Manifesto Imaginado

Museológico

Tipo

Nato-digital

Gênero documental

Audiovisual

Tipo documental

Video

Incorporação Anterior

STP08_VIDEO

Código de Inventário

noli_aud_107

Título

Manifesto Imaginado

Descrição

O vídeo reúne excertos do programa da série “Entre nós”, em que a jornalista Raquel Santos entrevista a poeta Conceição Lima. Na parte final, a autora faz a leitura de um poema presente no livro “O útero da casa”. Poema: Manifesto imaginado de um serviçal "Chão incontestado chama-me teu que sob minha fronte se esvai a Lua esburacada na senzala Não mais regressarei ao Sul Morador interdito ficarei nas tuas entranhas aqui onde tudo dei e me perdi Morro sem respirar o hálito de uma outra cidade que adubei. Irmãos: Deitai-me amanhã no terreiro à hora do sol nascente: quero olhar de frente as plantações. Quero contemplar, morto e inteiro, meu legado involuntário de africano em África desterrado. Clamo o pó que reclama a exaustão serena do meu corpo. Não mo podeis usurpar, ngwêtas, com o ferro da vossa força. Não mo negueis, ó híbridos forros, com o vosso frio desdém de séculos. Este barro é meu, espinho a espinho penetrou o osso dos meus passos como um sopro cruel e palpitante. Até ao fim onde agora começo porque a morte é o estuário de onde desertam os barcos todos que cavaram meu destino. Irmãos: Pelo mar viemos, com febre. De longe viemos, com sede. Chegamos de muito longe sem casa. Daí-me a beber agora a amarga infusão do caule do aloéQuero juntar o cálice do nosso calvário  Daí-me uma coreografia de labaredas e vertigens  Que a nossa saga é uma constelação de astros absurdos Daí-me amanhã em oferenda todos os sons que criei e os sons Que não criei mas aprendi  A puíta, o ndjambi, o bulauê A dêxa também o socopé Trazei-me os silêncios todos que percorri Mostraí-me os caminhos que não trilhei mas construí. Celebraí-me anônimo a na praça que não verei mas antevi Ilhas! Clamai-me vosso que na morte Não há desterro e eu morro. Coroai-me hoje de raízes de sândalo e ndombó Sou filho da terra."

Suporte/Material

Digital

Duração (HH:MM:SS)

00:04:46

Formato

MP4

Autoria

Local de Produção

São Tomé e Príncipe

Contexto de produção

Conceição Lima, nascida em Santana, na ilha de São Tomé, em 1961, é uma das principais vozes da poesia contemporânea de São Tomé e Príncipe. Interessou-se pela escrita ainda jovem. Estudou jornalismo em Portugal e regressou ao arquipélago para trabalhar na imprensa, na rádio e na televisão, tendo fundado em 1993 o jornal O País Hoje. Posteriormente prosseguiu a formação no King’s College de Londres e integrou a redação dos serviços em português da BBC, o que ampliou a circulação de sua produção intelectual no espaço lusófono. Sua obra literária ganhou forma em livros que se tornaram referências da poesia santomense. "O útero da casa" (2004) marcou sua estreia, seguido de títulos como "A dolorosa raiz do micondó" e "O País de Akendenguê". Nesses livros, a autora articula memória, território e história para pensar a experiência das ilhas e suas relações com o período colonial e pós-independência. No programa “Entre nós”, da RTP Internacional, Conceição Lima comenta aspectos ligados à formação multicultural de São Tomé e Príncipe e lê o poema “Manifesto imaginado de um serviçal”, publicado em "O útero da casa". A leitura evidencia a forma como sua poesia utiliza a língua portuguesa para elaborar reflexões sobre identidade, ancestralidade e as trajetórias que marcaram o arquipélago.

Tópico relacionado

Poesia

Identidade

Escravidão

Descritores

África

Data de Entrada

2019-11-22

Método de Entrada

Licenciamento

Proveniência

RTP Rádio e Televisão de Portugal SA

Motivo da Entrada

Para compor exposição de Longa Duração do Museu da Língua Portuguesa.

Exposição

São Tomé E Príncipe

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Data final

Coordenadas

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