A exposição virtualizada Nhe’ẽ Porã: Memória e Transformação, com curadoria da artista e educadora indígena Daiara Tukano, propõe ao público uma experiência imersiva que articula língua, território, memória e resistência dos povos originários. A versão on-line da mostra reproduz o percurso presencial, permitindo ao visitante explorar as obras em detalhes, ouvir sons ambientes, acessar instalações audiovisuais, vídeos e áudios de forma muito próxima à experiência oferecida no espaço físico do museu. No tour virtual, círculos indicados no chão orientam o deslocamento e possibilitam a aproximação dos conteúdos expostos.
Logo no início da visita, o internauta é acolhido por sons da floresta, especialmente o canto de pássaros, que ambientam a primeira sala, intitulada Terra É Viva. Com poucos cliques, é possível acessar os textos curatoriais apresentados nas paredes, disponíveis em português e em diversas línguas indígenas, além de assistir ao vídeo Resistência Indígena, de Daiara Tukano em parceria com o Coletivo Bijari. A obra aborda os impactos do processo de colonização e dos conflitos territoriais sobre os povos indígenas, destacando a redução drástica das línguas originárias: de cerca de mil existentes em 1500 para aproximadamente 175 atualmente.
A segunda sala, Língua É Memória, reúne obras de artistas indígenas contemporâneos, como Paulo Desana e Denilson Baniwa, além de uma série de objetos pertencentes a diferentes povos, emprestados pelo MAE-USP (Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo). Integram ainda o espaço vídeos do Museu Paraense Emílio Goeldi e do Museu do Índio da Funai, bem como mapas inéditos que apresentam a distribuição das línguas indígenas no território brasileiro. Destaca-se também uma instalação audiovisual interativa que ensina o visitante virtual a pronunciar palavras em línguas como xavante, tuyuka e terena. No centro da sala, chamam atenção o trocano — tambor esculpido em uma única tora, típico dos povos do Alto Rio Negro — e uma urna da cultura Marajoara.
A experiência virtual incorpora ainda recursos lúdicos e educativos, como um espaço de karaokê, no qual o visitante pode cantar uma música indígena acompanhando o significado das frases apresentadas em vídeo.
Na terceira sala, Palavra Tem Poder, são evidenciadas as reivindicações contemporâneas e as conquistas políticas dos povos indígenas. O vídeo Marcha do ATL, de Kamikia Kisedje, aborda a luta pela demarcação de terras, enquanto produções nas áreas da música, do cinema, da literatura e da educação indígena ampliam a compreensão sobre as formas atuais de expressão e resistência. Nesse ambiente, o público também pode explorar a instalação Ninho do Japó, que exibe curtas-metragens realizados por cineastas indígenas, e a obra As Onças e o Tempo Novo, de Tamikuã Txihi, artista do povo Pataxó.
Por fim, a quarta sala, Palavra Tem Espírito, encerra o percurso homenageando os grandes pajés e lideranças espirituais das comunidades indígenas, reafirmando a centralidade do conhecimento ancestral, da oralidade e da dimensão simbólica na preservação das línguas e dos modos de existência dos povos originários.