O vídeo apresenta diversas entrevistas com intelectuais, professores e pesquisadores sobre as formas da língua no Brasil. Explicam que o Brasil por ser um país multilíngue e multicultural, convive com diversas linguagens e culturas, como a dos imigrantes e povos indígenas, por exemplo, que se misturam e influenciam a língua oficial. Dessa forma, apresentam o português falado no Brasil como algo bastante amplo e diverso.
Há esse mito, digamos assim, de que há uma única língua no Brasil e que há só um jeito certo de falar. Isso realmente tem sido questionado e há muito tempo que a gente tem estudos e, enfim, autores que se debruçam sobre isso. E nós sabemos que nós somos um país multilingüe, assim como somos também multiculturais. Vanderci de Andrade Aguilera, pesquisadora e professora de Língua Portuguesa Então, nós falamos a língua portuguesa, que é a língua majoritária. Nós temos as línguas minoritárias dos imigrantes, a língua também dos indígenas, dos vários grupos indígenas. Mas há uma certa unidade. Nós falamos a língua portuguesa, mas ela é bastante diversificada em todo o território brasileiro. Dante Lucchesi, pesquisador e professor de Língua Portuguesa Como disse o nosso grande escritor português, prêmio Nobel de Literatura, José Saramago, o correto não é falar “língua portugues”a, o correto é falar “línguas portuguesas”. [música ao fundo]
Bom, essa diversidade, ela se reflete nos vários níveis da linguagem, começando pela fonética, pelo som. Nós temos uma área do “R retroflexo”, nosso “R caipira”, da “porta”, do “verde”, que foi trazida, que foi disseminada pelo país pelos bandeirantes, com certeza. Porque, partindo de São Vicente e daquele contato com os índios que os acompanhavam, e os portugueses também se miscigenando com as índias, esses filhos de português com a índia, eles falavam uma língua intermediária, a língua geral, mas também aprendiam um português modificado, um português que não era aquele português que havia sido trazido de Portugal.
E se você pensar historicamente, também essa coisa do certo e do errado é muito relativo, né? Se você pensar que nos textos de Camões, por exemplo, do século XVI, ele usa “alembrar” como um caipira usa também. [risos] Então é muito legal de pensar que Camões usou “alembrar” e um caipira também usa “alembrar”. Por quê? Porque a fala das pessoas do campo é uma fala chamada arcaizante, mais arcaica, no sentido de que ela tem menos influência de vários falares. Na cidade grande, você tem muitos falares, a influência é muito grande, tem os meios de comunicação, etc. As pessoas mais isoladas têm uma fala que fica mais preservada, digamos.
Nós temos também o “S” quando ele está no final da sílaba, uma área que fala o “festa” e outra área do “festa”. A área do festa, de onde veio esse “s” que nós chamamos de chiado ou palatalizado? Esse “s” veio com os portugueses em 1808, quando Dom João VI veio para o Rio de Janeiro. Então era uma fala que tinha prestígio e a fala de São Paulo não tinha prestígio e foi discriminada. Então esse “s“de prestígio percorreu quase todo o Brasil.
A comunicação para mim é uma forma de existência. A linguagem é uma manifestação da sua identidade, do que você gosta, do que você é, da sua origem. Por isso que eu acho que é tão importante a gente cada vez mais entender o que são os sotaques e ter orgulho.
Nós temos a língua para vivermos em sociedade. E ela nos possibilita essa comunicação, essa interação entre esses sujeitos. É isso que é a língua. Leo Castilho, arte-educador e artista O corpo – das pessoas surdas, principalmente – é uma forma de se comunicar com qualquer pessoa. O corpo fala, se mostra e se expressa! Diferente da voz. É diferente da voz – a gente sabe que tem voz, língua de sinais também tem voz -, mas... a expressão vai além na visualidade e na comunicação. Em qualquer lugar que você faça assim, ó...
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