Dos meninos da Malanga

Museológico

Tipo

Nato-digital

Gênero documental

Audiovisual

Tipo documental

Documentário

Incorporação Anterior

M05_VIDEO

Código de Inventário

noli_aud_72

Título

Dos meninos da Malanga

Descrição

Trecho do documentário “Maputo: Ethnography of a Divided City” de João Graça e Fábio Ribeiro, sobre a cidade de Maputo e suas divisões sociais. Nele o poeta moçambicano Calane da Silva desclama trechos de seu poema “Dos meninos da Malanga” , enquanto caminha por bairros pobres (Malanga e Mafalala) da cidade de Maputo.Transcrição:  O desespero, medo e a raivaE também o cheiro que aperta nos becos do meu bairroConduzem-me ao pacifismo bolorento da minha revolta frustrada.E bebo todos os dias deste cálice de mau cheiroE com um sorriso nos lábios, vou bendizendo esses cristãos não racistasQue me ofereceram o Deus da sua raça.Mas um Cristo de ébano que me pertenceSufoca entre o telhado de zinco e as paredes de caniçoE pergunta à imagem crucificadaSe valeu a pena um parto africano no ventre deste continente.Oh meu Deus!Não te peço a benção para os meus cabelos encarapinhadosE por te imaginar de cor negra no meu quarto,Pequena grande catedral,Onde me amortalho de passividade. Chamo cidade a esses corpos estranhosQue se cruzam dentro e fora de mim.Chamo cidade ao alcatrão negro,Ao colorido psicodélico dos saris e capulanasComungados nos bilhetes de três zonas para Xipamanine.Chamo cidade a esta luta e labutaNum vozear constante das línguas mãesNo deambular constante dos pés descalços.Chamo cidade àquela ruela mais alémOnde um grupo de mulheres iguais, de casas iguais,Vendem amor africano ao preço módico de 20 escudos.Continuo a chamar de cidade a esses estivadoresVulto escuro rompendo a madrugada e que, de “marmita” na mão,Desafia com a sua frugalidade todos os inventos vitaminosos para a resistência.Ah! Quase que me esquecia dizer:Essa cidade a que aludo, não tem luzMas, às vezes, há um clarão que a ilumina, que a domina,Tingindo a noite acacimbada de um vermelho amareladoDas nossas casas feito as tochas.Raios os partam! Os candeeiros a petróleo!Oh, cidade! Continuas a erguer pra o Índico céu marinhoAs tuas civilizadas estruturas monolíticas.Deslumbras com os teus atrativos de princesa a nossa simplicidade.Contudo, aonde está a cidade?!

Suporte/Material

Digital

Duração (HH:MM:SS)

00:02:47

Formato

MP4

Autoria

Local de Produção

Moçambique

Contexto de produção

O trecho do documentário contribui para aprofundar a compreensão de como a língua circula por experiências sociais marcadas por contrastes, elemento central em Nós da Língua Portuguesa. A presença de Calane da Silva, articulando poesia e cidade, evidencia que o português se manifesta também em espaços periféricos onde convivem diferentes matrizes culturais. O vídeo reforça a proposta da instalação ao mostrar que a língua se constrói em meio a relações complexas, atravessando desigualdades, memórias e identidades que a transformam continuamente. A voz do poeta, inserida numa paisagem urbana fragmentada, ilumina a potência expressiva que emerge desses territórios, indicando que o português se renova no contato com outras línguas e modos de vida.

Tópico relacionado

Poesia

Herança da escravidão

Negritude

Racismo

Preconceito

Memória

Descritores

Calane da Silva

África

Video

M05_VIDEO.mp4

Data de Entrada

2020-04-16

Método de Entrada

Licenciamento

Proveniência

Calane da Silva

Motivo da Entrada

Para integrar o acervo de exposição do MLP, após o incêndio de 2015 e a reformulação da exposição de longa duração em 2021.

Exposição

Moçambique

Data final

Coordenadas

-18.665695,35.529562,4