Descrição
Recorte do mapa do Brasil presente no Atlas de Lopo Homem-Reineis, também conhecido como Atlas Miller. A carta apresenta parte do território com ilustrações da fauna e flora brasileiras, além de cenas de extração de pau-brasil realizadas por indígenas. Trata-se de uma representação cartográfica da costa do Brasil, com destaque para o litoral atlântico, marcado por toponímia em língua portuguesa e enriquecido com detalhamento artístico da paisagem. Na porção terrestre, figuram animais tropicais, vegetação nativa, grupos indígenas em atividades coletivas e habitações circulares com cobertura de palha. Já no espaço marítimo, a presença de embarcações europeias, bandeiras e rosas-dos-ventos reforça a simbologia do domínio português e o controle das rotas atlânticas.
Contexto de produção
O Atlas Miller, produzido em Lisboa em 1519 por Lopo Homem, Pedro Reinel e Jorge Reinel, com iluminuras atribuídas a António de Holanda, insere-se no auge da expansão marítima portuguesa. Elaborado sob encomenda da Coroa, o atlas combinava funções náuticas com caráter de luxo e prestígio, destinado a afirmar o conhecimento cartográfico e a soberania de Portugal sobre as novas terras.
O recorte referente ao Brasil ilustra não apenas a linha costeira com toponímia portuguesa, mas também elementos artísticos e simbólicos. Ao lado da representação da costa atlântica, aparecem cenas da extração de pau-brasil por indígenas, fauna e flora tropicais, embarcações europeias e brasões de armas, reforçando o caráter propagandístico e a visão europeia sobre o território recém-incorporado às rotas comerciais.
Motivo da Entrada
Após o incêndio de 2015, o Museu da Língua Portuguesa iniciou um processo de reconstrução de seu acervo. Esta gravura foi incorporada nesse período de retomada, em preparação para a reabertura do Museu em 2021, por seu valor histórico e pelo diálogo com a formação da língua portuguesa no Brasil.