Museológico

Mão pesada

2014

Identificação do documento/obra

Tipo documental
AudiovisualVideoclipeGênero Documental
Código de Inventário
noli_aud_94
Título
Mão pesada
Descrição

Videoclipe da canção “Mão pesada” , de Capicua e M7 Beat.

Letra:

Dou-te com a mão pesada

quando é carinho ou quando é castigo

Olho de cara lavada

quando te digo que sou perigo

Eu só tenho uma palavra

dita na tua cara, clara como a água

Eu agarro, eu não abraço,

dás o dedo, quero o braço

Rosa dos ventos no cabelo, estrela polar ao peito

Porte de mulher do norte, forte, ar de respeito

Jeito de quem traça a eito, comanda a valsa,

Feito de ter graça, raça é o conceito

Manda na praça e não disfarça que é rainha altiva

Menina matriarca marca de cidade-diva

Busto de granito esculpido no fio da navalha

Curto é o pavio em rastilho, fagulha brava!

(M7)

Quem é que encanta com o sorriso de catraia

Tem mão na anca, se preciso roda a saia

Laia levada da breca, senão te curte é direta

Não consegue pôr cara de quem recebe uma caneca

Se o homem não se comporta, troca o canhão da porta

E depois sai louca pa beijar na boca à carioca

Porque tem pêlo na venta, Kahlo como a Frida

Na vida, não se lamenta, aguenta de cabeça erguida.

A prosa que enfeitiça, maga manha que conquista

Dengosa sem preguiça, atiça a cobiça à vista

Tem alma cigana, cigarra atarefada

Sem calma comanda a cidade à desgarrada.

(M7)

Guerreira, arregaça as mangas e chega onde quer

Veio mudar por estas bandas, o conceito de Mulher

Antes só a fumar charros na banheira

Que ficar a ganhar pó, com dó de si na prateleira

Tripeira, com muito orgulho, tripa por qualquer bagulho

Evita dizer "tem calma!", senão assumes barulho

Quando ama é por inteiro, ergue à volta uma muralha

Mas pensa nela primeiro, não se fica por migalha.

Para onde aponta a bússola, é o azimute

Para quando a afronta é explicita, é atitude

Não iludo trago música translúcida no clube

O zumbido ao teu ouvido é o efeito da altitude

Grito sou guerreira, desnorteio, sou nortenha

E impero porque carrego o meu sonho convicta

Tripo, sou tripeira, de ferro sou ferrenha

E não nego que mantenho o meu trono invicta!

Características

Suporte/Material
DigitalMaterial
Duração (HH:MM:SS)
00:03:45
Formato
MP4

Contexto de produção

Local de Produção
Contexto de produção
A obra demonstra a vitalidade do português como instrumento de afirmação identitária, neste caso, articulando uma narrativa de empoderamento feminino e orgulho regional com forte raiz nortenha. Este conteúdo conecta-se com o objetivo da experiência em mapear as novas movimentações e transformações da língua. A letra, ao amalgamar uma atitude desafiadora com referências culturais específicas e um ritmo musical atual, ilustra como o português opera como matéria-prima viva para a criação artística no século XXI. Dessa maneira, o vídeo contribui para ilustrar a plasticidade da língua e sua capacidade de veicular, de forma potente e atual, perspectivas sociais inovadoras e discursos que reconfiguram identidades no espaço lusófono.

Contexto e relações

Tópico relacionado

Entrada do objeto

Data de Entrada
06/04/2020
Método de Entrada
Licenciamento
Proveniência
Ana Côrte-Real de Matos Fernandes (Capicua)
Motivo da Entrada
Para integrar o acervo de exposição do MLP, após o incêndio de 2015 e a reformulação da exposição de longa duração em 2021.

Relações