Museológico

Uma pequenina luz

2011

Identificação do documento/obra

Tipo documental
AudiovisualDocumentárioGênero Documental
Código de Inventário
noli_aud_91
Título
Uma pequenina luz
Descrição

O vídeo apresenta a leitura do poema “Uma pequenina luz” (1958) do poeta português Jorge de Sena, para a série "Um Poema por Semana" da rede Rádio e Televisão de Portugal (RTP)., interpretado pelo ator português Paulo Campos dos Reis.

 Transcrição:

“Uma pequenina luz” de Jorge de Sena

Uma pequenina luz bruxuleante não na distância brilhando no extremo da estrada aqui no meio de nós e a multidão em volta une toute petite lumière just a little light una piccola…

em todas as línguas do mundo uma pequena luz bruxuleante brilhando incerta mas brilhando aqui no meio de nós entre o bafo quente da multidão a ventania dos cerros e a brisa dos mares e o sopro azedo dos que a não vêem só a adivinham e raivosamente assopram. Uma pequena luz que vacila exacta que bruxuleia firme

que não ilumina apenas brilha. Chamaram-lhe voz ouviram-na e é muda. Muda como a exactidão como a firmeza como a justiça Brilhando indefectível. Silenciosa não crepita não consome não custa dinheiro. Não aquece também os que de frio se juntam. Não ilumina também os rostos que se curvam. Apenas brilha bruxuleia ondeia Indefectível próxima dourada. Tudo é incerto ou falso ou violento: brilha. Tudo é terror vaidade orgulho teimosia: brilha. Tudo é pensamento realidade sensação saber: brilha. Tudo é treva ou claridade contra a mesma treva: brilha. Desde sempre ou desde nunca para sempre ou não: brilha. Uma pequenina luz bruxuleante e muda Como a exactidão como a firmeza como a justiça. Apenas como elas. Mas brilha. Não na distância. Aqui No meio de nós. Brilha.

Características

Suporte/Material
DigitalMaterial
Duração (HH:MM:SS)
00:03:54
Formato
MP4

Contexto de produção

Jorge Sena autorPessoa
Paulo Campos dos Reis participantePessoa
Local de Produção
Contexto de produção
O vídeo é um demonstrativo da capacidade da língua portuguesa para articular um símbolo universal, a luz, dentro de um diálogo multicultural. O poema inicia com versos em português, francês, inglês e italiano, estabelecendo desde o início uma dimensão poliglota que transcende fronteiras linguísticas. Assim, o vídeo contribui para ilustrar a função da língua portuguesa como veículo de pensamento e de abstração poética capaz de alcançar uma ressonância universal. A peça reforça, portanto, a ideia da língua como património vivo e dinâmico, que tanto expressa singularidades culturais quanto participa num diálogo artístico e humano mais amplo.

Contexto e relações

Entrada do objeto

Data de Entrada
07/08/2020
Método de Entrada
Licenciamento
Proveniência
Sociedade Portuguesa de Autores (SPA)
Motivo da Entrada
Para integrar o acervo de exposição do MLP, após o incêndio de 2015 e a reformulação da exposição de longa duração em 2021.

Relações