Descrição
Réplica de astrolábio náutico, instrumento de navegação utilizado entre os séculos XV e XVII.
Inspirada em um exemplar encontrado em naufrágio datado entre 1460 e 1650, esta réplica tem como referência o astrolábio preservado no Museu Nacional de Arqueologia de Portugal, proveniente do sítio arqueológico de São Julião da Barra, em Portugal. Utilizado por navegadores durante as Grandes Navegações, o astrolábio servia para medir a altura dos astros sobre o horizonte, permitindo calcular a latitude e auxiliar na orientação em alto-mar.
Contexto de produção
O astrolábio tem origem nos estudos astronômicos da Grécia Antiga, especialmente de Hiparco e Ptolomeu, e foi aperfeiçoado no mundo islâmico entre os séculos VIII e IX, quando passou a ser utilizado para fins religiosos e científicos, como calcular horários de oração e a direção de Meca. No século XI, com a expansão do conhecimento árabe, o instrumento chegou à Europa, sendo adaptado à navegação marítima pelos portugueses nos séculos XV e XVI. O astrônomo judeu-português Abraão Zacuto foi um dos responsáveis por esse aperfeiçoamento em Lisboa, tornando o astrolábio um recurso essencial nas Grandes Navegações, usado por exploradores como Vasco da Gama e Cabral. O modelo náutico, simplificado e resistente, permitia medições em alto-mar mesmo em condições adversas. Sua difusão fez parte do esforço português de expansão e domínio marítimo, sendo hoje símbolo do cruzamento entre ciência, religião e colonização.
Motivo da Entrada
A réplica do astrolábio foi incorporada ao acervo com o objetivo de enriquecer a abordagem curatorial da Exposição de Longa Duração reformulada após o incêndio de 2015. Sua presença visa representar, de forma material e simbólica, os instrumentos científicos utilizados durante a expansão marítima portuguesa, fundamentais para a navegação, conquista e administração de territórios coloniais. A peça contribui para contextualizar a difusão da língua portuguesa no mundo a partir de tecnologias associadas à exploração e ao controle espacial, permitindo ao público refletir criticamente sobre os vínculos entre ciência, poder e linguagem na formação do mundo lusófono.