José Craveirinha lê seu poema intitulado “Grito Negro” durante o VII Festival Internacional de Poesia de Medellín, Colômbia, em junho de 1997.
Transcrição:
Eu sou carvão! E tu arrancas-me brutalmente do chão e fazes-me tua mina, patrão.
Eu sou carvão! E tu acendes-me, patrão, para te servir eternamente como força motriz mas eternamente não, patrão.
Eu sou carvão e tenho que arder sim; queimar tudo com a força da minha combustão.
Eu sou carvão; tenho que arder na exploração arder até às cinzas da maldição arder vivo como alcatrão, meu irmão, até não ser mais a tua mina, patrão.
Eu sou carvão. Tenho que arder E queimar tudo com o fogo da minha combustão.
Sim! Eu serei o teu carvão, patrão.
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