Descrição
O vídeo apresenta trechos do filme "Brasília segundo Feldman" na qual apresenta cenas da construção da cidade de Brasília, com diversas sequências demonstrando a rotina dos trabalhadores e panorâmicas dos edifícios em construção. A segunda parte é marcada por cenas da inauguração da cidade em 1960, por Juscelino Kubitschek.
Contexto de produção
O documentário "Brasília Segundo Feldman" (1979) feito por Vladimir Carvalho, origina-se de uma crítica à narrativa de progresso que existia no país durante os anos de 1950, e que baseou a construção da nova capital brasileira.
O filme vai além da grandiosidade arquitetônica de Brasília e busca apresentar, por meio de filmagens do artista americano Eugene Feldman feitas no final dos anos 1950, um outro lado da história: a dos candangos, os operários que ergueram a capital. Assim, a narração, que inclui o depoimento de um ex-operário, Luiz Perseghini, revela um lado sombrio da construção: acidentes de trabalho, condições desumanas, fome e até a morte de trabalhadores, cujas histórias foram muitas vezes silenciadas .
Desta forma, "Brasília segundo Feldman" cria um diálogo interessante com o tema do módulo "Alô, Alô Brasil". Enquanto o rádio, a partir dos centros urbanos do Sudeste, influenciava uma identidade nacional moderna por meio do entretenimento, a ideia do progresso, personificada na "Marcha para o Oeste", deslocava milhares de trabalhadores para concretizar no planalto central um projeto de integração territorial. O mesmo país que celebrava a "originalidade brasileira" na Semana de Arte Moderna de 1922 via surgir, décadas depois, uma capital que parecia "de outro planeta", mas cuja construção revelava contradições sociais profundas. O sertão, espaço da "autenticidade" nacional segundo o módulo, foi palco tanto dos ritmos de Luiz Gonzaga quanto do duro cotidiano dos candangos, mostrando que o Brasil moderno foi forjado tanto pela cultura que unia quanto pelos sacrifícios que eram ocultados.