O quarto módulo da experiência "Português do Brasil", intitulado O mar sem fim é português (séculos XV e XVI), aborda a expansão marítima portuguesa. Este módulo inclui vídeos com especialistas que discutem o tema, videomapas que apresentam as colônias portuguesas, ilustrações de embarcações da época, ilustrações de mapas com monstros marítimos e um fac-símile de um astrolábio.

Texto Expositivo 1 / Mar sem fim

Entre 1420 e 1570, Portugal financiou e liderou a corrida em busca de terras e riquezas
para além do Mar Mediterrâneo. Reunidos, marinheiros, capitães, construtores, cartógrafos, mercadores e missionários de várias nacionalidades atravessaram o grande e desconhecido mar. Com embarcações inovadoras, os navegantes estabeleceram rotas até então ignoradas pelos europeus. Os portugueses, por sua
vez, abriram caminhos que uniram os continentes, dominaram povos, ocuparam terras e estabeleceram feitorias e entrepostos comerciais ao longo da costa da África, da Ásia e das terras da América. Entraram em contato com culturas, idiomas e povos diferentes, impondo e espalhando a língua portuguesa pelos quatro continentes, promovendo a primeira troca linguística e cultural, de nível global, de que se tem notícia.

Caravela

A palavra nasceu no século XIII no português ou no italiano e tem sua origem no grego kárabos. Sua primeira utilização documentada na língua portuguesa data de 1255. Teria passado ao português via latim carabus ou mesmo do árabe. Designava um tipo de barca ou nau a vela usada antes da criação da caravela que conhecemos. Quando se iniciou o reconhecimento costeiro e a penetração pelos rios do continente africano, as pequenas caravelas eram a embarcação preferida pelos exploradores. Impelidas pelos ventos em mar aberto, eram velozes, ágeis, fáceis de manobrar. Com o tempo, elas foram dando lugar às naus e aos galeões de maior porte
e mais adequadas ao comércio e ao transporte de grandes quantidades de mercadorias e de tripulantes.

A nova imagem do planeta

Os portugueses tornaram-se verdadeiros mestres na escrita de mapas e cartas marítimas e na criação de guias de navegação. As informações que os mapas portugueses traziam, transcritas a partir de viagens, cálculos e relatos dos navegantes, em poucas décadas criaram uma nova imagem do planeta. Desde então, nenhuma região política ou economicamente significativa da Terra está ilhada.

A abertura do mundo

Para vencer os ventos e as correntes marítimas, o Infante D. Henrique criou uma escola de navegação que reunia sábios e técnicos de diferentes origens. Financiado pelo Estado português, pela Ordem de Cristo e pela burguesia mercantil, desenvolveu um programa para conhecer mares nunca antes navegados. Enfrentando os medos e as superstições que povoavam o imaginário de então, o infante explorou e conquistou o litoral africano, chegando à Índia. E, assim, lançou a língua e a cultura portuguesa ao mar.

O infante

Conhecido como “o navegador”, o infante D. Henrique foi um dos maiores responsáveis pela aventura marítima portuguesa. Religioso, não dissociava fé e Império - agia em nome de Deus e do lucro. Movido pela curiosidade científica e pelo desejo de conhecer e dominar novas terras, gentes e novos mares, o infante tinha grande interesse pelas riquezas guardadas nesses lugares. A ele o poeta Fernando Pessoa dedicou os versos abaixo: Deus quer, o homem sonha, a obra nasce./ Deus quis que a terra fosse toda uma,/ Que o mar unisse, já não separasse./Sagrou-te, e foste desvendando a espuma./ E a orla branca foi de ilha em continente,/ Clareou, correndo, até ao fim do mundo,/ E viu-se a terra inteira, de repente,/ Surgir, redonda, do azul profundo./ Quem te sagrou criou-te português./ Do mar e nós em ti nos deu sinal./ Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez./ Senhor, falta cumprir-se Portugal!.

Encontro de culturas

A cada região do globo alcançada por seus emissários, Portugal levou e delas também trouxe informações e novidades – povos, costumes, riquezas, alimentos, plantas, animais foram introduzidos na Europa pelos portos e navios portugueses. Nesse processo, um grande número de palavras de origem portuguesa se espalhou pelo mundo, enquanto o português incorporava palavras das mais diversas línguas ao seu vocabulário.

Arte de navegar

O desenvolvimento de tecnologias navais, o conhecimento científico da astronomia, a adaptação para a navegação marítima dos astrolábios e o aprimoramento da cartografia foram fundamentais para que as viagens marítimas dos séculos XV e XVI pudessem ocorrer.

o portugues pelo mundo

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