Descrição
Mala retangular confeccionada em madeira revestida por couro escuro, com estrutura reforçada por cantoneiras e tiras metálicas. Apresenta alça superior central em couro, rebites aparentes e fechos metálicos. O corpo exibe marcas de uso, manchas e arranhões, com inscrições e gravações lineares simples no couro, formando composições geométricas sutis.
Contexto de produção
A mala de imigrante representa o símbolo material da travessia, do deslocamento físico e linguístico vivido por milhões de pessoas que chegaram ao Brasil entre os séculos XIX e XX. Ela sintetiza o movimento de deixar um território, uma língua e uma cultura, e de reconstruir identidades em outro país — o Brasil, formado pela pluralidade de origens, etnias e línguas.
Durante esse período, o país recebeu grandes fluxos migratórios vindos da Europa e da Ásia, como italianos, alemães, espanhóis, japoneses, sírios, libaneses, poloneses e chineses, que se somaram à presença africana forçada e às populações indígenas. Esses imigrantes trouxeram consigo objetos de memória e de sobrevivência: poucas roupas, cartas, fotografias, instrumentos de ofício, relíquias familiares — e, sobretudo, suas línguas e modos de falar.
A mala, portanto, é mais do que um objeto utilitário; ela se torna um contêiner simbólico da língua, da cultura e das experiências pessoais que cada imigrante carregava. É o espaço onde se guardam fragmentos da vida anterior e se abrem possibilidades de novos começos.
Assim, a mala de imigrante expressa visualmente o tema “Língua que levo comigo”: um idioma que viaja, se mistura, se reinventa e passa a ser parte da identidade coletiva do Brasil.