O vídeo apresenta dois trechos do filme “O Labirinto da Saudade” de Miguel Gonçalves Mendes, sobre o pensador português Eduardo Lourenço.
Transcrição dos trechos:
Somos filhos do Império Romano, colonizados do Império Romano, temos a língua do Império Romano como dizia Camões d’Os Lusíadas. Nós precisamos ser mais europeus do que nunca fomos. Porque se não formos esses europeus, estaremos condenados a ser colônia das nossas antigas colônias.”
Em off sobre a imagem do globo terrestre no meio do universo e mais muitas belas imagens de galáxias e explosões de supernovas: “Nasci num tríplice túmulo, Portugal é um túmulo na Europa e a Europa é um túmulo mais largo no túmulo do mundo. A nossa voz foi sempre um gemido à beira do mar... Deixámos de ser, como durante séculos, uma pluralidade de nações ou povos imaginariamente senhores dos seus destinos. Como todo o Ocidente, tornámo-nos “todo mundo e ninguém”. Somos, enfim, quem sempre quisemos ser.”
Alguém o recepciona e diz: “Bem-vindo ao universo.”
Responde: “É onde nós nos encontramos: no ponto zero.”
Pergunta – Mas em todo este universo, faz sentido falar de identidades nacionais? Faz sentido falarmos dos portugueses?: “Por mais maníacos que sejamos e megalômanos, nós não somos o centro do universo. Já foi uma coisa extraordinária que nós tivéssemos sido um ponto visível na história do mundo... O fora do universo é o nosso dentro, doutra maneira, mas é sobretudo esse enigma do princípio de onde vimos e para onde vamos... E esperemos que a humanidade ainda dure muitos séculos ou milênios para chegar ao fim deste enigma e que alguém volte de outro planeta para dizer afinal de contas que “vocês eram uma pequena estrela dramática e... misteriosa entre outras. Não somos o centro do universo.”
Pergunta – Eduardo, a resposta fundamental para a sua pergunta, está consigo desde o início: “Sei que estou no começo que antes de ser começo já é uma espécie de fim. Isso podia ser uma alegoria da nossa relação com o Cosmos, penso eu.”
Numa sala escura com uma vela, pensa em voz alta enquanto brinca de ler um texto escrito com tinta invisível que surge com o calor da chama: “Sou amador de mitos. Quase toda gente é herói para mim. Escritores, atores, cantores, futebolistas... Vivo nesse mundo ideal como se tivesse 10 anos. Entrei nesse mundo maravilhoso como no cinema e não voltei a sair. O que eu queria mesmo era voar... voar.”
O texto que está escrito no papel é: “A História é a ficção das ficções.”
O Acervo do Museu da Língua Portuguesa disponibilizado nesta plataforma destina-se exclusivamente à consulta. É expressamente proibida qualquer outra forma de utilização. O(a) usuário(a) é responsável por respeitar os direitos autorais, de personalidade e conexos das obras aqui apresentadas. A reprodução total ou parcial de obras originais ou de suas cópias, por qualquer meio e para qualquer finalidade, é vedada, conforme estabelecido pela Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Caso haja interesse na reprodução de qualquer obra — original ou cópia — o(a) interessado(a) deverá entrar em contato com o Centro de Referência pelo e-mail: centrodereferencia@mlp.org.br.