Museológico

Ser negro em Angola

10/08/1978

Identificação do documento/obra

Tipo documental
Código de Inventário
noli_aud_11
Título
Ser negro em Angola
Descrição

O vídeo começa apresentando as reflexões do rapper angolano Sacerdote acerca de como é ser negro em Angola. Em seguida, em meio a diversas cenas do cotidiano angolano, Elias Isaac, Indira Mateta, Sizaltina Cutaia, Ana Clara Guerra Marques, Luaty Beirão, discorrem sobre questões históricas e político-sociais que envolvem essa nação.

Transcrição dos trechos do vídeo:

Características

Suporte/Material
DigitalMaterial
Duração (HH:MM:SS)
00:06:30
Formato
MP4

Contexto de produção

Sacerdote EntrevistadoPessoa
José Patrocínio EntrevistadoPessoa
Indira Mateta EntrevistadoPessoa
Sizaltina Cutaia EntrevistadoPessoa
Ana Clara Guerra Marques EntrevistadoPessoa
Luaty Beirão EntrevistadoPessoa
Local de Produção
Contexto de produção
Os trechos utilizados neste item pertencem à série jornalística “Racismo em Português”, produzida pelo jornal Público em parceria com a Fundação Francisco Manuel dos Santos, em 2015. A série foi concebida para investigar como o racismo se manifesta em diferentes países de língua portuguesa, reunindo reportagens de campo, entrevistas e análises sociopolíticas. O episódio gravado em Angola foi filmado majoritariamente em Luanda e em bairros populares conhecidos como musseques, espaços marcados por desigualdades históricas e por intensos processos de transformação social. A reportagem conduzida pela jornalista Joana Gorjão Henriques busca registrar múltiplas perspectivas sobre raça, cor e desigualdade no contexto angolano contemporâneo. As entrevistas apresentam moradores, artistas, ativistas, líderes comunitários e profissionais de áreas diversas, cada um trazendo experiências concretas de discriminação, colorismo e tensões herdadas do período colonial. A presença de depoimentos de pessoas brancas, negras e mestiças reforça a complexidade do debate e evidencia como diferentes grupos percebem suas posições na sociedade pós-independência. A produção do vídeo se insere em um momento de crescente discussão pública sobre as continuidades do colonialismo em Angola. Mesmo após décadas de independência, estruturas mentais e hierarquias raciais permanecem visíveis no cotidiano, especialmente nos espaços urbanos. A fala de ativistas e artistas destaca essas permanências e traz à tona debates sobre autoestima negra, padrões de beleza, desigualdade de oportunidades e violência simbólica. Na instalação Nós da Língua Portuguesa, esse material contribui para ampliar a compreensão de como a língua e a identidade se constroem também por meio das relações sociais e raciais. A presença do português em Angola não pode ser dissociada da história de dominação, resistência e reconstrução que atravessa o país. O vídeo reforça o entendimento de que a língua é praticada e transformada em contextos marcados por desigualdades estruturais e que a experiência de ser angolano envolve uma negociação diária entre passado colonial, tensões atuais e projetos de futuro. Dessa forma, o depoimento integra à exposição uma camada fundamental de reflexão sobre negritude, cidadania e pertença no universo lusófono.

Contexto e relações

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Descritores
ÁfricaLocal

Entrada do objeto

Data de Entrada
19/11/2019
Método de Entrada
Licenciamento
Proveniência
Rádio e Televisão de Portugal S.A.
Motivo da Entrada
Para compor exposição de Longa Duração do Museu da Língua Portuguesa.

Relações