A exposição “Nhe’ẽ Porã: Memória e Transformação”, realizada pelo Museu da Língua Portuguesa em correalização com o Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM), foi apresentada em São Luís, terceira cidade brasileira a receber a mostra itinerante sobre as línguas indígenas do Brasil. Em cartaz de 10 de agosto a 22 de novembro de 2024, a exposição contou com patrocínio máster do Instituto Cultural Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), e trouxe novidades em relação à versão original exibida em São Paulo.
Com curadoria da artista indígena Daiara Tukano e cocuradoria da antropóloga Majoí Gongora, a mostra propôs um mergulho na história, memória e vitalidade das línguas dos povos originários brasileiros, reunindo objetos etnográficos, arqueológicos, obras de arte e instalações audiovisuais. O percurso expositivo seguiu uma lógica circular, guiada por um “rio de palavras” grafadas em diversas línguas indígenas, simbolizando a continuidade e a força das tradições orais.
Em São Luís, a exposição incorporou peças de acervos maranhenses, como uma vasilha cerâmica de tradição tupi-guarani e machados semilunares do Centro de Pesquisa e História Natural e Arqueologia do Maranhão, além de artefatos do Museu Casa de Nhozinho e do CCVM, incluindo maracás, buzinas e adornos de diferentes povos indígenas da região.
A narrativa da mostra desenvolveu-se em quatro ambientes principais. O primeiro, “Língua é Memória”, abordou o contato entre culturas, os impactos coloniais e a resistência dos povos indígenas. O segundo, “Transformações”, destacou a multiplicidade das expressões e a resiliência das línguas. O terceiro, “Criações Contemporâneas”, apresentou produções artísticas e intelectuais indígenas atuais. Por fim, o espaço onírico, que encerrou o percurso, foi marcado pelos cantos e pela espiritualidade das “belas palavras”.
A itinerância em São Luís reforçou o compromisso da exposição com a Década Internacional das Línguas Indígenas (2022–2032), promovida pela UNESCO, ao evidenciar a diversidade linguística e cultural brasileira e o papel das línguas indígenas como expressão viva de pensamento, identidade e cosmovisão.
A realização contou com o apoio do Instituto Socioambiental, Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, Museu Nacional dos Povos Indígenas da FUNAI, e com parcerias locais do Centro de Pesquisa e História Natural e Arqueologia do Maranhão e do Museu Casa de Nhozinho.
Com um olhar voltado à preservação da memória e à valorização das línguas indígenas, “Nhe’ẽ Porã: Memória e Transformação” ampliou o diálogo entre arte, linguagem e ancestralidade, fortalecendo a presença dos povos originários no imaginário cultural brasileiro.