelos árabes. Eles também trouxeram um tipo de música, cantada em versos, que está na base do cancioneiro produzido em galego-português.

“Alaúde” é palavra proveniente do árabe al’ûd. Conhecido pelos povos do Oriente desde a Antiguidade, foi no século IX que formas rudimentares do instrumento foram introduzidas na Europa e na Península Ibérica pelos árabes. Eles também trouxeram um tipo de música, cantada em versos, que está na base do cancioneiro produzido em galego-português.

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Fac-símile de instrumento musical típico dos séculos XII a XIV, reproduzido com base em fontes iconográficas e construído segundo técnicas, materiais e parâmetros históricos da época.

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O português surgiu do galego-português, língua românica falada no norte da Península Ibérica durante o século XII. Estudos sobre a língua sugerem que, com a divisão territorial entre o reino de Leão e Castela, de um lado, e o estabelecimento do reino de Portucale, de outro, o galego-portugues partiu-se em dois, ficando submetido a influências e evoluções diversas. No Norte, a língua aproximou-se dos falares castelhanos, transformando-se progressivamente no galego. No Sul, enriquecida pelos falares moçárabes, transformou-se no português. Atualmente, embora diferentes, português e galego são línguas de fácil intercompreensão.

O português surgiu do galego-português, língua românica falada no norte da Península Ibérica durante o século XII. Estudos sobre a língua sugerem que, com a divisão territorial entre o reino de Leão e Castela, de um lado, e o estabelecimento do reino de Portucale, de outro, o galego-portugues partiu-se em dois, ficando submetido a influências e evoluções diversas. No Norte, a língua aproximou-se dos falares castelhanos, transformando-se progressivamente no galego. No Sul, enriquecida pelos falares moçárabes, transformou-se no português. Atualmente, embora diferentes, português e galego são línguas de fácil intercompreensão.

A Língua partida

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No vídeo, Ataliba Castilho explica como as transformações do latim vulgar na região da Galícia deram origem ao galego-português, considerado a base da língua portuguesa. Em seguida, destaca as contribuições do rei D. Dinis para o desenvolvimento da literatura em língua portuguesa, especialmente na consolidação do trovadorismo. Por fim, aponta que o português trazido ao Brasil pelos colonizadores corresponde ao período do português médio — uma fase de transição entre o galego-português (antigamente conhecido como português arcaico) e o português clássico.

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video

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O vídeo apresenta o livro "Cantigas de Santa Maria", obra escrita em galego-português na corte de Afonso X. Trechos das cantigas são narrados por Carminho, cuja locução conduz o espectador por esse universo poético e devocional. A narrativa é acompanhada por iluminuras originais do manuscrito, que ilustram cenas de milagres, práticas musicais e momentos de louvor à Virgem Maria, criando uma experiência sensorial que articula som, imagem e história.

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No vídeo, Roberto Pinho aborda como a proximidade geográfica com o mar incentivou os portugueses a desenvolverem amplos conhecimentos náuticos, com destaque para as contribuições de árabes e judeus nos campos da navegação, cartografia e astronomia. Em seguida, contextualiza o surgimento do reino de Portugal, a partir da expulsão dos mouros e dos confrontos com o reino de Castela. A narrativa é acompanhada por imagens de mapas antigos, embarcações e cenas do cotidiano português medieval, compondo um panorama visual sobre os elementos que moldaram a identidade marítima e territorial de Portugal.

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No vídeo, José Miguel Wisnik apresenta as cantigas galego-portuguesas como os primeiros registros literários da língua portuguesa. Ele destaca a diversidade de falares que compunham o galego-português nos séculos XII e XIII, explicando sua importância na formação da tradição poética ibérica. Em seguida, aprofunda-se nas cantigas de amigo, ressaltando suas origens populares, suas características formais e temáticas - como a voz feminina, o lirismo e a musicalidade. Wisnik enfatiza a relevância das sete cantigas de Martin Codax, consideradas uma das expressões mais refinadas desse gênero lírico. O vídeo se encerra com a declamação da cantiga "En o sagrad’ en Vigo", interpretada pelo próprio Wisnik.

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video

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A cantora Carminho interpreta, em forma de declamação, o poema Dom Dinis, escrito por Fernando Pessoa em 1934. A leitura valoriza o ritmo e a musicalidade do texto, que integra a obra Mensagem, em que Pessoa resgata figuras históricas e míticas da formação de Portugal. Ao dar voz ao poema, Carminho aproxima a literatura do canto, evocando a tradição oral que remonta às cantigas medievais.

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Has part

O quarto módulo da experiência "Português do Brasil", intitulado O mar sem fim é português (séculos XV e XVI), aborda a expansão marítima portuguesa. Este módulo inclui vídeos com especialistas que discutem o tema, videomapas que apresentam as colônias portuguesas, ilustrações de embarcações da época, ilustrações de mapas com monstros marítimos e um fac-símile de um astrolábio.

do séc XV ao séc XVI

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Entre 1420 e 1570, Portugal financiou e liderou a corrida em busca de terras e riquezas

para além do Mar Mediterrâneo. Reunidos, marinheiros, capitães, construtores, cartógrafos, mercadores e missionários de várias nacionalidades atravessaram o grande e desconhecido mar. Com embarcações inovadoras, os navegantes estabeleceram rotas até então ignoradas pelos europeus. Os portugueses, por sua vez, abriram caminhos que uniram os continentes, dominaram povos, ocuparam terras e estabeleceram feitorias e entrepostos comerciais ao longo da costa da África, da Ásia e das terras da América. Entraram em contato com culturas, idiomas e povos diferentes, impondo e espalhando a língua portuguesa pelos quatro continentes, promovendo a primeira troca linguística e cultural, de nível global, de que se tem notícia.

Entre 1420 e 1570, Portugal financiou e liderou a corrida em busca de terras e riquezas
para além do Mar Mediterrâneo. Reunidos, marinheiros, capitães, construtores, cartógrafos, mercadores e missionários de várias nacionalidades atravessaram o grande e desconhecido mar. Com embarcações inovadoras, os navegantes estabeleceram rotas até então ignoradas pelos europeus. Os portugueses, por sua
vez, abriram caminhos que uniram os continentes, dominaram povos, ocuparam terras e estabeleceram feitorias e entrepostos comerciais ao longo da costa da África, da Ásia e das terras da América. Entraram em contato com culturas, idiomas e povos diferentes, impondo e espalhando a língua portuguesa pelos quatro continentes, promovendo a primeira troca linguística e cultural, de nível global, de que se tem notícia.

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Imagem de página do "Livro de Traças de Carpintaria", manual técnico destinado à construção de embarcações, reunindo instruções e desenhos utilizados por carpinteiros navais.

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A palavra nasceu no século XIII no português ou no italiano e tem sua origem no grego kárabos. Sua primeira utilização documentada na língua portuguesa data de 1255. Teria passado ao português via latim carabus ou mesmo do árabe. Designava um tipo de barca ou nau a vela usada antes da criação da caravela que conhecemos. Quando se iniciou o reconhecimento costeiro e a penetração pelos rios do continente africano, as pequenas caravelas eram a embarcação preferida pelos exploradores. Impelidas pelos ventos em mar aberto, eram velozes, ágeis, fáceis de manobrar. Com o tempo, elas foram dando lugar às naus e aos galeões de maior porte e mais adequadas ao comércio e ao transporte de grandes quantidades de mercadorias e de tripulantes.

A palavra nasceu no século XIII no português ou no italiano e tem sua origem no grego kárabos. Sua primeira utilização documentada na língua portuguesa data de 1255. Teria passado ao português via latim carabus ou mesmo do árabe. Designava um tipo de barca ou nau a vela usada antes da criação da caravela que conhecemos. Quando se iniciou o reconhecimento costeiro e a penetração pelos rios do continente africano, as pequenas caravelas eram a embarcação preferida pelos exploradores. Impelidas pelos ventos em mar aberto, eram velozes, ágeis, fáceis de manobrar. Com o tempo, elas foram dando lugar às naus e aos galeões de maior porte
e mais adequadas ao comércio e ao transporte de grandes quantidades de mercadorias e de tripulantes.

Caravela

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Gravura em xilogravura colorida retratando uma cena fantástica no Atlântico Norte, com diversas criaturas marinhas mitológicas interagindo entre si, com humanos e navios. No plano superior, animais exóticos e figuras humanas ocupam uma faixa de terra. As criaturas são identificadas por letras e representam formas híbridas de peixes, répteis, mamíferos e monstros humanoides.

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Imagem de painel com seis pinturas atribuídas a Nuno Gonçalves apresentam um conjunto de 58 personagens reunidas em torno da dupla representação de São Vicente. Trata-se de uma composição solene e monumental que retrata uma assembleia simbólica, composta pela Corte e por diversas camadas da sociedade portuguesa do século XV, reunidas em gesto de veneração ao santo padroeiro. A obra expressa não apenas devoção religiosa, mas também uma clara celebração do ideário da expansão portuguesa, com destaque para o papel de São Vicente como figura espiritual e legitimadora das campanhas militares portuguesas no norte da África durante o período quatrocentista.

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Os portugueses tornaram-se verdadeiros mestres na escrita de mapas e cartas marítimas e na criação de guias de navegação. As informações que os mapas portugueses traziam, transcritas a partir de viagens, cálculos e relatos dos navegantes, em poucas décadas criaram uma nova imagem do planeta. Desde então, nenhuma região política ou economicamente significativa da Terra está ilhada.

Os portugueses tornaram-se verdadeiros mestres na escrita de mapas e cartas marítimas e na criação de guias de navegação. As informações que os mapas portugueses traziam, transcritas a partir de viagens, cálculos e relatos dos navegantes, em poucas décadas criaram uma nova imagem do planeta. Desde então, nenhuma região política ou economicamente significativa da Terra está ilhada.

A nova imagem do planeta

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Imagem de planta representando a Ilha de Moçambique, com destaque para suas fortificações, igrejas, casas e construções organizadas. No canto esquerdo da imagem, nota-se a representação detalhada de habitações diferenciadas, possivelmente correspondentes às camadas sociais distintas da população local. O traçado evidencia o planejamento urbano e militar característico das ocupações portuguesas. A autoria é atribuída a António Bocarro, cronista-mor do Estado da Índia no século XVII, conhecido por sua documentação das fortificações portuguesas nas possessões ultramarinas.

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Imagem de planta representando a cidade portuária de Sofala, localizada na costa sudeste da África, onde os portugueses estabeleceram um entreposto estratégico durante a expansão ultramarina. A imagem evidencia construções fortificadas, igrejas e a organização urbana imposta pelos colonizadores, indicando a importância militar e comercial da região. Esta planta integra o conjunto documental produzido por António Bocarro, no século XVII, com o objetivo de registrar as fortificações do império português no ultramar, consolidado no “Livro das Plantas de todas as Fortalezas”.

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Imagem de planta representando a cidade costeira de Sibo, localizada na costa oriental africana, com estruturas fortificadas, construções residenciais e elementos arquitetônicos que revelam o traçado urbano sob domínio português. O desenho exibe detalhes da organização defensiva e urbana do entreposto colonial. A imagem é atribuída a António Bocarro e faz parte do conjunto de plantas do século XVII reunidas no Livro das Plantas de todas as Fortalezas, obra destinada a registrar a presença e infraestrutura militar do Império Português em territórios ultramarinos.

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A planta representa a ilha de Dio, murada, com uma construção fortificada localizada no canto esquerdo. Ao redor da fortaleza, distribuem-se diversas habitações e igrejas, compondo um núcleo urbano estruturado e densamente ocupado. A imagem faz parte da série produzida por António Bocarro, cronista-mor do Estado da Índia no século XVII, e integra o "Livro das Plantas de todas as Fortalezas", concebido para documentar graficamente as posições militares e administrativas do Império Português no ultramar.

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Representação cartográfica da cidade costeira de Mombaça, com detalhes de suas fortificações, igrejas e áreas residenciais. A planta apresenta os limites urbanos definidos, construções militares ao longo da costa e marcações arquitetônicas que evidenciam o domínio português na região.

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A planta apresenta, ao centro, uma construção fortificada identificada por Libédia. Ao redor da estrutura, aparecem cinco figuras montadas em camelos ou dromedários, representando homens árabes, possivelmente habitantes da região ou povos com os quais os portugueses mantinham contato. No canto superior esquerdo da imagem, observam-se algumas habitações isoladas. A iconografia é atribuída a António Bocarro, e integra o conjunto do "Livro das Plantas de todas as Fortalezas", produzido no século XVII, com o intuito de registrar as construções militares e pontos estratégicos do Império Português no continente africano e em regiões islâmicas do entorno.

additionalType

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Imagem da planta que representa duas construções fortificadas situadas em uma região costeira. A primeira, identificada como Damão, apresenta um núcleo urbano murado, com diversas habitações, igrejas e edifícios administrativos, indicando um espaço consolidado de ocupação portuguesa. A segunda, identificada como Forte Sam. Irm. (possivelmente uma abreviação para Forte de São Jerônimo), está posicionada separadamente, sugerindo função estratégica complementar de defesa da baía ou da foz do rio. No canto superior direito da imagem, há habitações com estruturas diferenciadas, possivelmente representando comunidades locais não cristãs ou áreas periféricas ao núcleo colonial. A planta é atribuída a António Bocarro e integra o "Livro das Plantas de todas as Fortalezas", elaborado no século XVII com o objetivo de registrar e sistematizar a infraestrutura militar e urbana do Império Português no Estado da Índia.

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Planta representando uma baía onde se destacam três construções fortificadas identificadas como Dubo, Doba e Mocombi. O desenho revela ainda a presença de plantações agrícolas e vilas muradas distribuídas ao longo da paisagem, evidenciando o uso estratégico e econômico do território. A composição indica um território colonizado com infraestrutura defensiva articulada a núcleos habitacionais e produtivos. A imagem faz parte do conjunto de plantas atribuídas a António Bocarro, produzidas no século XVII para o "Livro das Plantas de todas as Fortalezas", com o objetivo de registrar as posições estratégicas e edificações militares do Império Português no ultramar.

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A planta representa a vila fortificada de Baçaim, um importante núcleo urbano do domínio português na costa oeste da Índia. A composição mostra diversas habitações, igrejas e fortes distribuídos no interior das muralhas, revelando a complexidade da estrutura urbana e religiosa local. À esquerda da vila, fora das fortificações, são observadas habitações com arquitetura diferenciada, dispostas entre árvores desenhadas. A imagem integra o conjunto cartográfico atribuído a António Bocarro, produzido no século XVII para o "Livro das Plantas de todas as Fortalezas", que documenta os principais pontos estratégicos do Império Português no Oriente.

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Imagem de planta que apresenta uma vila identificada como Seradeaserim, situada no alto de uma montanha. A disposição do traçado urbano evidencia um núcleo elevado de difícil acesso, provavelmente com finalidade defensiva. Na parte inferior da imagem, aparecem habitações cercadas, possivelmente representando comunidades periféricas ou aldeamentos associados à vila principal. A imagem integra o conjunto documental elaborado por António Bocarro, no século XVII, conhecido como "Livro das Plantas de todas as Fortalezas", e revela aspectos da ocupação territorial portuguesa em regiões montanhosas ou de contato com populações locais.

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Imagem de planta que representa duas ilhas fortificadas. À direita, encontra-se a Ilha de Carania, na qual são visíveis diversas habitações, igrejas e uma fortaleza, evidenciando um núcleo urbano bem estruturado. À esquerda, a Ilha de Mombaim (atual Bombaim/Mumbai) também é retratada com um forte, igrejas e habitações, estas com tipologias construtivas diferenciadas, sugerindo a presença de comunidades com organização própria ou distinta da lógica colonial. A composição cartográfica é atribuída a António Bocarro, sendo parte do "Livro das Plantas de todas as Fortalezas", criado no século XVII como ferramenta de documentação e controle territorial da Coroa Portuguesa sobre seus domínios ultramarinos no Estado da Índia.

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Imagem de planta que representa uma península fortificada identificada como Morodechavl. A representação evidencia a configuração geográfica estratégica do local, cercado pelo mar em sua maior parte e defendido por estruturas muradas. A posição elevada e isolada da península sugere sua função defensiva e de controle sobre a entrada de baías ou rotas marítimas. Embora a planta não apresente detalhamento interno visível na descrição, seu traçado integra o conjunto de registros atribuídos a António Bocarro, no século XVII, reunidos no "Livro das Plantas das Fortalezas", com a finalidade de representar visualmente os núcleos militares e administrativos do Império Português no ultramar.

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Imagem de planta que apresenta a cidade fortificada de Macau, localizada em uma península, com acesso marítimo estratégico. A composição mostra diversas habitações, igrejas e navios ancorados próximos à costa, indicando tanto a relevância religiosa e administrativa quanto a intensa atividade portuária do território. A presença das muralhas e a organização urbana revelam a importância defensiva de Macau no contexto do comércio português com a China. Esta planta integra o "Livro das Plantas de todas as Fortalezas", atribuído a António Bocarro, cronista-mor do Estado da Índia, como parte de um esforço de mapeamento estratégico do Império Português no Oriente.

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O mapa representa a ilha de Ceilão, atual Sri Lanka, localizada ao sul da Índia. A obra exibe contornos costeiros detalhados, acidentes geográficos, divisões internas e nomes de regiões e portos, com inscrições em francês. Elementos decorativos como cartelas, rosa dos ventos e escala gráfica complementam a composição.

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Mapa manuscrito da região da Guiné, na costa oeste da África, produzido por Fernão Vaz Dourado em 1576. A composição segue o estilo dos atlas náuticos portugueses do século XVI, com ênfase simbólica e funcional. A costa é representada com portos e acidentes geográficos nomeados, acompanhados de bandeiras e brasões portugueses, além de um forte no canto inferior, indicando pontos estratégicos de ocupação e controle.

Elementos como rosas dos ventos, linhas de rumo e decoração em ouro e cores vivas enriquecem a estética e o valor simbólico do documento, típico das produções de Dourado.

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Imagem de mapa que representa o arquipélago dos Açores, no Oceano Atlântico Norte, com detalhamento das nove ilhas principais. A composição segue os padrões renascentistas da cartografia portuguesa e inclui inscrições em latim, escala gráfica e indicação de latitude. As ilhas aparecem com seus nomes históricos e traçados cuidadosamente representados, indicando sua importância nas rotas marítimas entre Europa, África e América.

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Este mapa manuscrito representa a região do Oriente Asiático, abrangendo territórios como Bengala, partes do atual Myanmar, Tailândia, Vietnã e Camboja, revelando o conhecimento geográfico português sobre o Sudeste Asiático no século XVI. A composição é marcada por diversas bandeiras e brasões portugueses, sugerindo pontos de contato, presença ou domínio simbólico.

A carta segue os padrões da cartografia náutica portuguesa da época, com uso de rosas dos ventos, linhas de rumo e iconografia heráldica. As ilustrações de fortalezas, navios e detalhes costeiros reforçam o caráter militar e comercial da expansão portuguesa na região.

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O mapa mostra em perspectiva a entrada da barra do Rio de Luanda, com indicação da cidade fortificada, posições defensivas, ilhas, bancos de areia, canais navegáveis e toponímia costeira. A carta é acompanhada por rosa dos ventos e linhas de rumo (radiantes), além de uma legenda descritiva com 18 referências, que identificam pontos estratégicos como fortalezas (Fortaleza de São Miguel, Fortaleza da Ponta da Ilha), morros, rios e pontos de observação, igrejas, conventos e edifícios civis, a ilha de Luanda e outros acidentes geográficos.

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Para vencer os ventos e as correntes marítimas, o Infante D. Henrique criou uma escola de navegação que reunia sábios e técnicos de diferentes origens. Financiado pelo Estado português, pela Ordem de Cristo e pela burguesia mercantil, desenvolveu um programa para conhecer mares nunca antes navegados. Enfrentando os medos e as superstições que povoavam o imaginário de então, o infante explorou e conquistou o litoral africano, chegando à Índia. E, assim, lançou a língua e a cultura portuguesa ao mar.

Para vencer os ventos e as correntes marítimas, o Infante D. Henrique criou uma escola de navegação que reunia sábios e técnicos de diferentes origens. Financiado pelo Estado português, pela Ordem de Cristo e pela burguesia mercantil, desenvolveu um programa para conhecer mares nunca antes navegados. Enfrentando os medos e as superstições que povoavam o imaginário de então, o infante explorou e conquistou o litoral africano, chegando à Índia. E, assim, lançou a língua e a cultura portuguesa ao mar.

A abertura do mundo

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Conhecido como “o navegador”, o infante D. Henrique foi um dos maiores responsáveis pela aventura marítima portuguesa. Religioso, não dissociava fé e Império - agia em nome de Deus e do lucro. Movido pela curiosidade científica e pelo desejo de conhecer e dominar novas terras, gentes e novos mares, o infante tinha grande interesse pelas riquezas guardadas nesses lugares. A ele o poeta Fernando Pessoa dedicou os versos abaixo: Deus quer, o homem sonha, a obra nasce./ Deus quis que a terra fosse toda uma,/ Que o mar unisse, já não separasse./Sagrou-te, e foste desvendando a espuma./ E a orla branca foi de ilha em continente,/ Clareou, correndo, até ao fim do mundo,/ E viu-se a terra inteira, de repente,/ Surgir, redonda, do azul profundo./ Quem te sagrou criou-te português./ Do mar e nós em ti nos deu sinal./ Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez./ Senhor, falta cumprir-se Portugal!.

Conhecido como “o navegador”, o infante D. Henrique foi um dos maiores responsáveis pela aventura marítima portuguesa. Religioso, não dissociava fé e Império - agia em nome de Deus e do lucro. Movido pela curiosidade científica e pelo desejo de conhecer e dominar novas terras, gentes e novos mares, o infante tinha grande interesse pelas riquezas guardadas nesses lugares. A ele o poeta Fernando Pessoa dedicou os versos abaixo: Deus quer, o homem sonha, a obra nasce./ Deus quis que a terra fosse toda uma,/ Que o mar unisse, já não separasse./Sagrou-te, e foste desvendando a espuma./ E a orla branca foi de ilha em continente,/ Clareou, correndo, até ao fim do mundo,/ E viu-se a terra inteira, de repente,/ Surgir, redonda, do azul profundo./ Quem te sagrou criou-te português./ Do mar e nós em ti nos deu sinal./ Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez./ Senhor, falta cumprir-se Portugal!.

O infante

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A cada região do globo alcançada por seus emissários, Portugal levou e delas também trouxe informações e novidades – povos, costumes, riquezas, alimentos, plantas, animais foram introduzidos na Europa pelos portos e navios portugueses. Nesse processo, um grande número de palavras de origem portuguesa se espalhou pelo mundo, enquanto o português incorporava palavras das mais diversas línguas ao seu vocabulário.

A cada região do globo alcançada por seus emissários, Portugal levou e delas também trouxe informações e novidades – povos, costumes, riquezas, alimentos, plantas, animais foram introduzidos na Europa pelos portos e navios portugueses. Nesse processo, um grande número de palavras de origem portuguesa se espalhou pelo mundo, enquanto o português incorporava palavras das mais diversas línguas ao seu vocabulário.

Encontro de culturas

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Réplica de astrolábio náutico, instrumento de navegação utilizado entre os séculos XV e XVII.
Inspirada em um exemplar encontrado em naufrágio datado entre 1460 e 1650, esta réplica tem como referência o astrolábio preservado no Museu Nacional de Arqueologia de Portugal, proveniente do sítio arqueológico de São Julião da Barra, em Portugal. Utilizado por navegadores durante as Grandes Navegações, o astrolábio servia para medir a altura dos astros sobre o horizonte, permitindo calcular a latitude e auxiliar na orientação em alto-mar.

additionalType

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O desenvolvimento de tecnologias navais, o conhecimento científico da astronomia, a adaptação para a navegação marítima dos astrolábios e o aprimoramento da cartografia foram fundamentais para que as viagens marítimas dos séculos XV e XVI pudessem ocorrer.

O desenvolvimento de tecnologias navais, o conhecimento científico da astronomia, a adaptação para a navegação marítima dos astrolábios e o aprimoramento da cartografia foram fundamentais para que as viagens marítimas dos séculos XV e XVI pudessem ocorrer.

Arte de navegar

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video

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Registro em vídeo do cantor e compositor Tom Zé interpretando o "Canto I" de "Os Lusíadas," poema épico de Luís de Camões, publicado em 1570 e considerado um dos marcos da literatura portuguesa.

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video

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Vídeo que registra a interpretação de Maria Bethânia declamando Os Argonautas, composição de Caetano Veloso de 1969, inspirada em um poema de Fernando Pessoa.

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No vídeo, Ataliba Castilho traz a explicação de que o português falado pelo colonizador era o chamado "português médio", que seria um intermédio entre o galego-português (antigamente conhecido como português arcaico) e o português clássico. Em seguida explica que as grandes navegações possibilitaram um maior contato entre europeus e povos de outros continentes, o que acabou proporcionando, do ponto de vista linguístico, a troca de palavras entre os diversos idiomas. Por fim explana que o português foi uma das primeiras línguas a ter uma maior dispersão pelo planeta.

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O historiador Ronaldo Vainfas inicia o vídeo contextualizando os fatores que favoreceram Portugal em sua expansão marítima, como sua posição geográfica estratégica e o fortalecimento da centralização política. Em seguida, destaca o pioneirismo português nas práticas e estudos cartográficos e náuticos, construído a partir de contribuições italianas, árabes e judaicas. Ao longo do vídeo, analisa os impactos das Grandes Navegações na economia, na cultura europeia e no avanço dos conhecimentos científicos da época. Conclui apontando que os descobrimentos portugueses marcaram o início de uma intensa disputa entre as coroas europeias pela posse e exploração de novos territórios.

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Retrato do navegador português e segundo Vice-Rei da Índia Portuguesa, Afonso de Albuquerque. Apresentado de corpo inteiro, há uma breve identificação do personagem nos cantos superior e inferior da pintura.

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Imagem de gravura do século XIX representando Diogo Cão, navegador e explorador português, conhecido por ter sido o primeiro europeu a explorar o rio Congo e as regiões costeiras do atual território de Angola e Namíbia. O retrato mostra o personagem de busto, com trajes renascentistas formais: túnica escura com gola rendada clara, manto de tecido espesso e boina. A imagem segue o estilo de retratos idealizados comuns no século XIX, sem base iconográfica contemporânea.

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video

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O vídeo apresenta uma série de mapas históricos, desenhos e plantas das inúmeras fortificações portuguesas construídas principalmente na África e Ásia.

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Retrato de corpo inteiro de Afonso de Albuquerque, militar e navegador português que exerceu o cargo de primeiro Vice-Rei do Estado da Índia. A pintura apresenta identificação do personagem inscrita nos cantos superior e inferior, ressaltando sua relevância histórica no contexto da expansão marítima portuguesa.

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O mapa mostra em perspectiva a entrada da barra do Rio de Luanda, com indicação da cidade fortificada, posições defensivas, ilhas, bancos de areia, canais navegáveis e toponímia costeira. A carta é acompanhada por rosa dos ventos e linhas de rumo (radiantes), além de uma legenda descritiva com 18 referências, que identificam pontos estratégicos como fortalezas (Fortaleza de São Miguel, Fortaleza da Ponta da Ilha), morros, rios e pontos de observação, igrejas, conventos e edifícios civis, a ilha de Luanda e outros acidentes geográficos.

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Has part

O quinto módulo da experiência "Português do Brasil", Terra Brasilis (1500), retrata a chegada dos portugueses ao Brasil e seu primeiro contato com os indígenas nativos do território. Este módulo inclui vídeos com especialistas que discutem o tema, gravuras e desenhos que representam a percepção dos portugueses sobre a terra encontrada, mapas ilustrados com os povos que aqui habitavam e um fac-símile da carta de Pero Vaz de Caminha.

A língua portuguesa no Brasil

1500

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No dia 9 de março de 1500, a expedição do fidalgo Pedro Álvares Cabral com destino à Índia deixou o porto de Lisboa. Sua armada contava com dez navios e uma tripulação de cerca de mil homens. Pouco mais de um mês depois, avistaram sinais de terra. Os navegantes logo viram que não se tratava da Índia, mas talvez de uma nova ilha, ou quem sabe outro continente. Ao desembarcar, toparam com uma gente diferente, que falava uma língua desconhecida. Ficaram ali dez dias, antes de retomar a viagem ao Oriente. Sabemos o que aconteceu nesses dias graças a um relato detalhado feito pelo escrivão da caravela de Cabral – Pero Vaz de Caminha endereçada ao rei de Portugal. Sua Carta a El-Rei Dom Manuel, escrita em 1º de maio de 1500, é o primeiro relato sobre a terra que viria a se chamar “Brasil”.

No dia 9 de março de 1500, a expedição do fidalgo Pedro Álvares Cabral com destino à Índia deixou o porto de Lisboa. Sua armada contava com dez navios e uma tripulação de cerca de mil homens. Pouco mais de um mês depois, avistaram sinais de terra. Os navegantes logo viram que não se tratava da Índia, mas talvez de uma
nova ilha, ou quem sabe outro continente. Ao desembarcar, toparam com uma gente diferente, que falava uma língua desconhecida. Ficaram ali dez dias, antes de retomar a viagem ao Oriente. Sabemos o que aconteceu nesses dias graças a um relato detalhado feito pelo escrivão da caravela de Cabral – Pero Vaz de Caminha
endereçada ao rei de Portugal. Sua Carta a El-Rei Dom Manuel, escrita em 1º de maio de 1500, é o primeiro relato sobre a terra que viria a se chamar “Brasil”.

exhibitionItem

Senhor: Posto que o Capitão-mor desta vossa frota, e assim os

outros capitães, escreveram a Vossa Alteza a nova do achamento desta vossa terra

nova, que ora nesta navegação se achou, não deixarei também de dar minha conta a

Vossa Alteza.

Quarta-feira, 22 de abril

Neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! Primeiramente dum grande

monte, mui alto e redondo.

Quinta-feira, 23 de abril

Pela manhã, fizemos vela e lançamos âncoras em frente à boca de um rio. Já ali havia

dezoito ou vinte homens. Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes

cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas.

Sábado, 25 de abril

Ali andavam três ou quatro moças, com cabelos muito pretos e compridos, e suas

vergonhas tão altas, tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as muito bem

olharmos, não tínhamos nenhuma vergonha.

Domingo, 26 de abril

Além do rio, andavam muitos deles, dançando e folgando. Passou-se então além do

rio Diogo Dias; e levou consigo um gaiteiro nosso. E meteu-se com eles a dançar,

tomando-os pelas mãos; e eles folgavam e riam, e andavam com ele muito bem ao

som da gaita.

Segunda-feira, 27 de abril

Traziam uns ouriços verdes cheios duns grãos vermelhos pequenos que, esmagados

entre os dedos, faziam tintura muito vermelha, de que eles andavam tintos. E quanto

mais se molhavam, mais vermelhos ficavam.

Terça-feira, 28 de abril

Enquanto cortávamos a lenha, faziam dois carpinteiros uma grande Cruz. Muitos deles

vinham ali estar com os carpinteiros. E creio que o faziam mais por verem a ferramenta

de ferro do que por verem a Cruz, porque eles não têm coisa que de ferro seja.

Quinta-feira, 30 de abril.

Andavam já mais mansos e seguros entre nós, do que nós andávamos entre eles.[...]

Se os degredados que aqui hão de ficar aprenderem bem a sua fala e os entenderem,

não duvido que eles, segundo a santa intenção de Vossa Alteza, se hão de fazer

ciristãos, [...] porque esta gente é boa e de boa simplicidade.

Esta terra de ponta a ponta é tudo praia-palma, muito chã e formosa. Águas são

muitas, infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á

nela tudo, por bem das águas que tem.

Deste Porto Seguro, da vossa Ilha da Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de

maio de 1500.

Senhor: Posto que o Capitão-mor desta vossa frota, e assim os
outros capitães, escreveram a Vossa Alteza a nova do achamento desta vossa terra
nova, que ora nesta navegação se achou, não deixarei também de dar minha conta a
Vossa Alteza.
Quarta-feira, 22 de abril
Neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! Primeiramente dum grande
monte, mui alto e redondo.
Quinta-feira, 23 de abril
Pela manhã, fizemos vela e lançamos âncoras em frente à boca de um rio. Já ali havia
dezoito ou vinte homens. Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes
cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas.
Sábado, 25 de abril
Ali andavam três ou quatro moças, com cabelos muito pretos e compridos, e suas
vergonhas tão altas, tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as muito bem
olharmos, não tínhamos nenhuma vergonha.
Domingo, 26 de abril
Além do rio, andavam muitos deles, dançando e folgando. Passou-se então além do
rio Diogo Dias; e levou consigo um gaiteiro nosso. E meteu-se com eles a dançar,
tomando-os pelas mãos; e eles folgavam e riam, e andavam com ele muito bem ao
som da gaita.
Segunda-feira, 27 de abril
Traziam uns ouriços verdes cheios duns grãos vermelhos pequenos que, esmagados
entre os dedos, faziam tintura muito vermelha, de que eles andavam tintos. E quanto
mais se molhavam, mais vermelhos ficavam.
Terça-feira, 28 de abril
Enquanto cortávamos a lenha, faziam dois carpinteiros uma grande Cruz. Muitos deles
vinham ali estar com os carpinteiros. E creio que o faziam mais por verem a ferramenta
de ferro do que por verem a Cruz, porque eles não têm coisa que de ferro seja.
Quinta-feira, 30 de abril.
Andavam já mais mansos e seguros entre nós, do que nós andávamos entre eles.[...]
Se os degredados que aqui hão de ficar aprenderem bem a sua fala e os entenderem,
não duvido que eles, segundo a santa intenção de Vossa Alteza, se hão de fazer
ciristãos, [...] porque esta gente é boa e de boa simplicidade.
Esta terra de ponta a ponta é tudo praia-palma, muito chã e formosa. Águas são
muitas, infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á
nela tudo, por bem das águas que tem.
Deste Porto Seguro, da vossa Ilha da Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de
maio de 1500.

A carta

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video

https://www.youtube.com/embed/jOsRlgTQpZ0

O vídeo registra o cantor e compositor Jorge Mautner na leitura da Carta de Pero Vaz de Caminha, escrita em 1500 e enviada ao rei de Portugal, D. Manuel I. No documento, Caminha relata a chegada da frota de Pedro Álvares Cabral e descreve as primeiras impressões sobre o território e os povos que habitavam as terras que viriam a ser chamadas de Brasil.

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video

https://m-lingua-portuguesa.s3.sa-east-1.amazonaws.com/d0fce1bc4e17dbfcd123036697ce5ed6.mp4

No vídeo, o historiador Ronaldo Vainfas contextualiza o conhecimento que os portugueses possuíam acerca da existência de terras a oeste do globo. Em seguida, diferencia os termos “achamento” e “descobrimento”, destacando por que o mais adequado é se referir ao episódio como o “achamento do Brasil”.

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exhibitionItem

video

https://www.youtube.com/embed/YohX1S-2mHg

No vídeo, Ailton Krenak inicia afirmando que o ocorrido em 1500 deve ser entendido como uma invasão, considerando o extermínio de inúmeros povos originários. Em seguida, fala sobre o povo Krenak, compartilha suas reflexões a respeito da Carta de Pero Vaz de Caminha e conclui abordando a experiência de ser indígena no Brasil contemporâneo.

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exhibitionItem

video

https://www.youtube.com/embed/JSE7zSonfok

No vídeo, o ator Matheus Nachtergaele interpreta a leitura de um texto do historiador Jaime Cortesão, que reflete sobre o processo de formação do território brasileiro. A narração é acompanhada pela projeção do mapa do Brasil presente no Atlas de Lopo Homem, elaborado em 1519, uma das primeiras representações cartográficas do país após a chegada dos portugueses.

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exhibitionItem

Fac-símile da carta redigida pelo escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral, Pero Vaz de Caminha, em 1º de maio de 1500. O documento, endereçado ao rei D. Manuel I, relata a chegada dos portugueses ao território que viria a ser conhecido como Brasil, descrevendo aspectos da paisagem, da biodiversidade local e os primeiros contatos com as populações indígenas.

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exhibitionItem

Recorte do mapa do Brasil presente no Atlas de Lopo Homem-Reineis, também conhecido como Atlas Miller. A carta apresenta parte do território com ilustrações da fauna e flora brasileiras, além de cenas de extração de pau-brasil realizadas por indígenas. Trata-se de uma representação cartográfica da costa do Brasil, com destaque para o litoral atlântico, marcado por toponímia em língua portuguesa e enriquecido com detalhamento artístico da paisagem. Na porção terrestre, figuram animais tropicais, vegetação nativa, grupos indígenas em atividades coletivas e habitações circulares com cobertura de palha. Já no espaço marítimo, a presença de embarcações europeias, bandeiras e rosas-dos-ventos reforça a simbologia do domínio português e o controle das rotas atlânticas.

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exhibitionItem

“Brasil” não foi o primeiro nome que os portugueses deram à terra que haviam acabado de achar. Cabral batizou-a de “Ilha de Vera Cruz” e logo depois Dom Manuel, o rei de Portugal, mudou o nome para “Terra de Santa Cruz”. Mas aos poucos “Brasil” foi ganhando a preferência geral. Etimólogos afirmam que a palavra "brasil" significa "vermelho, cor de brasa" e vem de "pau-brasil", nome da árvore (Caesalpinia echinata) cuja madeira, de cerne vermelho, extrai-se a tintura dessa cor. Assim, o nome do país teria se originado do primeiro produto local comercializado pelos portugueses. Mas há uma segunda hipótese: mapas-múndi europeus do século XIV já estampavam o nome Brasil para representar terras desconhecidas em suas geografias, ainda em grande parte imaginárias. Na mesma época, uma lenda irlandesa falava de uma ilha paradisíaca situada em algum ponto do oceano Atlântico e chamada “Hy-Brasil”. Assim, o futuro país Brasil teria ganhado o nome deste lugar mítico, já presente no vocabulário dos europeus muito antes da viagem de Cabral.

“Brasil” não foi o primeiro nome que os portugueses deram à terra que haviam acabado de achar. Cabral batizou-a de “Ilha de Vera Cruz” e logo depois Dom Manuel, o rei de Portugal, mudou o nome para “Terra de Santa Cruz”. Mas aos poucos “Brasil” foi ganhando a preferência geral. Etimólogos afirmam que a palavra "brasil" significa "vermelho, cor de brasa" e vem de "pau-brasil", nome da árvore (Caesalpinia echinata)
cuja madeira, de cerne vermelho, extrai-se a tintura dessa cor. Assim, o nome do país teria se originado do primeiro produto local comercializado pelos portugueses. Mas há uma segunda hipótese: mapas-múndi europeus do século XIV já estampavam o nome Brasil para representar terras desconhecidas em suas geografias, ainda em grande parte imaginárias. Na mesma época, uma lenda irlandesa falava de uma ilha
paradisíaca situada em algum ponto do oceano Atlântico e chamada “Hy-Brasil”. Assim, o futuro país Brasil teria ganhado o nome deste lugar mítico, já presente no vocabulário dos europeus muito antes da viagem de Cabral.

Brasil

Has part

O sexto módulo da experiência "Português do Brasil", intitulado "O enfrentamento dos mundos" (1500 até os dias atuais), explora o impacto do encontro entre portugueses e povos indígenas, com ênfase nas culturas indígenas durante o período de colonização. Esse módulo apresenta vídeos com especialistas, um vídeo produzido para a exposição Nhe'ẽ Porã: Memória e Transformação, uma Tigela Tupinambá do século XVI pertencente ao acervo do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, além de fotografias artísticas e registros documentais que retratam povos e figuras indígenas, como Ailton Krenak.

1500 até hoje

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No primeiro encontro entre indígenas e portugueses, em uma praia próxima do que hoje é Porto Seguro, na Bahia, um não pôde entender o que o outro falava. As palavras misturavam-se no ar, confusas, incompreensíveis. Os povos indígenas que viviam então na costa – de São Paulo até a foz do Tocantins, no Pará – falavam, em sua maioria, variedades da língua tupinambá, pertencente à grande família TupiGuarani. A unidade linguística desse vasto território fez do tupinambá a língua predominante nos contatos entre portugueses e indígenas nos séculos XVI e XVII. Seu uso generalizado pela população luso-brasileira até meados do século XVIII, do norte ao no sul da colônia, influenciou o português falado no Brasil. Vem daí sua influência no português falado no Brasil. De açaí a jabuti, de maracanã a jabuticaba, centenas de palavras que usamos até hoje foram herdadas do tupinambá. - Monain, indígena mehinaku do Xingu. Atualmente, mais de 160 línguas são faladas pelos povos indígenas no Brasil. No entanto, antes da chegada dos portugueses, estima-se que esse número fosse próximo de mil.

No primeiro encontro entre indígenas e portugueses, em uma praia próxima do que hoje é Porto Seguro, na Bahia, um não pôde entender o que o outro falava. As palavras misturavam-se no ar, confusas, incompreensíveis. Os povos indígenas que viviam então na costa – de São Paulo até a foz do Tocantins, no Pará – falavam, em sua maioria, variedades da língua tupinambá, pertencente à grande família TupiGuarani. A unidade linguística desse vasto território fez do tupinambá a língua predominante nos contatos entre portugueses e indígenas nos séculos XVI e XVII. Seu uso generalizado pela população luso-brasileira até meados do século XVIII, do norte ao no sul da colônia, influenciou o português falado no Brasil. Vem daí sua influência no português falado no Brasil. De açaí a jabuti, de maracanã a jabuticaba, centenas de palavras que usamos até hoje foram herdadas do tupinambá. - Monain, indígena mehinaku do Xingu. Atualmente, mais de 160 línguas são faladas pelos povos indígenas no Brasil. No entanto, antes da chegada dos portugueses, estima-se que esse número fosse próximo de mil.

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Os "brasis", como os nossos antepassados indígenas foram tantas vezes chamados, chegaram às terras americanas em migrações milenares. Não se sabe exatamente quando, nem como. Em 1500, esses povos, que poderiam totalizar entre 1 e 8 milhões de pessoas, haviam caminhado da pedra lascada em direção ao neolítico, ocupando a várzea amazônica, a orla marítima, as serras, os sertões, os pantanais. Praticavam a agricultura, produziam cerâmica, construíam casas de palha, conheciam os astros, pescavam, colhiam frutos, tramavam guerras. Distribuíam-se coloridamente, com as suas línguas e as suas crenças, da foz do Oiapoque à bacia do rio Paraná. Os grupos tupis venceram a disputa pela fachada atlântica. Os tupinambás e tupiniquins, que entraram em contato mais direto com os europeus, eram brasis que se dedicavam, antes de mais nada, à guerra e à festa. E foram justamente esses bravos e criativos guerreiros antropófagos que ensinaram os trópicos aos lusos, armando o tear da rede em que amanheceu o Brasil.

Os "brasis", como os nossos antepassados indígenas foram tantas vezes chamados, chegaram às terras americanas em migrações milenares. Não se sabe exatamente quando, nem como. Em 1500, esses povos, que poderiam totalizar entre 1 e 8 milhões de pessoas, haviam caminhado da pedra lascada em direção ao
neolítico, ocupando a várzea amazônica, a orla marítima, as serras, os sertões, os pantanais. Praticavam a agricultura, produziam cerâmica, construíam casas de palha, conheciam os astros, pescavam, colhiam frutos, tramavam guerras. Distribuíam-se coloridamente, com as suas línguas e as suas crenças, da foz do Oiapoque à bacia do rio Paraná. Os grupos tupis venceram a disputa pela fachada atlântica. Os tupinambás e tupiniquins, que entraram em contato mais direto com os europeus, eram brasis que se dedicavam, antes de mais nada, à guerra e à festa. E foram justamente esses bravos e criativos guerreiros antropófagos que ensinaram os trópicos aos lusos, armando o tear da rede em que amanheceu o Brasil.

Os povos brasis

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video

https://www.youtube.com/embed/xxabQ-7q-gU

O vídeo apresenta cenas do cotidiano de três comunidades indígenas brasileiras, mostrando aspectos de sua vida social, práticas culturais e modos de habitar o território. As imagens, extraídas do filme Xetá, dirigido por Fernando Severo, foram registradas entre os anos de 1989 e 2010 e compõem um retrato dessas populações.

Por meio de registros audiovisuais, o vídeo apresenta momentos de convivência, rituais, expressões artísticas e relações com o ambiente natural, oferecendo ao espectador uma aproximação com os modos de vida desses povos. A obra registra a diversidade cultural indígena e contribui para a preservação das práticas culturais dessas comunidades.

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exhibitionItem

A obra "A dança dos Tapuias", atribuída ao pintor holandês Albert Eckhout (1610–1665), retrata uma cena ritual protagonizada por indígenas do grupo Tapuia, também conhecidos como Tarairius, originários da região do atual Rio Grande do Norte. A composição apresenta um grupo de oito homens dispostos em círculo, participando de uma dança cerimonial. As figuras estão nuas, com adornos corporais e cocares. No centro do círculo, dois homens realizam movimentos mais intensos; um deles segura um bastão ou lança. À direita da cena, duas mulheres indígenas observam a dança, posicionadas fora do círculo. Próximo a elas, no chão, há a representação de um tatu. O fundo da imagem é composto por vegetação tropical, incluindo coqueiros e um cajueiro, elementos que situam a cena no ambiente natural do Brasil colonial.

A obra integra uma série de cenas de costumes e não os retratos individuais que também compõem a produção de Eckhout. A dança representada tem conotação ritualística e está associada à preparação para o combate, segundo registros históricos sobre os Tapuias. A pintura foi provavelmente finalizada após o retorno do artista à Europa, com base em esboços realizados no Brasil.

Um aspecto notável da composição é a forma como os corpos indígenas são representados com proporções, posturas e organização espacial semelhantes às utilizadas na retratação de figuras europeias na pintura barroca. Essa aproximação formal confere aos personagens indígenas uma presença monumental e equilibrada, inserindo-os em uma lógica visual familiar ao público europeu, ainda que em um contexto cultural distinto. Tal escolha estética revela uma tentativa de traduzir a alteridade por meio de convenções visuais ocidentais, ao mesmo tempo em que documenta práticas culturais locais com detalhamento observacional.

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A palavra vem do tupinambá mandióka. Quando os europeus desembarcaram, os ameríndios já haviam domesticado a planta pelo menos 8 mil anos antes. A novidade foi bastante apreciada pelos recém-chegados. "Onde lhes faltasse o pão de trigo, aprendiam a comer o da terra, e com tal requinte, que a gente de tratamento só comia farinha fresca, feita no dia", observou o cronista Gabriel Soares de Souza, em 1587. Os indígenas consumiam dois tipos de mandioca: a doce, também conhecida por macaxeira ou aipim (respectivamente do tupi makaxéra e aipý); e a brava, que deve ser cozida por muitas horas para que seu "veneno" (ácido cianídrico) evapore. O antropólogo Claude Lévi-Strauss considerava a domesticação da mandioca uma das mais admiráveis conquistas da civilização ameríndia. "Sua grande proeza cultural foi transformar o que era veneno no pão de cada dia de um povo", afirma o antropólogo Antonio Risério.

A palavra vem do tupinambá mandióka. Quando os europeus desembarcaram, os ameríndios já haviam domesticado a planta pelo menos 8 mil anos antes. A novidade foi bastante apreciada pelos recém-chegados. "Onde lhes faltasse o pão de trigo, aprendiam a comer o da terra, e com tal requinte, que a gente de tratamento só comia farinha fresca, feita no dia", observou o cronista Gabriel Soares de Souza, em 1587. Os indígenas consumiam dois tipos de mandioca: a doce, também conhecida por macaxeira ou aipim (respectivamente do tupi makaxéra e aipý); e a brava, que deve ser cozida por muitas horas para que seu "veneno" (ácido cianídrico) evapore. O antropólogo Claude Lévi-Strauss considerava a domesticação da mandioca uma das mais admiráveis conquistas da civilização ameríndia. "Sua grande proeza cultural foi transformar o que era veneno no pão de cada dia de um povo", afirma o antropólogo Antonio Risério.

Mandioca

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Imagem fotográfica de 1997 que registra uma mulher Baniwa da comunidade Matapi, localizada no alto rio Içana, no noroeste do estado do Amazonas, região habitada por povos indígenas também presentes na Colômbia e na Venezuela. A mulher está posicionada diante de uma grande chapa circular, sobre a qual assa o beiju, alimento tradicional derivado da mandioca. Ela segura o beiju com ambas as mãos, posicionando-o sobre a superfície quente. Ao fundo, observa-se uma estrutura coberta com folhas, com objetos pendurados na parede, compondo o ambiente doméstico da comunidade.

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Entre os séculos XVI e XVII, o povoamento e a implantação da língua portuguesa no Brasil se partiu de 7 focos irradiadores: São Vicente (1532), Olinda/Recife (1535), Salvador (1549), São Paulo (1554), Rio de Janeiro (1557), São Luís do Maranhão (1612) e Belém (1616). Mas o português não se tornou de imediato a língua mais falada na nova terra. Colonos e missionários recém-chegados tiveram que aprender a língua local para se comunicar com os indígenas. Com isso, o tupinambá tornou-se a língua franca da colônia, depois conhecida como língua geral, que existiu em duas versões. Uma, a língua geral paulista, falada pelos bandeirantes de São Paulo - que a fizeram chegar em Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Paraná -, foi extinta no século XVIII pelo decreto que expulsou os jesuítas e proibiu o ensino das línguas gerais no país. A outra, a língua geral amazônica, também chamada de “nheengatu” [língua boa] é falada até hoje no nordeste da Amazônia.

Entre os séculos XVI e XVII, o povoamento e a implantação da língua portuguesa no Brasil se partiu de 7 focos irradiadores: São Vicente (1532), Olinda/Recife (1535), Salvador (1549), São Paulo (1554), Rio de Janeiro (1557), São Luís do Maranhão (1612) e Belém (1616). Mas o português não se tornou de imediato a língua mais falada na nova terra. Colonos e missionários recém-chegados tiveram que aprender a língua local para se comunicar com os indígenas. Com isso, o tupinambá tornou-se a língua franca da colônia, depois conhecida como língua geral, que existiu em duas versões. Uma, a língua geral paulista, falada pelos bandeirantes de São Paulo - que a fizeram chegar em Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Paraná -, foi extinta no século XVIII pelo decreto que expulsou os jesuítas e proibiu o ensino das línguas gerais no país. A outra, a língua geral amazônica, também chamada de “nheengatu” [língua boa] é falada até hoje no nordeste da Amazônia.

A língua geral

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O contato da língua portuguesa com as línguas ameríndias também se revelou trágico e fatal. Em 1500, no território que viria a ser o Brasil, falavam-se cerca de 1.200 línguas. Hoje são em torno de 150. Em cinco séculos, com a escravização, epidemias, guerras, expulsões e genocídios desapareceram centenas de povos e línguas. A história do Brasil também é uma história de desapropriação contínua dos povos indígenas. E, apesar de a Constituição de 1988 ter assegurado aos indígenas o direito à terra, seus territórios continuam a sofrer inúmeras ameaças. Na ponta da resistência estão os povos isolados. Em 2018, a Fundação Nacional do Índio (Funai) confirmava a existência de 28 grupos isolados e outras 70 evidências ainda não comprovadas na Amazônia brasileira. Em pleno século XXI, estes povos recusam insistentemente o contato com o mundo dito “civilizado”.

O contato da língua portuguesa com as línguas ameríndias também se revelou trágico e fatal. Em 1500, no território que viria a ser o Brasil, falavam-se cerca de 1.200 línguas. Hoje são em torno de 150. Em cinco séculos, com a escravização, epidemias, guerras, expulsões e genocídios desapareceram centenas de povos e línguas. A história do Brasil também é uma história de desapropriação contínua dos povos indígenas. E, apesar de a Constituição de 1988 ter assegurado aos indígenas o direito à terra, seus territórios continuam a sofrer inúmeras ameaças. Na ponta da resistência estão os povos isolados. Em 2018, a Fundação Nacional do Índio (Funai) confirmava a existência de 28 grupos isolados e outras 70 evidências ainda não comprovadas na
Amazônia brasileira. Em pleno século XXI, estes povos recusam insistentemente o contato com o mundo dito “civilizado”.

A luta

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A Tigela Tupinambá é uma peça arqueológica tridimensional, produzida em cerâmica modelada e pintada, datada aproximadamente do ano 1500. De formato ovalado, apresenta bordas espessas e arredondadas, com superfície interna decorada por padrões geométricos em relevo, compostos por linhas entrelaçadas. A coloração predominante é clara, com variações entre tons de bege e marrom claro. A peça apresenta rachaduras visíveis, além de abrasões, fissuras e perda de policromia, indicando desgaste ao longo do tempo. Há também indícios de intervenções anteriores, possivelmente relacionadas a processos de restauração.

A peça é atribuída à subtradição Tupinambá da Amazônia, grupo pertencente ao tronco linguístico Tupi-Guarani, que ocupava territórios ao longo do litoral atlântico e também áreas do atual estado do Pará, especialmente nas margens dos rios Tocantins, Xingu e Amazonas. A produção cerâmica entre esses grupos fazia parte de um sistema técnico e simbólico complexo, com peças utilizadas tanto em atividades cotidianas — como o preparo e armazenamento de alimentos — quanto em contextos cerimoniais e funerários. A tigela reflete esse conhecimento técnico e cultural, transmitido por meio de práticas coletivas.

additionalType

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O uso contínuo do tupinambá e das línguas gerais por mais de duzentos anos deixou gravados na terra (e nos seus mapas) os nomes dos lugares batizados originalmente pelos indígenas. São milhares de palavras que testemunham a fortíssima herança indígena em nosso país.

O uso contínuo do tupinambá e das línguas gerais por mais de duzentos anos deixou gravados na terra (e nos seus mapas) os nomes dos lugares batizados originalmente pelos indígenas. São milhares de palavras que testemunham a fortíssima herança indígena em nosso país.

Nomes de lugares

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video

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O vídeo apresenta 119 nomes de localidades brasileiras de origem indígena, incluindo cidades, bairros, rios e estados. Os nomes são exibidos em sequência, com destaque para sua presença na toponímia nacional. A seleção inclui exemplos como Anhembi, Paranapiacaba, Ipanema, Itanhaém, Ubatuba, Piracicaba, Tucuruvi, Uberaba, Jacareí, Capibaribe, Itacoatiara e Manacapuru.

A proposta do vídeo é evidenciar a permanência de termos indígenas na nomeação de lugares, indicando a extensão da influência linguística dos povos originários no território brasileiro.

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Fotografia colorida de um homem indígena agachado, com o rosto desfocado. Seu corpo está pintado com grafismos tradicionais, com predominância das cores vermelho e preto, cobrindo o rosto, o tronco, os braços e as pernas. Ele utiliza elementos culturais de sua comunidade, como colares e mangas com estampa de onça. O fundo da imagem é completamente preto, o que realça a figura retratada e seus elementos visuais.

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Fotografia de uma manifestação indígena realizada em Brasília (DF), no ano de 2015, capturada pelo fotógrafo André Coelho. A imagem mostra uma pessoa indígena de costas, empunhando um arco e flecha em direção ao Congresso Nacional, símbolo do poder legislativo brasileiro. O manifestante está sem camisa, com adereços tradicionais, e ocupa o centro da composição, tendo ao fundo as emblemáticas torres do Congresso e as cúpulas das casas legislativas. A cena transmite uma forte carga simbólica, evocando resistência e ancestralidade diante das estruturas do Estado. Não há faixas ou cartazes visíveis, o que reforça a expressividade do gesto individual como forma de protesto.

O registro integra uma série de mobilizações indígenas que ocorreram ao longo da década de 2010, marcadas por reivindicações territoriais, denúncias de retrocessos legislativos e protestos contra projetos de lei que ameaçavam os direitos originários garantidos pela Constituição de 1988. Em 2015, diversas etnias se reuniram na capital federal para protestar contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, que visava transferir do Executivo para o Congresso a competência de demarcação de terras indígenas — medida amplamente criticada por organizações indígenas e indigenistas por representar riscos à autonomia e aos direitos territoriais dos povos originários. A imagem foi veiculada pela agência "O Globo" e integra acervos jornalísticos e documentais sobre as lutas indígenas contemporâneas no Brasil.

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Fotografia aérea capturada em maio de 2008 mostra um grupo de indígenas isolados na Amazônia brasileira reagindo à presença de um avião que sobrevoava sua aldeia. Ao lado de uma grande estrutura de palha, cercada por densa floresta tropical, os indígenas — vestindo trajes vermelhos — aparecem lançando flechas em direção à aeronave, em um gesto de defesa territorial e resistência a interferências externas.

A imagem tornou-se um símbolo da urgência em preservar os direitos, os territórios e o modo de vida desses povos, que habitam regiões de difícil acesso e permanecem voluntariamente fora do contato direto com a sociedade envolvente.

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Quando o português chegou / Debaixo d'uma bruta chuva / Vestiu o índio / Que pena! / Fosse uma manhã de sol / O índio tinha despido / O português. Oswald de Andrade. 

Quando o português chegou / Debaixo d'uma bruta chuva / Vestiu o índio / Que pena! / Fosse uma manhã de sol / O índio tinha despido / O português. Oswald de Andrade.

Erro de português

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Neste vídeo, Ana Suelly Arruda Câmara Cabral aborda a impressionante diversidade linguística do Brasil, destacando a existência de aproximadamente 180 línguas indígenas — número que pode ser ainda maior, considerando os povos que não mantêm contato com a sociedade envolvente. A pesquisadora se aprofunda na história do grupo linguístico tupi, cuja origem remonta à região de Rondônia, de onde parte das populações migrou, promovendo uma ampla diversificação linguística e territorial.

Ela explica que o tronco tupi é composto por dez famílias linguísticas e que estudos apontam relações profundas com os troncos Macro-Jê e Caribe. Um dos movimentos migratórios mais notáveis, segundo Ana Suelly, é o dos tupinambás, que ocuparam vastas extensões do litoral brasileiro, do Rio de Janeiro ao Pará, falando uma mesma língua com variações dialetais mínimas.

Com a chegada dos colonizadores, foi necessário que estes aprendessem a língua tupinambá, já que era a língua corrente nas aldeias costeiras. No entanto, com o avanço da colonização e a transformação das aldeias em cidades, o português passou a substituir progressivamente o uso da língua indígena.

Ao final, Ana Suelly enfatiza que a língua não se resume à gramática ou ao léxico: ela é também cultura, modo de vida, forma de transmissão de saberes sobre a natureza, a medicina, os rituais e as crenças. A língua, afirma, é uma chave para compreender os contextos sociais e os modos de existência dos povos indígenas.

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No vídeo, Manuela Carneiro da Cunha apresenta uma análise sobre a centralidade da guerra e do canibalismo na cultura tupinambá. Ela inicia explicando que, para os Tupinambá, a guerra era um elemento estruturante do etos social, sendo condição para o reconhecimento individual e para a participação em rituais importantes, como o casamento. O status de guerreiro, especialmente aquele que havia matado um inimigo, era fundamental para a inserção plena na vida adulta.

Manuela descreve o canibalismo como parte de um ritual que conferia prestígio e sentido à morte. Os mortos, segundo a cosmologia tupinambá, transformavam-se em entidades espirituais, e o ato de serem devorados pelos seus era compreendido como uma forma de transição para esse outro plano. Os matadores, no entanto, eram proibidos de consumir suas vítimas, o que lhes reservava um destino pós-morte distinto.

A antropóloga traça um paralelo entre esse sistema de valores e a ideia da “bela morte” presente na cultura grega antiga, onde a morte em batalha era vista como uma forma de alcançar a imortalidade por meio da memória coletiva.

Na segunda parte do vídeo, Manuela aborda a forma como os portugueses reagiram e se aproveitaram do canibalismo tupinambá. Embora oficialmente condenassem a prática, os colonizadores utilizaram o contexto ritual para legitimar a escravidão indígena. Prisioneiros destinados ao sacrifício podiam ser “resgatados” mediante troca por mercadorias, sendo então legalmente escravizados. Esse mecanismo incentivou a intensificação das guerras intertribais, ampliando o número de cativos disponíveis para o comércio e consolidando a escravidão como prática sistemática na colonização.

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Neste vídeo, o linguista Aryon Rodrigues apresenta uma exposição sobre a formação das línguas gerais no Brasil durante o período colonial, com foco nas variantes derivadas do tupi e do tupinambá. A narração é acompanhada por imagens do povo indígena Xetá, registradas por Fernando Severo entre os anos de 1989 e 2010.

Aryon descreve o surgimento de duas línguas gerais: a paulista e a amazônica. A primeira, com base no tupi, foi utilizada por mamelucos — descendentes de portugueses e indígenas — e empregada pelos bandeirantes. A segunda, com base no tupinambá, foi usada na região amazônica e passou a ser conhecida como nheengatu, termo que significa “língua boa”.

O vídeo trata do uso dessas línguas como meio de comunicação entre diferentes grupos sociais, indicando que, apesar da influência do português, ambas mantêm origem indígena. Aryon também menciona a continuidade do uso do nheengatu no noroeste do estado do Amazonas, onde ainda é falado por parte da população.

A obra reúne conteúdo linguístico e registros visuais de comunidades indígenas, com foco na trajetória das línguas gerais no território brasileiro.

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No vídeo, Davi Kopenawa Yanomami relata o momento em que ocorreu o primeiro contato de seu povo com os não indígenas, quando ele ainda era criança. Ele descreve esse episódio como um marco que alterou a dinâmica da vida em sua aldeia. Em seguida, menciona o crescimento da população Yanomami ao longo do tempo, apontando para a continuidade de seu povo diante das mudanças impostas por fatores externos.

Na parte central do vídeo, Davi aborda a criação e a função do movimento indígena no Brasil. Ele afirma que esse movimento surgiu como resposta à tentativa de ocupação das terras e florestas indígenas por parte de não indígenas, incluindo fazendeiros, garimpeiros, mineradoras e projetos de barragens. Davi destaca que a permanência do movimento indígena está diretamente relacionada à continuidade dos povos indígenas. Caso o movimento seja enfraquecido ou eliminado, o futuro desses povos também estará comprometido.

A fala de Davi Kopenawa apresenta uma sequência de eventos e reflexões que articulam memória, território e organização política dos povos indígenas, com foco na experiência do povo Yanomami.

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O vídeo é uma animação criada por Daiara Tukano, que utiliza grafismos para representar conflitos históricos entre povos indígenas e forças coloniais e estatais no Brasil. A obra menciona, por meio de símbolos visuais, 17 episódios de violência e resistência indígena, desde o século XVI até os dias atuais.

Ao final do vídeo, a artista apresenta um manifesto em que afirma que, antes da invasão colonial de 1500, diversos povos indígenas já habitavam o território. Desde então, esses povos vêm sendo alvo de processos contínuos de violência, expulsão e extermínio.

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Has part

O sétimo módulo da experiência "Português do Brasil", intitulado Vozes da África (Séculos (XVI a XVIII) que aborda a passagem da mão de obra indígena para a africana e as violações do processo de escravização dos africanos, por mais de 300 anos. O módulo também aborda as principais línguas de diáspora africana, como o Quicongo, Quimbundo e Umbundo, que são línguas que também estão presentes na experiência Palavras Cruzadas. Este módulo apresenta acervos como a escultura Nkisi, mapas animados e imagem de africanos e crioulos no Brasil.

Do séculos XVI ao XVIII

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Durante o século XVI, o comércio de açúcar tornou-se um negócio muito lucrativo na Europa, e os portugueses resolveram introduzir o cultivo da cana no Brasil. Após tentativas fracassadas de usar os indígenas nas plantações, os senhores de engenho começaram a trazer à força africanos que foram escravizados. Por mais de 300 anos, o tráfico entre Brasil e África trouxe para este lado do Atlântico cerca de 4,9 milhões de africanos, 70% deles trazidos da África Centro-Ocidental, região ocupada hoje por países como Congo e Angola. Falavam, quase todos, línguas do grupo banto, principalmente o quicongo, o quimbundo e o umbundo. A presença maciça dos povos bantos foi o principal agente modelador da língua portuguesa no Brasil, imprimindo-lhe uma nova musicalidade e centenas de novas palavras e expressões.

Durante o século XVI, o comércio de açúcar tornou-se um negócio muito lucrativo na Europa, e os portugueses resolveram introduzir o cultivo da cana no Brasil. Após tentativas fracassadas de usar os indígenas nas plantações, os senhores de engenho começaram a trazer à força africanos que foram escravizados. Por mais de 300 anos, o tráfico entre Brasil e África trouxe para este lado do Atlântico cerca de 4,9 milhões de africanos, 70% deles trazidos da África Centro-Ocidental, região ocupada hoje por países como Congo e Angola. Falavam, quase todos, línguas do grupo banto, principalmente o quicongo, o quimbundo e o umbundo. A presença maciça dos povos bantos foi o principal agente modelador da língua portuguesa no Brasil, imprimindo-lhe uma nova musicalidade e centenas de novas palavras e expressões.

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Os bantos habitam toda a extensão do continente africano ao sul da linha do equador. Esse território corresponde a 21 países e a centenas de línguas, todas derivadas de um ancestral comum, o protobanto, uma língua que foi reconstruída e que, hipoteticamente, teria sido falada há mais de quatro milênios. Os bantos têm uma longuíssima história de migração pelo continente africano. Peças de grande beleza e apuro técnico foram encontradas na região do Rio Congo indicam que desde 100 AEC, alí já se conhecia a tecnologia da fundição de metais e se dominava a arte de marcenaria e da tecelagem de fibras. No século XV, quando os portugueses chegaram à África, encontraram reinos grandes e poderosos, entre eles o do Congo, dos reis designados como "Manicongo"; o de Ndongo, cujos reis recebiam o título de "Ngola" (de onde veio o nome Angola); e o reino de Matamba, de Nzinga Mbandi (1580-1663), a mítica Rainha Jinga.

Os bantus habitam toda a extensão do continente africano ao sul da linha do equador. Esse território corresponde a 21 países e a centenas de línguas, todas derivadas de um ancestral comum, o protobantu, uma língua que foi reconstruída e que, hipoteticamente, teria sido falada há mais de quatro milênios. Os bantus têm uma longuíssima história de migração pelo continente africano. Peças de grande beleza e apuro técnico foram encontradas na região do Rio Congo indicam que desde 100 AEC, alí já se conhecia a tecnologia da fundição de metais e se dominava a arte de marcenaria e da tecelagem de fibras. No século XV, quando os portugueses chegaram à África, encontraram reinos grandes e poderosos, entre eles o do Congo, dos reis designados como "Manicongo"; o de Ndongo, cujos reis recebiam o título de "Ngola" (de onde veio o nome Angola); e o reino de Matamba, de Nzinga Mbandi (1580-1663), a mítica Rainha Jinga.

Povos ancestrais

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Imagem de uma espada com uma lâmina de ferro longa e reta, com três sulcos curtos de cada lado e uma marca de fabricação em forma de cruz, feita de cobre incrustado, próxima ao punho. A arma possui um cabo esculpido, provavelmente de madeira, possivelmente de chifre ou marfim, um pomo de ferro em forma de coroa e quatro quilos de ferro, os dois mais curtos curvados para baixo, formando laços em ambos os lados. Os dois quilos mais longos, um curvado para cima e o outro para baixo, são achatados nas extremidades e perfurados com um único furo.

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Imagem de pintura intitulada "Guerreiro Africano", do artista holandês Albert Eckhout, retrata um homem guerreiro.

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Imagem de gravura do artista James Phillips, retrata o plano e seções de um navio negreiro.

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Esse era o nome dado aos navios que faziam o tráfico de escravizados entre África e Brasil. “Tumbeiro” vem de tumba, pois a travessia, que durava de um a dois meses, levava à morte até um quarto dos prisioneiros embarcados. Em navios superlotados, eles eram jogados às centenas nos porões, em condições desumanas. A quantidade de comida era deliberadamente racionada, para evitar a resistência e as rebeliões. Segundo relato de Johann Moritz Rugendas (1802-1858), pintor alemão que viveu no Rio de Janeiro, os negros eram "amontoados num compartimento cuja altura raramente ultrapassa cinco pés [1,5 metro]. Todos, principalmente nos primeiros tempos da travessia, têm algemas nos pés e nas mãos e são presos uns aos outros por uma comprida corrente".

Esse era o nome dado aos navios que faziam o tráfico de escravizados entre África e Brasil. “Tumbeiro” vem de tumba, pois a travessia, que durava de um a dois meses, levava à morte até um quarto dos prisioneiros embarcados. Em navios superlotados, eles eram jogados às centenas nos porões, em condições desumanas. A quantidade de comida era deliberadamente racionada, para evitar a resistência e as rebeliões. Segundo relato de Johann Moritz Rugendas (1802-1858), pintor alemão que viveu no Rio de Janeiro, os negros eram "amontoados num compartimento cuja altura raramente ultrapassa cinco pés [1,5 metro]. Todos, principalmente nos primeiros tempos da travessia, têm algemas nos pés e nas mãos e são presos uns aos outros por uma comprida corrente".

Os tumbeiros

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“Nenhum povo que passasse por tudo isso como sua rotina de vida através de séculos sairia dela sem ficar marcado indelevelmente. Todos nós, brasileiros, somos carne daqueles pretos e [indígenas] supliciados. Todos nós brasileiros somos, por igual, a mão possessa que os supliciou. A doçura mais terna e a crueldade mais atroz aqui se conjugaram para fazer de nós a gente sentida e sofrida que somos e a gente insensível e brutal, que também somos.” Darcy Ribeiro.

“Nenhum povo que passasse por tudo isso como sua rotina de vida através de séculos sairia dela sem ficar marcado indelevelmente. Todos nós, brasileiros, somos carne daqueles pretos e [indígenas] supliciados. Todos nós brasileiros somos, por igual, a mão possessa que os supliciou. A doçura mais terna e a crueldade mais atroz aqui se conjugaram para fazer de nós a gente sentida e sofrida que somos e a gente insensível e brutal, que também somos.” Darcy Ribeiro.

As marcas da escravidão

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O vídeo ilustra as principais rotas do comércio transatlântico de escravizados entre os séculos XVI e XIX, destacando os fluxos entre a África e as Américas. A animação apresenta um mapa que traça os caminhos percorridos pelos navios negreiros, acompanhados de legendas que indicam a quantidade de pessoas capturadas e transportadas ao longo do período.

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Escultura de origem africana, associada aos povos Congos e produzida em contexto pré-colonial, correspondente a reinos localizados nas atuais Angola, República do Congo e República Democrática do Congo. Os minkisi (plural de nkisi) integram práticas espirituais voltadas à mediação de forças da natureza, à cura de enfermidades e à proteção da comunidade. Diferem do conceito ocidental de religião, por estarem vinculados a uma visão integrada da espiritualidade nos costumes da África subsaariana.

No Brasil, os minkisi foram incorporados ao Candomblé de Angola, onde são compreendidos como entidades da própria natureza.

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A partir do fim do século XVII e ao longo do século XVIII, a descoberta das minas de ouro e diamantes no Brasil levou os comerciantes de escravizados a buscar africanos experientes em mineração na Costa da Mina, uma região aurífera no Golfo de Benim. Assim se iniciou o tráfico dos povos que falavam línguas do grupo gbe – como mina, eve, fon, gun, gen, entre outras. No Brasil, os povos eve e fon foram chamados de "jeje". A concentração desses indivíduos nas cidades mineradoras, sobretudo em Minas Gerais, facilitou o desenvolvimento de uma língua franca, o dialeto das minas, utilizada na primeira metade do século XVIII em Vila Rica. Esse falar foi registrado por Antônio da Costa Peixoto no manuscrito Obra Nova da Língua Geral de Mina. Em 46 páginas, escritas em duas etapas (1731 e 1741), o autor apresenta um manual para ensinar a “língua de mina” aos senhores de escravos, um A partir do fim do século XVII e ao longo do século XVIII, a descoberta das minas de ouro e diamantes no Brasil levou os comerciantes de escravos a buscar africanos experientes em mineração na Costa da Mina, uma região aurífera no Golfo de Benim. Assim se iniciou o tráfico dos povos que falavam línguas do grupo gbe – como mina, eve, fon, gun, gen, entre outras. No Brasil, os povos eve e fon foram chamados de "jeje". A concentração desses indivíduos nas cidades mineradoras, sobretudo em Minas Gerais, facilitou o desenvolvimento de uma língua franca, o dialeto das minas, utilizada na primeira metade do século XVIII em Vila Rica.

Esse falar foi registrado por Antônio da Costa Peixoto no manuscrito Obra Nova da Língua Geral de Mina. Em 46 páginas, escritas em duas etapas (1731 e 1741), o autor apresenta um manual para ensinar a “língua de mina” aos senhores de escravizados, um documento precioso que atesta que, para comunicação na região das minas, foi utilizada uma língua veicular.

A partir do fim do século XVII e ao longo do século XVIII, a descoberta das minas de ouro e diamantes no Brasil levou os comerciantes de escravizados a buscar africanos experientes em mineração na Costa da Mina, uma região aurífera no Golfo de Benim. Assim se iniciou o tráfico dos povos que falavam línguas do grupo gbe – como mina, eve, fon, gun, gen, entre outras. No Brasil, os povos eve e fon foram chamados de "jeje". A concentração desses indivíduos nas cidades mineradoras, sobretudo em Minas Gerais, facilitou o desenvolvimento de uma língua franca, o dialeto das minas, utilizada na primeira metade do século XVIII em Vila Rica. Esse falar foi registrado por Antônio da Costa Peixoto no manuscrito Obra Nova da Língua Geral de Mina. Em 46 páginas, escritas em duas etapas (1731 e 1741), o autor apresenta um manual para ensinar a “língua de mina” aos senhores de escravos, um A partir do fim do século XVII e ao longo do século XVIII, a descoberta das minas de ouro e diamantes no Brasil levou os comerciantes de escravos a buscar africanos experientes em mineração na Costa da Mina, uma região aurífera no Golfo de Benim. Assim se iniciou o tráfico dos povos que falavam línguas do grupo gbe – como mina, eve, fon, gun, gen, entre outras. No Brasil, os povos eve e fon foram chamados de "jeje". A concentração desses indivíduos nas cidades mineradoras, sobretudo em Minas Gerais, facilitou o desenvolvimento de uma língua franca, o dialeto das minas, utilizada na primeira metade do século XVIII em Vila Rica.
Esse falar foi registrado por Antônio da Costa Peixoto no manuscrito Obra Nova da Língua Geral de Mina. Em 46 páginas, escritas em duas etapas (1731 e 1741), o autor apresenta um manual para ensinar a “língua de mina” aos senhores de escravizados, um documento precioso que atesta que, para comunicação na região das minas, foi utilizada uma língua veicular.

A língua das minas

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Imagem de um anúncio produzido pela Typographia Universal de Laemmert, na cidade do Rio de Janeiro, oferecendo recompensa pela captura de uma pessoa escravizada em fuga.

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Imagem do desenho do engenheiro Carlos Julião retratando o trabalho forçado de escravizados na lavagem de cascalhos em Minas Gerais durante o período colonial. A cena mostra escravizados dentro de tanques, usando bateias para separar pedras, sob a vigilância de feitores armados com chicotes. Próximo ao primeiro feitor, há uma caixa para armazenamento dos diamantes extraídos.

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O vídeo apresenta Gilberto Gil e José Gil, em 1993, cantando a música "Desde que o samba é samba", de Caetano Veloso.

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O vídeo apresenta Aracy de Almeida no programa Contra Luz, da Tv Cultura, em 1986, cantando a música "Feitio de oração", de Vadico e Noel Rosa.

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O vídeo apresenta Cartola no programa 'Ensaio", da Tv Cultura, em 1974, cantando a música "Corra e olhe o céu", de sua autoria juntamente com Dalmo Castello.

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O vídeo apresenta Clementina de Jesus no programa Ensaio, da Tv Cultura, em 1973, cantando as músicas "Atraca atraca" e "Beira-Mar", de sua autoria.

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Imagem da obra de Zacharias Wagener, retrata um ritual de calundu, prática religiosa de matriz africana no Brasil colonial. A cena destaca figuras em dança, expressando devoção e resistência cultural. Movimentos rituais e instrumentos musicais compõem a atmosfera do momento.






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Os etimólogos são unânimes em apontar a origem da palavra "samba" nas línguas bantas. Segundo a teoria mais popular, samba viria do quimbundo samba ou semba, que significaria um tipo de dança semelhante ao batuque, em que os bailarinos dão umbigadas um no outro. Alguns anos atrás, no entanto, a etnolinguista Yeda Pessoa de Castro propôs outra origem. Segundo ela, "samba" vem do verbo (ku)samba, que significa "rezar" e existe tanto em quicongo quanto em quimbundo. Assim, a palavra teria sua origem nos terreiros. Só mais tarde teria passado a significar a dança de roda e sua música e, no início do século XX, um novo gênero de canção popular brasileira. "Quando Noel Rosa, nos anos 30, compôs um samba em Feitio de oração, e, trinta anos mais tarde, Vinicius de Moraes, em Samba da bênção, afirma que fazer samba é uma forma de oração, ambos reiteraram algo absolutamente correto do ponto de vista do significado original da palavra", afirma Yeda.

Os etimólogos são unânimes em apontar a origem da palavra "samba" nas línguas bantas. Segundo a teoria mais popular, samba viria do quimbundo samba ou semba, que significaria um tipo de dança semelhante ao batuque, em que os bailarinos dão umbigadas um no outro. Alguns anos atrás, no entanto, a etnolinguista Yeda Pessoa de Castro propôs outra origem. Segundo ela, "samba" vem do verbo (ku)samba, que significa "rezar" e existe tanto em quicongo quanto em quimbundo. Assim, a palavra teria sua origem nos terreiros. Só mais tarde teria passado a significar a dança de roda e sua música e, no início do século XX, um novo gênero de canção popular brasileira. "Quando Noel Rosa, nos anos 30, compôs um samba em Feitio de oração, e, trinta anos mais tarde, Vinicius de Moraes, em Samba da bênção, afirma que fazer samba é uma forma de oração, ambos reiteraram algo absolutamente correto do ponto de vista do significado original da palavra", afirma Yeda.

Samba

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Durante os séculos da escravidão, a religião e a fuga foram maneiras de resistir à perda de identidade do cativeiro. "No segredo dos calundus" ou "no isolamento armado dos quilombos", os escravizados buscavam "preservar os valores vitais herdados dos antepassados", afirma o sociólogo Roger Bastide. Os calundus foram "os primeiros templos do culto candomblezeiro que se implantou no Brasil", diz o antropólogo Antonio Risério. Já os quilombos, chamados inicialmente de "mocambos", foram uma constante até o fim da escravidão, no século XIX. A experiência mais conhecida é a de Palmares, em Alagoas. Maior comunidade de escravizados fugidos na América portuguesa, foi também a que sobreviveu por mais tempo, entre 1597 e 1695. No auge de seu crescimento, Palmares chegou a abrigar 20 mil habitantes, incluindo africanos e indígenas. O quilombo e seu maior líder, Zumbi (1655-1695), transformaram-se em símbolos da luta dos escravizados e das populações negras de todo o Brasil.

Durante os séculos da escravidão, a religião e a fuga foram maneiras de resistir à perda de identidade do cativeiro. "No segredo dos calundus" ou "no isolamento armado dos quilombos", os escravizados buscavam "preservar os valores vitais herdados dos antepassados", afirma o sociólogo Roger Bastide. Os calundus foram "os primeiros templos do culto candomblezeiro que se implantou no Brasil", diz o antropólogo Antonio Risério. Já os quilombos, chamados inicialmente de "mocambos", foram uma constante até o fim da escravidão, no século XIX. A experiência mais conhecida é a de Palmares, em Alagoas. Maior comunidade de escravizados fugidos na América portuguesa, foi também a que sobreviveu por mais tempo, entre 1597 e 1695. No auge de seu crescimento, Palmares chegou a abrigar 20 mil habitantes, incluindo africanos e indígenas. O quilombo e seu maior líder, Zumbi (1655-1695), transformaram-se em símbolos da luta dos escravizados e das populações negras de todo o Brasil.

Quilombos e calundus

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Mapa bicontinental (África e América do Sul) que relaciona famílias e troncos linguísticos africanos — afro-asiático, nilo-saariano, coissã e níger-congo — às rotas do tráfico transatlântico e aos principais portos de desembarque no Brasil colonial, entre os séculos XVI e XIX. A peça evidencia como diferentes línguas africanas se concentraram em diferentes regiões do território brasileiro conforme a origem da mão de obra escravizada, base para compreender a formação linguística e cultural do português falado no Brasil. Fonte: CASTRO, Yeda. A língua portuguesa no mundo e suas africanias, seu legado linguístico cultural no Brasil, 2018.

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O oitavo módulo da experiência "Português do Brasil", intitulado "A língua da Lei (1757)”, explora o Brasil do século XVIII, os grupos sociais que aqui atuavam, como os jesuítas e a língua geral, com raízes no Tupi. Esse módulo apresenta vídeos com especialistas, textos sobre a extração de ouro em Minas Gerais, um par de Joias de Crioula e fotografias que remetem ao uso desses adereços, entre outros.

1757

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Até a metade do século XVIII, o português era língua pouco conhecida da maioria da população do Brasil, basicamente formada por indígenas, negros ou mestiços. Falavase a língua geral. Essa língua era também o principal instrumento dos jesuítas para catequizar indígenas nas aldeias, missões e escolas. Assim, os portugueses que se transferiam para a América precisavam, no mínimo, tornar-se bilíngues para se comunicar com os nativos e seus descendentes. A situação começou a mudar quandoem 1757, quando o Marquês de Pombal, ministro do rei de Portugal, tomou uma série de medidas radicais para restringir a influência da Igreja e controlar a atuação dos missionários da Companhia de Jesus: expulsou os jesuítas da Colônia, confiscou todos os seus bens e proibiu a utilização das línguas gerais, impondo o uso e o ensino obrigatório do português no Brasil.

Até a metade do século XVIII, o português era língua pouco conhecida da maioria da população do Brasil, basicamente formada por indígenas, negros ou mestiços. Falavase a língua geral. Essa língua era também o principal instrumento dos jesuítas para catequizar indígenas nas aldeias, missões e escolas. Assim, os portugueses que se transferiam para a América precisavam, no mínimo, tornar-se bilíngues para se comunicar com os nativos e seus descendentes. A situação começou a mudar quandoem 1757, quando o Marquês de Pombal, ministro do rei de Portugal, tomou uma série de medidas radicais para restringir a influência da Igreja e controlar a atuação dos missionários da Companhia de Jesus: expulsou os jesuítas da Colônia, confiscou todos os seus bens e proibiu a utilização das línguas gerais, impondo o uso e o ensino obrigatório do português no Brasil.

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A palavra diamante vem do grego adámas, -ntos, que tinha o sentido original de um ferro inflexível, duro, que não se pode moldar ou domar. Passando pelo latim adamas, -antis, já com o sentido de “diamante”, chegou às línguas modernas, entre elas, o português para designar a mais cobiçada e perfeita das pedras preciosas. O mais duro dos materiais de ocorrência natural conhecido, o diamante é um cristal formado por átomos de carbono. Os antigos acreditavam que os diamantes eram pedacinhos das estrelas que haviam caído dos céus sobre a Terra. Em 1727, chegou a Lisboa a notícia de que, nas baixadas do Serro Frio, no Arraial do Tijuco (hoje Diamantina, MG), havia sido descoberta uma grande lavra de diamantes. De lá foram, então, retirados cerca de três milhões de quilates de diamante, mas muito pouco de toda essa riqueza ficou por aqui.

A palavra diamante vem do grego adámas, -ntos, que tinha o sentido original de um ferro inflexível, duro, que não se pode moldar ou domar. Passando pelo latim adamas, -antis, já com o sentido de “diamante”, chegou às línguas modernas, entre elas, o português para designar a mais cobiçada e perfeita das pedras preciosas. O mais duro dos materiais de ocorrência natural conhecido, o diamante é um cristal formado por átomos de carbono. Os antigos acreditavam que os diamantes eram pedacinhos das estrelas que haviam caído dos céus sobre a Terra. Em 1727, chegou a Lisboa a notícia de que, nas baixadas do Serro Frio, no Arraial do Tijuco (hoje Diamantina, MG), havia sido descoberta uma grande lavra de diamantes. De lá foram, então, retirados cerca de três milhões de quilates de diamante, mas muito pouco de toda essa riqueza ficou por aqui.

Diamante

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Fotografia de Horacio Coppola (1906-2012), realizada na cidade mineira de Congonhas do Campo em 1945. A imagem retrata a escultura Jesus Carregando a Cruz (1796), obra do artista barroco Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1730–1814).

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Litogravura de E. Meyer, que retrata pessoas escravizadas trabalhando na extração de diamantes em Curralinho, Minas Gerais.

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Publicado pela Coroa Portuguesa em 1757, o Diretório dos Índios foi o documento que passou a legislar sobre os assuntos indígenas na Colônia. Entre outras coisas, impunha aos indígenas várias medidas que alteravam sua forma de viver: proibia a nudez, as habitações coletivas e o isolamento das aldeias. Com o objetivo de produzir o branqueamento da população, incentivava a mestiçagem, pelo casamento, de colonos com mulheres indígenas. O documento proibia ainda o ensino e o uso da língua geral indígena, considerada “invenção verdadeiramente abominável e diabólica” dos jesuítas, tornando o português obrigatório. Mas línguas não obedecem a decretos. O nheengatu, por exemplo, a língua geral amazônica, é falada até hoje.

Publicado pela Coroa Portuguesa em 1757, o Diretório dos Índios foi o documento que passou a legislar sobre os assuntos indígenas na Colônia. Entre outras coisas, impunha aos indígenas várias medidas que alteravam sua forma de viver: proibia a nudez, as habitações coletivas e o isolamento das aldeias. Com o objetivo de produzir o branqueamento da população, incentivava a mestiçagem, pelo casamento, de colonos com mulheres indígenas. O documento proibia ainda o ensino e o uso da língua geral indígena, considerada “invenção verdadeiramente abominável e diabólica” dos jesuítas, tornando o português obrigatório. Mas línguas não obedecem a decretos. O nheengatu, por exemplo, a língua geral amazônica, é falada até hoje.

Invenção diabólica

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O vídeo apresenta a reprodução de trechos do documento histórico intitulado Diretório dos Índios, promulgado em 1758, durante o governo do Marquês de Pombal. O conteúdo é composto pela leitura e exibição de excertos originais do texto legal, que estabeleceu diretrizes para a administração das aldeias indígenas no Brasil colonial.

O documento reflete a política pombalina de assimilação cultural, com foco na substituição das línguas indígenas pela língua portuguesa e na reorganização da educação nas povoações indígenas. O vídeo não oferece análise ou comentário crítico, limitando-se à apresentação direta do conteúdo textual, produzido à época.

Entre os trechos reproduzidos, destacam-se passagens que condenam o uso da chamada língua geral, considerada uma “invenção abominável e diabólica” que teria mantido os indígenas em estado de sujeição. O texto determina que os Diretores das povoações devem proibir o uso das línguas nativas e da língua geral, impondo exclusivamente o uso da língua portuguesa, especialmente nas escolas. Também é estabelecida a criação de duas escolas públicas em cada povoação indígena: uma para meninos, com ensino da doutrina cristã, leitura, escrita e aritmética; e outra para meninas, que além dessas disciplinas, deveriam aprender atividades domésticas como fiar, costurar e fazer renda. Esses dispositivos evidenciam o caráter disciplinador e assimilacionista da política colonial implementada pelo Diretório.

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As “joias de crioula” eram um tipo específico de adorno corporal, de uso exclusivo de mulheres negras escravizadas ou alforriadas. Seu estilo e características resultam do sincretismo de padrões africanos de influência islâmica com técnicas da ourivesaria portuguesa. Possuir e portar joias representava um sinal da prosperidade dessas mulheres, quando livres; e demonstrava o status de seus senhores, quando escravizadas. São diferentes das joias das senhoras brancas, tanto por seu aspecto exuberante como pelo fato de serem usadas em quantidade: vários colares sobrepostos, anéis em todos os dedos, profusão de pulseiras, berloques mágicos e de proteção pendurados na cintura etc.

As “joias de crioula” eram um tipo específico de adorno corporal, de uso exclusivo de mulheres negras escravizadas ou alforriadas. Seu estilo e características resultam do sincretismo de padrões africanos de influência islâmica com técnicas da ourivesaria portuguesa. Possuir e portar joias representava um sinal da prosperidade dessas mulheres, quando livres; e demonstrava o status de seus senhores, quando
escravizadas. São diferentes das joias das senhoras brancas, tanto por seu aspecto exuberante como pelo fato de serem usadas em quantidade: vários colares sobrepostos, anéis em todos os dedos, profusão de pulseiras, berloques mágicos e de proteção pendurados na cintura etc.

Ouro Preto

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Neste depoimento, Célia Tavares discorre sobre as origens e as atuações da Companhia de Jesus no Brasil, contextualizando sua fundação em 1540 e sua chegada ao território brasileiro em 1549, em meio ao processo de formação do Brasil sob as normas colonizadoras portuguesas. Ela destaca como os jesuítas foram agentes fundamentais na transmissão dessas normas aos povos indígenas.

A depoente explica como se dava o processo de catequese, ressaltando que, para evangelizar os indígenas, os jesuítas precisavam ensiná-los a ler e escrever. Esse esforço visava traduzir conceitos cristãos, como “Deus” e “Diabo”, para a realidade cultural indígena, promovendo a assimilação dos valores religiosos europeus.

Célia também aborda a expulsão dos jesuítas no século XVIII, inserida em um novo contexto de reconfiguração da colônia. Segundo ela, a assimilação dos missionários aos costumes indígenas passou a ser vista como um entrave aos interesses da Coroa portuguesa. Como resposta, o Marquês de Pombal instituiu o Diretório dos Índios, que proibiu o uso da língua geral — o tupi — e impôs o português como idioma oficial.

Ao final do depoimento, a especialista observa que, apesar dessas imposições, muitas palavras do português falado atualmente têm origem em empréstimos da língua geral, evidenciando a permanência e a influência das línguas indígenas na formação do português brasileiro.

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O vídeo performance de Tom Zé, baseia-se na leitura do poema “Acalanto de Ouro Preto” integra o livro Contemplação de Ouro Preto, publicado por Murilo Mendes em 1954, pelo Serviço de Documentação do Ministério da Educação e Cultura, com impressão do Departamento de Imprensa Nacional, no Rio de Janeiro. Essa foi a primeira publicação da obra, resultado de viagens do poeta às cidades históricas de Minas Gerais entre 1949 e 1950, especialmente Ouro Preto e Mariana.

O poema apresenta a cidade de Ouro Preto como figura central, associada a elementos históricos, religiosos e culturais do período colonial. O termo “acalanto”, tradicionalmente ligado a canções de ninar, é utilizado para representar o estado de suspensão e silêncio da cidade. A paisagem urbana é descrita como imóvel, marcada por referências ao barroco, à religiosidade católica e à memória da Inconfidência Mineira.

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Este mapa representa o curso do Rio Amazonas, incluindo seus afluentes e as principais cidades situadas ao longo de suas margens. No período inicial da colonização europeia, a vasta região amazônica era majoritariamente habitada e controlada por povos indígenas. No entanto, à medida que os colonizadores avançavam para o interior, começaram a fundar cidades estratégicas às margens do rio, com o objetivo de facilitar o comércio, a navegação e a exploração territorial. Entre essas cidades, destaca-se Belém — localizada na foz do Amazonas — que aparece no mapa como centro urbano da região naquela época.

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Mapa manuscrito intitulado El gran río Marañón o Amazonas con la Mission de la Compañía de Jesús, produzido em 1707 pelo padre jesuíta Samuel Fritz, missionário atuante na região do rio Amazonas. Executado com tinta ferrogálica, o mapa representa o curso completo do rio Marañón-Amazonas, desde sua nascente nos Andes peruanos até a foz no Pará, Brasil. Inclui detalhamento dos principais afluentes em ambas as margens, como os rios Napo, Putumayo, Negro, Tapajós, Madeira e Tocantins. Apresenta relevo pictórico, inscrições textuais explicativas, rosa dos ventos e dedicatória ao rei Felipe V da Espanha. Destacam-se ainda a localização de missões jesuíticas, aldeias indígenas e áreas de interesse estratégico. O documento reflete características tanto geográficas quanto etnográficas da bacia amazônica no início do século XVIII, servindo como importante referência para a cartografia colonial ibérica.

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O Mappa da Capitania de Minas Geraes, elaborado por José Joaquim da Rocha por encomenda do então governador e capitão-general Dom Antônio de Noronha, é um mapa manuscrito do final do século XVIII que reflete o esforço da Coroa Portuguesa em organizar e administrar o território colonial. A obra apresenta uma legenda explicativa, uma rosa dos ventos e a divisão das comarcas com suas respectivas denominações, além de indicar as capitanias limítrofes de Minas Gerais. Destacam-se também as ilustrações ornamentais nos cartuchos que abrigam o título, a legenda e a escala, conferindo ao mapa não apenas um caráter funcional e administrativo, mas também valor artístico e simbólico.

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Este mapa manuscrito, datado de 1778, cuja autoria é desconhecida, foi elaborado por ordem do governador D. Tomás de Lezo, então capitão‑general de Mato Grosso. Foi desenhado com tinta ferrogálica e possui dimensões aproximadas de 34,5 × 49 cm.
Representa a região correspondente aos atuais estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e parte do território da Bolívia. Abrange uma extensa área da fronteira colonial espanhola e portuguesa, destacando importantes elementos geográficos, políticos e etnográficos. O mapa indica cidades como Cuiabá e Santa Cruz de la Sierra, a região dos Xarayes (no atual Pantanal), e os cursos dos rios Paraguai, Porrudos (atual São Lourenço), Mamoré e Madeira.

São representadas diversas missões jesuíticas dos povos Chiquitos e Moxos (ou Mojos), além de caminhos e trilhas que conectavam diferentes áreas da colônia. O documento também identifica aldeamentos indígenas, áreas de mineração e, de forma notável, a localização de casas de pessoas escravizadas fugitivas nas proximidades das missões de Chiquitos — o que evidencia as complexas dinâmicas sociais e étnicas da região.

O relevo é representado de forma pictórica, conforme o estilo cartográfico da época. Inclui uma rosa-dos-.ventos com flor-de-lis e uma escala gráfica de 40 léguas espanholas (equivalente a cerca de 4,5 cm no mapa)

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video

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O vídeo apresentado por José Ribamar Bessa Freire — doutor em Letras pela UERJ, com formação em Comunicação Social e especialização em Sociologia do Desenvolvimento, professor aposentado da UNIRIO e da UERJ, onde coordenou o Programa de Estudos dos Povos Indígenas — apresenta os seguintes temas: os jesuítas e a língua geral, o Diretório dos Índios, a política pombalina e a escola no Brasil. O autor inicia comentando sobre as formas de comunicação entre portugueses e indígenas no início da colonização, destacando a atuação de figuras como João Ramalho (colono português que viveu entre os indígenas no planalto paulista e atuou como mediador cultural e linguístico), e a adoção do tupi como língua de catequese pelos jesuítas. Essa variedade do tupi foi sistematizada como língua geral e passou a funcionar como meio de comunicação interna na colônia.

Em seguida, o vídeo aborda o Diretório dos Índios, instituído pelo Marquês de Pombal, que promoveu a imposição da língua portuguesa e a proibição da língua geral, considerada inadequada pelos administradores coloniais. A política pombalina também incluiu reformas administrativas e econômicas nas capitanias hereditárias e reorganizou o uso da mão de obra indígena após a abolição do trabalho compulsório. Por fim, o vídeo discute o papel das escolas no processo de apagamento das línguas e culturas indígenas, ressaltando os limites da atuação jesuítica nesse projeto.

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No fim do século XVII, depois de quase 200 anos procurando metais e pedras preciosas pelos sertões, os bandeirantes paulistas chegaram às Minas Gerais e se depararam com a maior jazida de ouro já descoberta. Em seguida vieram os diamantes e outras pedras. Abriram-se muitos caminhos pelo sertão, por onde escoavam as riquezas e entravam mercadorias. Víveres como carne, açúcar, aguardente de cana, sal e tabaco valiam seu peso em ouro. Para controlar as minas, cobrar impostos, conter o contrabando e a corrupção, era preciso ocupar o território falando português, a língua das leis e dos reis.

No fim do século XVII, depois de quase 200 anos procurando metais e pedras preciosas pelos sertões, os bandeirantes paulistas chegaram às Minas Gerais e se depararam com a maior jazida de ouro já descoberta. Em seguida vieram os diamantes e outras pedras. Abriram-se muitos caminhos pelo sertão, por onde escoavam as riquezas e entravam mercadorias. Víveres como carne, açúcar, aguardente de cana, sal e tabaco valiam seu peso em ouro. Para controlar as minas, cobrar impostos, conter o contrabando e a corrupção, era preciso ocupar o território falando português, a língua das leis e dos reis.

Sertão precioso

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Retrato de Florinda Anna do Nascimento, ex-escravizada conhecida como Preta Folô, exibe a majestade de sua postura e de suas inúmeras joias de crioula.

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Conjunto de joias conhecido como “joia de crioula”, composto por um colar de alianças em prata dourada e um par de brincos de argolas em ouro com aplicação central em cornalina. As peças são provenientes da Bahia e datadas do século XIX.

O colar apresenta uma sequência de elos ovais entrelaçados, com acabamento dourado, formando uma corrente contínua de visual robusto e elegante. Os brincos seguem o estilo de flor, com estrutura circular dourada e pedra central de cor avermelhada (cornalina), comum nas joias utilizadas por mulheres negras alforriadas ou libertas no período.

Este conjunto expressa elementos estéticos e simbólicos associados à cultura negra nas cidades coloniais, sendo tradicionalmente usado como forma de distinção social, devoção religiosa e afirmação cultural no contexto urbano baiano do século XIX.

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Durante o século XVIII a língua portuguesa irradiou-se pelo Brasil com a ocupação do litoral o avanço por entre os rios amazônicos a entrada pelos sertões e cerrados a descoberta das minas a ida ao sul e aos pampas. Assim pouco a pouco na Babel da América lusitana a língua portuguesa foi se modificando sofrendo alterações rítmicas adquirindo progressivamente características inexistentes no português de Portugal. Em outras palavras o português foi se abrasileirando numa dança de mútuas e múltiplas influências principalmente das línguas gerais indígenas e das línguas e falares africanos. O português se impôs e hoje a unidade linguística do Brasil é espantosa para a extensão física do país.

Durante o século XVIII a língua portuguesa irradiou-se pelo Brasil com a ocupação do litoral o avanço por entre os rios amazônicos a entrada pelos sertões e cerrados a descoberta das minas a ida ao sul e aos pampas. Assim pouco a pouco na Babel da América lusitana a língua portuguesa foi se modificando sofrendo alterações rítmicas adquirindo progressivamente características inexistentes no português de Portugal. Em outras palavras o português foi se abrasileirando numa dança de mútuas e múltiplas influências principalmente das línguas gerais indígenas e das línguas e falares africanos. O português se impôs e hoje a unidade linguística
do Brasil é espantosa para a extensão física do país.

Unidade linguística

Has part

O nono módulo da experiência "Português do Brasil", intitulado " A Corte é aqui”, aborda a chegada da corte portuguesa ao Brasil, bem como a distinção de classes sociais a partir do sotaque mais próximo ao português de Portugal. Este módulo apresenta vídeos com especialistas, uma fac-símile da primeira edição do livro Marília de Dirceu, fotos de construções com a chegada da corte no Brasil e imagens da fauna brasileira identificada à época.

1808

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No início do século XIX, Portugal se viu no meio de uma guerra econômica entre França e Inglaterra. Para escapar do exército de Napoleão, o Rei de Portugal D. João VI decidiu transferir a Corte para o Brasil. Sob a proteção da frota inglesa, cerca de 15 mil pessoas embarcaram rumo ao Rio de Janeiro. Além da Família Real, vieram ministros, conselheiros, juízes, burocratas, arcebispos, militares, suas famílias e lacaios. Em 1808, as primeiras medidas de D. João, ao pisar no Brasil, foram a abertura dos portos para livre comércio com “as nações amigas” e a instituição da imprensa. Ao mesmo tempo, iniciou uma série de obras no Rio de Janeiro que modificariam sua fisionomia para sempre, dando-lhe ares de cidade imperial. Em pouco tempo, o sotaque português passou a ser um sinal de prestígio e influenciou o falar da população, em grande parte negromestiça. O "S" chiado carioca ouvido até hoje, é um resquício dessa época.

No início do século XIX, Portugal se viu no meio de uma guerra econômica entre França e Inglaterra. Para escapar do exército de Napoleão, o Rei de Portugal D. João VI decidiu transferir a Corte para o Brasil. Sob a proteção da frota inglesa, cerca de 15 mil pessoas embarcaram rumo ao Rio de Janeiro. Além da Família Real, vieram ministros, conselheiros, juízes, burocratas, arcebispos, militares, suas famílias e lacaios. Em 1808, as primeiras medidas de D. João, ao pisar no Brasil, foram a abertura dos portos para livre comércio com “as nações amigas” e a instituição da imprensa. Ao mesmo tempo, iniciou uma série de obras no Rio de Janeiro que
modificariam sua fisionomia para sempre, dando-lhe ares de cidade imperial. Em pouco tempo, o sotaque português passou a ser um sinal de prestígio e influenciou o falar da população, em grande parte negromestiça. O "S" chiado carioca ouvido até hoje, é um resquício dessa época.

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A vinda da Família Real deslocou o eixo da vida administrativa da Colônia para o Rio de Janeiro. Os decretos do Rei autorizando o que antes era proibido – como a livre circulação de ideias, livros e periódicos, bem como a instalação de oficinas de impressão e de tipografia – inauguraram uma nova fase na vida cultural do país. Datam desse período o lançamento do primeiro jornal editado no Brasil, a instalação da Real Biblioteca, a criação do Jardim Botânico, da Academia Militar, da Academia de Belas Artes e da Academia de Ciências e Letras, e também a abertura de diversas instituições de ensino superior (como a Escola Médica e a Escola de Ciências, Artes e Ofícios) e do Museu Nacional. Entre muitas outras benfeitorias, D. João criou uma das instituições mais perenes no Brasil, o Banco do Brasil.

A vinda da Família Real deslocou o eixo da vida administrativa da Colônia para o Rio de Janeiro. Os decretos do Rei autorizando o que antes era proibido – como a livre circulação de ideias, livros e periódicos, bem
como a instalação de oficinas de impressão e de tipografia – inauguraram uma nova fase na vida cultural do país. Datam desse período o lançamento do primeiro jornal editado no Brasil, a instalação da Real Biblioteca, a criação do Jardim Botânico, da Academia Militar, da Academia de Belas Artes e da Academia de Ciências e Letras, e também a abertura de diversas instituições de ensino superior (como a Escola Médica e a Escola de Ciências, Artes e Ofícios) e do Museu Nacional. Entre muitas outras benfeitorias, D. João criou uma das instituições mais perenes no Brasil, o Banco do Brasil.

Novidades na Corte carioca

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Imagem de litografia do artista Johann Moritz Rugendas, ilustra uma cena do cotidiano da Rua Direita, na cidade do Rio de Janeiro - RJ, em 1835, no início do século XIX.

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A chegada da Corte promoveu uma verdadeira revolução na vida do Rio Janeiro. Em 10 anos sua população dobrou e a cidade, que possuía a maior quantidade de trabalhadores escravizados das Américas, tornou-se um caldeirão de povos de origens e sotaques distintos. Além do português, os falares africanos eram ouvidos o tempo todo nas ruas, nos mercados, nos pregões dos ambulantes, nas casas, nos locais de trabalho. “Negros e negras de ganho”, trabalhadores livres ou alforriados e uma incipiente classe média, lotavam as ruas.

A chegada da Corte promoveu uma verdadeira revolução na vida do Rio Janeiro. Em 10 anos sua população dobrou e a cidade, que possuía a maior quantidade de trabalhadores escravizados das Américas, tornou-se um caldeirão de povos de origens e sotaques distintos. Além do português, os falares africanos eram ouvidos o tempo todo nas ruas, nos mercados, nos pregões dos ambulantes, nas casas, nos locais de trabalho. “Negros e negras de ganho”, trabalhadores livres ou alforriados e uma incipiente classe média, lotavam as ruas.

Caldeirão urbano

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Imagem de bilhete circulante emitido pelo 1º Banco do Brasil, os bilhetes circulantes podiam ser trocados por moedas de ouro.

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Réplica da primeira edição do livro Marília de Dirceu impressa no Brasil.

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Galeria de ilustrações da fauna brasileira

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, representando um peixe da espécie popularmente conhecida como matrincham, comum em rios da região amazônica. A imagem mostra o animal em vista lateral, com corpo alongado e coloração detalhada em tons esverdeados e avermelhados, principalmente na extremidade da nadadeira caudal. A precisão nos traços, escamas e proporções reflete a abordagem científica típica das expedições naturalistas.

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, representando um tatu em vista lateral, com detalhamento anatômico e da carapaça. A ilustração apresenta características naturalistas, como a posição do animal, a precisão das proporções corporais e a atenção aos traços morfológicos, sugerindo uso científico e documental. A composição segue os padrões visuais utilizados em registros de fauna realizados entre os séculos XVIII e XIX, ligados a expedições e estudos de história natural no Brasil.

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, representando um peixe identificado como “Cascudo”, em posição horizontal, com a cabeça voltada à esquerda. O exemplar é representado com grande nível de detalhamento, destacando suas placas dérmicas protetoras, coloração marrom com tons avermelhados e os barbilhões sensoriais típicos da família.

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, representação científica de uma serpente conhecida como cobra-coral, com corpo esguio, coloração em anéis alternados de vermelho, preto e tons mais claros (possivelmente amarelo ou branco). A serpente está representada em posição sinuosa, em movimento, com atenção aos detalhes anatômicos da cabeça, olhos e escamas.

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, representando um peixe identificado como “Dourado”, com coloração amarelada e nadadeiras alaranjadas, detalhadamente ilustrado em técnica de aquarela e nanquim sobre papel. O peixe ocupa posição horizontal, com orientação da cabeça à direita. O estilo segue a tradição de documentação científica naturalista dos séculos XVIII e XIX.

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, ilustração científica de uma serpente popularmente chamada Surucutinga ou Jiboia, com o corpo grosso e musculoso em posição enrolada. A coloração escura no dorso contrasta com o ventre claro, e a textura das escamas está ricamente detalhada com nanquim. A cabeça é arredondada, com escamas grandes e olhos voltados para frente.

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, representando um peixe conhecido como “Jurupóca”, com corpo alongado e coloração esverdeada, apresentando três manchas circulares pretas ao longo do flanco. Os barbilhões longos e a forma da cabeça indicam tratar-se de uma espécie da família Pimelodidae, típica dos rios brasileiros. A imagem é realizada em aquarela e nanquim sobre papel, com detalhes anatômicos minuciosos.

additionalType

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, representando um peixe denominado "Piava Bernarda", em posição lateral, com o corpo ovalado, coloração acinzentada e escamas pequenas bem definidas. A ilustração destaca nadadeiras dorsais, peitorais e caudais proporcionalmente distribuídas. A técnica de execução é aquarela e nanquim sobre papel.

additionalType

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, ilustração científica de um animal identificado como “Pilão”, apresentando corpo alongado, cilíndrico, de coloração castanha e pele lisa, sem escamas aparentes. A cabeça apresenta olhos pequenos, pouco destacados, e uma abertura bucal com dentes visíveis. A posição do corpo em “S” sugere movimento.

additionalType

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, Ilustração científica de uma serpente identificada como “Saramantiga”, apresentada em posição ondulada, com corpo longo e estreito, coloração castanha e anéis escuros distribuídos ao longo do corpo. A cabeça está desenhada com detalhes anatômicos compatíveis com serpentes do grupo Colubridae.

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, representação científica de um cetáceo identificado como "Toninha", com corpo fusiforme, coloração cinza escura, bico alongado e presença de espiráculo com emissão de jato d’água. A nadadeira dorsal é suavemente curvada, característica comum entre golfinhos de água doce ou costeiros. A ilustração é feita em nanquim e aquarela sobre papel, com notável atenção ao sombreamento e proporções anatômicas.

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, ilustração científica de um tubarão, exibido em posição lateral, com corpo hidrodinâmico, coloração escura e olhos amarelados. A nadadeira dorsal e as peitorais são representadas com detalhamento, assim como as fendas branquiais. A cauda bifurcada sugere uma espécie de hábito pelágico costeiro.

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, representando uma borboleta em vista lateral. O inseto está pousado com as asas cerradas, revelando detalhes em tons terrosos e azulados com faixas onduladas nas asas posteriores. As antenas são finas e longas, e o espiráculo (tromba enrolada) está destacado na parte frontal da cabeça, evidenciando o detalhamento científico da anatomia.

additionalType

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, representando o boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis), cetáceo de água doce característico dos rios da Amazônia. A imagem mostra o animal em vista lateral, com o corpo alongado em tons de cinza rosado, olhos pequenos, bico alongado com dentes visíveis e nadadeiras bem demarcadas. Um jato de água é representado saindo pelo espiráculo, em detalhe que reforça a observação do comportamento do animal. O traço é detalhado e naturalista, seguindo os padrões da documentação zoológica dos séculos XVIII e XIX.

additionalType

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, representando um exemplar do peixe conhecido como Cará assú, designação popular utilizada para peixes de água doce de grande porte, possivelmente da família Cichlidae, como espécies do gênero Cichla. A imagem apresenta o peixe em vista lateral, com escamas bem delineadas em tons acinzentados e detalhes em vermelho ao longo do corpo. Destaca-se o olho expressivo, as nadadeiras escuras e uma marca circular preta com contorno avermelhado na nadadeira caudal — um elemento típico de algumas espécies como o tucunaré.

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, representando um inseto ortóptero, em posição lateral e repouso. O corpo é alongado, com coloração castanha uniforme, asas dobradas e antenas finas e longas, características que permitem a identificação como gafanhoto (Acrididae), esperança (Tettigoniidae) ou grilo. As pernas traseiras são evidenciadas em postura de salto, e o detalhe da cabeça triangular e das asas sobrepostas demonstra o cuidado científico na representação anatômica.

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, representando duas lagartas de morfologias distintas. À esquerda, uma lagarta de corpo cilíndrico, coloração escura com padrões ondulados em tons claros, cabeça avermelhada e pequenas pernas. À direita, uma segunda lagarta em tons de verde, com textura espinhosa que remete à presença de cerdas defensivas. Ambas estão representadas em vista lateral, com atenção ao detalhamento anatômico e à diversidade morfológica da fauna tropical.

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, representando peixe conhecido como palmito, nome popular atribuído a algumas espécies do gênero Brachyplatystoma, comuns em rios da Bacia Amazônica. A composição mostra o animal em vista lateral, evidenciando nadadeiras, escamas e coloração característica em tons marrons e avermelhados, com destaque para a boca voltada para cima e o corpo alongado, típico de peixes de fundo.

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, representando uma ave aquática identificada como Pato do Marajó, com asas abertas em posição de alerta ou secagem. A plumagem do corpo é castanha com tons claros na região do pescoço e cabeça branca. As asas são escuras e contrastantes.

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, representando um peixe-boi em vista lateral, com alto grau de detalhamento anatômico. O corpo robusto é retratado em tons esfumados de cinza e bege, com nadadeiras peitorais pequenas, olhos discretos, focinho arredondado e cauda em forma de pá.

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, representando um exemplar da família dos beija-flores. A ave aparece pousada em um pequeno galho seco, com vegetação sutil ao redor, composta por flores e folhas delicadamente coloridas. A plumagem da ave é escura, com reflexos marrons, e o bico é fino e reto, característico dos Trochilidae.

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, representando peixe conhecido popularmente como Tamuatá, espécie de peixe amazônico pertencente à família Loricariidae ou Callichthyidae. A ilustração mostra o peixe em vista lateral, com placas ósseas sobrepostas cobrindo o corpo, nadadeiras proeminentes e barbilhões evidentes na região cefálica. A obra apresenta detalhamento anatômico e escamas desenhadas com precisão.

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, representando uma ave de médio porte identificada como Tariri, nome manuscrito na parte inferior da imagem. A ave está representada de perfil, com corpo alongado, plumagem clara e longas penas na cauda e na cabeça, formando um topete erguido. O bico é curvo e robusto, típico da família Cuculidae.

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, representando peixe conhecido como tauvira, nome popular atribuído a espécies do gênero Gymnotus, conhecidas como peixes-elétricos. A ilustração mostra o animal em vista lateral, com corpo alongado, escamas visíveis e coloração escura. As nadadeiras ventrais se estendem ao longo do corpo, e a cabeça é representada com mandíbula levemente aberta, sugerindo dentes.

additionalType

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, apresentando a ave conhecida como Galo dos Marabitenos, nome registrado na inscrição manuscrita da obra. A imagem mostra a ave de perfil, com plumagem alaranjada intensa, asas em tons escuros e um grande topete arredondado, característica marcante do galo-da-serra (Rupicola rupicola), espécie nativa da região amazônica.

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Esta ilustração integra um conjunto de representações zoológicas realizadas no contexto das expedições científicas ao Brasil nos séculos XVIII e XIX, em um momento de intenso interesse europeu pela fauna americana. Com função documental e educativa, a obra apresenta a interação entre o saber visual dos naturalistas e os conhecimentos populares e indígenas locais, refletidos na terminologia utilizada. O estilo, o traço detalhado e o fundo neutro são característicos da produção visual naturalista pré-fotográfica.

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, representando uma ave de médio porte, identificada pela inscrição manuscrita como Heriuá. Representada de perfil, a ave possui plumagem verde no dorso, peito amarelado e um detalhe azul característico próximo à garganta. A cauda longa e ornamentada, com penas terminais em formato de "raquete", sugere a identificação com espécies do gênero Momotus, como o Urapuru-verde (Momotus momota), conhecido também como coró-coró ou juruva-verde.

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, representando uma ave de médio porte identificada pela inscrição manuscrita como Váhinanbé. A ave é retratada em perfil, com plumagem escura no dorso e na cauda, e penas mais claras na região ventral. Apresenta cabeça arredondada com carúncula ou pele nua em torno do olho de coloração avermelhada, além de bico curvo e forte. O corpo está pousado em posição de descanso, com a cauda estendida horizontalmente.

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Desenho em aquarela sobre papel, representando uma ave zancuda de grande porte, com plumagem clara nas asas e corpo, penas negras nas extremidades e pernas avermelhadas. A ave está retratada de perfil, sentada, com o longo bico reto e a região ao redor dos olhos destacada em vermelho.

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Desenho em aquarela sobre papel, representando uma ave de grande porte, com plumagem rosada e pernas longas escuras. Seu traço mais marcante é o bico alongado e achatado na extremidade, em forma de colher — característica da espécie colhereira (Platalea ajaja). A ave está retratada de perfil, com as asas levemente recolhidas ao corpo, e ocupa toda a altura do suporte. A inscrição manuscrita “Colhereira” aparece na lateral direita da imagem, e há carimbo da Biblioteca Nacional – Seção de Manuscritos – Rio de Janeiro no campo ilustrado.

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, apresentando uma ave de grande porte, de corpo ereto e pernas longas, representada em vista frontal. O espécime possui plumagem clara, bico comprido e negro, cabeça e pescoço escuros com uma distinta coloração avermelhada na base do pescoço — traços característicos do jaburu, ave típica de regiões alagadas do Brasil. A composição destaca-se pela elegância da postura, o detalhamento anatômico da plumagem e a neutralidade do fundo.

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, apresentando uma iguana de corpo alongado, representada de perfil, em repouso sobre um galho. A composição enfatiza o detalhamento da textura da pele, da cauda e das patas, com destaque para os traços anatômicos característicos do réptil, como a crista dorsal e a cauda longa e afinada. A ilustração segue o estilo científico-naturalista do século XVII ou XVIII com fundo neutro e foco total no espécime representado.

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, apresentando uma paca (Cuniculus paca), roedor de médio porte nativo da América do Sul. A ilustração mostra o animal em perfil, de corpo alongado e pelagem com listras e manchas brancas características da espécie. A boca está entreaberta, destacando os dentes incisivos, e o corpo repousa sobre um fundo neutro. A técnica de aquarela com contornos e sombreados evidencia o detalhamento da pelagem e anatomia.

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, apresentando uma ave identificada pela inscrição manuscrita como Urubutinga, representada em vista lateral, de corpo pousado, plumagem clara com detalhes em preto e destaque para a região do pescoço nua e avermelhada. A técnica evidencia texturas da plumagem e formas anatômicas com precisão. A composição apresenta fundo neutro, típica de registros zoológicos do período colonial e imperial.

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Desenho em aquarela sobre papel, apresentando um primata identificado pela inscrição manuscrita como “Guaipussá”. A imagem mostra o animal em vista lateral, com pelagem densa em tons de cinza e rosto escurecido, segurando uma banana parcialmente descascada. A composição, de caráter naturalista, destaca o detalhamento da textura dos pelos, da anatomia e da postura do animal, o que sugere finalidade científica e documental.

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, apresentando uma representação do primata Alouatta guariba, popularmente conhecido como bugio-ruivo. A ilustração mostra o animal em perfil, sentado, segurando um fruto com as mãos. O nível de detalhamento anatômico e da textura da pelagem sugere a intenção científica de documentação da fauna brasileira.

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, apresentando um pequeno roedor, identificado na inscrição manuscrita como “Hua Guati / poru”. O animal está representado em vista lateral, segurando um fruto ou semente com as patas dianteiras. A composição se destaca pela delicadeza na coloração da pelagem e pela precisão anatômica dos detalhes, sugerindo finalidade descritiva e científica.

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, representando uma lebre em vista lateral, com o corpo em repouso e a pelagem detalhada em tons terrosos e tracejado fino. A composição é simples, com fundo neutro e foco exclusivo no animal, que ocupa a maior parte do campo visual.

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, representando um sagui argentado (Mico argentatus), espécie de primata nativo da região amazônica. A imagem mostra o animal de perfil, amarrado por um cordão preso à cintura e atado a um galho de árvore. Apresenta coloração clara com pelagem detalhada, patas e mãos em destaque segurando um objeto curvo de coloração avermelhada.

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, apresentando um sagui (Callithrix jacchus) em vista lateral, com riqueza de detalhes na pelagem e nas proporções corporais. O animal aparece preso por uma corda fina amarrada à cintura, em posição agachada e segurando um pequeno peixe ou objeto similar. A composição reflete características de ilustrações naturalistas do século XIX, com fundo neutro e foco no espécime retratado.

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Imagem de desenho em aquarela sobre papel, apresentando um tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla), representado de perfil com o corpo estendido horizontalmente sobre uma superfície branca e com a cauda enrolada em um galho, sugerindo uma posição de deslocamento ou escalada. A composição destaca as garras curvadas, o focinho alongado e a pelagem curta em tons terrosos, característicos da espécie. A ilustração tem fundo neutro e foi executada com detalhamento anatômico, o que indica intenção científica e descritiva.

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A palavra vem do grego biblíon (papel de escrever, carta, lousa, tábua de escrever, livro) + tēkē (caixa, depósito). Chegou ao português através do latim bibliotheca, com o sentido de “lugar em que se guardam livros”. Até o século XIX, as poucas bibliotecas existentes no Brasil, também chamadas de livrarias, eram privadas e pertenciam aos membros das elites e àqueles que, por força do seu ofício, deles faziam uso: padres, advogados, médicos, donos de terras e lavras, contadores, comerciantes e funcionários públicos. A educação acontecia nos colégios religiosos. Era privada, cara e inacessível para a grande maioria da população livre, além de inexistente para mulheres (proibidas de aprender a ler) e para os escravizados. A quase totalidade da população colonial era analfabeta.

A palavra vem do grego biblíon (papel de escrever, carta, lousa, tábua de escrever, livro) + tēkē (caixa, depósito). Chegou ao português através do latim bibliotheca, com o sentido de “lugar em que se guardam livros”. Até o século XIX, as poucas bibliotecas existentes no Brasil, também chamadas de livrarias, eram privadas e pertenciam aos membros das elites e àqueles que, por força do seu ofício, deles faziam uso: padres, advogados, médicos, donos de terras e lavras, contadores, comerciantes e funcionários públicos. A educação acontecia nos colégios religiosos. Era privada, cara e inacessível para a grande maioria da população livre, além de inexistente para mulheres (proibidas de aprender a ler) e para os escravizados. A quase totalidade da população colonial era analfabeta.

Biblioteca

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No esforço de “civilizar” o Brasil, D. João abriu estradas, construiu fábricas, criou escolas. A abertura dos portos, permitiu que navios, bens e pessoas provenientes de toda parte passassem a se movimentar pelo país. Patrocinadas pela família real, missões artísticas estrangeiras começaram a chegar com escritores, pintores, arquitetos, escultores e naturalistas para documentar o país. Em suas expedições, os europeus descobriam o Brasil e registravam tudo o que encontravam pelas terras do reino. Esses registros, compostos por desenhos e relatos escritos que chegaram até nossos dias -e é essa a imagem documental que possuímos do Brasil daqueles tempos.

No esforço de “civilizar” o Brasil, D. João abriu estradas, construiu fábricas, criou escolas. A abertura dos portos, permitiu que navios, bens e pessoas provenientes de toda parte passassem a se movimentar pelo país.
Patrocinadas pela família real, missões artísticas estrangeiras começaram a chegar com escritores, pintores, arquitetos, escultores e naturalistas para documentar o país. Em suas expedições, os europeus descobriam o Brasil e registravam tudo o que encontravam pelas terras do reino. Esses registros, compostos por desenhos e relatos escritos que chegaram até nossos dias -e é essa a imagem documental que possuímos do Brasil daqueles tempos.

A imagem do Brasil

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https://m-lingua-portuguesa.s3.sa-east-1.amazonaws.com/5277f5f3951a5621c5be6a59631584b3.mp4

José Luiz Fiorin inicia o vídeo comentando a importância de José de Alencar e Gonçalves Dias na constituição da identidade nacional brasileira. Em seguida fala das incorporações de elementos das linguagens indígenas e africanas pelo português brasileiro e como isso favoreceu o Brasil em sua independência linguística. Ao final fala das diferenças entre o português brasileiro e o europeu e seu constante processo de mudanças.

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video

https://m-lingua-portuguesa.s3.sa-east-1.amazonaws.com/9a3ac4dc5a0e85387c0d358835547cd5.mp4

O vídeo apresenta Matheus Nachtergaele lendo trechos de escritos de Luiz Gonçalves dos Santos, também conhecido como Padre Perereca, famoso cronista da corte de Dom João VI. O trecho lido discorre sobre a abertura da Biblioteca Nacional pelo rei Dom João VI no Rio de Janeiro.

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Imagem de página de rosto de obra de defesa da religião e das instituições imperiais, impressa no Rio de Janeiro, em 1825, na Typographia de Torres. A obra refuta o fanatismo e a hipocrisia religiosa, mencionando o panfleto crítico "Vovô Maçon" e as "sete cartas" do título "Antídoto Salutífero".

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Imagem de página de rosto de obra de cunho religioso escrita pelo Padre Estevam de Castro, sacerdote jesuíta, contendo instruções, orações, trechos das Escrituras e referências ao Ritual Romano de Paulo V, com o objetivo de preparar o cristão para uma “boa morte”.

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Imagem de página de rosto da obra Chronica del Famoso Cavallero Cid Ruy Díez Campeador, publicada em 1593, em Burgos (Espanha), pela imprensa de Philippe de Junta e Juan Baptista Varesio. A obra apresenta-se com título impresso em vermelho e preto, tipografia renascentista e brasão xilografado colorido, com o escudo da monarquia espanhola e uma águia bicéfala coroada.

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Imagem de página de rosto da obra Anatomia Corporum Humanorum, publicada em 1739 em Leiden (Lugduni Batavorum). A obra reúne 114 pranchas anatômicas de notável qualidade artística e científica, representando o corpo humano com base em dissecações reais (ad vivum expressis). A página apresenta impressão em tinta preta e vermelha, vinheta com ilustração de esqueletos e um altar anatômico no centro inferior.

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Imagem de gravura presente no livro "Anatomia corporum humanorum", na qual figuras mitológicas interagem com partes de corpos humanos, com indicação do título da publicação no canto inferior direito.

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Imagem de página de rosto da obra “Cultura e Opulência do Brasil por suas Drogas, e Minas”, de autoria de André João Antonil. Impressa em Lisboa, na Oficina Real Deslandesiana, no ano de 1711. Trata-se de um dos mais relevantes registros da economia colonial brasileira do século XVIII, com descrições detalhadas sobre a produção de açúcar, tabaco, mineração de ouro e as “drogas do sertão”. A edição é dedicada a José de Anchieta e contém emblema com o lema “Semper Honore Meo”.

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A Real Biblioteca era reconhecida como uma das mais preciosas da Europa. Na ocasião da vinda da Corte para o Brasil, eram cerca de 60 mil peças entre manuscritos raros, livros, gravuras, mapas, moedas, medalhas etc. Numa operação que durou vários anos, ela foi trazida de Lisboa e, em 1814, a Real Biblioteca Nacional foi aberta ao público brasileiro e aqui permaneceu. Hoje, com um acervo de mais de 10 milhões de itens, a Biblioteca Nacional é uma das mais importantes do mundo.

A Real Biblioteca era reconhecida como uma das mais preciosas da Europa. Na ocasião da vinda da Corte para o Brasil, eram cerca de 60 mil peças entre manuscritos raros, livros, gravuras, mapas, moedas, medalhas etc.
Numa operação que durou vários anos, ela foi trazida de Lisboa e, em 1814, a Real Biblioteca Nacional foi aberta ao público brasileiro e aqui permaneceu. Hoje, com um acervo de mais de 10 milhões de itens, a Biblioteca Nacional é uma das mais importantes do mundo.

A Biblioteca dos Reis

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Reprodução de imagem de vista do interior da sala do acervo de obras gerais da Biblioteca Nacional, na cidade do Rio de Janeiro - RJ.

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O décimo módulo da experiência "Português do Brasil", intitulado " A travessia dos Orixás (século XIX)”, aborda a chegada de africanos ao Brasil e a continuidade dos seus ritos de fé. Este módulo apresenta vídeos com especialistas, uma Tábua de Ifá, com seu respectivo objeto de acessibilidade, fotografias de Pierre Verger de entidades das religiões de matriz africana e textos sobre essas divindades. Esse módulo possui conexões com o totem Eve-Fon da experiência Palavras Cruzadas.

Século XIX

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No início do século XIX, uma nova rota do tráfico, ligando o Brasil ao golfo do Benim, na África, trouxe ao país milhares de africanos. Muitos deles tinha origem iorubá. Levados principalmente para a cidade de Salvador e o Recôncavo Baiano, eles foram utilizados, em sua maioria, como mão-de obra escravizada em serviços urbanos e domésticos. Mantendo-se fiéis aos ritos que celebram seus deuses – os orixás –, os iorubás ampliaram ainda mais a influência africana sobre nossa língua e cultura. Em 1850, o Brasil finalmente proibiu o tráfico. A escravidão só viria a ser abolida em 1888, após longo período de lutas e rebeliões. Apesar dos séculos de cativeiro, a força africana, em sua potência humana e cultural, prevaleceu. E os negros converteram-se em agentes vitais do processo histórico de nossa formação, povoando o Brasil com os seus corpos e as suas cores, os seus sonhos e os seus deuses, os seus ritos e os seus ritmos, os seus conhecimentos e saberes ancestrais milenares.

No início do século XIX, uma nova rota do tráfico, ligando o Brasil ao golfo do Benim, na África, trouxe ao país milhares de africanos. Muitos deles tinha origem iorubá. Levados principalmente para a cidade de Salvador e o Recôncavo Baiano, eles foram utilizados, em sua maioria, como mão-de obra escravizada em serviços urbanos e domésticos. Mantendo-se fiéis aos ritos que celebram seus deuses – os orixás –, os iorubás ampliaram ainda mais a influência africana sobre nossa língua e cultura. Em 1850, o Brasil finalmente proibiu o tráfico. A escravidão só viria a ser abolida em 1888, após longo período de lutas e rebeliões. Apesar dos séculos de cativeiro, a força africana, em sua potência humana e cultural, prevaleceu. E os negros converteram-se em agentes vitais do processo histórico de nossa formação, povoando o Brasil com os seus corpos e as suas cores, os seus sonhos e os seus deuses, os seus ritos e os seus ritmos, os seus conhecimentos e saberes ancestrais milenares.

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Imagem de escultura Iorubá, apresenta uma cabeça com ornamentação no topo e perfurações enfileiradas na parte inferior do rosto, produzida entre os séculos XIV a.C. e XV a.C. Cabeça em latão (zinco com alto teor de chumbo), fundida pelo método da cera perdida, ligeiramente menor que o tamanho natural, em estilo naturalista. Apresenta uma coroa de construção complexa em três camadas com contas tubulares, rosetas vermelhas e penas. Na parte frontal, há um redondo cônico com anéis concêntricos, sugerindo contas, e um elemento em trança que termina em ponta oval. O rosto é alongado, com marcações verticais incisas e olhos pequenos, sobrancelha marcada, lábios lisos e sulcos no pescoço representando dobras de pele. Há linhas de furos no rosto e pescoço, incluindo um furo irregular na mandíbula direita.

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Os iorubás habitam o sudoeste da Nigéria e a região fronteiriça com o Benim, no reino de Ketu, tendo grupos espalhados também pelo Togo. Constituído por mais de 30 milhões de pessoas, é um dos maiores grupos etnolinguísticos da África Ocidental. Antes mesmo de qualquer contato com os europeus, os iorubás já possuíam um notável grau de urbanização e conheciam a economia monetária, a metalurgia, a escravidão, formações estatais. Suas principais cidades, como Oyó e Ifé, abrigavam milhares de habitantes. Também chamados de nagôs, na diáspora – beninense e brasileira – os iorubás deram nova feição à cidade de Salvador, na Bahia, onde, junto com os jejes, fundaram o modelo do candomblé jeje-nagô, o mais prestigioso do Brasil. 

Os iorubás habitam o sudoeste da Nigéria e a região fronteiriça com o Benim, no reino de Ketu, tendo grupos espalhados também pelo Togo. Constituído por mais de 30 milhões de pessoas, é um dos maiores grupos etnolinguísticos da África Ocidental. Antes mesmo de qualquer contato com os europeus, os iorubás já possuíam um notável grau de urbanização e conheciam a economia monetária, a metalurgia, a escravidão, formações estatais. Suas principais cidades, como Oyó e Ifé, abrigavam milhares de habitantes. Também chamados de nagôs, na diáspora – beninense e brasileira – os iorubás deram nova feição à cidade de Salvador, na Bahia, onde, junto com os jejes, fundaram o modelo do candomblé jeje-nagô, o mais prestigioso do Brasil.

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Na década de 1880, trinta anos após a proibição do tráfico, o abolicionismo havia tomado as ruas do país. Jornais e panfletos divulgavam os horrores da escravidão, defendendo o seu fim. Como símbolo do movimento, os abolicionistas passaram a levar camélias brancas no paletó. Cultivar a flor em casa também se tornou um gesto político. Concessões feitas pelos donos do poder, como a Lei do Ventre Livre ou a Lei dos Sexagenários, não abalavam a determinação dos abolicionistas. No campo, rebeliões escravas estouravam por toda parte.

Insustentável, a situação permaneceu até o dia 13 de maio de 1888, quando finalmente foi decretado o fim do cativeiro. E o Brasil entrou para a História como um dos últimos países do mundo a abolir a escravidão.

Na década de 1880, trinta anos após a proibição do tráfico, o abolicionismo havia tomado as ruas do país. Jornais e panfletos divulgavam os horrores da escravidão, defendendo o seu fim. Como símbolo do movimento, os abolicionistas passaram a levar camélias brancas no paletó. Cultivar a flor em casa também se tornou um gesto político. Concessões feitas pelos donos do poder, como a Lei do Ventre Livre ou a Lei dos Sexagenários, não abalavam a determinação dos abolicionistas. No campo, rebeliões escravas estouravam por toda parte.
Insustentável, a situação permaneceu até o dia 13 de maio de 1888, quando finalmente foi decretado o fim do cativeiro. E o Brasil entrou para a História como um dos últimos países do mundo a abolir a escravidão.

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Imagem da revista que ilustra a sequência de desenhos do Abolicionista Angelo Agostini (1843 - 1910), denunciando os castigos e a violência contra os escravizados e a impunidade de seus donos.

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"Obatála" é uma obra fotográfica de Pierre Verger, um fotógrafo e etnólogo francês que se dedicou a documentar as culturas afro-brasileiras e afro-caribenhas. Nesta obra, Verger captura uma divindade do panteão iorubá, associada à criação do mundo e à paz. A fotografia retrata os rituais e as tradições que mantêm viva a identidade iorubá.

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Depois de promulgada a lei, encerrados os festejos e terminada a euforia, a discussão era de que maneira o governo poderia garantir uma vida digna aos ex-escravizados. Um dos programas abolicionistas propunha a distribuição de pequenas propriedades. Outro defendia a inserção dos exescravizados nas cidades, com direitos sociais como acesso à educação e limitação da jornada de trabalho. Apesar das propostas, nada foi feito. Ao contrário, nos anos iniciais do Brasil republicano, aumentou a repressão policial sobre os candomblés, batuques, sambas, rodas de capoeira e qualquer outra manifestação afro-brasileira. As promessas de integração se degeneraram em uma profunda exclusão social, perpetuando até hoje desigualdades econômicas, políticas e raciais.

Depois de promulgada a lei, encerrados os festejos e terminada a euforia, a discussão era de que maneira o governo poderia garantir uma vida digna aos ex-escravizados. Um dos programas abolicionistas propunha a
distribuição de pequenas propriedades. Outro defendia a inserção dos exescravizados nas cidades, com direitos sociais como acesso à educação e limitação da jornada de trabalho. Apesar das propostas, nada foi feito. Ao contrário, nos anos iniciais do Brasil republicano, aumentou a repressão policial sobre os candomblés, batuques, sambas, rodas de capoeira e qualquer outra manifestação afro-brasileira. As promessas de integração se degeneraram em uma profunda exclusão social, perpetuando até hoje desigualdades econômicas, políticas e raciais.

Livres, mas excluídos

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No vídeo, a Ialorixá Stella de Oxóssi compartilha reflexões sobre o Candomblé e a relação com os Orixás, destacando a importância espiritual, cultural e social dessa tradição religiosa de matriz africana. A fala evidencia o papel da ancestralidade, da transmissão oral e da vivência comunitária na preservação do Candomblé, além de ressaltar a força dos Orixás como guia e presença na vida cotidiana dos praticantes.

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No depoimento, Manuela trata de temas centrais para a compreensão das dinâmicas sociais do período escravocrata e pós-abolição, com foco especial nos chamados "escravizados de ganho" — pessoas escravizadas que exerciam atividades remuneradas nas cidades e, em alguns casos, conseguiam comprar sua alforria.

A gravação aprofunda a discussão sobre os processos de perseguição fiscal e repressão estatal direcionados a libertos no Brasil do século XIX, o que motivou, entre outras razões, movimentos de emigração de afrodescendentes para o continente africano, especialmente para regiões como Serra Leoa, Nigéria e Benim. Ao final, Manuela analisa a forma como esses ex-escravizados, ao retornarem à África, influenciaram aspectos da vida local — incluindo a arquitetura urbana, a culinária e o vocabulário — deixando marcas visíveis de sua experiência no Brasil.

O vídeo foi produzido com o intuito de fomentar reflexões sobre o impacto transatlântico da escravidão e da liberdade, ampliando o entendimento das múltiplas conexões entre o Brasil e a África, tanto no passado quanto nas heranças culturais que persistem no presente.

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Yeda Pessoa de Castro inicia o vídeo comentando a confluência entre o galego-português (antigamente conhecido como português arcaico) e as línguas dos povos africanos que vieram para o Brasil através do tráfico de escravos. Em seguida, fala sobre o encontro entre banto e o galego-português, que culminou na riqueza de vogais presentes no português brasileiro. Ao final explica as origens do termo "dialeto das minas", como sendo a linguagem falada pelos escravizados que trabalhavam na extração de minérios.

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Audiovisual sobre o lukumí, língua de base iorubá utilizada como língua ritual em Cuba: vídeo apresenta palavras em Iucumí e em iorubá falado na África.

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O vídeo apresenta o áudio de Carmen Miranda e Dorival Caymmi cantando a música "A preta do Acarajé" , de autoria desse último.

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Fotografia de figuras tradicionais das ruas de Salvador, Bahia. A imagem retrata as baianas vendedoras de acarajé e faz parte da série "Festas, Yemanjá" do fotógrafo Pierre Verger. Verger destacou a importância da herança africana na formação da identidade baiana.

O acarajé é um bolinho de feijão-fradinho frito, típico da culinária baiana e de origem iorubá. A palavra "acarajé" tem origem na língua iorubá, derivada das palavras "àkàrà" (que significa "bola de fogo") e "jé" (que significa "comer"). Este nome faz referência ao processo de fritura do bolinho de feijão-fradinho em óleo quente.

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A tábua de Ifá é um elemento divinatório da cultura iorubá. O jogo e as respostas regem as datas de plantio ou colheita, casamentos, celebrações e outros elementos da vida comunitária. Pode ser também chamado de “Bandeja de adivinhação”. Porém, seu nome original vem de uma língua africana, a língua Ioruba. Nessa língua, é chamado de “Opón-Ifá”. Na língua Fongbe que é vizinha da língua Ioruba, é chamado de “Fate”. A presença desse objeto no Brasil remonta a época da escravidão, quando povos Ioruba e Fon, assim como vários outros da costa oeste do continente africano foram arrastados para o Brasil, trazendo junto com eles tantos recursos materiais e imateriais de suas práticas socioculturais.

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Vista aérea da Comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro - RJ.

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Segundo o antropólogo Pierre Verger, o nome "Iemanjá" vem da expressão iorubá Yèyé ọmọ ẹjá, que significa "mãe cujos filhos são peixes". Orixá mais popular do Brasil, Iemanjá é celebrada em todo o país, com festas que recaem em diferentes épocas do ano, dependendo da região. No Rio de Janeiro e muitas outras cidades litorâneas, as homenagens acontecem na última noite do ano. Em Salvador, na Bahia, a grande festa é em 2 de fevereiro, quando milhares de devotos vão à Praia do Rio Vermelho pedir graças e oferecer flores e presentes ao mar.

Segundo o antropólogo Pierre Verger, o nome "Iemanjá" vem da expressão iorubá Yèyé ọmọ ẹjá, que significa "mãe cujos filhos são peixes". Orixá mais popular do Brasil, Iemanjá é celebrada em todo o país, com festas que recaem em diferentes épocas do ano, dependendo da região. No Rio de Janeiro e muitas outras cidades
litorâneas, as homenagens acontecem na última noite do ano. Em Salvador, na Bahia, a grande festa é em 2 de fevereiro, quando milhares de devotos vão à Praia do Rio Vermelho pedir graças e oferecer flores e presentes ao mar.

Iemanjá

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"Era eu menino e já me impressionava o pregão da negra vendedora de acarajé. Quanto mais distante mais me parecia um lamento. O pregão era em nagô, [uma das línguas faladas pelos] negros, e enchia-me os ouvidos de música e de nostalgia: 'Ô acarajé ecó olalai ó', e continuava em português 'Vem benzê-ê-em, tá quentinho', para logo marcar o abará: 'Iê abará'. Não havia noite que eu não ouvisse. A negra era pontual com seu tabuleiro pela minha rua: pelas 10 horas da noite ela passava. E além do pregão, ela, ao descansar o tabuleiro pra vender o acarajé apimentado e o abará, costumava dizer aquilo que, anos depois, eu tomaria para a letra da música que fiz. Era quase um resmungo: 'Todo mundo gosta de acarajé, mas o trabalho que dá pra fazer é que é'. " Dorival Caymmi (1914-2008)

"Era eu menino e já me impressionava o pregão da negra vendedora de acarajé. Quanto mais distante mais me parecia um lamento. O pregão era em nagô, [uma das línguas faladas pelos] negros, e enchia-me os ouvidos de música e de nostalgia: 'Ô acarajé ecó olalai ó', e continuava em português 'Vem benzê-ê-em, tá quentinho', para logo marcar o abará: 'Iê abará'. Não havia noite que eu não ouvisse. A negra era pontual com seu tabuleiro pela minha rua: pelas 10 horas da noite ela passava. E além do pregão, ela, ao descansar o tabuleiro pra vender o acarajé apimentado e o abará, costumava dizer aquilo que, anos depois, eu tomaria para a letra da música que fiz. Era quase um resmungo: 'Todo mundo gosta de acarajé, mas o trabalho que dá pra fazer é que é'. " Dorival Caymmi (1914-2008)

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O décimo primeiro módulo da experiência "Português do Brasil", intitulado " Língua que levo comigo (séculos XIX e XX)”, aborda a chegada de imigrantes, sobretudo dos imigrantes italianos ao Brasil. Este módulo apresenta vídeos com especialistas, uma mala de Imigrante em madeira, fotografias e jornais sobre a chegada dos imigrantes ao Brasil.

séculos XIX e XX

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O Brasil é um país de imigrantes. Desde os primórdios, nossas terras foram povoadas por imigrantes de origens, etnias, culturas e línguas muito diferentes. Embora uma parte tenha vindo por vontade própria, até a metade do século XIX a grande maioria veio forçada através do comércio de africanos escravizados. Com o fim do tráfico e da escravidão, seguiram-se fluxos migratórios de trabalhadores livres europeus e asiáticos. Entre 1850 e 1950, movidos por dificuldades econômicas, conflitos étnicos e guerras, sem condições de permanecer em seus países ou desejosos de melhorar de vida, milhões de italianos, alemães, japoneses, sírios e libaneses, chineses, poloneses, entre outros, instalaram-se no Brasil. Os imigrantes e seus descendentes criaram raízes, tornando-se brasileiros, e muitos de seus traços linguísticos foram incorporados ao modo de falar o português nas terras brasileiras.

O Brasil é um país de imigrantes. Desde os primórdios, nossas terras foram povoadas por imigrantes de origens, etnias, culturas e línguas muito diferentes. Embora uma parte tenha vindo por vontade própria, até a metade do século XIX a grande maioria veio forçada através do comércio de africanos escravizados. Com o fim do tráfico e da escravidão, seguiram-se fluxos migratórios de trabalhadores livres europeus e asiáticos. Entre 1850 e 1950, movidos por dificuldades econômicas, conflitos étnicos e guerras, sem condições de permanecer em seus países ou desejosos de melhorar de vida, milhões de italianos, alemães, japoneses, sírios e libaneses, chineses, poloneses, entre outros, instalaram-se no Brasil. Os imigrantes e seus descendentes criaram raízes, tornando-se brasileiros, e muitos de seus traços linguísticos foram incorporados ao modo de falar o português nas terras brasileiras.

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Durante o século XIX, a Europa viveu grande turbulência econômica e política. Populações da Itália, Espanha, Portugal e Alemanha sofriam com o desemprego, a pobreza, a fome e a emigração era uma das alternativas de sobrevivência. Em 1880, o Brasil tornara-se o maior produtor e exportador de café do mundo e as lavouras necessitavam de grandes contingentes de trabalhadores. Com a iminência da abolição, para substituir os escravizados, que eram a base da economia, os grandes proprietários rurais procuravam uma mão de obra barata. Havia também um pensamento corrente nas classes dominantes no país, fundado no preconceito, de que era preciso promover o “branqueamento” da população nacional, majoritariamente negra. Acreditaram também que os chamados “grandes vazios” de terras no interior do território precisavam ser colonizado por pessoas experientes na lavoura. Assim, com o incentivo e o financiamento do Estado, o Brasil começou a receber os imigrantes da diáspora europeia.

Durante o século XIX, a Europa viveu grande turbulência econômica e política. Populações da Itália, Espanha, Portugal e Alemanha sofriam com o desemprego, a pobreza, a fome e a emigração era uma das alternativas de sobrevivência. Em 1880, o Brasil tornara-se o maior produtor e exportador de café do mundo e as lavouras necessitavam de grandes contingentes de trabalhadores. Com a iminência da abolição, para substituir os escravizados, que eram a base da economia, os grandes proprietários rurais procuravam uma mão de obra barata. Havia também um pensamento corrente nas classes dominantes no país, fundado no preconceito, de que era preciso promover o “branqueamento” da população nacional, majoritariamente negra. Acreditaram também que os chamados “grandes vazios” de terras no interior do território precisavam ser colonizado por pessoas experientes na lavoura. Assim, com o incentivo e o financiamento do Estado, o Brasil começou a receber os imigrantes da diáspora europeia.

Braços estrangeiros

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Fotografia retratando grupo de imigrantes em navio recém-chegado ao Brasil. É possível observar homens, mulheres e crianças reunidos no convés, em ambiente de chegada, simbolizando os fluxos migratórios que marcaram a história do país.

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Mala retangular confeccionada em madeira revestida por couro escuro, com estrutura reforçada por cantoneiras e tiras metálicas. Apresenta alça superior central em couro, rebites aparentes e fechos metálicos. O corpo exibe marcas de uso, manchas e arranhões, com inscrições e gravações lineares simples no couro, formando composições geométricas sutis.

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O documento é a primeira página do jornal "La Voz de España" (A Voz da Espanha), publicado em São Paulo, Brasil, no dia 3 de Abril de 1902. Este periódico era o "Órgão da Colônia Espanhola" na cidade, indicando que seu principal objetivo era servir como veículo de comunicação, informação e representação dos interesses da comunidade de imigrantes espanhóis que viviam em São Paulo no início do século XX. O jornal está no Ano III, número 96.

O layout é típico dos jornais antigos: o espaço é densamente preenchido em várias colunas, com poucas ilustrações ou recursos gráficos além dos cabeçalhos. O conteúdo parece ser uma mistura de assuntos importantes para a comunidade. Há a cobertura de notícias comunitárias, evidenciada pela menção à "Liga de España en S. Paulo" (A Liga da Espanha em S. Paulo). Estão presentes notícias locais e gerais, com títulos fortes como "Crimen horrible" (Crime horrível) e "La Plaga!" (A Praga!), que sugerem reportagens sobre eventos atuais, possivelmente de natureza policial ou de saúde pública. Além disso, a presença de textos de opinião e manifestos, como "Manifiesto importante" (Manifesto importante) e "Declaración" (Declaração), indica que o jornal tinha um papel ativo no debate político e social da colônia. Por fim, a inclusão de notícias de outros países, como as "Notas Hondureñas" (Notas Hondurenhas), demonstra um olhar para eventos na América Latina.

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Jornais escritos em diversas línguas, circulavam nas comunidades de imigrantes no começo do século XX. Traziam informações sobre documentos e leis, notícias sobre os países de origem e faziam publicidade de seus negócios. Esses jornais tinham também um importante papel político. Era o caso, por exemplo, dos jornais dos anarquistas e socialistas, movimentos ligados aos operários italianos que haviam se engajado nas indústrias e manufaturas de São Paulo.

Jornais escritos em diversas línguas, circulavam nas comunidades de imigrantes no começo do século XX. Traziam informações sobre documentos e leis, notícias sobre os países de origem e faziam publicidade de seus negócios. Esses jornais tinham também um importante papel político. Era o caso, por exemplo, dos jornais dos anarquistas e socialistas, movimentos ligados aos operários italianos que haviam se engajado nas indústrias e manufaturas de São Paulo.

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Nos portos, navios e hospedarias, tudo é desconhecido, diferente, especialmente a língua. Para atravessar continentes e oceanos, o imigrante leva uma ou duas mudas de roupa, um cobertor, objetos de uso pessoal, uma carta de recomendação, algum dinheiro, uma relíquia, uma foto de família, o instrumento de seu ofício.

Nos portos, navios e hospedarias, tudo é desconhecido, diferente, especialmente a língua. Para atravessar continentes e oceanos, o imigrante leva uma ou duas mudas de roupa, um cobertor, objetos de uso pessoal, uma carta de recomendação, algum dinheiro, uma relíquia, uma foto de família, o instrumento de seu ofício.

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Quase 5 milhões de imigrantes entraram no Brasil entre 1850 e 1950. A maioria deles ficou em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, estabelecendo-se em colônias rurais. Depois de algum tempo, porém, muitas famílias transferiram-se para as cidades, modificando a fisionomia e a composição urbana do Brasil. Até a Primeira Guerra Mundial, portugueses e italianos compuseram os maiores fluxos migratórios, sendo seguidos por espanhóis, alemães, sírio-libaneses e japoneses. No período entreguerras, chegaram poloneses, russos, ucranianos, lituanos, além de judeus de diferentes origens, fugindo do nazifascismo. Após a Segunda Guerra, o Brasil começou a receber refugiados asiáticos, como chineses e coreanos.

Quase 5 milhões de imigrantes entraram no Brasil entre 1850 e 1950. A maioria deles ficou em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, estabelecendo-se em colônias rurais. Depois de algum tempo, porém, muitas famílias transferiram-se para as cidades, modificando a fisionomia e a composição urbana do Brasil. Até a Primeira Guerra Mundial, portugueses e italianos compuseram os maiores fluxos migratórios, sendo seguidos por espanhóis, alemães, sírio-libaneses e japoneses. No período entreguerras, chegaram poloneses, russos, ucranianos, lituanos, além de judeus de diferentes origens, fugindo do nazifascismo. Após a Segunda Guerra, o Brasil começou a receber refugiados asiáticos, como chineses e coreanos.

Em trânsito

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video

https://www.youtube.com/embed/Mwn4iCTclBc

O vídeo apresenta a publicação "O immigrante", desenvolvida pela Secretaria de Agricultura do governo do Estado de São Paulo, em 1908. O impresso destaca as políticas e iniciativas voltadas à imigração no início do século XX, evidenciando o papel do governo paulista na promoção da entrada e fixação de imigrantes no território.

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Imagem fotográfica de imigrantes japoneses em ambiente rural, evidenciando o cotidiano da colonização agrícola. Dois homens aparecem montados em asnos, enquanto uma mulher segura uma criança no colo, acompanhada por outras duas crianças ao lado, retratando a vida familiar e o trabalho no campo.

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A mulher, nada feia, está à beira do rego, com o menino. Lavam e luzem os pimentões, que levarão amanhã à feira, lustram os nabos
e abóboras, um por um, esfregando-os com escovas.
 Ela se chama – Fumiko, Mitiko, Yukiko, Kimiko, Kazúmi, Natsuko ou Hatsuko? – e com belos dentes. Como foi que se casou com Setsuo Sakamota? Namoraram? – Não, namoro não. Ele quis eu, falou com p’pai. Deu “garantia”...– Garantia em dinheiro? Pagou? – Pâgou, pâgou. Japonês usa...– E gosta dele? – Bom. Munto târâbârâdor. Trâbâra todo dia. Trâbâra noite...– Mas, e o amor – Amor, sim, munto. Primero casa, depois amor vem. Amor, devagarazinho, todo dia amor mais um pouco... Bom… – Simples, bom, viemos, ricos regressamos. Tanto que: – Banzai, banzai, Nippon! João Guimarães Rosa.

A mulher, nada feia, está à beira do rego, com o menino. Lavam e luzem os pimentões, que levarão amanhã à feira, lustram os nabos
e abóboras, um por um, esfregando-os com escovas.
 Ela se chama – Fumiko, Mitiko, Yukiko, Kimiko, Kazúmi, Natsuko ou Hatsuko? – e com belos dentes. Como foi que se casou com Setsuo Sakamota? Namoraram? – Não, namoro não. Ele quis eu, falou com p’pai. Deu “garantia”...– Garantia em dinheiro? Pagou? – Pâgou, pâgou. Japonês usa...– E gosta dele? – Bom. Munto târâbârâdor. Trâbâra todo dia. Trâbâra noite...– Mas, e o amor – Amor, sim, munto. Primero casa, depois amor vem. Amor, devagarazinho, todo dia amor mais um pouco... Bom… – Simples, bom, viemos, ricos regressamos. Tanto que: – Banzai, banzai, Nippon! João Guimarães Rosa.

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Com a imigração, a língua portuguesa do Brasil foi assimilando novos vocábulos, expressões e modos de falar estrangeiros. Ao longo do século XX, muitos deles se generalizaram pelo país. A palavra italiana “ciao”, por exemplo, tornou-se uma das mais comuns da língua portuguesa: tchau. Em italiano, “ciao” é uma saudação informal utilizada tanto na despedida como na chegada. No Brasil, ela só é empregada em situações de despedida. Em sua origem antiga, “ciao” é abreviação em dialeto vêneto que equivaleria ao italiano padrão “sono suo schiavo”, que quer dizer "eu sou escravo", no sentido de "estou a sua disposição".

Com a imigração, a língua portuguesa do Brasil foi assimilando novos vocábulos, expressões e modos de falar estrangeiros. Ao longo do século XX, muitos deles se generalizaram pelo país. A palavra italiana “ciao”, por exemplo, tornou-se uma das mais comuns da língua portuguesa: tchau. Em italiano, “ciao” é uma saudação informal utilizada tanto na despedida como na chegada. No Brasil, ela só é empregada em situações de despedida. Em sua origem antiga, “ciao” é abreviação em dialeto vêneto que equivaleria ao italiano padrão “sono suo schiavo”, que quer dizer "eu sou escravo", no sentido de "estou a sua disposição".

Tchau!

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video

https://www.youtube.com/embed/AAZiSRsOEeg

O vídeo apresenta o depoimento da imigrante italiana Nora Tausz Rónai. Ela comenta sua relação com a língua portuguesa desde quando chegou ao Brasil.
No vídeo, Nora aparece tomando café, lendo jornal e vendo fotografias, além de dar o depoimento.

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video

https://www.youtube.com/embed/RwU50yCOQv4

O vídeo apresenta os depoimentos dos imigrantes japonêses Hiroshi Higuchi e Sachimi Higuchi.
Eles comentam suas trajetórias e suas relações com a língua portuguesa, bem como dos elementos do português que estão presentes no japonês.
O cenário é composto por paisagens rurais do sítio e da casa da família.

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exhibitionItem

video

https://www.youtube.com/embed/Jcp3pHBgBSM

O vídeo apresenta o depoimento da imigrante alemã Barbara Hepp. Ela comenta a trajetória de sua família e sua relação com a língua portuguesa.
No vídeo Bárbara aparece caminhando num jardim e ao lado de sua mãe, além de aparecer dando depoimento.

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exhibitionItem

video

https://www.youtube.com/embed/jkxL_D1fSSc

O vídeo apresenta o depoimento do comerciante e imigrante sírio-libanes Kamal Kalaoun.

Ele comenta as razões que levaram os seus familiares a virem para o Brasil, fala sobre sua trajetória e comenta as influências da língua árabe no português falado no Brasil.

O cenário é alternado entre cenas de Kamal andando por ruas de um centro comercial e dentro de algumas lojas e o estúdio onde foi gravado o depoimento.

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exhibitionItem

video

https://www.youtube.com/embed/5K_dZrB-wLE

O vídeo apresenta o depoimento do imigrante polonês Tomasz Lychowski.
Ele comenta sua trajetória, onde aprendeu o português e outros detalhes de sua relação com a língua portuguesa.
Tomasz está sentado em um banco de um parque, cercado por árvores. O cenário também é composto por cenas de pessoas no parque.

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exhibitionItem

video

https://www.youtube.com/embed/7TcpTI5BMb0

O vídeo é uma entrevista em forma de depoimento do historiador Boris Fausto, homem branco e idoso, sobre o processo de imigração no Brasil a partir de 1870. O cenário é um estúdio totalmente escuro, com luz apenas em Boris Fausto.

Boris Fausto inicia o vídeo comentando o período de 1870 à 1914 como o de grande fluxo imigratório para o Brasil, composto sobretudo por portugueses, italianos e espanhóis. Em seguida fala dos motivos que os levaram a deixarem seus países de origem e os aspectos de alguns deles, como os japoneses, libaneses e alemães. Por fim, fala das imigrações recentes advindas do outros países da América Latina, bem como de conflitos como os ocorridos na Síria, em que essas pessoas não se consideram imigrantes, mas sim, refugiados.

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video

https://www.youtube.com/embed/BSZZ7Uz0Zr4

O vídeo apresenta a atriz Denise Fraga interpretando os textos "Sodades de Zan Paolo" e "O studenti du Bó Ritiro, escritos por Alexandre Ribeiro Marcondes Machado em 1915 e presentes na publicação "La Divina Increnca".
A atriz usa óculos de leitura, esta sentada num sofá e segura um livro.

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Fotografia em preto e branco de uma mulher portuguesa com seis filhos, registrada para passaporte. A mãe, sentada ao centro, veste blusa clara e saia escura xadrez. Ela segura no colo um bebê envolto em roupas claras e mantém outra criança pequena junto a si. Ao redor, estão quatro crianças: duas meninas em pé, uma de cada lado, ambas com vestidos claros; e duas crianças menores sentadas, também de vestido claro. O fundo é neutro, típico de estúdios fotográficos, e na lateral esquerda aparece parcialmente o brasão de Portugal, indicando a finalidade oficial do retrato.

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Fotografia em preto e branco de uma família de imigrantes sírio-libanêsa. O grupo é composto por um homem de terno, uma mulher de blusa clara e saia escura, três crianças usando vestidos e uma criança uniformizada.

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Reprodução fotográfica de passaporte familiar alemão emitido em 27 de outubro de 1929 pelo Landrat de Soltau (Alemanha). Documento em papel impresso e manuscrito, com fotografia em preto e branco de casal e uma criança, carimbos oficiais e assinaturas. Contém dados do titular, Wilhelm Gehr (nascido em 21 de maio de 1886, em Wilsede, agricultor) e de sua esposa, Maria Manthe (nascida em 23 de outubro de 1893, em Volkwardingen). Registra residência em Oberhaverbeck, características físicas (olhos azuis, cabelos loiros). Inclui também o registro da filha, nascida em 18 de setembro de 1921.

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Reprodução fotográfica de documento oficial emitido em Łuków (Polônia) para a família de Maksym, contendo fotografia, carimbo e assinatura do portador. Testemunha os fluxos migratórios de poloneses no período entre guerras, quando milhares deixaram a Europa em busca de melhores condições no Brasil, contribuindo para a formação de comunidades e para a diversidade cultural e linguística do país.

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Fotografia em preto e branco de grupo escolar diante de um prédio simples de fachada caiada, com telhado de telhas coloniais. Em destaque, uma placa com a inscrição “Deutsche Schule” (Escola Alemã). Na frente do edifício, posam crianças organizadas em fileiras, acompanhadas de alguns homens adultos — provavelmente professores, autoridades locais ou líderes comunitários. As crianças usam roupas simples e algumas estão descalças. Dois adultos em trajes formais estão posicionados nas extremidades laterais.

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Fotografia em preto e branco de 1911, retratando a família de Francesco Evangelista. A imagem reflete a composição e os costumes familiares do início do século XX, incluindo vestimentas, posturas e arranjos típicos da época. Fotografias desse período eram frequentemente registradas em estúdios, com atenção à formalidade e à representação social da família, funcionando como documentos históricos que preservam memórias e identidades familiares.

additionalType

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Passaporte de uma família italiana composta por um homem, uma mulher e oito crianças, utilizado para registro e deslocamento entre a Itália e o Brasil. O documento evidencia a composição familiar e a presença de imigrantes italianos no país, refletindo seu processo de migração e adaptação ao novo contexto.

additionalType

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Imagem de fotografia, em preto e branco, da família Humeniuk, sendo composta de oito pessoas e dispostas do seguinte modo: da esquerda para direita, em pé Sonia, Jan, Eliah (falecido a bordo do navio para o Brasil) e Antochka; e sentados, Thomas, Nadia, Maria e Valentina.

additionalType

exhibitionItem

Reprodução fotográfica de passaporte familiar alemão emitido em 04 de fevereiro de 1924 pelo Der Landrat (Alemanha). Documento em papel impresso e manuscrito, com fotografia em preto e branco de casal e quatro crianças, carimbos oficiais e assinaturas. Contém dados do titular, Otto [Laisskowski] (nascido em 07 de novembro de 1888, em Rogainem, agricultor) e de sua esposa, [Anastasia] (nascida em 25 de novembro de 1895, em Gasthausen). Registra residência em Rogainem, características físicas (olhos azuis, cabelos loiros, compleição magra). Ambos são registrados com o cabelo loiro, de estatura média e de rosto alongado. Inclui também o registro dos filhos, [Anisch] nascida em 10 de novembro de 1913; [Fritz] nascido em 08 de setembro de 1914; [Lorenz] nascido em 29 de janeiro de 1917; e [Paul] nascido em 23 de fevereiro de 1923.

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Fotografia em preto e branco retratando uma família composta por uma mulher adulta e quatro crianças. A mãe e as três crianças mais velhas estão em pé, enquanto a mais nova aparece sentada em uma cadeira. Ao fundo, observa-se um tecido estampado que simula uma paisagem, utilizado como cenário fotográfico.
A fotografia retrata uma família espanhola composta por uma mãe e quatro filhos, sendo Diego Gimenez Moreno um dos retratados. Na época da foto (1922), ele tinha 11 anos.

additionalType

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Imagem de fotografia em preto e branco da família italiana Barbielini em São Paulo. Na imagem, há onze pessoas em pé, vestidos com roupas formais, divididas em duas filas, a primeira fila é composta por seis crianças todas juntas; a segunda fila, localizada atrás da primeira, é mais espaçada com uma mulher na ponta esquerda e na ponta direita uma mulher segurando uma criança de colo, uma jovem e um homem de idade avançada.

O cenário é o meio rural, com plantas ao chão e árvores ao fundo.

A fotografia possui uma borda de papel na qual estão escritas informações, como nomes e datas, provavelmente relacionadas as pessoas retratadas.

additionalType

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Imagem de passaporte de uma família polonesa, o passaporte está aberto apresentando duas páginas. Na página da esquerda, há uma fotografia de uma família composta de seis pessoas, sendo um homem e uma mulher adultos e quatro crianças. Sobre a foto, há marcas de carimbo da Segunda República Polonesa.
A página da direita possui indicações de formulário para serem preenchidas e manchas de tinta.

additionalType

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Passaporte em formato de certificado proferido pelo Consul Geral da Espanha em Portugal, possui uma identificação física da pessoa (idade, cor dos olhos e da pele, estatura, tipo de nariz), bem como seu histórico de vida (local de nascimento, nacionalidade, estado civil) e o seu destino e motivo de viagem.
É assinado pelo próprio Consul e possui carimbos do Consulado Geral da Espanha e da Inspetoria de Imigração de Santos-SP.
Há também uma fotografia colado na parte superior do passaporte, nela figuram uma família composta por seis pessoas, sendo uma mulher e cinco crianças.

additionalType

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Fotografia em preto e branco da família ucraniana Rebarchuk Yurchuk. Na imagem, duas mulheres estão posicionadas ao fundo, enquanto, à frente, aparecem sentados um homem e uma mulher, tendo entre eles uma criança usando vestido.
Na imagem, da esquerda para a direita, aparecem na parte de trás: Matrona e Anastacia; e, à frente: Natalia, Zenka e Pedro.

additionalType

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Com os imigrantes, a língua portuguesa do Brasil foi assimilando novas palavras, expressões, estruturas e modos de falar. Em São Paulo, por exemplo, que recebeu os maiores contingentes de italianos, o português foi se misturando ao seu falar cotidiano, criando uma nova língua, uma espécie de ítalo-paulistano, resultante dos esforços mútuos da comunicação entre italianos e brasileiros.

Com os imigrantes, a língua portuguesa do Brasil foi assimilando novas palavras, expressões, estruturas e modos de falar. Em São Paulo, por exemplo, que recebeu os maiores contingentes de italianos, o português foi se misturando ao seu falar cotidiano, criando uma nova língua, uma espécie de ítalo-paulistano, resultante dos esforços mútuos da comunicação entre italianos e brasileiros.

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Imagem de fotografia de trabalhadores em greve diante da fábrica têxtil das Indústrias Cresp, no bairro da Mooca, São Paulo – SP, durante mobilização por melhores salários e condições de trabalho. A imagem reflete a luta operária e a organização coletiva dos trabalhadores no início do século XX, evidenciando tensões sociais e reivindicações por direitos trabalhistas.

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Has part

O décimo segundo módulo da experiência "Português do Brasil", intitulado "Alô, alô, Brasil! (de 1922 a 1960)”, aborda a introdução e popularização do rádio no Brasil, tornando-se a época, um dos principais meios de comunicação do Brasil. Este módulo apresenta vídeos de cantoras do rádio, um aparelho Radiofônico, uma réplica da obra Operários de Tarsila do Amaral e textos que remetem a popularização a língua francesa e inglesa no Brasil.

De 1922 a 1960

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A partir do início do século XX, uma série de mudanças importantes e cada vez mais rápidas marcou a cultura e a língua do Brasil. A chegada dos imigrantes, a industrialização e um deslocamento crescente de milhares de brasileiros de áreas rurais para os centros urbanos transformaram radicalmente a feição do país. As cidades cresceram. Bondes e automóveis tomaram suas ruas. O rádio tornou-se um objeto indispensável nas casas, transmitindo notícias e anunciando novos bens de consumo. As fábricas se multiplicaram e os operários organizaram seus sindicatos. Milhares de quilômetros de novas rodovias deram início à integração do vasto território nacional. Uma nova capital foi projetada no centro do país. Em meio a todas essas mudanças, a língua portuguesa circulava como nunca. Por ondas de rádio e por fios telefônicos, atravessando rios e estradas, ia intercambiando palavras, confrontando falares e sotaques, misturando-se cada vez mais intensamente.

A partir do início do século XX, uma série de mudanças importantes e cada vez mais rápidas marcou a cultura e a língua do Brasil. A chegada dos imigrantes, a industrialização e um deslocamento crescente de milhares de brasileiros de áreas rurais para os centros urbanos transformaram radicalmente a feição do país. As cidades cresceram. Bondes e automóveis tomaram suas ruas. O rádio tornou-se um objeto indispensável nas casas, transmitindo notícias e anunciando novos bens de consumo. As fábricas se multiplicaram e os operários organizaram seus sindicatos. Milhares de quilômetros de novas rodovias deram início à integração do vasto território nacional. Uma nova capital foi projetada no centro do país. Em meio a todas essas mudanças, a língua portuguesa circulava como nunca. Por ondas de rádio e por fios telefônicos, atravessando rios e estradas, ia intercambiando palavras, confrontando falares e sotaques, misturando-se cada vez mais intensamente.

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Imagem fotográfica de capa do livro Pau-Brasil, de Oswald de Andrade, com ilustração de Tarsila do Amaral. A obra, publicada em 1925, é um marco do Modernismo brasileiro e apresenta poemas que exaltam a identidade nacional, a simplicidade da linguagem e a redescoberta do Brasil sob uma perspectiva vanguardista. A capa, criada por Tarsila, sintetiza visualmente os ideais do movimento, com cores vibrantes e formas geométricas que remetem à arte moderna e à brasilidade.

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Imagem de capa do livro Pauliceia Desvairada, de Mário de Andrade, publicado em 1922. A capa apresenta uma espécie de quadriculado nas cores azul, amarelo, vermelho, preto e branco. Uma alegoria constante na obra é o arlequim, que aparece em diversos poemas.

Pauliceia Desvairada é a coletânea de poemas que marca o início do Modernismo no Brasil. A obra retrata a cidade de São Paulo em meio às rápidas transformações urbanas: crescimento demográfico, industrialização, imigração, contrastes sociais. Nela, Mário de Andrade rompe com formas literárias tradicionais, adotando versos livres, ritmo mais livre, metáforas ousadas e expressões de irreverência.
O famoso poema Ode ao Burguês exemplifica essa crítica à sociedade burguês-industrial, com ironia e elementos visuais chocantes. No Prefácio Interessantíssimo, ele declara seu rompimento com os estilos anteriores e estabelece que a arte deve refletir a realidade nova, mesmo que de forma desconcertante para alguns.

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Em fevereiro de 1922, um grupo de artistas de vanguarda realizou em São Paulo a Semana de Arte Moderna, um dos marcos simbólicos da modernização do país no início do século XX. O movimento, liderado por artistas como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti e Heitor VillaLobos, entre outros, representou uma revolução na literatura, nas artes plásticas e na música no país. Uma mudança de rumos no pensamento e na cultura apontava para um novo olhar sobre o Brasil e seu povo. Os modernistas propuseram uma originalidade brasileira para a língua, mais próxima da fala e mais rebelde à gramática tradicional. O poema “Vício na fala”, de Oswald de Andrade, por exemplo, ironiza o preconceito linguístico contra a fala popular: Para dizerem milho dizem mio/ Para melhor dizem mió/ Para pior pió/ Para telha dizem teia/ Para telhado dizem teiado/ E vão fazendo telhados. Oswald de Andrade

Em fevereiro de 1922, um grupo de artistas de vanguarda realizou em São Paulo a Semana de Arte Moderna, um dos marcos simbólicos da modernização do país no início do século XX. O movimento, liderado por artistas como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti e Heitor VillaLobos, entre outros, representou uma revolução na literatura, nas artes plásticas e na música no país. Uma mudança de rumos no pensamento e na cultura apontava para um novo olhar sobre o Brasil e seu povo. Os modernistas propuseram uma originalidade brasileira para a língua, mais próxima da fala e mais rebelde à gramática tradicional. O poema “Vício na fala”, de Oswald de Andrade, por exemplo, ironiza o preconceito linguístico contra a fala popular: Para dizerem milho dizem mio/ Para melhor dizem mió/ Para pior pió/ Para telha dizem teia/ Para telhado dizem teiado/ E vão fazendo telhados. Oswald de Andrade

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Reprodução fotográfica de um recorte da obra Operários, de Tarsila do Amaral. A imagem evidencia detalhes da pintura modernista que retrata a diversidade étnica e social dos trabalhadores urbanos no Brasil industrial do século XX, destacando o olhar coletivo e a composição geométrica característica da artista.

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No início da radiofonia no Brasil, as emissoras apresentavam música clássica, ópera e textos eruditos. A partir de 1932, o governo autorizou a veiculação de propaganda. Surgiram então os programas de entrevistas, humor e música popular, e depois as transmissões esportivas, radionovelas e os programas de calouros. Era uma febre nacional. As maiores emissoras tinham cantores exclusivos, que atraíam animados fã-clubes. A canção popular firmou-se assim no panorama musical do Brasil moderno.

No início da radiofonia no Brasil, as emissoras apresentavam música clássica, ópera e textos eruditos. A partir de 1932, o governo autorizou a veiculação de propaganda. Surgiram então os programas de entrevistas, humor e música popular, e depois as transmissões esportivas, radionovelas e os programas de calouros. Era uma febre nacional. As maiores emissoras tinham cantores exclusivos, que atraíam animados fã-clubes. A canção popular firmou-se assim no panorama musical do Brasil moderno.

Febre nacional

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Rádio de mesa com corpo em madeira envernizada e formato de arco ogival, conhecido como cathedral. A parte frontal possui tela de tecido trançado de tom amarelado, protegendo o alto-falante. Abaixo, há três botões de controle em baquelite e duas pequenas janelas de mostradores metálicos para sintonia e volume.

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Capa da revista Radiolândia com a cantora Angela Maria com o subtítulo "nunca perde a majestade". Nessa foto a cantora está usando um vestido tomara que caia da cor branca, com uma capa da mesma cor e uma coroa de brilhantes.

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Em 1937, o presidente Getúlio Vargas e seus aliados deram o golpe que criou o Estado Novo, uma ditadura que só terminaria em 1945. A radiofusão era uma das maiores preocupações de Vargas e do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), responsável por censurar qualquer voz que se opusesse ao governo. Para controlar a população, Vargas monopolizou a audiência das rádios, estatizando a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, transformando-a na rádio oficial do governo e líder de audiência no país. O DIP entregava mensalmente à imprensa uma lista de temas proibidos, como "Nenhuma notícia sobre escassez de peixe no país", "Nada sobre a União Nacional dos Estudantes", ou "Nada assinado por Oswald de Andrade". Havia também palavras proibidas, como União Soviética e amante. Era proibido dizer, por exemplo, "amante da música".

Em 1937, o presidente Getúlio Vargas e seus aliados deram o golpe que criou o Estado Novo, uma ditadura que só terminaria em 1945. A radiofusão era uma das maiores preocupações de Vargas e do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), responsável por censurar qualquer voz que se opusesse ao governo. Para controlar a população, Vargas monopolizou a audiência das rádios, estatizando a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, transformando-a na rádio oficial do governo e líder de audiência no país. O DIP entregava mensalmente à imprensa uma lista de temas proibidos, como "Nenhuma notícia sobre escassez de peixe no país", "Nada sobre a União Nacional dos Estudantes", ou "Nada assinado por Oswald de Andrade". Havia também palavras proibidas, como União Soviética e amante. Era proibido dizer, por exemplo, "amante da música".

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Imagem fotográfica do bando de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, figurando ao todo dez pessoas, divididas em duas fileiras — uma ao fundo, com quatro integrantes, e outra à frente, com seis. Lampião aparece na fileira da frente, sendo o terceiro da esquerda para a direita, ao lado de Maria Bonita, que ocupa a quarta posição. O cenário é composto por árvores e vegetação típicas do agreste nordestino. A fotografia integra o livro "Iconografia do Cangaço", no qual é apresentada como registro histórico e visual de um dos mais emblemáticos grupos de cangaceiros do Brasil.

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Na Era do Rádio, a partir da década de 30, muitas palavras do inglês começaram a ser difundidas entre nós pelo novo veículo de massa. Algumas já chegavam aportuguesadas, como "alô", do inglês "hello". Outras mantiveram a forma original durante algum tempo, como "speaker" (locutor), "cast" (elenco) e "broadcast" (transmissão). Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), uma aliança política entre Brasil e Estados Unidos estimulou a entrada de novos hábitos de consumo no país. A Coca-Cola, por exemplo, começou a ser fabricada em Recife em 1941, para matar a sede e a saudade dos soldados que passavam pela base norte-americana na região, mas também virou mania entre os brasileiros. A vitória dos Estados Unidos na guerra aumentou ainda mais sua influência no mundo. Jeans, chicletes e rock'n roll; business e bangue-bangue: o estilo de vida norte-americano virou objeto de desejo por toda parte. Mais recentemente, a tecnologia dos computadores e dos smartphones inundaram o português de dezenas de novas palavras do inglês, como "deletar", "chat" e "selfie".

Na Era do Rádio, a partir da década de 30, muitas palavras do inglês começaram a ser difundidas entre nós pelo novo veículo de massa. Algumas já chegavam aportuguesadas, como "alô", do inglês "hello". Outras
mantiveram a forma original durante algum tempo, como "speaker" (locutor), "cast" (elenco) e "broadcast" (transmissão). Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), uma aliança política entre Brasil e Estados Unidos estimulou a entrada de novos hábitos de consumo no país. A Coca-Cola, por exemplo, começou a ser
fabricada em Recife em 1941, para matar a sede e a saudade dos soldados que passavam pela base norte-americana na região, mas também virou mania entre os brasileiros. A vitória dos Estados Unidos na guerra aumentou ainda mais sua influência no mundo. Jeans, chicletes e rock'n roll; business e bangue-bangue: o estilo de vida norte-americano virou objeto de desejo por toda parte. Mais recentemente, a
tecnologia dos computadores e dos smartphones inundaram o português de dezenas
de novas palavras do inglês, como "deletar", "chat" e "selfie".

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A palavra "sertão" tem origem obscura. Alguns etimólogos dizem que viria de "desertão", mas provavelmente essa seja uma etimologia fantasiosa. No Brasil, a palavra remete ao vasto espaço do interior do país. "Uberlândia era a boca do sertão", diz Orlando Villas-Boas, um dos líderes da Marcha para o Oeste - iniciativa do governo Vargas para ocupar a região centro-oeste na década de 1940. No Brasil modernizante do século XX, o sertão era lugar de atraso e barbárie primitiva. Do sertão vinham os "retirantes", os trabalhadores rurais que fugiam das secas da caatinga nordestina; vinham histórias de personagens como Antônio Conselheiro, da Guerra de Canudos, narrada por Euclides da Cunha no livro "Os Sertões" (1902); ou o cangaceiro Lampião e seu bando, metralhados e degolados por policiais em 1938. Mas o sertão também podia representar o lugar da autenticidade, onde o Brasil era mais Brasil. Afinal, era de lá que vinham os ritmos de Luiz Gonzaga e a língua do "Grande sertão: veredas" (1956), de Guimarães Rosa.

A palavra "sertão" tem origem obscura. Alguns etimólogos dizem que viria de "desertão", mas provavelmente essa seja uma etimologia fantasiosa. No Brasil, a palavra remete ao vasto espaço do interior do país. "Uberlândia era a boca do sertão", diz Orlando Villas-Boas, um dos líderes da Marcha para o Oeste - iniciativa do governo Vargas para ocupar a região centro-oeste na década de 1940. No Brasil modernizante do século XX, o sertão era lugar de atraso e barbárie primitiva. Do sertão vinham os "retirantes", os trabalhadores rurais que fugiam das secas da caatinga nordestina; vinham histórias de personagens como Antônio Conselheiro, da Guerra de Canudos, narrada por Euclides da Cunha no livro "Os Sertões" (1902); ou o cangaceiro Lampião
e seu bando, metralhados e degolados por policiais em 1938. Mas o sertão também podia representar o lugar da autenticidade, onde o Brasil era mais Brasil. Afinal, era de lá que vinham os ritmos de Luiz Gonzaga e a língua do "Grande sertão: veredas" (1956), de Guimarães Rosa.

Sertão

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A imagem mostra um anúncio publicitário antigo da Coca-Cola.
Na ilustração central, um homem e uma mulher sorridentes seguram garrafas de Coca-Cola e parecem brindar enquanto olham um para o outro. Eles estão vestidos com roupas típicas da moda dos anos 1940 ou 1950 — o homem usa camisa amarela e a mulher, camisa verde com lenço branco no cabelo.
Ao fundo, vê-se uma paisagem do Rio de Janeiro, com o Pão de Açúcar e a Baía de Guanabara, sob um céu azul e ensolarado. Abaixo da imagem, há um pequeno texto publicitário exaltando a bebida e o logotipo vermelho da marca.

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Trechos do filme do cineasta sírio Benjamin Abrahão Botto, o vídeo é em preto em branco e apresenta imagens de homens e mulheres que pertenciam ao bando de Lampião. Nesse vídeo eles aparecem ao ar livre ora fazendo atividades domésticas como cozinhando e costurando, ora treinando tiro.

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https://m-lingua-portuguesa.s3.sa-east-1.amazonaws.com/edd548c3fec017b1571b44243b06f7b6.mp4

Vídeo com o depoimento do professor, escritor e músico, José Miguel Wisnik que explica como o rádio foi o meio por excelência de difusão de uma linguagem coloquial no Brasil, bem como foi o veículo de expansão da música popular brasileira.

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Cena do filme Alô, Alô Carnaval (1936), com Carmen e Aurora Miranda, interpretando a música "Cantoras do rádio", de Alberto Ribeiro João de Barro e Lamartine Babo.
As cantoras aparecem em um palco de apresentação, todo decorado em clima carnavalesco, há uma banda de músicos ao fundo. As duas cantoras estão vestidas como mestres de apresentações circenses.

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O vídeo apresenta uma imagem fixa de Luiz Gonzaga enquanto o áudio apresenta a música "Luar do Sertão", interpretada por Luiz Gonzaga, Sivuca e Oswaldinho.

Letra da música:
Não há ó gente, ó não
Luar como esse do sertão } bis

Oh! Que saudade
Do luar da minha terra
Lá na serra branquejando
Folhas secas pelo chão
Este luar cá da cidade, tão escuro
Não tem aquela saudade
Do luar lá do sertão

Se a lua nasce
Por detrás da verde mata
Mas parece um sol de prata
Prateando a solidão
E a gente pega
Na viola que ponteia
E a canção é a lua cheia
A nos nascer no coração

Coisa mais bela
Neste mundo não existe
Do que ouvir-se um galo triste
No sertão, se faz luar
Parece até
Que a alma da lua
E que descanta
Escondida na garganta
Desse galo a soluçar

A quem me dera
Que eu morresse lá na serra
Abraçado a minha terra
E dormindo de uma vez
Ser enterrado numa grota pequenina
Onde à tarde a sururina
Chora a sua viuvez

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O vídeo apresenta José Miguel Wisnik, homem adulto, pele branca, vestido com camisa social de cor clara, está sentado em um estúdio com fundo preto, sendo ele a única pessoa a aparecer na gravação.

José Miguel inicia sua fala explicando os motivos ligados a ressignificação do samba, bem como o processo que o transformou de manifestação perseguida para um ilustre elemento da identidade nacional brasileira. Em seguida discorre sobre as características e o processo de construção da Bossa Nova.

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O vídeo apresenta trechos do filme "Brasília segundo Feldman" na qual apresenta cenas da construção da cidade de Brasília, com diversas sequências demonstrando a rotina dos trabalhadores e panorâmicas dos edifícios em construção. A segunda parte é marcada por cenas da inauguração da cidade em 1960, por Juscelino Kubitschek.

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Moacir dos Anjos inicia o vídeo dizendo que a Semana de Arte Moderna de 1922 foi fruto do desejo de escritores e artistas residentes na cidade de São Paulo, que ao longo da década de 1910 perceberam as vanguardas e transformações então vigentes na Europa. Junto a isso, segundo Moacir dos Anjos, ao mesmo tempo em que se comemorava o centenário da independência do país, havia também o desejo de independência no campo artístico. Em seguida cita alguns dos artistas e suas obras que ja apresentavam nas primeiras décadas do século XX, produções expressivas condizentes com o Modernismo. Após, discorre sobre dois manifestos: Manifesto da Poesia Pau-Brasil e o Manifesto Antopófago. Por fim, fala que o modernismo permitiu que a língua portuguesa se abrisse para as gírias, os regionalismos, imperfeições etc.

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Has part

O décimo terceiro módulo da experiência "Português do Brasil", intitulado " Um minuto pro comercial! (de 1960 a 1987)”, aborda a introdução e expansão da televisão no cotidiano dos brasileiros e o período que compreende a Ditadura Civil Militar Brasileira, bem como a retomada da democracia a partir de 1985. Este módulo apresenta vídeos do programa do Chacrinha, um cartaz do filme Terra em Transe de Glauber Rocha, introduzindo o movimento Tropicalista, e fotografias de protestos para a retomada da democracia no Brasil.

De 1960 a 1987

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Em todo o mundo, as décadas de 1960 e 1970 foram marcadas pela expansão dos meios eletrônicos de comunicação de massa e por grandes inovações na língua falada e escrita. A publicidade e as formas de comunicação rápida tiveram forte influência na transformação da língua portuguesa do Brasil. A literatura, as artes plásticas, a música, o teatro e o cinema renovaram-se, exercitando novas linguagens e formas de expressão. Foi um período marcado por um acelerado processo de urbanização, com grandes fluxos migratórios das áreas rurais para as cidades, especialmente do nordeste em direção ao sudeste e ao sul do país. Inaugurada na década anterior, a televisão recebeu apelidos de “tevê” ou “TV”, sua sigla internacional, e ganhou a boca do povo. É impossível pensar o país dessas décadas sem falar nela. Por meio da TV e da mistura regional no caldeirão urbano, cada vez mais o português culto dialogava com o popular.

Em todo o mundo, as décadas de 1960 e 1970 foram marcadas pela expansão dos meios eletrônicos de comunicação de massa e por grandes inovações na língua falada e escrita. A publicidade e as formas de comunicação rápida tiveram forte influência na transformação da língua portuguesa do Brasil. A literatura, as artes plásticas, a música, o teatro e o cinema renovaram-se, exercitando novas linguagens e formas de
expressão. Foi um período marcado por um acelerado processo de urbanização, com grandes fluxos migratórios das áreas rurais para as cidades, especialmente do nordeste em direção ao sudeste e ao sul do país. Inaugurada na década anterior, a televisão recebeu apelidos de “tevê” ou “TV”, sua sigla internacional, e ganhou a boca do povo. É impossível pensar o país dessas décadas sem falar nela. Por meio da TV e da mistura regional no caldeirão urbano, cada vez mais o português culto dialogava com o popular.

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Nos anos 1970 a população brasileira deixou de ser rural tornandose predominantemente urbana. Se no início da década 56% da população vivia em cidades, hoje essa marca já ultrapassa os 85%. Atraídos por melhores condições de vida e de trabalho migrantes nordestinos dirigiram-se para os grandes centros urbanos do Sudeste. Originários de diferentes localidades e expressando-se em grande variedade linguística os migrantes carregaram consigo maneiras de se expressar palavras e sotaques. Nos grupos familiares ou regionais os falares dos mais velhos se mantiveram, enquanto seus filhos e filhas, integrados ao sistema educacional, foram se ajustando à língua falada nas cidades, alimentando-a e modificando-a.

Nos anos 1970 a população brasileira deixou de ser rural tornandose predominantemente urbana. Se no início da década 56% da população vivia em cidades, hoje essa marca já ultrapassa os 85%. Atraídos por melhores condições de vida e de trabalho migrantes nordestinos dirigiram-se para os grandes centros urbanos do Sudeste. Originários de diferentes localidades e expressando-se em grande variedade linguística os migrantes carregaram consigo maneiras de se expressar palavras e sotaques. Nos grupos familiares ou regionais os falares dos mais velhos se mantiveram, enquanto seus filhos e filhas, integrados ao sistema educacional, foram se ajustando à língua falada nas cidades, alimentando-a e modificando-a.

Vozes urbanas

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Imagem fotográfica retrata trabalhadores migrantes da região do Nordeste em um andaime atuando na construção civil na cidade de São Paulo em 1953. A fotografia foi feita a partir do interior do edifício, ela apresenta três homens adultos em cima de um andaime suspenso por cordas, enquanto o homem a esquerda regula a altura do andaime, os outros dois homens a direita rebocam a janela. Ao fundo no horizonte é possível ver diversos prédios da cidade.

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Charge do cartunista Ziraldo ironiza um dos slogans de propaganda do governo civil-militar: "Brasil: ame-o ou deixe-o".

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Com a televisão e a urbanização, a década de 1970 viveu a expansão da publicidade e da propaganda. Tempo de anunciar e de vender. Concisão de texto e imagem slogans de fácil memorização clareza e rapidez das mensagens são formas da comunicação publicitária usadas para persuadir o consumidor assim como o humor as gírias e a linguagem informal. Os órgãos de propaganda oficial do governo também desenvolveram campanhas de massa. Criando um clima de “ninguém segura esse país” o otimismo e a confiança se generalizaram quando o Brasil se tornou tricampeão mundial de futebol trazendo a taça Jules Rimet para casa. Slogans políticos e educativos espalhavam-se pelas ruas em outdoors bancas de jornais e eram exibidos em propagandas de televisão. Por outro lado cartuns e charges com críticas ao governo que eram distribuídos em panfletos ou publicados em tabloides alternativos.

Com a televisão e a urbanização, a década de 1970 viveu a expansão da publicidade e da propaganda. Tempo de anunciar e de vender. Concisão de texto e imagem slogans de fácil memorização clareza e rapidez das
mensagens são formas da comunicação publicitária usadas para persuadir o consumidor assim como o humor as gírias e a linguagem informal. Os órgãos de propaganda oficial do governo também desenvolveram campanhas de massa. Criando um clima de “ninguém segura esse país” o otimismo e a confiança se generalizaram quando o Brasil se tornou tricampeão mundial de futebol trazendo a taça Jules Rimet para casa. Slogans políticos e educativos espalhavam-se pelas ruas em outdoors bancas de jornais e eram exibidos em propagandas de televisão. Por outro lado cartuns e charges com críticas ao governo que eram distribuídos em
panfletos ou publicados em tabloides alternativos.

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Imagem de cartaz do filme de Glauber Rocha, Terra em transe, lançamento em 1967 e reverenciado como um dos principais símbolos do Cinema Novo.

O cartaz é composto da seguinte forma: as bordas possuem recortes em preto e branco de diversas pessoas, ao centro, dentro de um circulo oval vermelho, ao centro dele figura o torço de um homem segurando uma arma, sendo a parte de baixo dele o torço de uma mulher. Sobre toda essa montagem, é escrito em verde o título "Terra em Transe, um filme de Glauber Rocha".

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A palavra provém do latim propagare, verbo que quer dizer propagar, multiplicar, divulgar, estender, alargar, aumentar. Propaganda, significa literalmente “as coisas que devem ser propagadas”. Tornou-se conhecida a partir da expressão latina Congregatio de propaganda fide que quer dizer “Congregação sobre a fé que deve ser propagada”, criada pelo Papa Gregório XV com o objetivo de regular a difusão do Evangelho em 1622. Chegou ao português, provavelmente no século XVIII, já com seu sentido moderno: a difusão de mensagens (texto, imagem, música), exaltando as qualidades de algo ou de alguém. Essas mensagens podem se destinar tanto à indução ao consumo de algum objeto ou serviço, como à divulgação de informações e disseminação de ideias, crenças, religiões... ou boatos e notícias falsas. 

A palavra provém do latim propagare, verbo que quer dizer propagar, multiplicar, divulgar, estender, alargar, aumentar. Propaganda, significa literalmente “as coisas que devem ser propagadas”. Tornou-se conhecida a partir da expressão latina Congregatio de propaganda fide que quer dizer “Congregação sobre a fé que deve ser propagada”, criada pelo Papa Gregório XV com o objetivo de regular a difusão do Evangelho em 1622. Chegou ao português, provavelmente no século XVIII, já com seu sentido moderno: a difusão de mensagens (texto, imagem, música), exaltando as qualidades de algo ou de alguém. Essas mensagens podem se destinar tanto à indução ao consumo de algum objeto ou serviço, como à divulgação de informações e disseminação de ideias, crenças, religiões... ou boatos e notícias falsas. São anúncios especialmente criados para veiculação através de meios de comunicação de massa (televisão, jornal, revista, outdoor, banner, correio eletrônico, redes sociais etc). Hoje em dia, no mundo digital, os posts e os memes também cumprem essa função.

A palavra provém do latim propagare, verbo que quer dizer propagar, multiplicar, divulgar, estender, alargar, aumentar. Propaganda, significa literalmente “as coisas que devem ser propagadas”. Tornou-se conhecida a partir da expressão latina Congregatio de propaganda fide que quer dizer “Congregação sobre a fé que deve ser propagada”, criada pelo Papa Gregório XV com o objetivo de regular a difusão do Evangelho em 1622. Chegou ao português, provavelmente no século XVIII, já com seu sentido moderno: a difusão de mensagens (texto, imagem, música), exaltando as qualidades de algo ou de alguém. Essas mensagens podem se destinar tanto à indução ao consumo de algum objeto ou serviço, como à divulgação de informações e disseminação de ideias, crenças, religiões... ou boatos e notícias falsas. São anúncios especialmente criados para veiculação através de meios de comunicação de massa (televisão, jornal, revista, outdoor, banner, correio eletrônico,
redes sociais etc). Hoje em dia, no mundo digital, os posts e os memes também cumprem essa função.

Propaganda

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A partir de 1970 a programação televisiva transmitida para todo o território nacional teve inegável impacto na conformação do Brasil. Telenovela, jornalismo, musicais, infantis, humorísticos: a TV na sala de estar nos bares e praças públicas tornou-se o principal veículo de diversão de informação e de consumo para a maioria das famílias brasileiras. Assim como o rádio e a música popular a televisão teve papel preponderante na construção de uma integração nacional e para a padronização das formas de falar e de ser. Por um lado, a tevê promoveu a diversidade tornando sotaques regionais e particularidades culturais conhecidos de todos. Da mesma maneira os falares de São Paulo e do Rio de Janeiro – onde a maioria dos programas era produzida – passaram a ser ouvidos de norte a sul constituindo um novo padrão a ser reproduzido. A explosão da televisão promoveu a generalização do falar coloquial.

A partir de 1970 a programação televisiva transmitida para todo o território nacional teve inegável impacto na conformação do Brasil. Telenovela, jornalismo, musicais, infantis, humorísticos: a TV na sala de estar nos bares e praças públicas tornou-se o principal veículo de diversão de informação e de consumo para a maioria das famílias brasileiras. Assim como o rádio e a música popular a televisão teve papel preponderante na construção de uma integração nacional e para a padronização das formas de falar e de ser. Por um lado, a tevê promoveu a
diversidade tornando sotaques regionais e particularidades culturais conhecidos de todos. Da mesma maneira os falares de São Paulo e do Rio de Janeiro – onde a maioria dos programas era produzida – passaram a ser ouvidos de norte a sul constituindo um novo padrão a ser reproduzido. A explosão da televisão promoveu a
generalização do falar coloquial.

A língua da tevê

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Imagem publicitária colorida com o retrato de um jovem de óculos redondos e expressão séria, em close frontal. Na parte superior, o texto em destaque diz: “Esse tal de poder jovem está cada vez mais por fora”. A composição reflete o estilo gráfico e comportamental da juventude brasileira dos anos 1970, em diálogo com a cultura de massa e a crítica ao ideal do “poder jovem” difundido nas décadas anteriores.

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A gíria em geral aparece e é usada por determinado grupo social minoritário que através de suas marcas linguísticas cria elementos de identificação. Com o tempo a gíria é incorporada à linguagem comum ela deixa de representar o grupo de origem. Muitas vezes as gírias se espalham através das letras das canções populares e no falar informal da juventude. Até os anos 1950, grande parte da gíria brasileira era de procedência argentina, com termos trazidos nas letras de tango, como “bacana” e “otário”. Outro exemplo é “fazer a cabeça”. Originária do candomblé da Bahia, a expressão designa um ritual de iniciação aos segredos do culto. Nos anos 1970 passou a ser usada com o sentido de “convencer uma pessoa a fazer algo”. Muitas outras gírias se popularizaram nesse período, tais como: entrar pelo cano (darse mal), joia (tudo bem, ótimo), podes crer (é isso aí, pode acreditar), gata (mulher bonita), legal (muito bom) e papo furado (conversa boba, mentirosa).

A gíria em geral aparece e é usada por determinado grupo social minoritário que através de suas marcas linguísticas cria elementos de identificação. Com o tempo a gíria é incorporada à linguagem comum ela deixa de representar o grupo de origem. Muitas vezes as gírias se espalham através das letras das canções populares e no falar informal da juventude. Até os anos 1950, grande parte da gíria brasileira era de procedência argentina, com termos trazidos nas letras de tango, como “bacana” e “otário”. Outro exemplo é “fazer a cabeça”. Originária do candomblé da Bahia, a expressão designa um ritual de iniciação aos segredos do culto. Nos anos
1970 passou a ser usada com o sentido de “convencer uma pessoa a fazer algo”. Muitas outras gírias se popularizaram nesse período, tais como: entrar pelo cano (darse mal), joia (tudo bem, ótimo), podes crer (é isso aí, pode acreditar), gata (mulher bonita), legal (muito bom) e papo furado (conversa boba, mentirosa).

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O vídeo é exibido em uma televisão cenográfica no espaço expositivo. Ele apresenta trechos do programa Cassino do Chacrinha, transmitido pela Rede Globo. Antes do início das imagens, é exibido o documento de Censura Federal, datado de 1987, que autoriza sua veiculação. Na sequência, o apresentador Chacrinha surge com trajes coloridos e brilhantes, cumprimentando o público de forma entusiasmada. Ele aparece distribuindo bacalhaus à plateia, interagindo com as chacretes e, em outro momento, oferecendo um abacaxi a uma pessoa que canta no palco.

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Foto em preto em branco do apresentador Chacrinha entregando uma televisão para uma mulher. Atrás de ambos há duas pessoas, o cenário ao fundo é do programa de TV "A buzina do Chacrinha". O programa foi transmitido por diversas emissora como TV Globo, TV Tupi, TV Rio, Record e Bandeirantes.

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No fim da década de 1980 o país caminhava para uma abertura política lenta e gradual. Depois da campanha pela anistia ampla geral e irrestrita criou-se uma abrangente frente política e social pela redemocratização do país. O ponto culminante desse processo aconteceu em 1984 quando milhões de pessoas se mobilizaram na campanha pelas “Diretas Já” em manifestações pelas ruas das cidades brasileiras. Uma palavra criada nesse período, um neologismo que veio para ficar, é “showmício” – justaposição do inglês show + (co)mício, do latim comitium.

No fim da década de 1980 o país caminhava para uma abertura política lenta e gradual. Depois da campanha pela anistia ampla geral e irrestrita criou-se uma abrangente frente política e social pela redemocratização do país. O ponto culminante desse processo aconteceu em 1984 quando milhões de pessoas se mobilizaram na
campanha pelas “Diretas Já” em manifestações pelas ruas das cidades brasileiras. Uma palavra criada nesse período, um neologismo que veio para ficar, é “showmício” – justaposição do inglês show + (co)mício, do latim comitium.

Democracia

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Imagem fotográfica do comício das Diretas Já, na Praça da Sé, em São Paulo - SP. O protesto tinha por fundamento a luta pela volta de eleições diretas para presidente da República.

A fotografia apresenta milhares de pessoas reunidas na praça, portando bandeiras e faixas com palavras de protesto.

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https://m-lingua-portuguesa.s3.sa-east-1.amazonaws.com/9e340a4d91c9a441f9377eb173f33b1a.mp4

Vídeo em preto e branco do Raul Seixas tocando violão e cantando a música "Metamorfose Ambulante", ao fim da música o músico faz um discurso dizendo que não existe verdade absoluta.
Este vídeo é um trecho do documentário intitulado Raul Seixas – O Início, o Fim e o Meio, de 2010, com direção Walter Carvalho, Evaldo Mocarzel e Leonardo Gudel.

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video

https://m-lingua-portuguesa.s3.sa-east-1.amazonaws.com/949aad88ae304793b20b77f2d58a0bf4.mp4

O vídeo tem uma imagem estática, em preto e branco, do músico Geraldo Vandré durante o Festival Internacional da Canção, nele Geraldo está tocando violão e cantando com uma platéia ao fundo. O audio do vadeio é do músico inicialmente conversando e acalmando o público por conta das vaias e posteriormente ele canta a música "Pra não dizer que não falei das flores".

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https://m-lingua-portuguesa.s3.sa-east-1.amazonaws.com/adad2c5ef17fefb905e42abc2700a7cc.mp4

O vídeo é uma composição do áudio da música "Alegria, alegria" de Caetano Veloso, presente no álbum "Caetano Veloso" de 1968 em conjunto da fotografia de Caetano Veloso no III Festival de Música Popular de 1967, como fundo do vídeo.

Letra da música:
Caminhando contra o vento
Sem lenço, sem documento
No Sol de quase dezembro
Eu vou

O Sol se reparte em crimes
Espaçonaves, guerrilhas
Em cardinales bonitas
Eu vou

Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot

O Sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia?
Eu vou

Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos

Eu vou
Por que não? Por que não?

Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço, sem documento
Eu vou

Eu tomo uma Coca-Cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou

Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome, sem telefone
No coração do Brasil

Ela nem sabe, até pensei
Em cantar na televisão
O Sol é tão bonito
Eu vou

Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor

Eu vou
Por que não? Por que não?
Por que não? Por que não?
Por que não? Por que não?

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video

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O vídeo consiste na participação do cantor Odair José no Programa Fantástico da Tv Globo, no qual ele fala brevemente sobre os temas abordados em suas músicas. Em seguida, é apresentado diversas cenas do cantor dirigindo pelas ruas da cidade do Rio de Janeiro enquanto canta a música Volte Pra Mim.

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O vídeo é um clipe transmitido pela Tv Globo da música "Sandra Rosa Madalena", interpretada por Sidney Magal e de autoria de Roberto Livi e Miguel Sidras.

Letra da música: Quero vê-la sorrir, quero vê-la cantar Quero ver o seu corpo dançar sem parar Quero vê-la sorrir, quero vê-la cantar Quero ver o seu corpo dançar sem parar Ela é bonita, seus cabelos muito negros E o seu corpo faz meu corpo delirar O seu olhar desperta em mim uma vontade De enlouquecer, de me perder, de me entregar Quando ela dança todo mundo se agita E o povo grita o seu nome sem parar É a cigana Sandra Rosa Madalena É a mulher com quem eu vivo a sonhar Quero vê-la sorrir, quero vê-la cantar Quero ver o seu corpo dançar sem parar Quero vê-la sorrir, quero vê-la cantar Quero ver o seu corpo dançar sem parar Dentro de mim mantenho acesa uma chama Que se inflama se ela está perto de mim Queria ser todas as coisas que ela gosta Queria ser o seu princípio e ser seu fim Quando ela dança todo mundo se agita E o povo grita o seu nome sem parar É a cigana Sandra Rosa Madalena É a mulher com quem eu vivo a sonhar Quero vê-la sorrir, quero vê-la cantar Quero ver o seu corpo dançar sem parar Quero vê-la sorrir, quero vê-la cantar Quero ver o seu corpo dançar sem parar Quero vê-la sorrir, quero vê-la cantar Quero ver o seu corpo dançar sem parar Quero vê-la sorrir, quero vê-la cantar Quero ver o seu corpo dançar sem parar Quero vê-la sorrir, quero vê-la cantar Quero ver o seu corpo dançar sem parar Quero vê-la sorrir, quero vê-la cantar Quero ver o seu corpo dançar sem parar

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O vídeo é um clipe produzido pelo programa de televisão Fantástico da Rede Globo, com direção de Jodele Larcher. No clipe aparecem os quatro integrantes da banda Legião Urbana: Renato Russo, Marcelo Bonfá, Dado Villa-Lobos e Renato Rocha, tanto em estúdio quanto tocando no show. Além dos artistas aparecem diversas imagens do Brasil, como praias, cidades, indústria, Amazônia, entre outras.

Letra da música:

Nas favelas, no senado

Sujeira pra todo lado

Ninguém respeita a constituição

Mas todos acreditam no futuro da nação

Que país é esse?

Que país é esse?

Que país é esse?

No Amazonas, no Araguaia-ia-ia

Na Baixada Fluminense

Mato Grosso, Minas Gerais

E no nordeste tudo em paz

Na morte eu descanso

Mas o sangue anda solto

Manchando os papéis

Documentos fiéis

Ao descanso do patrão

Que país é esse?

Que país é esse?

Que país é esse?

Que país é esse?

Terceiro mundo se for

Piada no exterior

Mas o Brasil vai ficar rico

Vamos faturar um milhão

Quando vendermos todas as alma

Dos nossos índios num leilão

Que país é esse?

Que país é esse?

Que país é esse?

Que país é esse?  

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https://m-lingua-portuguesa.s3.sa-east-1.amazonaws.com/5e38da10ce004364dd933c439cc77914.mp4

O vídeo é um recorte do DVD "Chico e as cidades" de Chico Buarque, no qual ele canta a música "Construção", de sua autoria.

Letra da música:
Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido

Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima

Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado

E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado

Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego

Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música

E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado

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O décimo quarto módulo da experiência "Português do Brasil", intitulado "A língua de todos (de 1987 ao século XXI)”, aborda a retomada da democracia brasileira com a Assembleia Constituinte Brasileira de 1987, a difusão e profusão da internet no país e lança um olhar para o futuro do Brasil. Este módulo apresenta vídeos de especialistas sobre o assunto, textos sobre a linguagem da internet, uma escultura produzida pelo músico Arnaldo Antunes, fotos de protestos e linguagens atuais, como o Pixo.

De 1987 ao século XXI

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A reconquista da democracia no Brasil culminou com a instalação da Assembleia Constituinte, em 1987, cuja missão era elaborar a nova Constituição do país. Vários segmentos da sociedade se mobilizaram e contribuíram com propostas. Em 1988, foi promulgada aquela que ficou conhecida como a "Constituição Cidadã". O debate iniciado ali não parou mais. Na entrada do século XXI, vozes cada vez mais diversas e numerosas, agora amplificadas pelas novas redes sociais digitais, fazem-se ouvir por todo o país. Hoje, talvez mais do que nunca em sua longa história, a língua que falamos expressa as múltiplas identidades de que somos feitos, com seus diferentes matizes e tons. Viva e pulsante, reinventada a cada dia, a língua portuguesa do Brasil é, como o próprio país, nossa grande criação coletiva.

A reconquista da democracia no Brasil culminou com a instalação da Assembleia Constituinte, em 1987, cuja missão era elaborar a nova Constituição do país. Vários segmentos da sociedade se mobilizaram e contribuíram com propostas. Em 1988, foi promulgada aquela que ficou conhecida como a "Constituição Cidadã". O debate
iniciado ali não parou mais. Na entrada do século XXI, vozes cada vez mais diversas e numerosas, agora amplificadas pelas novas redes sociais digitais, fazem-se ouvir por todo o país. Hoje, talvez mais do que nunca em sua longa história, a língua que falamos expressa as múltiplas identidades de que somos feitos, com seus diferentes matizes e tons. Viva e pulsante, reinventada a cada dia, a língua portuguesa do Brasil é, como o próprio país, nossa grande criação coletiva.

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Fotografia de manifestação realizada em via pública, à noite, na cidade do Rio de Janeiro. Um grupo de manifestantes ocupa a faixa de pedestres, segurando uma grande faixa amarela com os dizeres “SOMOS A REDE SOCIAL” escritos em letras pretas. Ao fundo, várias pessoas carregam cartazes e placas com mensagens diversas.

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No início do século XXI, o crescimento da Internet e das redes sociais digitais mudou a dinâmica da comunicação no Brasil e no mundo. Ao contrário da grande mídia tradicional, como a televisão, que transmite a todos uma mesma programação e não oferece interação com o público, as redes sociais permitem que mensagens, textos, poemas, músicas e vídeos, criados por qualquer um dos milhões de usuários, possam ser acessados por qualquer outro usuário da rede, em qualquer parte do planeta. Assim, elas dão expressão a uma diversidade de pontos de vista que usualmente não encontram espaço nas outras mídias. Ao mesmo tempo, porém, também as notícias falsas, as chamadas "fake news", podem agora se espalhar de maneira ampla em poucos segundos.

No início do século XXI, o crescimento da Internet e das redes sociais digitais mudou a dinâmica da comunicação no Brasil e no mundo. Ao contrário da grande mídia tradicional, como a televisão, que transmite a todos uma mesma programação e não oferece interação com o público, as redes sociais permitem que mensagens, textos, poemas, músicas e vídeos, criados por qualquer um dos milhões de usuários, possam ser acessados por qualquer outro usuário da rede, em qualquer parte do planeta. Assim, elas dão expressão a uma diversidade de pontos de vista que usualmente não encontram espaço nas outras mídias. Ao mesmo tempo, porém, também as notícias falsas, as chamadas "fake news", podem agora se espalhar de maneira ampla em poucos segundos.

Múltiplas vozes

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O símbolo @, que chamamos de "arroba" e que integra o endereço eletrônico de qualquer pessoa do planeta, tem origem no latim. Ele surgiu na Idade Média, quando os copistas dos textos e documentos criavam símbolos para substituir letras, palavras e nomes próprios, facilitando o próprio trabalho. Por exemplo, para substituir a palavra latina “et”, criaram um outro símbolo, entrelaçando as duas letras: o caractere "&". Com o mesmo recurso de entrelaçamento, substituíram a preposição latina “ad” (em casa de) pelo símbolo @. Usado frequentemente na contabilidade, o @ passou para o teclado da máquina datilográfica. E, em 1972, o programador norteamericano Ray Tomlinson aproveitou o símbolo para criar o primeiro sistema de correio eletrônico.

O símbolo @, que chamamos de "arroba" e que integra o endereço eletrônico de qualquer pessoa do planeta, tem origem no latim. Ele surgiu na Idade Média, quando os copistas dos textos e documentos criavam símbolos para substituir letras, palavras e nomes próprios, facilitando o próprio trabalho. Por exemplo, para substituir a palavra latina “et”, criaram um outro símbolo, entrelaçando as duas letras: o caractere "&". Com o mesmo recurso de entrelaçamento, substituíram a preposição latina “ad” (em casa de) pelo símbolo @. Usado frequentemente na contabilidade, o @ passou para o teclado da máquina datilográfica. E, em 1972, o programador norteamericano Ray Tomlinson aproveitou o símbolo para criar o primeiro sistema de correio eletrônico.

O latim na rede

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Na fotografia de Adriano Choque vemos a fachada de um edifício, com varandas sobrepostas, tomadas por inscrições de pichação, prática urbana marcante nas grandes cidades brasileiras. As marcas gráficas em preto e verde se distribuem por praticamente todos os andares, criando um contraste visual com a superfície das paredes.
As linhas verticais do pixo transformam a arquitetura em suporte visual de uma linguagem própria, expressão estética e ato de ocupação do espaço público. O ângulo escolhido pelo fotógrafo acentua a repetição das sacadas e o movimento ascendente do prédio, reforçando a sensação de intensidade e densidade gráfica.

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Com a internet e as redes sociais digitais, a palavra escrita está no centro da comunicação entre as pessoas. Todos escrevemos diariamente dezenas de e-mails, mensagens, postagens, "textões" etc. Em algumas dessas mídias, principalmente as de troca de mensagens, a comunicação rápida deu à língua uma forma telegráfica, que não segue regras ortográficas e gramaticais. Palavras são reduzidas a abreviações e a acentuação é muitas vezes substituída por letras que levam em conta apenas a fonética. Vc é você. KKKKKK é risada. Flw é falou. Blz é beleza. Naum é não. D+ é demais. E assim por diante.

Com a internet e as redes sociais digitais, a palavra escrita está no centro da comunicação entre as pessoas. Todos escrevemos diariamente dezenas de e-mails, mensagens, postagens, "textões" etc. Em algumas dessas mídias, principalmente as de troca de mensagens, a comunicação rápida deu à língua uma forma telegráfica, que não segue regras ortográficas e gramaticais. Palavras são reduzidas a abreviações e a acentuação é muitas vezes substituída por letras que levam em conta apenas a fonética. Vc é você. KKKKKK é risada. Flw é falou. Blz é beleza. Naum é não. D+ é demais. E assim por diante.

Msg pra vc

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video

https://www.youtube.com/embed/El_7szs0rcU

O vídeo é a apresentação do grupo Racionais MC's na Virada Cultural em São Paulo, onde interpretam a música "Negro Drama", de Edi Rock e Mano Brown.

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Vídeo em que o artista Arnaldo Antunes apresenta e comenta sua escultura Eutro, criada para integrar a experiência Português do Brasil, parte da exposição de longa duração do Museu da Língua Portuguesa.

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Produção audiovisual em que Francisco Bosco reflete sobre as redes sociais, questionando o ideal de democratização inicialmente atribuído a elas e destacando os riscos envolvidos em seu uso. O autor comenta ainda os impactos na linguagem, como abreviações, compressão temporal e expressões afetivas próprias dessas plataformas.

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https://m-lingua-portuguesa.s3.sa-east-1.amazonaws.com/1deab8a5996daf3c6bb2b664a03be80d.mp4

Produção audiovisual em que Djamila Ribeiro aborda a atuação dos movimentos sociais nas redes, ressaltando sua importância na visibilidade e mobilização de causas. Em seguida, a autora observa que, por se tratar de uma língua viva, questioná-la e refletir sobre seu uso é válido e necessário.

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Registro em vídeo da antropóloga Manuela Carneiro da Cunha abordando a concepção de mundo de povos indígenas no Brasil. A autora destaca a ausência de separação entre natureza e humanidade como característica central dessas comunidades e exemplifica essa visão com os Wajãpi, povo Tupi do Amapá.

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Vídeo em que o escritor Valter Hugo Mãe afirma que o grande patrimônio do Brasil é a mestiçagem, discorrendo em seguida sobre a originalidade da língua portuguesa no país. Conclui apresentando suas reflexões críticas ao termo “lusofonia” e destacando a palavra brasileira “borogodó” como expressão de alegria e criatividade.

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Produção audiovisual em que Arnaldo Antunes reflete sobre a língua portuguesa, destacando que a formalização deriva da fala, que está em constante transformação. Em seguida menciona o uso da palavra em seus trabalhos e o seu entendimento sobre as pichações.

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Em 1988, a Constituição Brasileira garantiu aos indígenas e às comunidades rurais de descendentes de escravizados (remanescentes de quilombos) o direito sobre as terras que ocupavam. O isolamento prolongado da maioria desses povos permitiu a sobrevivência de mais de 150 línguas indígenas diferentes e, nas comunidades quilombolas, a permanência de tradições orais de herança africana. A Constituição também garantiu aos indígenas o direito a uma educação diferenciada, que inclui o uso da língua indígena, a sistematização de conhecimentos e saberes tradicionais, um calendário que se adapte ao ritmo de vida e rituais de cada povo.

Em 1988, a Constituição Brasileira garantiu aos indígenas e às comunidades rurais de descendentes de escravizados (remanescentes de quilombos) o direito sobre as terras que ocupavam. O isolamento prolongado da maioria desses povos permitiu a sobrevivência de mais de 150 línguas indígenas diferentes e, nas comunidades quilombolas, a permanência de tradições orais de herança africana. A Constituição também garantiu aos indígenas o direito a uma educação diferenciada, que inclui o uso da língua indígena, a sistematização de conhecimentos e saberes tradicionais, um calendário que se adapte ao ritmo de vida e rituais de cada povo.

Indígenas e quilombolas

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Imagem fotográfica de estudante guarani-kaiowá escrevendo na lousa na aula de tupi-guarani, na escola municipal indígena da Aldeia de Amambai - MS.

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A palavra "museu" vem do grego antigo mouseîon, derivado de Moûsa ("Musa"), usado posteriormente pelos romanos como Mūsēum, para referir-se ao "recinto das Musas". As musas eram as nove deusas da mitologia grega, filhas de Zeus e Mnemósine, que inspiravam a ciência e as artes. Tradicionalmente, a palavra designa um lugar que abriga uma coleção de objetos de valor histórico e/ou artístico. Hoje, embora a palavra continue a mesma, os museus mudaram. Tornaram-se espaços democráticos de reflexão e convivência, dedicados a temas diversos, com diferentes tipos de acervo. Um exemplo é o próprio museu em que você se encontra: o Museu da Língua Portuguesa. Ele não foi construído para preservar um acervo tradicional, mas para criar uma espécie de monumento vivo da língua portuguesa no Brasil. Um "templo" moderno onde a gente possa se inspirar, não pelas musas, mas pela incrível riqueza de nossa língua comum.

A palavra "museu" vem do grego antigo mouseîon, derivado de Moûsa ("Musa"), usado posteriormente pelos romanos como Mūsēum, para referir-se ao "recinto das Musas". As musas eram as nove deusas da mitologia grega, filhas de Zeus e Mnemósine, que inspiravam a ciência e as artes. Tradicionalmente, a palavra designa um lugar que abriga uma coleção de objetos de valor histórico e/ou artístico. Hoje, embora a palavra continue a mesma, os museus mudaram. Tornaram-se espaços democráticos de reflexão e convivência, dedicados a temas diversos, com diferentes tipos de acervo. Um exemplo é o próprio museu em que você se encontra: o Museu da Língua Portuguesa. Ele não foi construído para preservar um acervo tradicional, mas para criar uma espécie de monumento vivo da língua portuguesa no Brasil. Um "templo" moderno onde a gente possa se inspirar, não pelas musas, mas pela incrível riqueza de nossa língua comum.

Museu

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A língua portuguesa é hoje uma das línguas mais faladas em todo o mundo. É falada em terras europeias, asiáticas, africanas e americanas. Portugal foi o berço, o nascedouro, a origem. Foi o espaço humano e cultural em que o latim dos romanos se transfigurou de uma vez e para sempre, gerando uma nova língua. Uma língua que, na era das grandes navegações e das grandes descobertas, foi levada aos quatro cantos do mundo. E a língua portuguesa, imiscuindo-se em novos lugares, foise transformando, foi-se matizando, foi adquirindo características e cores próprias em cada um desses novos espaços em que, de forma sempre aberta e inventiva, se implantou. O idioma que um dia foi de D. Dinis e Camões é hoje o idioma que reinventamos em nossas esquinas, em nossas ruas, em nossas praças, em nossas favelas, em nossos poemas e em nossas canções. Língua que falamos – língua que nos fala. Antonio Risério

A língua portuguesa é hoje uma das línguas mais faladas em todo o mundo. É falada em terras europeias, asiáticas, africanas e americanas. Portugal foi o berço, o nascedouro, a origem. Foi o espaço humano e cultural em que o latim dos romanos se transfigurou de uma vez e para sempre, gerando uma nova língua. Uma língua
que, na era das grandes navegações e das grandes descobertas, foi levada aos quatro cantos do mundo. E a língua portuguesa, imiscuindo-se em novos lugares, foise transformando, foi-se matizando, foi adquirindo características e cores próprias em cada um desses novos espaços em que, de forma sempre aberta e inventiva, se implantou. O idioma que um dia foi de D. Dinis e Camões é hoje o idioma que reinventamos em nossas esquinas, em nossas ruas, em nossas praças, em nossas favelas, em nossos poemas e em nossas canções. Língua que falamos – língua que nos fala. Antonio Risério

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A escultura de Arnaldo Antunes consiste em uma peça giratória mecanizada, concebida em aço inox 306. Com dimensões de 40 x 40 x 40 cm, a obra alia robustez e precisão técnica, garantindo movimento contínuo e integrado à proposta artística.

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A experiência Português do Brasil está localizada no 2º andar, na Ala Sudeste. Ela é formada por uma linha do tempo, que estabelece diferentes "andares" de informações, formando um grande mosaico estruturalmente claro e visualmente estimulante. A história da língua portuguesa está dividida em 14 módulos de conteúdo, cada um deles desenvolve um período histórico através da combinação de diferentes recursos expográficos, tais como textos, imagens, vídeos e mapas.

São 14 grandes temas na Linha do Tempo, que se articulam em três grandes núcleos: “Origens da língua portuguesa”, “Expansão da língua portuguesa" e “A reconfiguração tropical do português- o avanço da língua portuguesa no Brasil e a unificação do país”.

A seção se propõe a problematizar as questões cruciais sobre a história da Língua Portuguesa, apresentando lado a lado diferentes perspectivas sobre os fatos e seus conflitos e fazendo recortes diacrônicos (ontem e hoje). Por meio de indicações explícitas e pela proximidade, a seção dialoga com a experiência "Palavras Cruzadas".