Museológico

Grito Negro

1997

Identificação do documento/obra

Tipo documental
AudiovisualVideoGênero Documental
Código de Inventário
noli_aud_71
Título
Grito Negro
Descrição

José Craveirinha lê seu poema intitulado “Grito Negro” durante o VII Festival Internacional de Poesia de Medellín, Colômbia, em junho de 1997.

Transcrição:

Eu sou carvão! E tu arrancas-me brutalmente do chão e fazes-me tua mina, patrão.

Eu sou carvão! E tu acendes-me, patrão, para te servir eternamente como força motriz mas eternamente não, patrão.

Eu sou carvão e tenho que arder sim; queimar tudo com a força da minha combustão.

Eu sou carvão; tenho que arder na exploração arder até às cinzas da maldição arder vivo como alcatrão, meu irmão, até não ser mais a tua mina, patrão.

Eu sou carvão. Tenho que arder E queimar tudo com o fogo da minha combustão.

Sim! Eu serei o teu carvão, patrão.

Características

Suporte/Material
DigitalMaterial
Duração (HH:MM:SS)
00:00:52
Formato
MP4

Contexto de produção

José Craverinha autor e participantePessoa
Local de Produção
Contexto de produção
A leitura de Grito Negro por José Craveirinha introduz uma dimensão que atravessa Nós da Língua Portuguesa: a expressão literária como testemunho das tensões históricas que moldaram os países lusófonos. A força imagética do poema, construída pela repetição do “carvão” como metáfora do corpo submetido, convoca reflexões sobre relações de dominação e sobre a afirmação de uma voz que reivindica presença. A presença dessa obra no percurso da instalação, reforça que a língua portuguesa também se constitui por processos de resistência que transformaram seus usos. Craveirinha articula, em poucos versos, a passagem da servidão à autoconsciência, gesto que dialoga com a proposta de mostrar como diferentes povos reelaboraram o português a partir de suas experiências históricas. Dessa forma, o poema contribui para que o visitante reconheça que a vitalidade da língua também se apoia em repertórios que nasceram de conflitos e de afirmações de autonomia. A intensidade da leitura, somada à força simbólica do texto, reforça a presença de Moçambique como espaço onde o português ganhou sentidos próprios, sempre atravessado por memórias coletivas e por impulsos criadores que seguem atualizando essa língua em constante transformação.

Contexto e relações

Tópico relacionado
PoesiaAssunto
LiberdadeAssunto
NegritudeAssunto
IdentidadeAssunto

Entrada do objeto

Data de Entrada
12/03/2020
Método de Entrada
Licenciamento
Proveniência
Corporación de Poesia Prometeo
Motivo da Entrada
Para integrar o acervo de exposição do MLP, após o incêndio de 2015 e a reformulação da exposição de longa duração em 2021.

Relações