Museológico

Voz de sangue

2021

Identificação do documento/obra

Tipo documental
AudiovisualVideoGênero Documental
Código de Inventário
noli_aud_04
Título
Voz de sangue
Descrição

Ao som da locução do poema “Voz de sangue”, do escritor angolano António Agostinho Neto — interpretado pela atriz angolana Heloisa Jorge —, um vídeo registrado por volta da década de 1970 apresenta cenas do cotidiano, revelando fragmentos da vida e da atmosfera social daquele período.

Voz de sangue

Palpitam-me

os sons do batuque

e os ritmos melancólicos do blue.

 

Ó negro esfarrapado

do Harlem

ó dançarino de Chicago

ó negro servidor do South

 

Ó negro de África

negros de todo o mundo

 

Eu junto

ao vosso magnífico canto

a minha pobre voz

os meus humildes ritmos.

 

Eu vos acompanho

pelas emaranhadas áfricas

do nosso rumo.

 

Eu vos sinto

negros de todo o mundo

eu vivo a nossa história

meus irmãos.

Características

Suporte/Material
DigitalMaterial
Duração (HH:MM:SS)
00:01:08
Formato
MP4

Contexto de produção

Agostinho Neto Autoria do poemaPessoa
Heloisa Jorge NarraçãoPessoa
Local de Produção
Contexto de produção
Este item integra o módulo dedicado a Angola na experiência Nós da Língua Portuguesa, instalada na extensa parede de 30 metros ao final da Rua da Língua. Produzido a partir dos princípios curatoriais que orientam toda a instalação, o conteúdo reforça a proposta de evidenciar a diversidade, historicidade e vitalidade da língua portuguesa em diferentes territórios. O vídeo, originalmente filmado por volta da década de 1970, foi selecionado para compor a Linha de Contato, faixa central de monitores que apresenta imagens, sons e depoimentos associados aos eixos de intercâmbio, ruptura e invenção. Esses eixos refletem processos fundamentais da história angolana: o encontro entre culturas, as tensões do colonialismo, as lutas pela independência e a afirmação de novas identidades culturais e linguísticas. A locução do poema “Voz de sangue”, de António Agostinho Neto — figura central da literatura e da luta pela libertação de Angola —, foi adicionada posteriormente e interpretada pela atriz angolana Heloisa Jorge. A escolha do poema e da intérprete visa aprofundar a experiência sensorial e histórica do visitante, conectando as imagens de época às dimensões afetivas, políticas e poéticas que marcam a trajetória do país. Ao integrar poesia, memória audiovisual e referências à luta pela autonomia, o item contribui para revelar a língua portuguesa como expressão social, cultural e política em constante transformação, alinhando-se à missão da instalação de apresentar um panorama plural da lusofonia.

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