Identificação do documento/obra

Tipo documental
AudiovisualVideoGênero Documental
Código de Inventário
noli_aud_16
Título
Angola e Guiné-Bissau - parte 2
Descrição

O vídeo começa apresentando dados geo-políticos dos países africanos Angola e Guiné-Bissau, como sua localização, sua capital, seu número de habitantes e de falantes de português. Em seguida, mostra diversos poemas e imagens passadas em sequência que ilustram as condições político-sociais dessas nações, bem como as populações locais, cenas cotidianas e momentos de expressão cultural.

"Escrevo em português porque é a minha língua materna e a minha língua do coração, é a língua do meu afeto, é a língua onde eu posso traduzir os meus sonhos. (...) Só posso traduzir meus sonhos numa língua que eu chamo “língua (des)portuguesa”, porque é a língua portuguesa, mas com influência das modalidades, do ritmo, da loucura que é a língua portuguesa de Angola." Ondjaki


"Naquela roça grande não tem chuva é o suor do meu rosto que rega as plantações" Antonio Jacinto

Nós vencemos a escravidão, a colonização, a guerra de independência, a guerra civil, a corrupção: o caos fez de nós aquilo que somos. Binelde Hyrcan

"Ó negro de África

negros de todo o mundo 

eu junto ao vosso canto

a minha pobre voz

os meus humildes ritmos.

Eu vos acampanho

pelas emaranhadas áfricas

do nosso Rumo." Agostinho Neto

"Falei da língua

Da míngua

Da letra

(So)letrei a minha nostalgia

Lendo pasmado

Nos olhos desmesurados

O infinito" Odete Semedo

"Os guineense e a Guiné ainda têm de aprender a lidar com o seu bilinguismo, especialmente do português e do kriol." Ernesto Dabo

"'Ser negro' é uma invenção que faz lembrar a escravidão e os navios negreiros. Cultura negra não existe, como não existe cultura branca." Carlos Vaz

Características

Suporte/Material
DigitalMaterial
Duração (HH:MM:SS)
00:09:00
Formato
MP4

Contexto de produção

Contexto de produção
O vídeo inicia situando o espectador nos cenários geo-políticos de Angola e Guiné-Bissau, apresentando informações essenciais sobre cada país: sua localização no continente africano, suas capitais, o número de habitantes e a presença da língua portuguesa em seus territórios. A partir desse enquadramento inicial, a narrativa se expande para uma sequência de poemas e imagens que revelam fragmentos das realidades político-sociais dessas nações, registrando suas populações, cenas cotidianas, rituais, expressões culturais e marcas de suas trajetórias históricas. Os textos que atravessam o vídeo funcionam como vozes que ecoam experiências individuais e coletivas, tensionando passado e presente. Ondjaki fala da língua como afeto e invenção, uma “língua (des)portuguesa” moldada pelos ritmos de Angola. Antonio Jacinto traz a imagem do trabalho e da resistência no campo, enquanto Binelde Hyrcan sintetiza séculos de lutas ao afirmar que o caos forjou identidades e caminhos. Agostinho Neto, figura central da independência angolana, convoca a solidariedade entre povos negros, unindo ritmos, vozes e destinos. Odete Semedo, por sua vez, escreve a partir da Guiné-Bissau um gesto de nostalgia e memória, enquanto Ernesto Dabo reflete sobre o bilinguismo guineense e seus desafios. Carlos Vaz problematiza construções históricas sobre raça, questionando noções cristalizadas de identidade e cultura. No caso da Guiné-Bissau, a narrativa se conecta também ao processo de libertação do país, marcado pela atuação do PAIGC e pela liderança de Amílcar Cabral, que mobilizaram diferentes grupos étnicos na luta contra o regime colonial português. A independência, proclamada em 1973 após intensa organização política e conflito armado, consolidou o kriol, língua nascida do contato entre o português e línguas africanas, como instrumento de unidade, resistência e afirmação cultural. Hoje, o kriol permanece central na vida social guineense, expressando identidades, afetos e memórias que atravessam o cotidiano e a produção cultural do país.

Contexto e relações

Tópico relacionado
GeografiaAssunto
GuerraAssunto
KriolLingua
BantoLingua

Entrada do objeto

Data de Entrada
21/02/2020
Método de Entrada
Licenciamento
Proveniência
Sérgio Garcia Guerra
Getty Images Brasil
Motivo da Entrada
Para compor exposição de Longa Duração do Museu da Língua Portuguesa.

Relações