Identificação do documento/obra

Tipo documental
TridimensionalGênero Documental
Código de Inventário
liso_tri_01
Título
Lute
Descrição

Reprodução de obra do artista Rubens Gerchman, composta por sete peças (letras ou partes de letras) na cor vermelha, compondo a palavra "LUTE", fixadas sobre uma base preta.

Base em madeira (MDF), dividida em três partes, pintada de preto fosco; sete peças em MDF revestido em laminado melamínico vermelho, aparafusadas na base de madeira.

Características

Suporte/Material
Técnica
Largura (cm)
563,6
Altura (cm)
171
Profundidade (cm)
70

Contexto de produção

Local de Produção
Contexto de produção
Rubens Gerchman emergiu na cena artística brasileira dos anos 1960 como uma figura central na articulação entre arte, política e cultura urbana. Formado no Liceu de Artes e Ofícios e na Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, consolidou rapidamente uma trajetória marcada pela participação em bienais nacionais e internacionais, pela experimentação formal e pelo engajamento crítico em relação às transformações sociais do país. Seu percurso dialoga de maneira direta com a ascensão das vanguardas brasileiras, especialmente com o neoconcretismo e as linguagens que buscavam romper as fronteiras entre arte e vida cotidiana. Desde cedo, Gerchman explorou a visualidade popular, os meios de comunicação, o repertório urbano e o poder simbólico das palavras como elementos de articulação estética e política. É nesse contexto que surge LUTE, obra produzida em 1967 e integrante da série Cartilha no Superlativo, conjunto de trabalhos que o artista chamou de “poemas-esculturas”. Nessa série, palavras isoladas se projetam em grandes volumes tridimensionais, convertendo-se em objetos que ultrapassam a bidimensionalidade tradicional da arte gráfica. A intenção de Gerchman era revitalizar termos desgastados pelo uso cotidiano e pelo ambiente repressivo do regime autoritário. Palavras como Lute, Ar, Terra, Sol e SOS reaparecem monumentalizadas, transformadas em presenças físicas capazes de reativar sentidos adormecidos. No caso específico de LUTE, o artista buscava restituir à palavra sua urgência e potência original, fazendo dela um chamado direto à ação e à consciência crítica. A proposta de instalar LUTE na Avenida Rio Branco, uma das vias mais movimentadas do Rio de Janeiro, evidencia a dimensão pública e política da obra. A palavra, convertida em objeto-cor de grande escala, seria atravessada diariamente por milhares de pessoas, impondo ao espaço urbano um enunciado que não poderia ser ignorado. Gerchman entendia que, ao inserir a obra na rua, retirava a palavra de seu contexto abstrato e a devolvia ao convívio social como corpo material, tático e confrontador. Essa intervenção também inscreveu a obra no repertório das ações artísticas que, nos anos 1960, buscavam romper a distância entre arte e sociedade, aproximando-se das experiências neoconcretas de participação e das estratégias de resistência simbólica à censura e à violência política. A força documental de LUTE reside justamente nesse caráter duplo: a obra captura um momento histórico de supressão de liberdades e, ao mesmo tempo, projeta um horizonte de enfrentamento. Ao reduzir a palavra ao essencial e restituir-lhe energia, Gerchman criou uma espécie de cartilha alternativa, destinada não a ensinar regras, mas a reativar a capacidade de pensar e agir. Sua investigação sobre a linguagem, sobre o desgaste dos signos e sobre a possibilidade de recompor significados demonstra o papel da arte como dispositivo crítico. LUTE permanece como um dos ícones mais reconhecíveis da arte brasileira do período, símbolo de resistência e testemunho da crença de Gerchman no poder transformador da palavra quando reencontrada em sua dimensão sensível e pública.

Contexto e relações

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Entrada do objeto

Método de Entrada
Licenciamento
Proveniência
Instituto Rubens Gerchman
Motivo da Entrada
Para compor exposição de Longa Duração do Museu da Língua Portuguesa.

Relações