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    Oswald de Andrade o culpado de tudo

    27sep201126feb2012
    A exposição Oswald de Andrade: o culpado de tudo foi inaugurada em 27 de setembro. Com curadoria de José Miguel Wisnik, curadoria-adjunta de Cacá Machado e Vadim Nikitin, e consultoria de Carlos Augusto Calil e Jorge Schwartz, a exposição teve projeto expográfico assinado por Pedro Mendes da Rocha.

    O ponto de partida da exposição foi uma provocativa frase escrita por Oswald de Andrade em 1933 no verso da folha de rosto da edição original de Serafim Ponte Grande:
    “Direito de ser traduzido, reproduzido e deformado em todas as línguas.”
    Essa afirmação orientou conceitualmente os idealizadores da mostra.

    Pela primeira vez, o Museu da Língua Portuguesa apresentou uma exposição dedicada à vida e obra de um escritor paulista.

    Segundo Wisnik, o objetivo da curadoria foi estruturar uma exposição que evidenciasse o papel decisivo de Oswald de Andrade na formação da cultura brasileira contemporânea, sem dissociar sua atualidade da complexa conjuntura histórica em que sua obra foi gerada.

    A mostra abordou a obra e o pensamento de Oswald em três dimensões interligadas — poética, histórico-biográfica e filosófica — não como seções estanques, mas como camadas simultâneas de leitura e experiência.
    Painéis ilustrados com poema e desenho retirados do poema "As Quatro Gares" introduziam o visitante às quatro fases da vida e obra de Oswald de Andrade: boemia (o pirralho sob as ordens de mamãe), vanguarda (a década da arte moderna), revolução (o homem do povo) e utopia (a retomada antropofágica no ostracismo). Eles eram ilustrados com poema e desenho extraídos do mesmo poema.
    O visitante passava ao próximo ambiente: As Mulheres. Sob as ordens das mulheres / Contra as ordens dos homens, o módulo fazia uma contraposição entre o patriarcado paulista e o matriarcado de Oswald, do qual as mulheres compunham uma maravilhosa galeria. Etiquetas informavam os nomes de cada uma e traziam brevíssimos resumos da relação com Oswald.
    Neste módulo, a Semana de Arte Moderna de 1922 era acompanhada por afirmações de Oswald sobre o movimento em diversas datas. Ele ficava em frente ao módulo Pau-Brasil, que apresentava, em contraponto, Oswald, Paulo Prado, Tarsila e Blaise Cendrars. Era ilustrado com pílulas do Manifesto Pau-Brasil, acompanhadas de legendas – títulos. Ao dialogarem com as imagens, esses elementos formavam uma espécie de terceiro elemento.
    Uma nota antiga de mil Cruzeiros com a figura de Pedro Álvares Cabral recebia o carimbo do artista plástico Cildo Meireles: “O culpado de tudo”. Neste módulo, estavam em evidência as cenas da colonização: descoberta, catequese, escravidão. E também os personagens: Zé Pereira e o bumbo do carnaval; Gonçalves Dias e o indianismo romântico; e o engenho de açúcar.
    Nesta praça, o visitante viajava pelos seguintes módulos:

    Finanças: Crack (Crise do café) – Com imagens da crise de 1929.

    Manifesto Antropófago – Reprodução integral do texto com passagens que saltavam visualmente do conjunto, em tamanhos maiores e em cores.

    Traição de Classe – Fonte: João Miramar / Serafim Ponte Grande.

    Traição de Classe – Fonte: O Homem do Povo.

    MariOswald – Frases em contraponto entre as duas personalidades.

    Totem & Tabu

    Pós Oswald – O legado de Oswald nas gerações seguintes.

    Antena da Raça – Afirmações atualíssimas, intempestivas, colhidas em épocas diversas.

    Na parede do fundo, eram projetados fragmentos de filmes baseados na obra de Oswald.

    Desdobramentos da antropofagia – Zé Celso, Teatro Oficina, Tropicália.

    Também na Praça da Apoteose, era instalado um cenário que reproduzia a garçonnière onde Oswald produziu O perfeito cozinheiro das almas deste mundo – o diário coletivo da garçonnière, no qual os amigos deixavam poemas, desenhos e recados. Num canto da sala, havia uma mesinha com um abajur e um fac-símile do diário, onde os visitantes da exposição podiam deixar seus recados.
    O corredor de saída da exposição, denominado Língua Pátria, teve poemas estrategicamente colocados nas paredes entre as janelas voltadas para o Jardim da Luz.

    Créditos

    Sponsor
    Editora GloboOrganization
    Organizer
    Governo do Estado de São Paulo RealizaçãoOrganization
    Secretaria da Cultura RealizaçãoOrganization
    Museu da Língua Portuguesa RealizaçãoOrganization
    POIESIS RealizaçãoOrganization
    Curator
    José Miguel Wisnik Curadoria GeralPerson
    Cacá Machado Curadoria-AdjuntaPerson
    Vadim Nikitin Curadoria-AdjuntaPerson
    Other related organization
    Jorge Schwartz ConsultoriaPerson
    Arte 3 Produção GeralOrganization
    Ana Helena Curti Direção de ProduçãoPerson
    Fernando Lion Produção ExecutivaPerson
    Pedro Mendes da Rocha Projeto ExpográficoPerson
    Laura Vinci Direção de ArtePerson
    Homenagem