Terceira publicação do Centro de Referência de Educação em Museus do Museu da Língua Portuguesa, reúne um conjunto de experiências, reflexões e práticas educativas desenvolvidas por profissionais de diferentes instituições culturais do país. Coordenado por Marina Sartori de Toledo, responsável pela apresentação da obra, o volume nasce em um contexto de desafios e reconstrução, logo após o incêndio que atingiu o museu em 2015, reafirmando o compromisso do Núcleo Educativo com a formação continuada, a pesquisa e a mediação cultural.
O caderno se abre com o texto “CCBB Educativo Brasília: as histórias que constroem mediação”, de Karen Montija e Natália Vinhal, que apresentam a experiência do Centro Cultural Banco do Brasil no Distrito Federal, destacando as estratégias de mediação voltadas à aproximação entre o público e as exposições, com ênfase em ações como Em Cantos e Contos, Livro Vivo, Pequenas Mãos e Musicando, que exploram a ludicidade, o som, a leitura e a convivência familiar como caminhos para a formação de públicos.
Em seguida, Edson Ignácio de Oliveira e Rafael Cavinato Fernandes, educadores do Museu da Língua Portuguesa, relatam o processo de “Produção compartilhada de material educativo: uma experiência no Museu da Língua Portuguesa”, descrevendo a metodologia de escrita coletiva utilizada pela equipe na criação dos cadernos educativos das exposições temporárias. O artigo evidencia o caráter colaborativo e reflexivo do trabalho do núcleo educativo, que articula curadoria, mediação e linguagem museológica, tomando como exemplo o material da exposição Menas: o certo do errado, o errado do certo.
No texto “Um pé em cada canoa”, Diana Tubenchlak, arte-educadora e pesquisadora, aborda a relação entre museus e escolas a partir das histórias de vida de professores, propondo o museu como espaço de interação, de formação continuada e de experiência subjetiva. A autora discute a importância da escuta, da pesquisa e do vínculo afetivo como elementos fundamentais na formação docente mediada por instituições culturais.
Denyse Emerich e Mila Milene Chiovatto, da Pinacoteca do Estado de São Paulo, dão continuidade à discussão em “O Museu e a Escola”, analisando a trajetória histórica das ações educativas nos museus e detalhando os programas desenvolvidos pela Pinacoteca voltados aos professores, como o Clube do Professor e o espaço virtual Museu Para Todos. O texto reflete sobre o papel dos museus como agentes de transformação social e como parceiros na construção de práticas pedagógicas integradas à arte e à cultura.
De Blumenau, Mariana Girardi Barbosa Silva compartilha a experiência do Museu Hering em “Engatinhando no Museu: experiências museais de pais e filhos”, que apresenta um programa voltado para a primeira infância. A autora descreve a criação de um espaço de aprendizado sensível e interativo, pensado para o convívio familiar e a experimentação, onde o brincar e o descobrir tornam-se parte da experiência museal.
Na sequência, Amanda Cuesta escreve “Pequenos visitantes: o museu como um espaço para as primeiras descobertas”, ampliando o debate sobre a presença das crianças pequenas nos museus. Seu texto enfatiza o potencial educativo desses espaços para estimular a curiosidade, o olhar e a sensibilidade das crianças desde os primeiros contatos com o patrimônio cultural.
Cláudia Feijó da Silva, em “Inventário Participativo e Percurso Cultural no Ponto de Memória Lomba do Pinheiro: do desenvolvimento metodológico à ação educativa”, apresenta uma metodologia colaborativa aplicada em Porto Alegre, articulando patrimônio, identidade e memória social. O projeto envolve a comunidade local no reconhecimento e registro de seus próprios bens culturais, promovendo o empoderamento e o sentimento de pertencimento.
Por fim, Davidson Kaseker encerra o volume com “Ecomuseu Lomba do Pinheiro: construindo caminhos para o bem viver”, texto que reforça a dimensão comunitária e participativa dos ecomuseus e o papel da educação patrimonial como instrumento de transformação social.
O Caderno 3 constitui, assim, um importante panorama das práticas e reflexões sobre educação em museus no Brasil, evidenciando o diálogo entre instituições, educadores e comunidades. Mais do que um registro de experiências, a publicação reafirma o compromisso do Museu da Língua Portuguesa com a difusão de conhecimento, a valorização das múltiplas linguagens e a construção coletiva de sentidos por meio da cultura.
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