Identificação do documento/obra

Tipo documental
AudiovisualEntrevistaGênero Documental
Código de Inventário
noli_aud_31
Título
Leituras
Descrição

O vídeo apresenta trechos de uma entrevista de Maurício Melo Júnior, com o poeta cabo-verdiano José Luis Tavares. 

Composição do vídeo:
Maurício Melo Júnior faz uma introdução e breve biografia do entrevistado que mora em Portugal e escreveu livros revelando uma visão melancólica e fascinante da Europa, mas também as marcas e as dores causadas pela colonização.

Em seguida, José Luis Tavares fala que sua poesia tem influência barroca, que usa frases complexas. Não é só por ser um trabalho técnico mas que tem a ver com a particularidade dele, diz: “Nós lá em Cabo Verde, como temos uma língua materna que falamos no dia a dia, que é o crioulo de Cabo Verde; e que o português é utilizado apenas no ensino e nas situações formais. Então, o português que nos chega tem pouca influência da oralidade, ele está lá mas puramente como um português gramatical. Então quem vai ler pode achar alguma estranheza e pensar que as pessoas não falam assim! É uma maneira muito particular. Eu costumo dizer que nós cabo-verdianos não somos lusófonos mas somos lusógrafos. No meu caso não porque estou há 26 anos em Portugal, mas em Cabo Verde. essa oralidade não passa para o paradigma da palavra escrita. Também comenta que nasceu na terra onde ficava a prisão do Tarrafal, de Salazar. E que quando foi para Santiago estudar começou a ler poesia no Centro Cultural Português que, nos anos 1980, tinha uma bela biblioteca com livros brasileiros e portugueses. 

O escritor também comenta a respeito da literatura, ao dizer que “a literatura moderna cabo-verdiana, o movimento modernista, ela para fugir aos cânones metropolitanos então veio buscar portanto sustentação aqui no Brasil. Nos livros de José Lins do Rego, o poeta alagoano Jorge de Lima, e então, até porque os problemas que Cabo Verde vivia na altura eram muito parecidos, aquelas secas cíclicas, aquela fome, a mortandade… então a realidade cabo-verdiana portanto era muito parecida com a realidade do nordeste brasileiro. Nós temos o caso do primeiro romance modernista cabo-verdiano, “Chiquinho”, de Baltasar Lopes, portanto tomar como modelo “O menino de engenho” de José Lins do Rego. Portanto há todo esse entrosamento com a literatura brasileira que já vem de muito longe.

Características

Suporte/Material
DigitalMaterial
Duração (HH:MM:SS)
00:04:20
Formato
MP4

Contexto de produção

Maurício Melo Júnior entrevistadorPessoa
José Luis Tavares entrevistadoPessoa
Local de Produção
Contexto de produção
O vídeo contribui para a instalação “Nós da Língua Portuguesa” por trazer reflexões que ajudam a compreender como experiências históricas e práticas linguísticas distintas configuram modos variados de escrever em português. Na conversa conduzida por Maurício Melo Júnior, José Luis Tavares descreve a relação entre o crioulo cabo-verdiano e o português usado em situações formais, evidenciando tensões profundas que resultam da trajetória colonial e influenciam diretamente sua produção literária. Suas observações revelam como estruturas gramaticais, escolhas estilísticas e modos de circulação das línguas moldam uma escrita que se afasta de modelos oralizados e expressa um posicionamento estético próprio. O poeta também discute a formação intelectual e as aproximações históricas entre a literatura cabo-verdiana e a brasileira, mostrando que vínculos culturais construídos ao longo do século XX seguem presentes e ajudam a compreender afinidades temáticas entre regiões marcadas por desigualdades, secas e deslocamentos. Com isso, o vídeo amplia a leitura da diversidade linguística apresentada na instalação, oferecendo ao visitante um conjunto de reflexões sobre pertencimento, memória e criação literária. Dessa forma, reforça a proposta de mostrar como o português se transforma ao transitar por diferentes realidades sociais e políticas, revelando múltiplas expressões dentro de um mesmo espaço linguístico.

Contexto e relações

Entrada do objeto

Data de Entrada
03/12/2020
Proveniência
TV Senado
Motivo da Entrada
Para integrar o acervo de exposição do MLP, após o incêndio de 2015 e a reformulação da exposição de longa duração em 2021.

Relações