Dois trechos editados de um depoimento do escritor angolano José Eduardo Agualusa, extraídos do documentário “Karingana – Licença para Contar” (2018), dirigido por Monica Monteiro e produzido pela CineGroup para o Canal Curta!. No filme, Agualusa — ao lado de outros escritores e pensadores — reflete sobre a tradição oral, a força das narrativas africanas e o papel da língua portuguesa na construção de identidades e memórias no contexto lusófono.
Trasncrição dos trechos da entrevista:
1) 21:54-22:29: “O Eduardo [Lourenço] dizia, tudo começa pela poesia, tudo começou pela poesia. E é verdade, em Angola, tudo começou pela poesia, neste movimento nacionalista que acabou por dar origem, enfim, à independência do país né? Portanto a literatura foi importante em Angola, a poesia realmente foi importante e foi transformadora. E em países como Angola, Moçambique, a maior parte dos países africanos que são países jovens, há essa questão da identidade que é central, a procura da identidade, a discussão sobre a identidade e aí desse ponto de vista acho que os meus livros estão perfeitamente enquadrados dentro desse espírito.”
2) 25:58-26:47 (no palco, conversam Maria Bethânia, Mia Couto e Agualusa): “Eu vivi no Rio de Janeiro já há 16 anos. E lembro uma altura em que apanhei o táxi, e o taxista veio conversando comigo muito simpaticamente e numa altura parou e disse: mas você é da onde? Eu disse: eu sou da Angola. Ele disse: Angola? Mas em que estado fica? Eu disse: não, não é no Brasil, é um país na costa ocidental da África. Ele disse: ah, então deixe me lhe dar os parabéns, deixa me parabenizar você, porque você fala muito bem português. Eu disse: bem sabe, é que nós em Angola falamos português. Ele disse: ah eu pensei que só no Brasil se falasse português. Eu disse: então, em Portugal pelo menos... em Portugal. Ele disse: não, vamos lá ver, em Portugal falam uma língua meio atravessada, não é bem português!” (todos riem).
O Acervo do Museu da Língua Portuguesa disponibilizado nesta plataforma destina-se exclusivamente à consulta. É expressamente proibida qualquer outra forma de utilização. O(a) usuário(a) é responsável por respeitar os direitos autorais, de personalidade e conexos das obras aqui apresentadas. A reprodução total ou parcial de obras originais ou de suas cópias, por qualquer meio e para qualquer finalidade, é vedada, conforme estabelecido pela Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Caso haja interesse na reprodução de qualquer obra — original ou cópia — o(a) interessado(a) deverá entrar em contato com o Centro de Referência pelo e-mail: centrodereferencia@mlp.org.br.