A Experiência Palavras Cruzadas localizada na Ala Centro-Leste do 2º Andar do Museu da Língua Portuguesa e tem como objetivo apresentar de forma interativa as principais línguas e povos que contribuíram para formar o português do Brasil.

A estruturação da experiência inclui oito totens retangulares que ocupam um espaço central do andar. Os totens estão dispostos regularmente no espaço, quatro deles agrupados à esquerda e os outros quatro agrupados à direita. No centro deste espaço, bancos de chapa metálica para descanso do público estão na base de quatro colunas de concreto do prédio. Cada um dos totens possui nas duas faces maiores e opostas dois monitores interativos. As duas laterais do totem são retroiluminadas e possuem um texto que trata das línguas que influenciaram a língua portuguesa no Brasil. A navegação pelo multimídia pode ser feita por dois caminhos.

Palavras: O visitante escolhe uma palavra e escuta como ela é falada na língua original e como é falada em português. Dois deles funcionam de forma reversa: um apresenta as palavras em português em países que não falam a nossa língua (“Português no mundo”); e o outro um inventário das línguas indígenas faladas hoje no Brasil (“Línguas indígenas hoje”).

Os totens tematizam as línguas e povos. Cada totem apresenta a influência de uma língua diferente no português, que influenciaram na construção desse idioma.
O Totem Tupinambá apresenta 26 palavras de origem indígena que formaram o português do Brasil, tais como: aipim, arara, beiju, caatinga, caju e capim.

Texto de apresentação:

Quando os portugueses chegaram ao Brasil em 1500, na região de Porto Seguro (BA), encontraram o povo tupinambá, que falava uma língua completamente desconhecida dos europeus – o tupinambá. A maioria dos povos que viviam ao longo da costa, do Rio de Janeiro ao Ceará, falava essa mesma língua. Foi com o tupinambá que os colonos portugueses tiveram contato mais estreito durante o século XVI – uma língua que muitos deles tiveram de aprender para se comunicar com os indígenas, conhecer a nova terra e nela poder viver. Desse contato resultou a grande influência da língua tupinambá no vocabulário do português do Brasil. Milhares de nomes comuns e nomes de lugares que utilizamos hoje em todo o país são palavras que têm essa origem.
O Totem "O Português pelo Mundo" apresenta 60 palavras provenientes do português que se espalharam pelo mundo em territórios de diversos continentes, como Ásia, Europa e África. Algumas dessas palavras são: casada, pão, armário, cruz, espada, queijo e limão.

Texto de apresentação do Totem:
"Navegar é preciso, viver não é preciso"- era essa a ideia que parecia encorajar os navegadores portugueses que, no século XV, lançaram-se ao mar desconhecido. Em uma aventura inédita no planeta, esses homens atravessaram oceanos e conheceram continentes e povos diversos, cada qual com sua cultura e língua. Foi um movimento de mão dupla, com influências de lado a lado. Se ainda falamos hoje, no Brasil, palavras de origem asiática, como "carambola", "coco"e "jaca", por exemplo, em contrapartida, 8 ex-colónias portuguesas espalhadas em terras
africanas e asiáticas têm o português como língua oficial. Por outro lado, são muitos os crioulos luso-orientais, línguas mestiças que se formaram com a contribuição do português no contato com as línguas nativas e que são faladas até nossos dias. Mas há ainda um outro fenômeno curioso: hoje, em um percurso que vai da África do Sul até o Japão, são encontrados ainda vestígios do português dispersos em línguas tão diferentes quando o malaio, o bengali, o árabe, o birmanes e o cambojano, entre outras. São palavras quase sempre transformadas e adaptadas
por características e cores próprias de cada lugar, mas que guardam viva a sua origem portuguesa.
O Totem Línguas Indígenas apresenta dados de povos indígenas do Instituto Socioambiental (ISA) e sistematiza informações de cerca de 159 povos indígenas no Brasil hoje, distribuídos em 43 famílias linguísticas.

Vivem hoje no Brasil cerca de 250 povos indígenas, falando mais de 160 línguas diferentes. Até há pouco, muitos acreditavam que esses povos desapareceriam, mas não foi o que aconteceu: a população indígena tem crescido de forma constante em todos os pontos do país. Em muitas aldeias, crianças aprenderam a ler e escrever em suas próprias línguas. Yanomami, Baniwa, Kaiabi, Tukano, Kuikuro, Suyá – cada língua indígena hoje falada e escrita no Brasil representa um modo original de ser e estar no mundo. Seu número e sua variedade são nossas grandes riquezas. Todos os conteúdos aqui apresentados foram produzidos pelo Instituto Socioambiental (ISA), criado em 1994, que sucedeu ao programa Povos Indígenas no Brasil, do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI), acolhendo sua equipe e todo o acervo de pesquisa, fotos e publicações. Referência nacional e internacional na produção, análise e difusão de conhecimentos sobre os assuntos, o ISA deu continuidade aos estudos e desenvolvimento de materiais sobre os indígenas no país, e desde 1997, divulga um conjunto abrangente, sistematizado e atualizado de informações qualificadas sobre a sociodiversidade desses povos na plataforma virtual Povos Indígenas do Brasil.

O Totem Tupinambá Iorubá Eve-Fon apresenta 30 palavras de origem dos povos Eve, que têm como língua nativa o Ewe, e dos povos Fon, que têm como língua nativa o Fɔngbè. A maior parte das palavras desse totem diz respeito ao universo religioso compartilhado entre esses povos e o Brasil, tais como: axé, babalaô, babalorixá, Exu, ialorixá, Iansã, ibêji, entre outras. Além disso, algumas palavras foram emprestadas para o universo da culinária brasileira, como: acarajé e angu.

Texto de apresentação:

Dos 4 a 5 milhões de africanos escravizados que foram trazidos para o Brasil entre os séculos XVI e XIX, cerca de 1 milhão de pessoas foram embarcadas nos portos da África Ocidental, entre a Costa do Ouro, atual Gana, e o Golfo de Biafra, na Nigéria. Oriundos dos diversos reinos que existiam na região, começaram a aportar no Brasil a partir da segunda metade do século XVII. Seus principais destinos foram a cidade de Salvador, o Recôncavo Baiano e os estados de Minas Gerais e do Maranhão. As línguas que eles falavam, como o iorubá e o eve-fon, influenciaram a língua portuguesa no Brasil, que incorporou ao seu léxico um importante conjunto de palavras que são utilizadas principalmente na música, na culinária e na religião.
O Totem Quicongo, Quimbundo e Umbundo apresenta 45 palavras de origem dos povos que ocupam o sul da África, em territórios que hoje fazem parte de Angola. Essas palavras estão presentes no cotidiano do português brasileiro, tais como: xingar, bagunça, babá, banguela, caçula, forró, entre outras.

Texto de apresentação:

Entre os séculos XVI e XIX, foram trazidos para o Brasil entre 4 e 5 milhões de africanos escravizados. Mais da metade deles foi embarcada à força em navios ancorados entre o Gabão e o sul de Angola, bem como na costa de Moçambique. Essa multidão de homens, mulheres e crianças falava línguas aparentadas, do grande grupo linguístico banto. Transportados como cativos para todo o Brasil, foram povoando a língua portuguesa de palavras novas e sonoras, nela carimbando seu jeito de viver e de ver o mundo. Hoje, quando dizemos "moleque", "bunda", "tanga", "quindim" ou "quitanda", estamos ecoando as palavras pronunciadas por essas incontáveis vozes africanas, que, como parte do processo de configuração do perfil do português do Brasil e das diferenças que o afastaram do português de Portugal, trouxeram mais do que aportes de vocabulário. O contato com línguas do grupo banto foi mais profundo, atingindo a sonoridade, o ritmo, a entoação e a estruturação sintática da fala brasileira.

Essa influência certamente contribuiu para o falar "cantado" dos brasileiros. Com diversos tons e diapasões, num ritmo pendular e binário, falamos de modo mais lento que a enunciação portuguesa, que tem uma pronúncia bem mais consonantal.
O Totem Inglês e Francês apresenta 80 palavras provenientes dessas duas línguas que foram incorporadas ao português do Brasil, sendo 30 do francês e 50 do inglês. Nesse totem podem ser observadas palavras como: abajur, batom, bicicleta e champanhe (francês) e palavras como: olá, basquete, bife, check-in e delivery (inglês)


Texto de apresentação do totem:
A língua portuguesa bem importando nos últimos séculos inúmeras palavras do inglês e do francês. A influência do inglês sobre o português é bastante marcante a partir da segunda metade do século passado, principalmente no contexto da moda e da tecnologia, da culinária e dos esportes, do cinema, da música e das artes. Nos dias atuais, essa influência tem sido cada vez mais intensa nos domínios do trabalho e das
redes sociais, e várias das palavras inglesas que utilizamos com frequência nem mesmo são adaptadas ortograficamente para o português, mantendo sua grafia original. A influência da língua francesa, por sua vez muito forte no século XIX e na primeira metade do século XX, permanece presente em nossa língua, com o empréstimo de algumas palavras ao português, sobretudo no âmbito da gastronomia e da moda.
O Totem Espanhol apresenta 29 palavras do espanhol que foram incorporadas ao português brasileiro, tais como: cacique, camarote, cacau, cacique e charque e rancho.

Texto de apresentação:

A língua portuguesa e a espanhola são muito parecidas, compartilhando muitas palavras de seu vocabulário. "Luz", "mar", "sol" e "vida" são palavras tão portuguesas quanto espanholas. As duas línguas têm histórias paralelas, surgindo como variedades do latim falado na Península Ibérica. Ambas se lançaram ao mar, faladas por aqueles que desenharam novos mapas pelo mundo. Nessas andanças, tanto o português quanto o espanhol tornaram-se línguas mestiças, incorporando palavras de outras línguas e culturas. Vocábulos como "batata", "tomate" e "chocolate", por exemplo, têm origem em línguas de povos indígenas que os colonizadores encontraram nas Américas.

A língua portuguesa no Brasil recebeu (e ainda recebe) inúmeras influências do espanhol. Em primeiro lugar, porque milhares de imigrantes da Espanha vieram para cá. Além disso, compartilhamos uma extensa fronteira com nossos vizinhos falantes do espanhol, criando uma zona de trocas constantes de palavras e hábitos culturais. A partir da década de 1970, novos fluxos de imigração trouxeram ao Brasil grupos de falantes de espanhol que deixaram seus países em busca de melhores oportunidades de trabalho e educação. Colombianos, peruanos, paraguaios, argentinos, venezuelanos e bolivianos, com suas palavras e costumes, enriquecem os falares das cidades brasileiras.
O Totem Línguas de Imigrantes apresenta 45 palavras de línguas de imigrantes incorporadas ao português brasileiro, provenientes de idiomas como italiano, hebraico, alemão, japonês, espanhol, chinês, árabe, iídiche e coreano. Essas palavras estão presentes em diversos aspectos da vida dos brasileiros, como na alimentação, artes, artes marciais, música, entre outros.

Texto de apresentação:

A partir do início do século XIX, o Brasil recebeu várias levas de imigrantes estrangeiros, atraídos por oportunidades de trabalho e melhores condições de vida. Italianos, alemães, japoneses, sírios, libaneses, judeus, armênios, poloneses, chineses, coreanos e tantos outros instalaram-se principalmente nos estados de São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Integrando-se à vida do país, ao mesmo tempo que mantinham alguns de seus costumes tradicionais, acabaram deixando marcas em nossa cultura, divulgando pelo Brasil suas comidas e seus temperos, e oferecendo à língua portuguesa palavras exóticas e saborosas. O resultado foi uma espécie de "chop suey" cultural, pluriétnico, multi tolerante, tipicamente brasileiro, em que se pode comer "quibe" no "karaokê", tomar "chope" na "cantina" e dançar "xote" no "bar mitzvah".

Na década atual, o Brasil vem recebendo fluxos significativos de imigrantes de outros países, como venezuelanos, haitianos, sírios, angolanos, moçambicanos e guineenses, por exemplo. Em sua maioria, eles fogem das crises políticas, sociais e econômicas que seus países enfrentam, além das crescentes barreiras à sua entrada nos países desenvolvidos, que adotam duras políticas de acolhimento de imigrantes.

Itens relacionados 562 itens

ver todos 562

Créditos

Entidade relacionada
Yeda Pessoa de Castro ConteúdoPessoa
Alberto da Costa e Silva ConteúdoPessoa
Fábio Valentim ConteúdoPessoa
Ieda Maria Alves ConteúdoPessoa
Instituto Socioambiental ConteúdoInstituição
Ivo Castro ConteúdoPessoa
Luís Antero Reto ConteúdoPessoa
Luís Faro Ramos ConteúdoPessoa
Mirta Groppi ConteúdoPessoa
Oswaldo Truzzi ConteúdoPessoa
Margarida Pitter Consultoria de ConteúdoPessoa
Sikiru Salami Consultoria de ConteúdoPessoa
Isa Grinspum Ferraz RoteiroPessoa
Marcelo Macca RoteiroPessoa