O vídeo apresenta um conversa com os músicos cabo-verdianos Luís Gomes e Mayra Andrade na qual falam de suas trajetórias e suas produções musicais. Em seguida, o então Ministro da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde Abraão Vicente fala sobre as músicas cabo-verdianas no país.
Transcrição:
Narrador: Há séculos Cabo Verde é sinônimo de música e ritmo. Como a comunidade artística cabo-verdianao está espalhada pelo mundo, decidimos começar esse episódio no epicentro da diáspora: Lisboa.”
Cachupa Psicadélica, alter ego de Luis Gomes (cantor Cabo-verdiano): Ele fala de sua história e da relação com a história e a música de Cabo Verde e as influências que recebe de longe.
Mayra Andrade (cantora cabo-verdiana): Fala que é quase um imperativo para os cabo-verdianos a ideia de sair. “Mas se eu não for, como é que eu volto?” Fala d Cesária Évora e completa: “Eu vim para Portugal a procura de qualidade de vida e percebi que já era hora para mim de abraçar essa cena lusófona que é minha, independentemente da minha música ser cantada essencialmente em crioulo. Eu digo sempre que Lisboa é uma cidade muito mulata e faz um bem estar numa cidade assim.”
Abraão Vicente (artista e ministro da cultura) “A música de Cabo Verde sempre foi o resultado de misturas e nunca os sucessos da música cabo-verdiana foram frutos de uma estratégia consciente do governo de Cabo Verde. Todas as carreiras são carreiras individuais e são fruto de um investimento e um esforço muito personalizado.
Na verdade, Cesária (Evora) fez aquilo que nenhum outro governante fez por Cabo Verde que foi projetar em todos os países mais emblemáticos, nos grande palcos aquilo que é nome de Cabo Verde. Lura está a fazer a mesma coisa, a Mayra (Andrade) com um pouco de experimentação, uma mistura muito própria também e muito mais urbana.
Mas o que eu acho que mais caracteriza e dá carisma à música cabo-verdiana é o modo como nós reinventamos os instrumentos, europeus, ocidentais, e fazemos isso através da gaita, do ferrinho, ou o modo como usamos o piano clássico com algumas afinações. E eu acho que o crioulo, como língua, é a alma daquilo que nós fazemos porque a escrita em crioulo é completamente diferente do modo como nós pensamos o mundo em português. Enquanto isso o funaná e agora o fenômeno, o cotxi pô, tem muito a ver com a dita africanidades das ilhas, como Santiago, Maio e Fogo.
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