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Minha pátria é minha língua (séc XII ao séc XV)

O terceiro módulo da experiência Português do Brasil, intitulado: Minha pátria é minha língua (séc XII ao séc XV) refere-se à criação do reino Portucale e a expansão do galego-português. Este módulo conta com vídeos de especialistas sobre a questão, cópias de manuscritos da época e um fac-símile de um alaúde (instrumento musical).

Texto Expositivo 1 / Minha Pátria é minha língua

A criação do reino de Portugal, então chamado “Portucale”, coincidiu com a expansão do galego-português, língua que viria a originar a língua portuguesa. Entre os séculos XII a XV, essa língua foi se distinguindo claramente dos demais idiomas da região, num processo determinante para a conformação da nação portuguesa, a primeira do mundo. Em 1179, D. Afonso Henriques obteve o reconhecimento formal da independência de Portugal pelo Papa, embora suas fronteiras ainda não estivessem estabelecidas. Nesse mesmo período, exércitos lusitanos cristãos, auxiliados por cruzados mercenários, prosseguiam na reconquista da Península Ibérica com a expulsão dos árabes. A tomada da rica cidade de Lisboa (1147) que, na ocasião, já
era habitada por cerca de 60 mil famílias e abrigava o maior porto marítimo europeu da costa atlântica, foi um marco desse processo.

A idade de uma língua

Podemos datar a existência das línguas a partir de documentos nos quais elas apareçam escritas. E quando uma dada língua chega a ser escrita, é por que já vinha sendo falada há muito tempo. Há quanto tempo Impossível saber. Os primeiros documentos escritos em galego-português aparecem na segunda década do século XIII: o Testamento de Afonso II e a Notícia de Torto. Nesse período, testemunha-se uma extraordinária floração da poesia lírica: cantigas de amor, de inspiração provençal, em que fala o homem; cantigas de amigo, mais populares, em que fala a mulher; e cantigas de escárnio e maldizer, poemas satíricos. Logo, podemos dizer que o português já existe há 800 anos. Ataliba T. de Castilho.

A voz que fala os portugueses

A língua portuguesa é menos a língua que os portugueses falam, que a voz que fala os portugueses. [...] Se a escutássemos bem, ouviríamos nela os rumores originários da longínqua fonte sânscrita, os mais próximos
da Grécia e os familiares de Roma. Juntemos-lhe algumas vozes bárbaras das muitas que assolaram a antiga Lusitânia, uns pós de arábica língua, que espanta não tenham sido mais densos, e teremos o que chamamos, com apaixonada expressão, “o tesouro do Luso”.

Lisboa, metrópole moderna

No final do século XIV, Portugal já havia se estabelecido como a primeira nação da Era Moderna no Ocidente. O centro cultural, econômico e político girava entre Lisboa e Coimbra, cidades ricas, cosmopolitas, movimentadas e diversas. Por ali circulavam árabes, moçárabes, cristãos e judeus, que conviviam, geravam riqueza e conhecimento. Outras cidades portuárias – como Setúbal, Porto, Viana do Castelo e Lagos – eram agitados entrepostos comerciais e tiveram papel fundamental nas ligações marítimas entre as nações europeias, a costa atlântica e a África. Mais do que isso, elas foram o ponto de partida para a grande expansão da língua portuguesa.

Uma palavra Saudade

Provém do latim solitas, -atis [solidão, isolamento]. O termo latino primário provavelmente é solus [só, sozinho, abandonado]. A saudade denota abandono, solidão causada pela ausência de algum ente querido, seja pela distância espaço temporal, seja pela morte. O termo “desolação” possui a mesma origem
etimológica – quer dizer “abandonado, largado a si”; pode-se, assim, dizer que a saudade é uma espécie de desolação.

Texto Expositivo 2 / Minha Pátria é minha Língua

“Alaúde” é palavra proveniente do árabe al’ûd. Conhecido pelos povos do Oriente desde a Antiguidade, foi no século IX que formas rudimentares do instrumento foram introduzidas na Europa e na Península Ibérica pelos árabes. Eles também trouxeram um tipo de música, cantada em versos, que está na base do cancioneiro produzido em galego-português.

A Língua partida

O português surgiu do galego-português, língua românica falada no norte da Península Ibérica durante o século XII. Estudos sobre a língua sugerem que, com a divisão territorial entre o reino de Leão e Castela, de um lado, e o estabelecimento do reino de Portucale, de outro, o galego-portugues partiu-se em dois, ficando submetido a influências e evoluções diversas. No Norte, a língua aproximou-se dos falares castelhanos, transformando-se progressivamente no galego. No Sul, enriquecida pelos falares moçárabes, transformou-se no português. Atualmente, embora diferentes, português e galego são línguas de fácil intercompreensão.