A língua no tempo 2
Museológico
Tipo
Nato-digital
Gênero documental
Audiovisual
Tipo documental
Video
Incorporação Anterior
2_A LINGUA NO TEMPO 2
Código de Inventário
fala_aud_12
Título
A língua no tempo 2
Descrição
O vídeo apresenta diversos intelectuais, líderes indígenas, escritores, linguistas e professores que discorrem sobre as imposições da língua portuguesa aos povos indígenas, aos povos da diáspora africana e pessoas com deficiência. Transcrição do áudio: Valter Hugo Mãe, escritor Eu vejo a língua portuguesa no Brasil como mais despudurada, não é? Não tem porquê, as línguas não são puras, são profundamente impuras, e não tem porquê o brasileiro exercer o português de uma forma ortodoxa, não tem porquê. Se o brasileiro libertar a língua portuguesa que usa, ele talvez esteja a construir a possibilidade do aparcimento do brasileiro. Alfredina Nery, professora de Língua Portuguesa e Literatura Essa é uma outra discussão, né? Do português brasileiro, né? Nós já temos vários linguistas, sociolinguistas fazendo essa discussão, que nós temos um português que não é o português europeu, não é? De Portugal. Nunca foi. Isso foi um mito, né? Criado, que é de país colonizado. Valter Hugo Mãe, escritor Por contraponto a Portugal, nós temos tendência para uma fixação mais rigorosa, um pouco mais rigorosa, como se estivéssemos agarrados a uma formatação, não diria exatamente antiga, mas que conserva a dinâmica num mais alto grau. O Brasil, no que faz é um pouco, não digo ao contrário, mas é um pouco mais livre, e por isso está muito mais preparado para o dia de hoje, é muito mais capaz de incorporar vocábulos e inclusive de inventar vocábulos. [som de percussão ao fundo] Amara Moira, escritora e professora de Literatura Sempre me vem à cabeça a ideia do “sombrancelha”. Para mim é perfeita essa palavra. Mostra que as pessoas estão associando essa palavra com “sombra”, de “fazer sombra”, na verdade. Ou seja, “sombrancelha” porque acredita-se que faz sombra no cílio. É uma ideia inusitada e mostra que a gente tá cada vez mais distantes do latim e não entende mais esse “sombrancelha” como vindo do “supercilium”, de “sobre o cílio”. Então, aí a gente começa a interpretar de outras formas a palavra e nessas novas interpretações ela vai adquirindo outras caras e vai se tornando outras palavras também. Eu gosto muito disso. Dante Lucchesi, pesquisador e professor de Língua Portuguesa Em inglês se diz: “I work, you work, he works, we work, you work, they work ”. É praticamente a mesma coisa do português popular: “Eu trabalho, tu trabalha, ele trabalha. Nós trabalha, vocês trabalha, eles trabalha.” É a mesma estrutura. Por que que o inglês é a língua da globalização? É a língua de gente inteligente? É a língua de prestígio? E o nosso português popular, que é idêntico ao inglês, é língua de gente ignorante inferior. É puro preconceito. Ah, mas alguém pode fala: “Não, mas a natureza do inglês é assim”. Não é, é falso. O inglês também tinha as diferenças, como no português padrão. Essas diferenças se perderam e a língua não se prejudicou. [música ao fundo] As línguas mudam, se transformam, mas não se empobrecem, porque não há línguas pobres. Então a língua é o espaço onde nós podemos aprender e desenvolver nossa consciência da diversidade. Davi Kopenawa Yanomani, xamã e líder indígena Na verdade, queremos continuar falando e ensinando aos nossos filhos – assim é bom. Apesar de ser bom, as lideranças dos não indígenas não nos apoiam. Por que eles não nos apoiam? “Peguem essas coisas”, eles não falam assim... “nós somos os não indígenas e sabemos fazer essas coisas, e por isso estamos presenteando vocês.” “Vamos entregar papel para vocês não ficarem desprovidos, para vocês ensinarem os filhos de vocês e protegerem a sua língua”. O governo federal não fala assim, não fala isso... por isso estamos desprovidos. Não somos pobres, estamos apenas desprovidos dos materiais e papel para escrever. São essas coisas que nós solicitamos, mas eles não nos respondem. Eles sovinam, sovinam... porque nós somos os outros.
Suporte/Material
Digital
Duração (HH:MM:SS)
00:05:29
Formato
MOV
Autoria
Davi Kopenawa
Dante Lucchesi
Amara Moira
Valter Hugo Mãe
Alfredina Nery
Exótica Cinematografia
Local de Produção
Brasil
Contexto de produção
A narrativa do vídeo situa a formação linguística nacional no contexto da dominação colonial, marcada pela imposição violenta do português e pela supressão de centenas de línguas nativas. Esse processo, associado a um projeto de nação que elegeu uma norma padrão de origem lusitana, instituiu uma hierarquia que marginalizou as variantes brasileiras e suas contribuições multiculturais. Ao resgatar essa trajetória, o vídeo vai além da função ilustrativa. Ele demonstra que a riqueza dialetal apresentada na experiência, como seus sotaques, estruturas sintáticas e empréstimos lexicais, é o resultado de complexos processos históricos de contatos, resistências e ressignificação cultural. Dessa forma, a obra fornece um meio para se compreender que a valorização da pluralidade linguística constitui um gesto contemporâneo de reconhecimento e reparação frente a uma história de supressões.
Tópico relacionado
Língua Portuguesa
Variações da Língua Portuguesa
Dialeto
Sotaque
Descritores
Portugal
Data de Entrada
2020
Método de Entrada
Cessão
Proveniência
Exótica cinematográfica
Motivo da Entrada
Para integrar o acervo de exposição do MLP, após o incêndio de 2015 e a reformulação da exposição de longa duração em 2021.
Documentação
MLP_153 - anexo_MLP 153_Davi Kopenawa.PDF
Exposição
Falares [Língua Viva]
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Data final
2020
Coordenadas
-14.235004,-51.92528,4