O nono módulo da experiência "Português do Brasil", intitulado " A Corte é aqui”, aborda a chegada da corte portuguesa ao Brasil, bem como a distinção de classes sociais a partir do sotaque mais próximo ao português de Portugal. Este módulo apresenta vídeos com especialistas, uma fac-símile da primeira edição do livro Marília de Dirceu, fotos de construções com a chegada da corte no Brasil e imagens da fauna brasileira identificada à época.

Novidades na Corte carioca

A vinda da Família Real deslocou o eixo da vida administrativa da Colônia para o Rio de Janeiro. Os decretos do Rei autorizando o que antes era proibido – como a livre circulação de ideias, livros e periódicos, bem
como a instalação de oficinas de impressão e de tipografia – inauguraram uma nova fase na vida cultural do país. Datam desse período o lançamento do primeiro jornal editado no Brasil, a instalação da Real Biblioteca, a criação do Jardim Botânico, da Academia Militar, da Academia de Belas Artes e da Academia de Ciências e Letras, e também a abertura de diversas instituições de ensino superior (como a Escola Médica e a Escola de Ciências, Artes e Ofícios) e do Museu Nacional. Entre muitas outras benfeitorias, D. João criou uma das instituições mais perenes no Brasil, o Banco do Brasil.

Caldeirão urbano

A chegada da Corte promoveu uma verdadeira revolução na vida do Rio Janeiro. Em 10 anos sua população dobrou e a cidade, que possuía a maior quantidade de trabalhadores escravizados das Américas, tornou-se um caldeirão de povos de origens e sotaques distintos. Além do português, os falares africanos eram ouvidos o tempo todo nas ruas, nos mercados, nos pregões dos ambulantes, nas casas, nos locais de trabalho. “Negros e negras de ganho”, trabalhadores livres ou alforriados e uma incipiente classe média, lotavam as ruas.

Biblioteca

A palavra vem do grego biblíon (papel de escrever, carta, lousa, tábua de escrever, livro) + tēkē (caixa, depósito). Chegou ao português através do latim bibliotheca, com o sentido de “lugar em que se guardam livros”. Até o século XIX, as poucas bibliotecas existentes no Brasil, também chamadas de livrarias, eram privadas e pertenciam aos membros das elites e àqueles que, por força do seu ofício, deles faziam uso: padres, advogados, médicos, donos de terras e lavras, contadores, comerciantes e funcionários públicos. A educação acontecia nos colégios religiosos. Era privada, cara e inacessível para a grande maioria da população livre, além de inexistente para mulheres (proibidas de aprender a ler) e para os escravizados. A quase totalidade da população colonial era analfabeta.

A imagem do Brasil

No esforço de “civilizar” o Brasil, D. João abriu estradas, construiu fábricas, criou escolas. A abertura dos portos, permitiu que navios, bens e pessoas provenientes de toda parte passassem a se movimentar pelo país.
Patrocinadas pela família real, missões artísticas estrangeiras começaram a chegar com escritores, pintores, arquitetos, escultores e naturalistas para documentar o país. Em suas expedições, os europeus descobriam o Brasil e registravam tudo o que encontravam pelas terras do reino. Esses registros, compostos por desenhos e relatos escritos que chegaram até nossos dias -e é essa a imagem documental que possuímos do Brasil daqueles tempos.

A Biblioteca dos Reis

A Real Biblioteca era reconhecida como uma das mais preciosas da Europa. Na ocasião da vinda da Corte para o Brasil, eram cerca de 60 mil peças entre manuscritos raros, livros, gravuras, mapas, moedas, medalhas etc.
Numa operação que durou vários anos, ela foi trazida de Lisboa e, em 1814, a Real Biblioteca Nacional foi aberta ao público brasileiro e aqui permaneceu. Hoje, com um acervo de mais de 10 milhões de itens, a Biblioteca Nacional é uma das mais importantes do mundo.

Texto Expositivo 1 / A corte é aqui

No início do século XIX, Portugal se viu no meio de uma guerra econômica entre França e Inglaterra. Para escapar do exército de Napoleão, o Rei de Portugal D. João VI decidiu transferir a Corte para o Brasil. Sob a proteção da frota inglesa, cerca de 15 mil pessoas embarcaram rumo ao Rio de Janeiro. Além da Família Real, vieram ministros, conselheiros, juízes, burocratas, arcebispos, militares, suas famílias e lacaios. Em 1808, as primeiras medidas de D. João, ao pisar no Brasil, foram a abertura dos portos para livre comércio com “as nações amigas” e a instituição da imprensa. Ao mesmo tempo, iniciou uma série de obras no Rio de Janeiro que
modificariam sua fisionomia para sempre, dando-lhe ares de cidade imperial. Em pouco tempo, o sotaque português passou a ser um sinal de prestígio e influenciou o falar da população, em grande parte negromestiça. O "S" chiado carioca ouvido até hoje, é um resquício dessa época.

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