Russo

Museológico

Tipo

Nato-digital

Gênero documental

Sonoro

Tipo documental

Áudio

Incorporação Anterior

20_RUSSO

Código de Inventário

limu_son_20

Título

Russo

Descrição

Ekaterina Pivinskaya narra o poema A Extraordinária Aventura acontecida com Vladimir Maiakóvski no Verão na Datcha, de Vladimir Maiakóvski, na língua russa. Transcrição: RUSSO В мире насчитывается семь тысяч языков. Я говорю по-русски. В сто сорок солнц закат пылал, в июль катилось лето, была жара, жара плыла — на даче было это. Пригорок Пушкино горбил Акуловой горою, а низ горы — деревней был, кривился крыш корою. А за деревнею — дыра, и в ту дыру, наверно, спускалось солнце каждый раз, медленно и верно. А завтра снова мир залить вставало солнце а́ло. И день за днем ужасно злить меня вот это стало. И так однажды разозлясь, что в страхе все поблекло, в упор я крикнул солнцу: «Слазь! довольно шляться в пекло!» Я крикнул солнцу: «Дармоед! занежен в облака ты, а тут — не знай ни зим, ни лет, сиди, рисуй плакаты!» Я крикнул солнцу: «Погоди! послушай, златолобо, чем так, без дела заходить, ко мне на чай зашло бы!» Что я наделал! Я погиб! Ко мне, по доброй воле, само, раскинув луч-шаги, шагает солнце в поле. Хочу испуг не показать — и ретируюсь задом. Уже в саду его глаза. Уже проходит садом. В окошки, в двери, в щель войдя, валилась солнца масса, ввалилось; дух переведя, заговорило басом: «Гоню обратно я огни впервые с сотворения. Ты звал меня? Чаи́ гони, гони, поэт, варенье!» Слеза из глаз у самого — жара с ума сводила, но я ему — на самовар: «Ну что ж, садись, светило!» Черт дернул дерзости мои орать ему, — сконфужен, я сел на уголок скамьи, боюсь — не вышло б хуже! Но странная из солнца ясь струилась, — и степенность забыв, сижу, разговорясь с светилом постепенно. Про то, про это говорю, что-де заела Роста, а солнце: «Ладно, не горюй, смотри на вещи просто! А мне, ты думаешь, светить легко? — Поди, попробуй! — А вот идешь — взялось идти, идешь — и светишь в оба!» Болтали так до темноты — до бывшей ночи то есть. Какая тьма уж тут? На «ты» мы с ним, совсем освоясь. И скоро, дружбы не тая, бью по плечу его я. А солнце тоже: «Ты да я, нас, товарищ, двое! Пойдем, поэт, взорим, вспоем у мира в сером хламе. Я буду солнце лить свое, а ты — свое, стихами». Стена теней, ночей тюрьма под солнц двустволкой пала. Стихов и света кутерьма — сияй во что попало! Устанет то, и хочет ночь прилечь, тупая сонница. Вдруг — я во всю светаю мочь — и снова день трезвонится. Светить всегда, светить везде, до дней последних донца, светить — и никаких гвоздей! Вот лозунг мой — и солнца! [1920] V míre naschítyvajetsja sem' týsjach yazykóv. Ja govorjú po-rússki. V sto sórok solnts zakát pylál, v ijúl' katílos' léto, bylá zhará, zhará plylá — na dátche býlo éto. Prigórok Púshkino gorbíl Akúlovoj goróju, a niz gorý — derévnej byl, krivílsja krysh koróju. A za derévneju — dyrá, i v tu dyrú, navérno, spuskálos' sólntse kázhdyj raz, médlenno i vérno. A závtra snóva mir zalít' vstaválo sólntse álo. I den' za dnjom uzhásno zlit' menjá vot éto stálo. I tak odnázhdy razozljás', shto v strákhe vs’ó pobléklo, v upór ja kríknul sólntsu: «Slaz'! dovól'no shlját'sja v péklo!» Ja kríknul sólntsu: «Darmoéd! zanézhen v oblaká ty, a tut — ne znaj ni zim, ni let, sidí, risúj plakáty!» Ja kríknul sólntsu: «Pogodí! poslúshaj, zlatolóbo, tchem tak, bez déla zakhodít', ko mne na tchaj zashló by!» Shto ja nadélal! Ja pogíb! Ko mne, po dóbroj vóle, samó, raskínuv lutch-shagí, shagáet sólntse v póle. Khotchú ispúg ne pokazát' — i retirújus' zádom. Uzhé v sadú egó glazá. Uzhé prokhódit sádom. V okóshki, v dvéri, v shtchel' vojdjá, valílas' sólntsa mássa, vvalílos'; dukh perevedjá, zagovorílo básom: «Gonjú obrátno ja ogní vpervýe s sotvorénja. Ty zval menjá? Tchaí goní, goní, poét, varénje!» Slezá iz glaz u samogó — zhára s umá svodíla, no ja emú — na samovár: «Nu shto zh, sadís', svetílo!» Tchort d’órnul dérzosti moí orát' jemú, — skonfúzhen, ja sel na ugolók skam'í, bojús' — ne výshlo b khúzhe! No stránnaja iz sólntsa jas' struílas', — i stepénnost' zabýv, sizhú, razgovorjás' s svetílom postépenno. Pro to, pro éto govorjú, tchto-de zajéla Rósta, a sólntse: «Ládno, ne gorjúj, smotrí na véshtchi prósto! A mne, ty dúmaesh', svetít' legkó? — Podí, popróbuj! — A vot idjósh' — vzjalós' idtí, id’ósh' — i svétish' v óba!» Boltáli tak do temnotý — do bývshej nótchi to jest'. Kakája t'ma uzh tut? Na «ty» my s nim, sovsém osvójas'. I skóro, drúzhby ne tajá, b'ju po pletchú egó ja. A sólntse tózhe: «Ty da ja, nas, továrishtch, dvóe! Pojdjóm, poét, vzorím, vspojóm u míra v sérom khláme. Ja búdu sólntse lit' svojó, a ty — svojó, stikhámi». Stená tenéj, nóchej tjur'má pod solnts dvustvólkoj pála. Stikhóv i svéta kuter'má — sijáj vo shto popálo! Ustánet to, i khótchet notch' prilétch', tupája sónnica. Vdrug — ja vo vsju svetáju moch' — i snóva den' trezvónitsja. Svetít' vsegdá, svetít' vezdé, do dnej poslédnih dóntsa, svetít' — i nikakíh gvozdéj! Vot lózung moj — i sólntsa! PORTUGUÊS: No mundo se contam 7.000 línguas. Eu falo russo. Em 140 sóis o pôr do sol queimava, em julho rolava o verão, estava calor, o calor navegava — isso foi na datcha. O morro Pushkino se acorcundava no monte Akulov, e no sopé havia um vilarejo, se curvava a cobertura dos telhados. Atrás do vilarejo: um buraco, e para dentro dele, por certo, descia o sol a cada vez, lenta e fielmente. E no dia seguinte novamente para inundar o mundo se erguia o sol escarlate. E dia após dia isso começava a me irritar terrivelmente. Então de repente me enraiveci tanto que de medo tudo empalideceu, gritei para o sol à queima roupa: «Desça! chega de vir nos torrar!» Gritei para o sol: «Parasita! você aí envolto nas nuvens, e aqui, tanto no inverno quanto no verão, é só sentar-se e desenhar cartazes!» Gritei para o sol: «Espere aí! escute, folheado a ouro, que tal largar os negócios e vir tomar chá comigo?» O que eu fiz! Estou morto! Em direção a mim, de boa vontade, o próprio sol, espalhando passos-raios, vem vindo pelo campo. Não quero revelar meu temor e me retiro, recuando. Seus olhos já estão no jardim. Ele já avança pelo jardim. Pelas janelinhas, pelas portas, por uma fresta entrando, desabou a massa do sol, se precipitou para dentro; e recuperando o fôlego, pôs-se a falar com voz de baixo: «Mudo meu itinerário pela primeira vez desde a criação. Você me chamou? Entre, traga o chá, traga, poeta, a geleia!» Com uma lágrima nos olhos, o calor me enlouqueceu e eu disse para ele junto ao samovar: «Bem, então, sente-se, astro!» O diabo me deu a ousadia de gritar com ele, e eu confuso, sentei na beira do banco, temendo que as coisas piorassem! Mas um estranho brilho do sol fluía, e deixando de lado a seriedade, me sento, conversando com o astro, tranquilamente. Sobre isso, e sobre aquilo falo, de como a Rosta me devorou, e o sol: «Tudo bem, não se lamente, olhe as coisas simplesmente! Você acha que brilhar é fácil para mim? Venha, experimente! Você vai começando a andar, anda e brilha ao mesmo tempo!» Conversamos assim até escurecer — antes da noite anterior, quero dizer. Como já está escuro aqui! Já nos acostumamos a nos tratar por “você”. E logo, não escondendo a amizade, bato no ombro dele. E o sol também: «Você e eu somos amigos, nós dois! Vamos, poeta, brilhemos, cantemos por mais cinza que seja o mundo. Eu despejarei meu sol, e você o seu, seus versos». A parede de sombras, a prisão da noite caiu sob o sol com uma arma de cano duplo. Um alvoroço de versos e luzes — brilhe em tudo. Ele se cansa e à noite quer deitar-se, esse dorminhoco bobo. De repente, eu raio com todo meu poder, e o dia nasce mais uma vez. Brilhar sempre, brilhar por toda parte, até o último dos dias, brilhar, seja como for! Eis o meu lema — e o do sol! [1920] (Uma aventura extraordinária que aconteceu com Vladimir Mayakóvski no verão na datcha)

Suporte/Material

Digital

Duração (HH:MM:SS)

00:09:13

Formato

WAV

Autoria

Local de Produção

Brasil

Contexto de produção

A língua russa ocupa uma posição de destaque como língua de cultura, poder e comunicação em extensas áreas da Eurásia, refletindo séculos de expansão territorial e influência política. Pertencente ao grupo eslavo oriental, compartilha raízes com o ucraniano e o bielorrusso, mas desenvolveu características próprias que a tornaram o principal veículo de expressão do mundo eslavo oriental. Sua história combina influências internas — resultantes da diversidade dialetal — e externas, derivadas de contatos históricos com o grego bizantino, o tártaro e outras línguas europeias e asiáticas. O russo moderno consolidou-se a partir dos dialetos da região central, especialmente sob a influência da norma de Moscou, que se tornou referência literária e administrativa a partir do século XVIII. Sua estrutura gramatical é rica e flexível, marcada pela presença de seis casos nominais (nominativo, genitivo, dativo, acusativo, instrumental e prepositivo) e por um sistema verbal que distingue o aspecto da ação — se concluída ou em curso. Na fonética, destaca-se a oposição entre consoantes “duras” e “suaves” (palatalizadas), traço fundamental para a diferenciação de significados e para a musicalidade da língua. A escrita russa utiliza o alfabeto cirílico, criado no século IX a partir de adaptações do grego e do glagolítico pelos missionários bizantinos Cirílo e Metódio. Esse sistema tornou-se um dos símbolos mais reconhecíveis da identidade cultural eslava, difundido posteriormente entre vários povos do leste europeu e da Ásia Central, especialmente durante o período de domínio da União Soviética. Durante o século XX, sob a influência do regime soviético, o russo foi imposto como língua de unificação administrativa e ideológica em diversos territórios — incluindo repúblicas que hoje formam países independentes, como Cazaquistão, Bielorrússia, Quirguistão e partes da Ucrânia, Moldávia e dos Bálcãs. Assim, consolidou-se como meio de comunicação interétnica e como instrumento de poder político e cultural. Na contemporaneidade, o russo permanece uma das línguas mais faladas do mundo, com relevância diplomática, literária e tecnológica. É língua oficial em vários países e amplamente compreendida em regiões que mantêm laços históricos com a antiga União Soviética. Ao mesmo tempo, preserva um vasto legado artístico e intelectual — de autores como Tolstói, Dostoiévski, Tchékhov e Maiakóvski — que garantem à língua um papel central na literatura mundial.

Tópico relacionado

Língua Russa

Literatura

Descritores

Vladimir Maiakóvski

Rússia

Bielorrúsia

Quirguistão

Cazaquistão

Audio

20_RUSSO

Data de Entrada

2019

Método de Entrada

Cessão

Proveniência

SUPER LAB PRODUÇÕES ARTlSTICAS LTDA

Motivo da Entrada

Para integrar o acervo de exposição do MLP, após o incêndio de 2015 e a reformulação da exposição de longa duração em 2021.

Exposição

Línguas do Mundo [Viagens da Língua]

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Data final

Coordenadas

-14.235004,-51.92528,4