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Identificação do documento/obra

Tipo documental
AudiovisualVideoGênero Documental
Código de Inventário
poli_aud_02
Título
O que pode a Língua
Descrição
Filme exibido no auditório do Museu da Língua Portuguesa, explorando a linguagem como elemento estruturador do cotidiano e atribuindo a ela um papel central na experiência humana. A obra parte do princípio de que a língua transcende sua função comunicacional, atuando como um mecanismo essencial na construção da realidade e na interação social.

Produzido a partir de arquivos iconográficos, audiovisuais e sonoros, o filme apresenta uma narrativa em que a linguagem não se limita à transmissão de significados, mas opera diretamente na organização das experiências humanas. Os registros reunidos demonstram como a comunicação influencia percepções e comportamentos, reforçando seu papel na articulação de sentidos e na transformação sociocultural. Ao destacar esse aspecto, a obra evidencia como a língua não apenas descreve o mundo, mas o constitui.

Além da dimensão comunicativa, o filme problematiza os mecanismos que possibilitam a fala, abordando aspectos da engenharia biológica da linguagem e seus desafios. A obra explora como padrões motores e interações cognitivas tornam a comunicação verbal possível, revelando os mistérios envolvidos na cognição da fala e sua relação com os processos de construção do significado.

Características

Duração (HH:MM:SS)
00:21:45
Formato
MP4

Contexto de produção

Carlos Nader Direção, Roteiro e NarraçãoPessoa
Local de Produção
Contexto de produção
A construção da língua pode ser compreendida a partir da própria capacidade humana de produzir linguagem, entendida como a faculdade que permite criar e interpretar sinais com finalidade comunicativa. Essa capacidade se concretiza em línguas específicas que se desenvolvem no interior de comunidades e ganham forma por meio de sistemas de signos compartilhados. Ao longo da história, estudiosos procuraram entender como essa capacidade se organiza, iniciando com reflexões filosóficas, passando por descrições gramaticais e chegando à constituição da linguística como campo científico. Essa trajetória demonstra que a língua não é apenas um instrumento de transmissão de informações, mas um fenômeno social que acompanha a vida coletiva e se transforma conforme as condições culturais e históricas. Com o avanço dos estudos sobre linguagem, especialmente a partir de Saussure, a língua passou a ser vista como um sistema organizado por relações internas e convenções que permitem seu funcionamento. Ela não se confunde com a fala, que corresponde às realizações individuais, nem com outras formas de expressão que integram o fenômeno mais amplo da linguagem. O signo linguístico, definido como a união entre conceito e imagem acústica, tornou-se ponto central para entender como os significados são produzidos e compartilhados. Essa perspectiva, que separa língua de outros modos de manifestação, ofereceu bases para métodos de análise mais rigorosos e para a compreensão da língua como objeto próprio da linguística. Outros pensadores ampliaram essa visão ao relacionar a língua com processos socioculturais. Bakhtin destacou que os signos assumem valores ideológicos e constroem sentidos que dependem do contexto histórico, mostrando que a língua é inseparável das práticas sociais que a sustentam. Chomsky, por sua vez, enfatizou o caráter biológico e cognitivo da faculdade linguística, propondo que a capacidade de produzir e interpretar sentenças deriva de estruturas mentais internas. Essas abordagens evidenciam que a língua resulta de múltiplas dimensões que se articulam, desde o funcionamento interno do sistema até as interações humanas e os contextos de uso. Dessa forma, a construção da língua é um processo contínuo que envolve história, cultura, capacidade cognitiva e práticas sociais. Ela se organiza como sistema, mas também se renova na experiência cotidiana dos falantes, que escolhem e combinam signos de maneiras diversas. A língua, ao mesmo tempo em que representa conhecimentos e ideias, cria modos de ação no mundo e permite que sujeitos se reconheçam como parte de uma comunidade. Assim, compreender sua formação significa reconhecer a complexidade dos fatores que a sustentam e o papel ativo dos falantes na produção de sentidos.

Contexto e relações

Tópico relacionado

Entrada do objeto

Data de Entrada
2020
Método de Entrada
Licenciamento
Proveniência
Carlos Nader
Motivo da Entrada
Para compor exposição de Longa Duração do Museu da Língua Portuguesa.

Relações