Moleque
Museologic
itemType
Nato-digital
documentGenre
Sonoro
additionalType
Áudio
previousRecordNumber
moleque1
recordNumber
pacr_aud_363
Title
Moleque
Description
Narração da palavra "português" em português, cujo significado tanto em quicongo/quimbundo/umbundo, quanto em português é menino, garoto.
material
Nato-digital
duration
00:00:01
format
MP3
author
Phil Miler
productionLocation
Brasil
productionNote
As línguas quicongo, quimbundo e umbundo, integrantes do grupo banto, deixaram marcas profundas na constituição do português falado no Brasil. Entre os séculos XVI e XIX, milhões de africanos foram trazidos à força do litoral atlântico da África Central e Meridional, região que abrange o atual Gabão, a República Democrática do Congo e Angola. E consigo, eles trouxeram um vasto patrimônio linguístico e cultural que serviu não só como instrumentos de comunicação, mas símbolo de resistência e identidade entre as populações escravizadas. A presença do quicongo, do quimbundo e do umbundo manifestou-se de maneira decisiva no processo de formação do português brasileiro. A influência banto é perceptível, antes de tudo, na incorporação de um amplo repertório lexical: palavras como “moleque”, “bunda”, “quindim”, “fubá”, “tanga” e “quitanda” provêm desses idiomas e revelam como o cotidiano colonial foi atravessado por vozes africanas. Contudo, a contribuição ultrapassa o plano vocabular. As estruturas sonoras e rítmicas dessas línguas influenciaram a prosódia e a cadência da fala brasileira, conferindo-lhe um ritmo mais melódico e pausado, distinto da entoação portuguesa. Além do aspecto fonético, o contato contínuo entre falantes de português e das línguas bantas gerou transformações sutis na sintaxe e na organização discursiva. Em muitos espaços sociais, a comunicação se fazia por meio de um português permeado por traços bantos, formando um campo de interações linguísticas dinâmicas e criativas. Reconhecer a influência do quicongo, do quimbundo e do umbundo é compreender que o português do Brasil não resultou apenas da imposição de uma língua europeia, mas de um processo de mestiçagem linguística e cultural. As vozes africanas não desapareceram: elas ressoam na sonoridade, nas expressões e na musicalidade que caracterizam o modo brasileiro de falar, compondo uma herança viva que continua a revelar as origens plurais da língua portuguesa no país.
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audio
moleque1.mp3
acquisitionDate
2020-07-31
acquisitionMethod
Licenciamento
provenance
Phil Miler
acquisitionNote
Para integrar o acervo de exposição do MLP, após o incêndio de 2015 e a reformulação da exposição de longa duração em 2021.
itemExhibition
Quicongo, Quimbundo e Umbundo
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Muleke
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datePublished
2020
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