O vídeo apresenta a entrevista com a artista portuguesa Grada Kilomba para o programa "Racismo à portuguesa” do Canal Público. Ela fala sobre o tema racismo e como isso está inserido em seus trabalhos, textos, vídeos e performances. Cenas do filme Conarky também são apresentadas.
Trechos descritos:
Grada Kilomba fala: “Eu vivi isso na última Bienal em São Paulo, Brasil. Há uma resistência da imprensa de dizer: esta artista (negra) nasceu e cresceu em Lisboa, esta artista é portuguesa.”
“É um dificuldade de lidar com o passado pós-colonial português e de perceber que há uma série de pessoas que são afro-portuguesas e que nasceram aqui. É como se você não pertencesse aqui, e que há qualquer momento podem te mandar pra fora, de volta. A frase com que todos nós crescemos: vai-te embora pra tua terra!”
“Fica claro que nem todos nós temos acesso a estruturas e instituições e os nossos conhecimentos e as nossas perspectivas não estão nessas instituições. Isso é uma continuidade colonial.”
“Há um privilégio branco que eu não tenho como mulher negra. Uma mulher branca tem acesso a estruturas, a uma representação, a uma voz que eu não tenho. Quando abro o jornal não me vejo representada, entro num supermercado e não vejo as minhas crianças. Sou constantemente confrontada com uma imagem que não é a minha e com a falta de representação. É um privilégio ser representado.”
“Temos que mudar as configurações de conhecimento mas para isso precisamos mudar as configurações de poder. Só assim podemos mudar e descolonizar.”
“Continuamos a alimentar-nos de um passado romântico, sem o associar com “a culpa, vergonha, genocídio, exclusão, marginalização, exploração, desumanização”. O que a leva a analisar: “Ainda não passámos da negação. [O racismo] tem a ver com um processo psicológico que passa de negação a culpa, de culpa a vergonha, de vergonha a reconhecimento e de reconhecimento a reparação. Quando estou em Portugal eu sinto que estamos completamente na negação.”
“Portugal é um país extremamente ambivalente. Ao mesmo tempo que as pessoas são simpáticas e acolhedoras têm um racismo latente brutal. Lidar com estas duas medidas é muito difícil.”
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