Museológico

Ser Africano é um Tabu

2016

Identificação do documento/obra

Tipo documental
Código de Inventário
noli_aud_28
Título
Ser Africano é um Tabu
Descrição

O vídeo é um trecho do programa "Ser africano em Cabo Verde é um tabu", que faz parte da série Racismo em Português. Nesta parte, Iva Cabral, António Correia e Silva, André Corsino Tolentino, discorrem sobre questões históricas e político-sociais que envolvem o país, enquanto cenas do cotidiano de Cabo Verde são apresentadas.

Iva Cabral, historiadora e Reitora da Universidade Lusófona de Cabo Verde (e também filha de Amilcar Cabral) diz que o lado africano foi sempre silenciado e que em Cabo Verde a sociedade tem base escravista. E escravidão é racismo por definição. A sociedade caboverdiana nasce assim, racista. Ser negro em Cabo Verde nos século XVI e XVII era ser inferior. André Corsino Tolentino (antigo ministro da educação e ex-combatente do PAIGC) corrobora as ideias dela. Iva Cabral prossegue dizendo que a primeira coisa que fazem aos africanos é batizá-los, e isso significa retirar dos negros todo o passado. A população caboverdiana não tem passado. Nós, caboverdianos, não conhecemos o nosso passado — a população não tem geração, com se diz.”

O historiador António Leão Correia e Silva, actual ministro do Ensino Superior, Ciência e Inovação fala que a partir do século XVII, Cabo Verde deixou de ser um centro atlântico de distribuição comercial de mercadorias e de ter capacidade de atrair novos brancos. Os brancos foram tendo filhos mulatos, “esses mulatos vão assumindo poder”. “Fala-se da ascensão do mulato, da ascensão do negro: não é senzala que se torna casa grande, é o abatimento da casa grande.”

Iva Cabral fala que o racismo prosseguiu mesmo depois da decadência, até a independência. E que a elite mestiça que ainda se acha superior. Fotos de arquivo. André Corsino Tolentino fala que a tonalidade da pele era fundamental para a obtenção de cargos nos serviços administrativos e que, quando criança e que ele carregava consigo um espelho, objeto fundamental para ver se a pele estava mais clara ou mais escura. Para não escurecer a pele era preciso não tomar sol.

Características

Suporte/Material
DigitalMaterial
Duração (HH:MM:SS)
00:02:55
Formato
MP4

Contexto de produção

Iva Cabral participantePessoa
António Correia e Silva participantePessoa
André Corsino Tolentino participantePessoa
Local de Produção
Contexto de produção
O vídeo proveniente da série Racismo em Português integra a instalação “Nós da Língua Portuguesa” como um recurso que amplia a compreensão das dinâmicas históricas e sociais que moldaram Cabo Verde. Os depoimentos de Iva Cabral, António Correia e Silva e André Corsino Tolentino, proporcionam uma reflexão sobre raízes escravistas, permanências estruturais e hierarquias que marcaram a formação da sociedade cabo-verdiana. As falas, articuladas a imagens do cotidiano, permitem ao visitante perceber como questões ligadas à memória, à desigualdade e às tensões identitárias se inscrevem na experiência linguística. A presença do vídeo na instalação reforça o papel da língua como expressão de relações de poder, através de disputas simbólicas e processos de produção de identidades. As análises apresentadas evidenciam como práticas de apagamento cultural e racial influenciaram a constituição da população e continuam a repercutir nas formas de convivência. Assim, o material contribui para que se reconheça que a circulação do português em Cabo Verde se deu em meio a histórias marcadas por violência e transformação social. Ao lado de outros conteúdos expositivos, o vídeo sustenta uma compreensão mais ampla das múltiplas realidades que compõem o universo da língua portuguesa.

Contexto e relações

Tópico relacionado
RacismoAssunto
IdentidadeAssunto
NegritudeAssunto
MemóriaAssunto
Descritores

Entrada do objeto

Data de Entrada
2021
Método de Entrada
Licenciamento
Proveniência
Rádio e Televisão de Portugal
Motivo da Entrada
Para compor Exposição de Longa Duração.

Relações