Descrição
Imagem de escultura Iorubá, apresenta uma cabeça com ornamentação no topo e perfurações enfileiradas na parte inferior do rosto, produzida entre os séculos XIV a.C. e XV a.C. Cabeça em latão (zinco com alto teor de chumbo), fundida pelo método da cera perdida, ligeiramente menor que o tamanho natural, em estilo naturalista. Apresenta uma coroa de construção complexa em três camadas com contas tubulares, rosetas vermelhas e penas. Na parte frontal, há um redondo cônico com anéis concêntricos, sugerindo contas, e um elemento em trança que termina em ponta oval. O rosto é alongado, com marcações verticais incisas e olhos pequenos, sobrancelha marcada, lábios lisos e sulcos no pescoço representando dobras de pele. Há linhas de furos no rosto e pescoço, incluindo um furo irregular na mandíbula direita.
Contexto de produção
A Escultura Iorubá insere-se em um contexto cultural e histórico marcado pela forte tradição artística do povo da África Ocidental. Os iorubás, habitantes do sudoeste da Nigéria e de regiões do Benim e Togo, desenvolveram notáveis expressões artísticas antes mesmo do contato com os europeus, incorporando elementos religiosos, sociais e políticos em suas esculturas.
No século XIX, o tráfico transatlântico intensificou a chegada de africanos iorubás ao Brasil, especialmente para Salvador e o Recôncavo Baiano, onde foram submetidos à escravidão. Mesmo sob o cativeiro, preservaram sua identidade cultural e espiritual, consolidando práticas religiosas como o culto aos orixás, que mais tarde se fundiria ao candomblé jeje-nagô.
As esculturas iorubás são frequentemente associadas ao universo sagrado, representando orixás, ancestrais e figuras protetoras. Criadas para cerimônias religiosas ou como objetos de culto, elas refletem a relação entre o mundo material e espiritual, sendo fundamentais para a preservação e transmissão dos saberes e tradições desse povo. A resistência cultural e a influência iorubá foram essenciais na formação da identidade afro-brasileira, tornando essas esculturas parte do patrimônio simbólico e artístico que atravessou o Atlântico, povoando o Brasil com memórias, ritos e expressões de fé.
Motivo da Entrada
Para compor a experiência expositiva Português do Brasil, no Museu da Língua Portuguesa. Seu licenciamento ocorreu no contexto da recomposição do acervo expositivo após o incêndio de 2015, integrando novamente a mostra na reabertura do museu em 2021.