Museológico

O Labirinto da Saudade - 1

2018

Identificação do documento/obra

Tipo documental
AudiovisualFilmeGênero Documental
Código de Inventário
noli_aud_85
Título
O Labirinto da Saudade - 1
Descrição

Dois trechos do filme “O Labirinto da Saudade” de Miguel Gonçalves Mendes, sobre o pensador português Eduardo Lourenço. 

Descrição de cenas:

Estada no Brasil foi curta, mas lá começou a nascer a ideia d’O Labirinto da Saudade.

“Poucos países fabricaram para si mesmos uma ideia tão idílica como Portugal.”

Fala ao telefone cenográfico e ouve a voz de Agostinho da Silva: “O amigo não pode provar que português se chama português pq nasceu em Portugal! Mas pode imaginar que Portugal nasceu pq foi construído já por portugueses, que eram uns homens incríveis que viram na Península Hispânica um país que nunca ninguém tinha visto! Eles olharam para o mapa, como se isso fosse possível, e viram ao longo da costa aquele país novo e resolveram construí-lo.”

Eduardo diz: “Espantoso que lá onde está Agostinho da Silva ainda se lembrasse de mim. Uma espécie de santo laico. Tinha uma visão profética dizendo que devíamos pensar que o centro do mundo de fala portuguesa e de Portugal já não era Portugal, mas que era o Brasil.”

A telefonista diz: “Sobre aquela dúvida, sobre se o Eduardo é apenas um filósofo ou apenas um ensaísta, eu quero dizer-lhe que o Eduardo é um ensaísta e um filósofo que escreve com uma linguagem comovida. A isso se chama poesia. O Eduardo é um poeta do nosso pensamento.”

Eduardo fala e o texto é escrito na tela: “A conquista é uma exceção na nossa epopeia imperial, uma espécie de acidente inevitável: o comércio, a troca, bastavam-nos no início, maneira suave de tirar a lusitana e magra barriga da miséria. Império de pobres, ricos de repente, foi o nosso.”

Eduardo é entrevistado e fala sobre os Lusíadas: “Essa mitificação para mim continua a ter um sentido forte. Foi o momento de maior esplendor na nossa própria história, enquanto história portuguesa. O que nós deixamos ao mundo é que chegamos à Índia primeiro que os outros europeus. De algum modo, até pusemos a Europa no mapa do mundo. O país tinha um milhão e meio de habitantes. Quer dizer, é a cidade de Lisboa de hoje. Como é que essa gente chegou à Ásia, chegou

ao Japão? Entrou em contato com a China! E foi isso o que impressionou o Camões. Foi a desproporção entre o nosso pequeno poder e os efeitos dessa época, desse poder. Foi o texto das nossas glórias. Nasceu e foi escrito quando essas glórias já estavam a desaparecer. Daí, eu costumo dizer, esse lado réquiem que há nos Lusíadas. Porque é, ao mesmo tempo, enfim, canto de vitória, de glória, passada sobretudo, mas também é um réquiem. Porque o próprio Camões deu-se conta, não é? Que nós já não estávamos nas nossas horas de glória. Que era o crepúsculo que tinha começado para nós.”

Voz over: “E assim fomos ultrapassando as fronteiras do mundo.”

Características

Suporte/Material
DigitalMaterial
Duração (HH:MM:SS)
00:04:59
Formato
MP4

Contexto de produção

Miguel Gonçalves Mendes produção do filmePessoa
Eduardo Lourenço participantePessoa
Local de Produção
Contexto de produção
O vídeo integra-se à experiência “Nós da Língua” ao promover uma reflexão crítica sobre a história e a identidade lusófonas, objetivos centrais da exposição. Através do pensamento do filósofo Eduardo Lourenço, a obra problematiza a narrativa imperial portuguesa, apresentando-a não como uma epopeia triunfante, mas como um empreendimento marcado pela desproporção e pela melancolia pós-auge. A instalação busca apresentar diferentes perspectivas sobre os fatos históricos. Nesse sentido, o vídeo contribui diretamente com essa proposta ao incluir a visão de Agostinho da Silva, que desloca simbolicamente o centro do mundo de língua portuguesa para o Brasil. Essa ideia dialoga com o propósito de mapear as novas movimentações e reconfigurações geopolíticas e culturais da língua no mundo contemporâneo. Assim, a obra convida o visitante a contemplar a complexidade da história compartilhada e a evolução do papel da língua portuguesa, conectando passado e presente de forma crítica.

Contexto e relações

Descritores

Entrada do objeto

Motivo da Entrada
Para integrar o acervo de exposição do MLP, após o incêndio de 2015 e a reformulação da exposição de longa duração em 2021.

Relações