Descrição
Rádio de mesa com corpo em madeira envernizada e formato de arco ogival, conhecido como cathedral. A parte frontal possui tela de tecido trançado de tom amarelado, protegendo o alto-falante. Abaixo, há três botões de controle em baquelite e duas pequenas janelas de mostradores metálicos para sintonia e volume.
Contexto de produção
A partir do início do século XX, o Brasil vivenciou um intenso processo de modernização social e cultural. A industrialização, o crescimento urbano e a chegada de imigrantes transformaram o modo de vida nas grandes cidades. Nesse cenário, o rádio tornou-se um símbolo da modernidade e da integração nacional.
Difundido nas décadas de 1930 e 1940, o rádio doméstico, como o modelo aqui representado, era presença obrigatória nos lares brasileiros. Por meio dele, notícias, músicas, radionovelas e discursos políticos alcançavam diferentes regiões do país, ajudando a uniformizar hábitos, sotaques e expressões da língua portuguesa.
Durante o Estado Novo (1937–1945), Getúlio Vargas utilizou o rádio como principal meio de propaganda oficial, controlando os conteúdos por meio do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). Ao mesmo tempo, o rádio consolidava a canção popular brasileira e criava um espaço de encontro entre a cultura erudita e a popular, marcando definitivamente a vida cotidiana e a identidade nacional.