Palavrões e dialetos 2

Museológico

Tipo

Nato-digital

Gênero documental

Audiovisual

Tipo documental

Video

Incorporação Anterior

11_PALAVROES E DIALETOS 2

Código de Inventário

fala_aud_21

Título

Palavrões e dialetos 2

Descrição

O vídeo apresenta uma entrevista com diversos intelectuais, artistas e professores que falam sobre os usos e origens de "palavrões" na língua portuguesa do Brasil. Transcrição do áudio: Xico Sá, jornalista e escritor Português brasileiro livre de palavrão não tem sentido. Eu acho que empobrece a língua de uma maneira que é muito artificial. [música ao fundo] Na hora de uma coisa como uma topada, que é uma coisa do dia-a-dia, rotineiro, não há como se expressar com palavras ditas normais de uma topada. Tem que ser no mínimo um “puta que pariu!”, “buceta!”, “caralho!”, “foda!” Aí tem um sentido, não é só o sentido da linguagem, da língua, tem um sentido terapêutico absurdo. Eu me curo um pouco a cada “puta que pariu!” Ricardo Nakasato, pedagogo e professor de Libras Vou usar um exemplo: os ouvintes e surdos usam essa mesma gestualidade – me perdoe, vou ter que demonstrar. Embora seja a mesma gestualidade, tem uma pequena diferença, quando é feita por um surdo ou por um ouvinte. A maioria dos surdos faz desta maneira, repare na minha mão: Já os ouvintes fazem assim: segurando os dedos. Alguns... em palestras... ou até em escolas, fazem modificação na gestualidade, mostrando o mesmo sinal de forma mais discreta: Ao olhar este sinal, podem achar que é “mão de vaca” e que não se trata de um palavrão, mas pelo contexto acabam percebendo ser um palavrão e questionam por que foi gestualizado assim. Porque é uma forma visual também, mas mais discreta. Veja este como também é mais visual. [música ao fundo] Xico Sá, jornalista e escritor No Nordeste tem muito palavrão, eu lembro mais dos palavrões ligados... a gente tem uma série de palavrões ligados a pestes, a doenças antigas, como “estampou-calango”, “moléstia das cachorras”, “peste-bubônica”. Que as novas gerações nem sabem mais o significado, mas tornam a repetir, sabem que ela tem a força do palavrão. Por exemplo: “Febre do Rato”, que é até um filme pernambucano do Claudio Assis. “Febre do Rato”, pro meu pai, ele era muito palavrão, ele vinha com a força do palavrão. Hoje significa, inclusive, que é uma coisa do caralho, é maravilhoso, é sensacional, é da “febre do rato”. Glauco Mattoso, escritor Se você falar assim: “Olha, eu fui lá no cinema e vi um puta-filme!” O “puta” aí não é palavrão, passa a ser uma coisa, um realce. Agora, o palavrão, ele depende da intenção, é a maneira como você coloca na frase, né? Se você usar um eufemismo no lugar do palavrão, por exemplo, se você usar, em vez de “puta” ou de “prostituta”, que é a forma erudita, se você usar “prestadora de serviços sexuais remunerados”, por exemplo, você pode xingar. Você pode dizer: “Sua prestadora de serviços sexuais remunerados!” Dependendo do tom com que você fala, você está xingando do mesmo jeito. Então, o palavrão não está na palavra, tá na intenção. Xico Sá, jornalista e escritor O próprio “porra”. O “porra”, hoje, ele é quase uma... Ele é um pinduricário da língua brasileira, do português falado no Brasil, que você bota uma vírgula e você fala ele dez vezes numa frase. “Porra, vamos amanhã, hein, porra?! “Porra, é da porra...” “Isso é da porra!” “Vamos ver um filme da porra!” Então, era mais palavrão, hoje ele é adjetivo pra uma coisa boa, ele é da hora da explosão: “Porra!” Ricardo Nakasato, pedagogo e professor de Libras Nossa cultura é diferente! A maioria dos surdos tem uma forma de se comunicar direta, e os ouvintes não gostam. O ouvinte reclama, dizendo ser uma forma mal-educada de se comunicar. Vou exemplificar como uma criança surda pede pra ir ao banheiro: “Eu vou ao banheiro fazer cocô”. Ouvinte não gosta que fale “cocô”. Ouvinte fala: “eu vou ao banheiro”, no português. Outro exemplo que ouvinte não gosta é que se pergunte a idade. Acham falta de educação fazer essa pergunta. Outra situação que os ouvintes também acham ser falta de educação: “Nossa, você engordou!” Mas dentro da cultura surda, essas perguntas são comuns, perguntar a idade, mesmo não tendo intimidade, ok!

Suporte/Material

Digital

Duração (HH:MM:SS)

00:04:45

Formato

MOV

Autoria

Local de Produção

Brasil

Contexto de produção

A introdução da língua portuguesa no Brasil é um processo histórico marcado pela diversidade linguística, na qual o português entrou em contato com línguas indígenas e africanas, resultando em um complexo mosaico de variedades dialetais. Ao longo do território brasileiro, a língua se moldou de forma heterogênea, desenvolvendo particularidades em cada região, que refletem distintas realidades sociais e culturais. A língua é, assim, um organismo vivo que se adapta, incorporando novos sentidos e funções às palavras de acordo com o uso social. Com isso, a própria noção de ofensa linguística é culturalmente construída e dinâmica. Palavras inicialmente consideradas tabus podem, com o tempo, perder sua carga pejorativa e assumir funções expressivas ou até afetivas, atuando como intensificadores no discurso coloquial. O caráter ofensivo de um termo, portanto, não reside apenas em sua semântica original, mas na intenção do falante, no contexto de uso e na recepção do interlocutor. Esta plasticidade demonstra como os valores sociais e as convenções de uso se renovam constantemente, sendo um reflexo da própria vitalidade e da natureza mutável da língua portuguesa no Brasil.

Tópico relacionado

Língua Portuguesa

Variações da Língua Portuguesa

Sotaque

Dialeto

Data de Entrada

2020

Método de Entrada

Cessão

Proveniência

Exótica Cinematográfica

Motivo da Entrada

Para integrar o acervo de exposição do MLP, após o incêndio de 2015 e a reformulação da exposição de longa duração em 2021.

Exposição

Falares [Língua Viva]

thumbnailUrl

https://m-lingua-portuguesa.s3.sa-east-1.amazonaws.com/4283f7c979cf6d7c66a860c6c5d23399.jpeg

Data final

Coordenadas

-14.235004,-51.92528,4