O décimo quarto módulo da experiência "Português do Brasil", intitulado "A língua de todos (de 1987 ao século XXI)”, aborda a retomada da democracia brasileira com a Assembleia Constituinte Brasileira de 1987, a difusão e profusão da internet no país e lança um olhar para o futuro do Brasil. Este módulo apresenta vídeos de especialistas sobre o assunto, textos sobre a linguagem da internet, uma escultura produzida pelo músico Arnaldo Antunes, fotos de protestos e linguagens atuais, como o Pixo.

Texto Expositivo 1 / A língua de todos

A reconquista da democracia no Brasil culminou com a instalação da Assembleia Constituinte, em 1987, cuja missão era elaborar a nova Constituição do país. Vários segmentos da sociedade se mobilizaram e contribuíram com propostas. Em 1988, foi promulgada aquela que ficou conhecida como a "Constituição Cidadã". O debate
iniciado ali não parou mais. Na entrada do século XXI, vozes cada vez mais diversas e numerosas, agora amplificadas pelas novas redes sociais digitais, fazem-se ouvir por todo o país. Hoje, talvez mais do que nunca em sua longa história, a língua que falamos expressa as múltiplas identidades de que somos feitos, com seus diferentes matizes e tons. Viva e pulsante, reinventada a cada dia, a língua portuguesa do Brasil é, como o próprio país, nossa grande criação coletiva.

Múltiplas vozes

No início do século XXI, o crescimento da Internet e das redes sociais digitais mudou a dinâmica da comunicação no Brasil e no mundo. Ao contrário da grande mídia tradicional, como a televisão, que transmite a todos uma mesma programação e não oferece interação com o público, as redes sociais permitem que mensagens, textos, poemas, músicas e vídeos, criados por qualquer um dos milhões de usuários, possam ser acessados por qualquer outro usuário da rede, em qualquer parte do planeta. Assim, elas dão expressão a uma diversidade de pontos de vista que usualmente não encontram espaço nas outras mídias. Ao mesmo tempo, porém, também as notícias falsas, as chamadas "fake news", podem agora se espalhar de maneira ampla em poucos segundos.

Msg pra vc

Com a internet e as redes sociais digitais, a palavra escrita está no centro da comunicação entre as pessoas. Todos escrevemos diariamente dezenas de e-mails, mensagens, postagens, "textões" etc. Em algumas dessas mídias, principalmente as de troca de mensagens, a comunicação rápida deu à língua uma forma telegráfica, que não segue regras ortográficas e gramaticais. Palavras são reduzidas a abreviações e a acentuação é muitas vezes substituída por letras que levam em conta apenas a fonética. Vc é você. KKKKKK é risada. Flw é falou. Blz é beleza. Naum é não. D+ é demais. E assim por diante.

O latim na rede

O símbolo @, que chamamos de "arroba" e que integra o endereço eletrônico de qualquer pessoa do planeta, tem origem no latim. Ele surgiu na Idade Média, quando os copistas dos textos e documentos criavam símbolos para substituir letras, palavras e nomes próprios, facilitando o próprio trabalho. Por exemplo, para substituir a palavra latina “et”, criaram um outro símbolo, entrelaçando as duas letras: o caractere "&". Com o mesmo recurso de entrelaçamento, substituíram a preposição latina “ad” (em casa de) pelo símbolo @. Usado frequentemente na contabilidade, o @ passou para o teclado da máquina datilográfica. E, em 1972, o programador norteamericano Ray Tomlinson aproveitou o símbolo para criar o primeiro sistema de correio eletrônico.

Indígenas e quilombolas

Em 1988, a Constituição Brasileira garantiu aos indígenas e às comunidades rurais de descendentes de escravizados (remanescentes de quilombos) o direito sobre as terras que ocupavam. O isolamento prolongado da maioria desses povos permitiu a sobrevivência de mais de 150 línguas indígenas diferentes e, nas comunidades quilombolas, a permanência de tradições orais de herança africana. A Constituição também garantiu aos indígenas o direito a uma educação diferenciada, que inclui o uso da língua indígena, a sistematização de conhecimentos e saberes tradicionais, um calendário que se adapte ao ritmo de vida e rituais de cada povo.

Museu

A palavra "museu" vem do grego antigo mouseîon, derivado de Moûsa ("Musa"), usado posteriormente pelos romanos como Mūsēum, para referir-se ao "recinto das Musas". As musas eram as nove deusas da mitologia grega, filhas de Zeus e Mnemósine, que inspiravam a ciência e as artes. Tradicionalmente, a palavra designa um lugar que abriga uma coleção de objetos de valor histórico e/ou artístico. Hoje, embora a palavra continue a mesma, os museus mudaram. Tornaram-se espaços democráticos de reflexão e convivência, dedicados a temas diversos, com diferentes tipos de acervo. Um exemplo é o próprio museu em que você se encontra: o Museu da Língua Portuguesa. Ele não foi construído para preservar um acervo tradicional, mas para criar uma espécie de monumento vivo da língua portuguesa no Brasil. Um "templo" moderno onde a gente possa se inspirar, não pelas musas, mas pela incrível riqueza de nossa língua comum.

Texto Expositivo 2 / A língua de todos

A língua portuguesa é hoje uma das línguas mais faladas em todo o mundo. É falada em terras europeias, asiáticas, africanas e americanas. Portugal foi o berço, o nascedouro, a origem. Foi o espaço humano e cultural em que o latim dos romanos se transfigurou de uma vez e para sempre, gerando uma nova língua. Uma língua
que, na era das grandes navegações e das grandes descobertas, foi levada aos quatro cantos do mundo. E a língua portuguesa, imiscuindo-se em novos lugares, foise transformando, foi-se matizando, foi adquirindo características e cores próprias em cada um desses novos espaços em que, de forma sempre aberta e inventiva, se implantou. O idioma que um dia foi de D. Dinis e Camões é hoje o idioma que reinventamos em nossas esquinas, em nossas ruas, em nossas praças, em nossas favelas, em nossos poemas e em nossas canções. Língua que falamos – língua que nos fala. Antonio Risério

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