Museológico

Grada Kilombo - Conarky

2017

Identificação do documento/obra

Tipo documental
AudiovisualEntrevistaGênero Documental
Código de Inventário
noli_aud_100
Título
Grada Kilombo - Conarky
Descrição

O vídeo apresenta a entrevista com a artista portuguesa Grada Kilomba para o programa "Racismo à portuguesa” do Canal Público. Ela fala sobre o tema racismo e como isso está inserido em seus trabalhos, textos, vídeos e performances. Cenas do filme Conarky também são apresentadas.

Trechos descritos:

Grada Kilomba fala: “Eu vivi isso na última Bienal em São Paulo, Brasil. Há uma resistência da imprensa de dizer: esta artista (negra) nasceu e cresceu em Lisboa, esta artista é portuguesa.”

“É um dificuldade de lidar com o passado pós-colonial português e de perceber que há uma série de pessoas que são afro-portuguesas e que nasceram aqui. É como se você não pertencesse aqui, e que há qualquer momento podem te mandar pra fora, de volta. A frase com que todos nós crescemos: vai-te embora pra tua terra!”

“Fica claro que nem todos nós temos acesso a estruturas e instituições e os nossos conhecimentos e as nossas perspectivas não estão nessas instituições. Isso é uma continuidade colonial.”

“Há um privilégio branco que eu não tenho como mulher negra. Uma mulher branca tem acesso a estruturas, a uma representação, a uma voz que eu não tenho. Quando abro o jornal não me vejo representada, entro num supermercado e não vejo as minhas crianças. Sou constantemente confrontada com uma imagem que não é a minha e com a falta de representação. É um privilégio ser representado.”

“Temos que mudar as configurações de conhecimento mas para isso precisamos mudar as configurações de poder. Só assim podemos mudar e descolonizar.”

“Continuamos a alimentar-nos de um passado romântico, sem o associar com “a culpa, vergonha, genocídio, exclusão, marginalização, exploração, desumanização”. O que a leva a analisar: “Ainda não passámos da negação. [O racismo] tem a ver com um processo psicológico que passa de negação a culpa, de culpa a vergonha, de vergonha a reconhecimento e de reconhecimento a reparação. Quando estou em Portugal eu sinto que estamos completamente na negação.”

“Portugal é um país extremamente ambivalente. Ao mesmo tempo que as pessoas são simpáticas e acolhedoras têm um racismo latente brutal. Lidar com estas duas medidas é muito difícil.”

Características

Suporte/Material
DigitalMaterial
Duração (HH:MM:SS)
00:05:36
Formato
MP4

Contexto de produção

Grada Kilombo entrevistadaPessoa
Local de Produção
Contexto de produção
O depoimento da artista Grada Kilomba insere-se em Nós da Língua ao articular uma reflexão profunda sobre as contradições inerentes ao espaço lusófono. Sua fala evidencia como a língua comum pode ser simultaneamente um instrumento de exclusão e uma plataforma para denúncia e reivindicação de identidades plurais. Ao abordar temas como racismo, colonialidade, negação histórica e a luta por representação, o vídeo problematiza diretamente as relações de poder que perpassam a comunidade falante do português. Contribui, assim, para o objetivo de apresentar visões diversas e conflitantes sobre os fatos, enfatizando a necessidade de se reconhecerem as assimetrias e os processos de desumanização que acompanharam a expansão da língua, colocando em primeiro plano vozes que desafiam narrativas hegemónicas e exigem uma revisão crítica do passado e do presente.

Contexto e relações

Descritores

Entrada do objeto

Data de Entrada
22/04/2021
Método de Entrada
Licenciamento
Proveniência
Filipa César
Motivo da Entrada
Para integrar o acervo de exposição do MLP, após o incêndio de 2015 e a reformulação da exposição de longa duração em 2021.

Relações