Museológico

Labirinto da Saudade - 2

2018

Identificação do documento/obra

Tipo documental
AudiovisualFilmeGênero Documental
Código de Inventário
noli_aud_97
Título
Labirinto da Saudade - 2
Descrição

O vídeo apresenta dois trechos do filme “O Labirinto da Saudade” de Miguel Gonçalves Mendes, sobre o pensador português Eduardo Lourenço.

Transcrição dos trechos:

Somos filhos do Império Romano, colonizados do Império Romano, temos a língua do Império Romano como dizia Camões d’Os Lusíadas. Nós precisamos ser mais europeus do que nunca fomos. Porque se não formos esses europeus, estaremos condenados a ser colônia das nossas antigas colônias.”

Em off sobre a imagem do globo terrestre no meio do universo e mais muitas belas imagens de galáxias e explosões de supernovas: “Nasci num tríplice túmulo, Portugal é um túmulo na Europa e a Europa é um túmulo mais largo no túmulo do mundo. A nossa voz foi sempre um gemido à beira do mar... Deixámos de ser, como durante séculos, uma pluralidade de nações ou povos imaginariamente senhores dos seus destinos. Como todo o Ocidente, tornámo-nos “todo mundo e ninguém”. Somos, enfim, quem sempre quisemos ser.”

Alguém o recepciona e diz: “Bem-vindo ao universo.”

Responde: “É onde nós nos encontramos: no ponto zero.”

Pergunta – Mas em todo este universo, faz sentido falar de identidades nacionais? Faz sentido falarmos dos portugueses?: “Por mais maníacos que sejamos e megalômanos, nós não somos o centro do universo. Já foi uma coisa extraordinária que nós tivéssemos sido um ponto visível na história do mundo... O fora do universo é o nosso dentro, doutra maneira, mas é sobretudo esse enigma do princípio de onde vimos e para onde vamos... E esperemos que a humanidade ainda dure muitos séculos ou milênios para chegar ao fim deste enigma e que alguém volte de outro planeta para dizer afinal de contas que “vocês eram uma pequena estrela dramática e... misteriosa entre outras. Não somos o centro do universo.”

Pergunta – Eduardo, a resposta fundamental para a sua pergunta, está consigo desde o início: “Sei que estou no começo que antes de ser começo já é uma espécie de fim. Isso podia ser uma alegoria da nossa relação com o Cosmos, penso eu.”

Numa sala escura com uma vela, pensa em voz alta enquanto brinca de ler um texto escrito com tinta invisível que surge com o calor da chama: “Sou amador de mitos. Quase toda gente é herói para mim. Escritores, atores, cantores, futebolistas... Vivo nesse mundo ideal como se tivesse 10 anos. Entrei nesse mundo maravilhoso como no cinema e não voltei a sair. O que eu queria mesmo era voar... voar.”

O texto que está escrito no papel é: “A História é a ficção das ficções.”

Características

Suporte/Material
DigitalMaterial
Duração (HH:MM:SS)
00:03:27
Formato
MP4

Contexto de produção

Miguel Gonçalves Mendes produção do filmePessoa
Eduardo Lourenço participantePessoa
Local de Produção
Contexto de produção
A experiência "Nós da Língua" propõe um exame crítico da presença global da língua portuguesa, considerando tanto as suas raízes históricas quanto as reconfigurações políticas e identitárias que a caracterizam no presente. Neste cenário, o excerto do filme sobre Eduardo Lourenço vincula-se a esta proposta ao apresentar uma reflexão filosófica profundamente crítica sobre a identidade nacional portuguesa no contexto pós-colonial. As intervenções do pensador, que questionam o lugar de Portugal no mundo e desconstroem visões eurocêntricas e imperiais, conectam-se diretamente com o objetivo da experiência de analisar os conflitos e as transformações inerentes à história da língua. O vídeo contribui, assim, ao demonstrar como o próprio idioma pode ser mobilizado como instrumento para uma autorreflexão coletiva e para a desconstrução de mitos fundadores.

Contexto e relações

Entrada do objeto

Data de Entrada
17/04/2020
Método de Entrada
Licenciamento
Proveniência
Miguel Gonçalves Mendes
Longshot Produções
Motivo da Entrada
Para integrar o acervo de exposição do MLP, após o incêndio de 2015 e a reformulação da exposição de longa duração em 2021.

Relações