Museológico

Monangambé

2021
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Identificação do documento/obra

Tipo documental
AudiovisualVideoGênero Documental
Código de Inventário
noli_aud_05
Título
Monangambé
Descrição

O poema “Monangambé”, de António Jacinto, aparece musicado e interpretado por Ruy Mingas, acompanhando um trecho de vídeo que intercala cenas de plantações de cana-de-açúcar e de café, além de máquinas de processamento do açúcar. O material também apresenta imagens marcantes de escolas da década de 1970, mostrando crianças da educação infantil e adolescentes em atividades cotidianas.

Monangambé

naquela roça grande não tem chuva

é o suor do meu rosto que rega as plantações

 

naquela roça grande tem café maduro

e aquele vermelho-cereja

são gotas do meu sangue feitas seiva.

o café vai ser torrado,

pisado, torturado,

vai ficar negro, negro da cor do contratado

 

negro da cor do contratado!

 

perguntem às aves que cantam,

aos regatos de alegre serpentear

e ao vento forte do sertão:

 

quem se levanta cedo? quem vai à Tonga

quem traz pela estrada longa

a tipóia ou o cacho de dendém?

quem capina e em paga recebe desdém

fuba podre, peixe podre,

panos ruins, cinquenta angolares

 

"porrada se refilares"?

 

quem faz o milho crescer

e os laranjais florescer

quem dá dinheiro para o patrão comprar

máquinas, carros, senhoras

e cabeças de pretos para os motores?

quem faz o branco prosperar,

ter barriga grande – ter dinheiro?

– quem?

 

e as aves que cantam,

os regatos de alegre serpentear

e o vento forte do sertão

responderão:

 

– “monangambééé..."

Características

Suporte/Material
DigitalMaterial
Duração (HH:MM:SS)
00:04:06
Formato
MP4

Contexto de produção

Ruy Mingas InterpretaçãoPessoa
António Jacinto Autoria do poemaPessoa
Local de Produção
Contexto de produção
Este item integra o módulo dedicado a Angola na experiência Nós da Língua Portuguesa, concebida para apresentar a língua portuguesa em sua diversidade histórica, cultural e social. Inserido na Linha de Contato — conjunto de vídeos que exploram os eixos de intercâmbio, ruptura e invenção —, o conteúdo foi selecionado para evidenciar aspectos centrais da formação social angolana durante o período colonial e pré-independência. O vídeo reúne imagens de plantações de cana-de-açúcar e café, além de máquinas de processamento de açúcar, evidenciando a dimensão econômica e exploratória que marcou profundamente a história do país. Em diálogo com essas cenas, aparecem registros de escolas da década de 1970, mostrando crianças e adolescentes em ambientes educativos, compondo um retrato da vida cotidiana e das estruturas sociais daquele momento. A trilha sonora utiliza o poema “Monangambé”, de António Jacinto — obra emblemática da poesia de resistência angolana —, musicado e interpretado por Ruy Mingas. A incorporação dessa peça, adicionada para intensificar a leitura histórica do vídeo, reforça as camadas de sentido relacionadas ao trabalho forçado, às desigualdades estruturais e às lutas por emancipação cultural e política. Ao articular poesia, música, imagens documentais e memória histórica, o item busca revelar como a língua portuguesa, em contato permanente com as realidades locais, tornou-se veículo de denúncia, afirmação identitária e criação artística. Assim, contribui para a compreensão da complexidade da experiência lusófona em Angola, em sintonia com a proposta da instalação de apresentar um panorama plural e crítico da língua no mundo.

Contexto e relações

Tópico relacionado
MúsicaAssunto
IdentidadeAssunto
Descritores

Entrada do objeto

Data de Entrada
25/06/2020
Método de Entrada
Cessão
Proveniência
Fundação Roberto Marinho
Motivo da Entrada
Para compor exposição de Longa Duração do Museu da Língua Portuguesa.

Relações