Os "brasis", como os nossos antepassados indígenas foram tantas vezes chamados, chegaram às terras americanas em migrações milenares. Não se sabe exatamente quando, nem como. Em 1500, esses povos, que poderiam totalizar entre 1 e 8 milhões de pessoas, haviam caminhado da pedra lascada em direção ao
neolítico, ocupando a várzea amazônica, a orla marítima, as serras, os sertões, os pantanais. Praticavam a agricultura, produziam cerâmica, construíam casas de palha, conheciam os astros, pescavam, colhiam frutos, tramavam guerras. Distribuíam-se coloridamente, com as suas línguas e as suas crenças, da foz do Oiapoque à bacia do rio Paraná. Os grupos tupis venceram a disputa pela fachada atlântica. Os tupinambás e tupiniquins, que entraram em contato mais direto com os europeus, eram brasis que se dedicavam, antes de mais nada, à guerra e à festa. E foram justamente esses bravos e criativos guerreiros antropófagos que ensinaram os trópicos aos lusos, armando o tear da rede em que amanheceu o Brasil.