Identificação do documento/obra

Tipo documental
AudiovisualVideoGênero Documental
Código de Inventário
fala_aud_13
Título
Variações no falar 1
Descrição

O vídeo apresenta diversas entrevistas com intelectuais, professores e pesquisadores sobre as formas da língua no Brasil. Explicam que o Brasil por ser um país multilíngue e multicultural, convive com diversas linguagens e culturas, como a dos imigrantes e povos indígenas, por exemplo, que se misturam e influenciam a língua oficial. Dessa forma, apresentam o português falado no Brasil como algo bastante amplo e diverso.

Transcrição do áudio:

Alfredina Nery, professora de Língua Portuguesa e Literatura

Há esse mito, digamos assim, de que há uma única língua no Brasil e que há só um jeito certo de falar. Isso realmente tem sido questionado e há muito tempo que a gente tem estudos e, enfim, autores que se debruçam sobre isso. E nós sabemos que nós somos um país multilingüe, assim como somos também multiculturais. Vanderci de Andrade Aguilera, pesquisadora e professora de Língua Portuguesa Então, nós falamos a língua portuguesa, que é a língua majoritária. Nós temos as línguas minoritárias dos imigrantes, a língua também dos indígenas, dos vários grupos indígenas. Mas há uma certa unidade. Nós falamos a língua portuguesa, mas ela é bastante diversificada em todo o território brasileiro. Dante Lucchesi, pesquisador e professor de Língua Portuguesa Como disse o nosso grande escritor português, prêmio Nobel de Literatura, José Saramago, o correto não é falar “língua portugues”a, o correto é falar “línguas portuguesas”. [música ao fundo]

Vanderci de Andrade Aguilera, pesquisadora e professora de Língua Portuguesa

Bom, essa diversidade, ela se reflete nos vários níveis da linguagem, começando pela fonética, pelo som. Nós temos uma área do “R retroflexo”, nosso “R caipira”, da “porta”, do “verde”, que foi trazida, que foi disseminada pelo país pelos bandeirantes, com certeza. Porque, partindo de São Vicente e daquele contato com os índios que os acompanhavam, e os portugueses também se miscigenando com as índias, esses filhos de português com a índia, eles falavam uma língua intermediária, a língua geral, mas também aprendiam um português modificado, um português que não era aquele português que havia sido trazido de Portugal.

Alfredina Nery, professora de Língua Portuguesa e Literatura

E se você pensar historicamente, também essa coisa do certo e do errado é muito relativo, né? Se você pensar que nos textos de Camões, por exemplo, do século XVI, ele usa “alembrar” como um caipira usa também. [risos] Então é muito legal de pensar que Camões usou “alembrar” e um caipira também usa “alembrar”. Por quê? Porque a fala das pessoas do campo é uma fala chamada arcaizante, mais arcaica, no sentido de que ela tem menos influência de vários falares. Na cidade grande, você tem muitos falares, a influência é muito grande, tem os meios de comunicação, etc. As pessoas mais isoladas têm uma fala que fica mais preservada, digamos.

Vanderci de Andrade Aguilera, pesquisadora e professora de Língua Portuguesa

Nós temos também o “S” quando ele está no final da sílaba, uma área que fala o “festa” e outra área do “festa”. A área do festa, de onde veio esse “s” que nós chamamos de chiado ou palatalizado? Esse “s” veio com os portugueses em 1808, quando Dom João VI veio para o Rio de Janeiro. Então era uma fala que tinha prestígio e a fala de São Paulo não tinha prestígio e foi discriminada. Então esse “s“de prestígio percorreu quase todo o Brasil.

Stephanie Ribeiro, arquiteta e escritora

A comunicação para mim é uma forma de existência. A linguagem é uma manifestação da sua identidade, do que você gosta, do que você é, da sua origem. Por isso que eu acho que é tão importante a gente cada vez mais entender o que são os sotaques e ter orgulho.

Alfredina Nery, professora de Língua Portuguesa e Literatura

Nós temos a língua para vivermos em sociedade. E ela nos possibilita essa comunicação, essa interação entre esses sujeitos. É isso que é a língua. Leo Castilho, arte-educador e artista O corpo – das pessoas surdas, principalmente – é uma forma de se comunicar com qualquer pessoa. O corpo fala, se mostra e se expressa! Diferente da voz. É diferente da voz – a gente sabe que tem voz, língua de sinais também tem voz -, mas... a expressão vai além na visualidade e na comunicação. Em qualquer lugar que você faça assim, ó...

Características

Suporte/Material
DigitalMaterial
Duração (HH:MM:SS)
00:05:11
Formato
MOV

Contexto de produção

Alfredina Nery ParticipantePessoa
Vanderci de Andrade Aguilera ParticipantePessoa
Dante Lucchesi ParticipantePessoa
Stephanie Ribeiro ParticipantePessoa
Leo Castilho ParticipantePessoa
Exótica Cinematografia ProduçãoInstituição
Local de Produção
Contexto de produção
A introdução da língua portuguesa no Brasil é um processo histórico intrinsecamente ligado à própria constituição social e territorial do país. Desde o século XVI, a língua trazida pelos colonizadores não se impôs de maneira homogênea, mas foi profundamente remodelada por uma dinâmica de contatos linguísticos e culturais. O encontro, frequentemente violento, com centenas de línguas indígenas, e posteriormente a introdução forçada de povo da diáspora africana e imigração europeia, criou um cenário multilíngue complexo. Nesse contexto, surgiram variedades linguísticas intermediárias, como a língua geral, amplamente utilizada nos primeiros séculos de colonização. O povoamento do vasto território por bandeirantes, sertanistas e populações migrantes disseminou traços linguísticos específicos, originando os falares regionais que caracterizam o país. Fenômenos como o chamado “R caipira” são, portanto, resultado direto desses movimentos históricos de expansão e miscigenação. Desse modo, a diversidade do português brasileiro contemporâneo não é um acidente, mas a consequência direta de uma história de contatos, deslocamentos, estratificação social e resistência cultural.

Contexto e relações

Entrada do objeto

Data de Entrada
2020
Método de Entrada
Cessão
Proveniência
Exótica Cinematográfica
Motivo da Entrada
Para integrar o acervo de exposição do MLP, após o incêndio de 2015 e a reformulação da exposição de longa duração em 2021.

Relações

Exposição