Descrição
Ayodele Francis Ojo narra uma oração a Cosme e Damião na língua Iorubá.
Transcrição:
IORUBÁ
Gbogbo àgbáyé ń sọ ẹgbẹrun méje èdè. Èmi ń sọ Yorùbá.
Ìpínlẹ̀ sọ ọ̀rọ̀ lórí Ìbejì àti orin.
Èjìrẹ́
N bá bí, n bá yọ̀
Èjìrẹ́ tí ó wọ ilé alákisà
Tí ó sọ alákisà di aláṣọ
Èjìwòrò lójú ìyá rẹ̀
Èjìrẹ́
N bá bí, n bá yọ̀
Ọmọ méjì tí ìyá bí láti inú oyún kan!
Èyí tí ó kọ́kọ́ jáde nínú ìyá rẹ̀ ni Táyé.
Èkejì ni à ń pè ní Kẹ́hìndé.
A sì máa ń ṣe ọdún fún wọn gẹ́gẹ́ bí òrìṣà ni orílẹ̀ èdè Nàìjíríà.
Orin Ìbejì
Epo ń bẹ
Ẹ̀wà ń bẹ o
Epo ń bẹ
Ẹ̀wà ń bẹ o
Àyà mi ò já oeee
Àyà mi ò já láti bí Ìbejì
Epo ń bẹ
Ẹ̀wà ń bẹ o
A máa ń kọ orin yìí nígbà tí a bá ń ṣe ọdún Ìbejì fún àwọn Ìbejì.
Orin kejì
Tayélolú ní kí n kí gbogbo yín o
Mo sì kí gbogbo yín lọ́kan kan
Ọmọ Kẹ́hìndé ní kí n kí gbogbo yín o
N ó sì kí gbogbo yín lọ́kan kan
Tayé ọba ń béèrè rẹ
Kẹ́yìndé ọba ń béèrè rẹ
PORTUGUÊS:
O mundo todo fala sete mil línguas. Eu falo Yoruba.
As regiões falam sobre Ibeji (gêmeos) e cantigas.
Ejiré
Se eu tiver vocês, eu ficarei feliz
Ejire que entra na casa do pobre
E que faz do pobre uma pessoa próspera
Uma preciosidade aos olhos da mãe
Ejiré
Se eu tiver vocês, eu ficarei feliz
Dois filhos que uma mãe traz de uma única gravidez.
O que sai primeiro de dentro da mãe é Taye.
O segundo nós chamamos de Kehinde.
E nós fazemos festival para eles como se faz para um orixá na Nigéria.
Cantiga de Ibeji
Tem dendê
Tem feijão
Tem dendê
Tem feijão
Não estou preocupado
Não estou preocupado por ter gêmeos
Tem dendê
Tem feijão
Nós cantamos está cantiga quando fazemos festival de Ibeji para os gêmeos.
Segunda cantiga
Tayelolu disse para eu comprimentar todos vocês
E eu vou cumprimentá-los um a um
Kehinde disse para eu cumprimentar todos vocês
E eu vou cumprimentá-los um a um
Taye, o rei pergunta de ti
Kehinde, o rei pergunta de ti
Contexto de produção
A língua iorubá é uma expressão viva de povos da África Ocidental, especialmente na Nigéria, Benim e partes do Togo. É uma língua tonal, o que significa que o tom de voz usado para pronunciar uma sílaba pode alterar completamente o sentido de uma palavra. Essa característica torna a pronúncia especialmente sensível e exige do falante atenção à entonação.
No iorubá, vários dialetos coexistem: cada região tem um jeito particular de falar, com leves diferenças nos sons, nas palavras e até nas construções das frases. Para facilitar a comunicação entre falantes de diferentes regiões, desenvolveu-se uma forma padrão, usada em escolas, na mídia e na literatura, que ajuda a unificar a língua no plano escrito e falado formalmente.
A gramática do iorubá é relativamente enxuta em termos de flexões complexas: a ordem das palavras costuma seguir sujeito-verbo-objeto, e os tempos verbais e aspectos são indicados por partículas ou contextos, mais do que pelas mudanças nas formas verbais. Os substantivos não carregam grande variedade morfológica, e relações como posse ou associação costumam ser expressas por combinações simples de nomes ou palavras funcionais ligadas.
O sistema de escrita atual utiliza o alfabeto latino, adaptado com sinais diacríticos para representar os tons e vogais abertas ou fechadas. Isso permite que os falantes registrem a língua de modo consistente e compartilhem seus textos, poesias, canções e literatura escrita.
Quanto ao alcance do iorubá no mundo, ele se estendeu além de suas terras de origem por meio da diáspora africana. Em comunidades fora da África, especialmente nas Américas, aspectos da língua sobreviveram em expressões culturais, nomes, termos místicos e litúrgicos em religiões de matriz africana. Nesses contextos, o iorubá não necessariamente é falado com fluência plena, mas seus vocábulos carregam significado simbólico e espiritual.
Assim, o iorubá permanece tanto como língua viva no cotidiano de comunidades africanas quanto como vínculo cultural de povos espalhados pelo mundo, um elo que une identidade, memória e expressão linguística.