Variações no falar 2

Museológico

Tipo

Nato-digital

Gênero documental

Audiovisual

Tipo documental

Video

Incorporação Anterior

4_VARIAÇOES NO FALAR 2

Código de Inventário

fala_aud_14

Título

Variações no falar 2

Descrição

O vídeo apresenta diversas entrevistas com intelectuais, professores e pesquisadores sobre as formas da língua no Brasil. Eles comentam sobre as variações que a língua portuguesa do Brasil possui, bem como a respeito do julgamento de valor sobre aquilo e aqueles que falam de uma forma diferente da que foi estabelecida como norma oficial. Transcrição do áudio: Stephanie Ribeiro, arquiteta e escritora Eu vejo que as pessoas estão tão massificadas que, quando surge um sotaque diferente numa novela que seja... “Que é isso? Como assim?” Você vive num país de dimensões continentais, existe um sotaque diferente pra cada ponto nessa estrutura toda. E você acha que só existe o seu jeito certo de falar, seja o “porta”, que às vezes as pessoas me zoavam, né? De porta. “Ah, não, é porta”. E aí eu fico pensando: “O que que afeta na sua vida eu falar um porta diferente do seu?” Mas afeta na minha, porque tá negando a minha identidade, e é uma identidade que eu tenho orgulho. [música ao fundo] Vanderci de Andrade Aguilera, pesquisadora e professora de Língua Portuguesa No nível do léxico, então, há uma variedade muito grande. Na área do falar amazônico, por exemplo, nós temos peteca para aquilo que nós chamamos bolinha de vidro. Nós vamos ter bolita, que vai do Rio Grande do Sul, vai para o Mato Grosso do Sul e vai para o Mato Grosso, por influência dos espanhóis, com certeza, e dos gaúchos que migraram para o centro-oeste, né? Temos “marraio”, temos “cancão”, temos a “burca”, a “burquinha”, né? Que são variantes que estão aí, que tem bastante força, estão ainda com bastante energia nessas localidades, né? Sylvia Lia, professora de Libras Através do contato é possível identificar a localidade. Por exemplo, quando um surdo chega e sinaliza, eu pergunto: “Você é do Rio de Janeiro?” “Sim!” O sotaque possibilita o reconhecimento do local de origem de quem fala, da mesma forma, pelas mãos de quem sinaliza, você percebe que aquela mão é de um lugar. É uma outra forma de sinalizar. Ricardo Nakasato, pedagogo e professor de Libras Em São Paulo os dialetos são diversos devido aos regionalismos, às influências familiares e à vinda de pessoas surdas de outras localidades, como Bahia, Recife, Minas, etc. Houve muitas misturas. Todos esses são fatores importantes que influenciam a língua. Além do que, em cada estado, há pequenas variações, e isso é natural de uma língua. Vanderci de Andrade Aguilera, pesquisadora e professora de Língua Portuguesa Por exemplo, “menos” e “menas”. Então, a gente sempre ensina: “”Menas" não existe.”, mas ela existe, está aí. Então, na nossa pesquisa, né? Com mil e cem informantes, nós verificamos que os informantes que são de nível fundamental, eles preferem a forma “menas”, “menas força”, “menas perda”, “menas alegria”. E aqueles que têm nível superior, então, já optam pela forma da norma padrão. Mas também verificamos que há pessoas que têm nível superior e que ainda persistem na forma mais popular, que é a “menas”. Amara Moira, escritora e professora de Literatura E a gente, muitas vezes, tem uma certa resistência, né? “Ah, menas” “Menas” se tornou o exemplo paradigmático do falar errado. Mas é tão genial que um advérbio tenha gênero no português, né? Essa palavra é surreal, assim, sabe? Então, “menas”, a gente colocando gênero num advérbio, isso mostra de novas formas de como a gente está lidando com a língua viva, falada. E o quanto isso tem sido reproduzido e replicado mostra que isso não tá na cabeça de meia dúzia de pessoas, não, isso tá ganhando proporções e um dia, quem sabe, vai entrar pra nossa gramática normativa. Me divirto. Vanderci de Andrade Aguilera, pesquisadora e professora de Língua Portuguesa Ninguém consegue barrar a língua. Ninguém, né? É a língua do povo e o povo é que vai ditando as regras, né? Valter Hugo Mãe, escritor A palavra mais bonita é o “borogodó”, né? Borogodó é uma palavra que, ela vira até um segredo, porque em Portugal não se entende, as pessoas não o conhecem, então, eu gosto muito. Lá está, o aporte de um conceito, não é só uma expressão, não é como dizer “ITA” pra dizer “pedra”, é outra coisa, é algo que não existia e que os povos originais nos oferecem, oferecem-nos uma ideia que nós não tínhamos. Vanderci de Andrade Aguilera, pesquisadora e professora de Língua Portuguesa A diversidade na unidade é a unidade na diversidade, né? Então, nós temos duas forças que regem a língua, né? O uso da língua. Uma força centrífuga, quer dizer, que parte para a diversidade e uma outra força centrípeta, que leva para a unidade. Então, essas duas forças estão interagindo. A gente vê, de um lado, a escola pregando a unidade, né? E de outro, o povo, o indivíduo lutando pela diversidade, quer dizer, expondo a sua diversidade. Valter Hugo Mãe, escritor Também é um dos grandes capitais do português, do Brasil, é que propende para ser espirituoso, propende para ser bonito, alegre, bem disposto, engraçado, e essa intromissão de um alto astral na língua portuguesa é valiosíssima. Talvez possa um dia curar a melancolia portuguesa, se nós viajarmos mais, nos contaminarmos mais, nos mestiçarmos mais.

Suporte/Material

Digital

Duração (HH:MM:SS)

00:05:54

Formato

MOV

Autoria

Local de Produção

Brasil

Contexto de produção

A introdução da língua portuguesa no Brasil é um processo histórico intrinsecamente ligado à própria constituição social e territorial do país. Desde o século XVI, a língua trazida pelos colonizadores não se impôs de maneira homogênea, mas foi profundamente remodelada por uma dinâmica de contatos linguísticos e culturais. O encontro, frequentemente violento, com centenas de línguas indígenas, e posteriormente a introdução forçada de povo da diáspora africana e imigração europeia, criou um cenário multilíngue complexo. Nesse contexto, surgiram variedades linguísticas intermediárias, como a língua geral, amplamente utilizada nos primeiros séculos de colonização. O povoamento do vasto território por bandeirantes, sertanistas e populações migrantes disseminou traços linguísticos específicos, originando os falares regionais que caracterizam o país. Fenômenos como o chamado “R caipira” são, portanto, resultado direto desses movimentos históricos de expansão e miscigenação. Desse modo, a diversidade do português brasileiro contemporâneo não é um acidente, mas a consequência direta de uma história de contatos, deslocamentos, estratificação social e resistência cultural.

Tópico relacionado

Variações da Língua Portuguesa

Língua Portuguesa

Sotaque

Dialeto

Descritores

Amazônia

Nordeste

São Paulo / SP

Rio de Janeiro / RJ

Data de Entrada

2020

Método de Entrada

Cessão

Proveniência

Exótica Cinematográfica

Motivo da Entrada

Para integrar o acervo de exposição do MLP, após o incêndio de 2015 e a reformulação da exposição de longa duração em 2021.

Exposição

Falares [Língua Viva]

thumbnailUrl

https://m-lingua-portuguesa.s3.sa-east-1.amazonaws.com/bb75deefffe5d3b716df4053808b4049.jpeg

Data final

Coordenadas

-14.235004,-51.92528,4