Leitura de trecho da crônica “O carnaval” da escritora macauense Deolinda da Conceição (1952) feita por Antônio Conçeição.
Transcrição
“A Humanidade, vivendo constantemente escondida por detrás duma máscara imposta pelas convenções e pela praxe, descansa durante os dias do Entrudo. (…) Mas a época do Carnaval passa célere.
O carnaval (...) que preside a tantos atos sérios da vida, esse que domina até as nações e impera como déspota na Sociedade, esse jamais passará, descansa apenas durante três dias, porque o mundo teria de ser outro e bem outro para que ele desaparecesse completamente.
O carnaval de todos os dias, o carnaval das relações de conveniência, o carnaval das mentiras ditas com serenidade, o carnaval da hipocrisia mascarada de virtude, do vício vestindo o hábito da santidade, da intriga e da inveja, o carnaval dos apertos de mão escondendo intenções reservadas, dos sorrisos a encobrir projetos maldosos, da honestidade a disfarçar ambições ilegais, enfim o carnaval que a época presente vive, esse é que é o verdadeiro carnaval. Olha-se em roda e o cortejo carnavalesco não tem fim. (…)
A época do Carnaval não é senão uma pausa feita para tomar fôlego, para que o carnaval de todos os dias possa continuar sem interrupção forçada.”
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