O vídeo é um trecho do programa "Ser africano em Cabo Verde é um tabu", que faz parte da série Racismo em Português. Nesta parte, Iva Cabral, António Correia e Silva, André Corsino Tolentino, discorrem sobre questões históricas e político-sociais que envolvem o país, enquanto cenas do cotidiano de Cabo Verde são apresentadas.
Iva Cabral, historiadora e Reitora da Universidade Lusófona de Cabo Verde (e também filha de Amilcar Cabral) diz que o lado africano foi sempre silenciado e que em Cabo Verde a sociedade tem base escravista. E escravidão é racismo por definição. A sociedade caboverdiana nasce assim, racista. Ser negro em Cabo Verde nos século XVI e XVII era ser inferior. André Corsino Tolentino (antigo ministro da educação e ex-combatente do PAIGC) corrobora as ideias dela. Iva Cabral prossegue dizendo que a primeira coisa que fazem aos africanos é batizá-los, e isso significa retirar dos negros todo o passado. A população caboverdiana não tem passado. Nós, caboverdianos, não conhecemos o nosso passado — a população não tem geração, com se diz.”
O historiador António Leão Correia e Silva, actual ministro do Ensino Superior, Ciência e Inovação fala que a partir do século XVII, Cabo Verde deixou de ser um centro atlântico de distribuição comercial de mercadorias e de ter capacidade de atrair novos brancos. Os brancos foram tendo filhos mulatos, “esses mulatos vão assumindo poder”. “Fala-se da ascensão do mulato, da ascensão do negro: não é senzala que se torna casa grande, é o abatimento da casa grande.”
Iva Cabral fala que o racismo prosseguiu mesmo depois da decadência, até a independência. E que a elite mestiça que ainda se acha superior. Fotos de arquivo. André Corsino Tolentino fala que a tonalidade da pele era fundamental para a obtenção de cargos nos serviços administrativos e que, quando criança e que ele carregava consigo um espelho, objeto fundamental para ver se a pele estava mais clara ou mais escura. Para não escurecer a pele era preciso não tomar sol.
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