Ivaneti Araujo
A líder comunitária Neti Araújo nasceu em Guariba, uma cidade do interior de São Paulo com muitas plantações. Seus pais, que nasceram na Bahia, mudaram-se para lá para trabalhar nas lavouras. Da infância, sua memória mais antiga é a da chuva caindo no telhado. A convivência com a mãe não foi fácil, mas ela mostra como essa relação foi mudando, assim como transformou seu próprio vínculo familiar com os filhos graças às reflexões feitas em sua vivência nos movimentos sociais.
Mudou-se para a capital aos 22 anos, onde morou em cortiços e pensões no Cambuci e na Vila Guarani. Chegou a morar em uma casa, mas, quando não pôde mais pagar o aluguel, acabou em situação de rua. Foram de três a quatro meses morando sob o Viaduto do Glicério com as filhas. Foi ali que conheceu o movimento de moradia.
Neti relata a violência doméstica que sofreu de um companheiro e como percebeu estar em um relacionamento abusivo. Foi depois disso que ingressou no movimento de luta por moradia, onde entendeu que as mulheres não devem passar por esse tipo de situação – sendo agredidas e continuando a cuidar da comida e do lar do homem.
Desde sua primeira ocupação, Neti “acordou para a coordenação”, como diz. Além dessa atuação comunitária – transitando entre ocupações em diversos imóveis na capital e no interior –, muitas vezes deixou de se atentar para a vida pessoal em prol do coletivo. Hoje, entende que precisa cuidar de si e estar bem para poder cuidar dos outros.
Atualmente, Neti é uma das lideranças da Ocupação Mauá, símbolo da luta por moradia no território da Luz. Seu sonho é concluir os processos de programa habitacional das ocupações atuais do movimento que coordena, o Movimento de Moradia na Luta por Justiça (MMLJ).
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