O segundo módulo da experiência Português do Brasil, intitulado: Presença Árabe (do séc VIII ao XII) refere-se a expansão da presença árabe na Península Ibérica a África e consequentemente a expansão do português nesses territórios. Este módulo conta com vídeos de especialistas sobre a questão, outros vídeos que apresentam acervos da época, mapas, imagens e réplicas de esculturas da época.

Texto Expositivo 1 / Presença Árabe

No ano de 711 DC, exércitos árabes atravessaram o mar pelo Estreito de Gibraltar, que separa a África da Península Ibérica. Dominaram as terras antes ocupadas pelos suevos e visigodos e que abrigavam um mosaico de culturas. Ali, garantindo a liberdade de culto e de posses, criaram um ambiente de tolerância, em que árabes,
cristãos e judeus conviveram por vários séculos. Na península, falava-se o romance, língua derivada do latim vulgar que logo foi fortemente influenciada pela força da língua e da cultura árabes, fundamentais na formação do que viria a ser o idioma português. A palavra “Gibraltar”, por exemplo, vem do árabe geb-al-Tárik, o Cabo de
Tárik, nome de um dos generais que comandou a invasão. Talvez tenha sido a primeira palavra de origem árabe dentre as milhares usadas até hoje na língua portuguesa.

A língua carrega saberes

Junto com sua língua, os árabes levaram para o mundo ibérico uma cultura de avançados conhecimentos científicos e tecnológicos. Introduziram conceitos de diversas ciências, como astronomia, astrologia, matemática, física, medicina, botânica, geografia, história, política e filosofia, além de técnicas agrícolas. Foi muito importante também sua influência nas artes (literatura, poesia e música) e na arquitetura, que pode ser admirada até os dias de hoje em edificações preservadas, tanto em terras de Portugal como na Espanha. O maior esplendor da cultura árabe na península, no entanto, ocorreu na região chamada de “Al Andalus”, conhecida em nossos dias como Andaluzia, correspondente ao sul da Espanha.

Uma palavra Algarismo

É a denominação dada a cada um dos caracteres que usamos para representar os números – 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9. A palavra deriva do árabe Al-Khwarizmi que quer dizer “natural de Khwarizm”. Esse é o lugar onde nasceu o célebre matemático muçulmano Abu Jafar Mohammed Ibn Musa (780-850 EC), que viveu a maior parte da vida em Bagdá. Foi a sua obra Soma e divisão segundo o cálculo dos indianos que introduziu no Ocidente a numeração decimal e cada um dos sinais gráficos dos números que usamos atualmente, conhecidos como “algarismos arábicos”. Os árabes também apresentaram ao mundo ibérico o conceito e o símbolo do “zero”, que é o mesmo que “vazio”, “vácuo”, “nulo”, “não existente”. Desenvolvido a partir da cultura indiana antiga, o zero, que é uma abstração, tornou possíveis os cálculos matemáticos, fundamentais para o desenvolvimento da ciência, da computação à física, da astronomia à química.

Árabes, judeus e cristãos

A população da Península Ibérica sob o domínio muçulmano era muito heterogênea. Todos gozavam de liberdade de culto, mas tinham de se submeter ao pagamento de tributos e às regras comerciais estabelecidas pelos árabes. Além dos árabes seguidores de Alá e de Maomé, havia cristãos e judeus, que preservaram seus próprios ritos e preceitos. Os cristãos eram chamados de “moçárabes”: falavam o romance nas relações familiares, mas adotaram o árabe e o modo de vida muçulmano nas relações comerciais. Depois da reconquista da península pelos cristãos, os árabes que permaneceram ficaram conhecidos como “mudéjares” ou “mouros de pazes”.

A expulsão

Os árabes ficaram cerca de 550 anos na Península Ibérica. Pouco a pouco eles foram sendo expulsos pelos cristãos, do Norte em direção ao Sul, com avanços e retrocessos, até a conquista de Lisboa, em 1147, e a tomada da região do Algarve, por volta de 1260. Apenas em 1492 eles foram definitivamente expulsos da
península, com a entrada dos exércitos de Castela em Granada.