Monangambé
Museológico
Tipo
Nato-digital
Gênero documental
Audiovisual
Tipo documental
Video
Incorporação Anterior
A06_VIDEO
Código de Inventário
noli_aud_05
Título
Monangambé
Descrição
O poema “Monangambé”, de António Jacinto, aparece musicado e interpretado por Ruy Mingas, acompanhando um trecho de vídeo que intercala cenas de plantações de cana-de-açúcar e de café, além de máquinas de processamento do açúcar. O material também apresenta imagens marcantes de escolas da década de 1970, mostrando crianças da educação infantil e adolescentes em atividades cotidianas. Monangambé naquela roça grande não tem chuva é o suor do meu rosto que rega as plantações naquela roça grande tem café maduro e aquele vermelho-cereja são gotas do meu sangue feitas seiva. o café vai ser torrado, pisado, torturado, vai ficar negro, negro da cor do contratado negro da cor do contratado! perguntem às aves que cantam, aos regatos de alegre serpentear e ao vento forte do sertão: quem se levanta cedo? quem vai à Tonga quem traz pela estrada longa a tipóia ou o cacho de dendém? quem capina e em paga recebe desdém fuba podre, peixe podre, panos ruins, cinquenta angolares "porrada se refilares"? quem faz o milho crescer e os laranjais florescer quem dá dinheiro para o patrão comprar máquinas, carros, senhoras e cabeças de pretos para os motores? quem faz o branco prosperar, ter barriga grande – ter dinheiro? – quem? e as aves que cantam, os regatos de alegre serpentear e o vento forte do sertão responderão: – “monangambééé..."
Suporte/Material
Digital
Duração (HH:MM:SS)
00:04:06
Formato
MP4
Autoria
Ruy Mingas
António Jacinto
Local de Produção
Não Identificado
Contexto de produção
Este item integra o módulo dedicado a Angola na experiência Nós da Língua Portuguesa, concebida para apresentar a língua portuguesa em sua diversidade histórica, cultural e social. Inserido na Linha de Contato — conjunto de vídeos que exploram os eixos de intercâmbio, ruptura e invenção —, o conteúdo foi selecionado para evidenciar aspectos centrais da formação social angolana durante o período colonial e pré-independência. O vídeo reúne imagens de plantações de cana-de-açúcar e café, além de máquinas de processamento de açúcar, evidenciando a dimensão econômica e exploratória que marcou profundamente a história do país. Em diálogo com essas cenas, aparecem registros de escolas da década de 1970, mostrando crianças e adolescentes em ambientes educativos, compondo um retrato da vida cotidiana e das estruturas sociais daquele momento. A trilha sonora utiliza o poema “Monangambé”, de António Jacinto — obra emblemática da poesia de resistência angolana —, musicado e interpretado por Ruy Mingas. A incorporação dessa peça, adicionada para intensificar a leitura histórica do vídeo, reforça as camadas de sentido relacionadas ao trabalho forçado, às desigualdades estruturais e às lutas por emancipação cultural e política. Ao articular poesia, música, imagens documentais e memória histórica, o item busca revelar como a língua portuguesa, em contato permanente com as realidades locais, tornou-se veículo de denúncia, afirmação identitária e criação artística. Assim, contribui para a compreensão da complexidade da experiência lusófona em Angola, em sintonia com a proposta da instalação de apresentar um panorama plural e crítico da língua no mundo.
Tópico relacionado
Música
Identidade
Colonialismo
Descritores
Angola
Video
A06_VIDEO.mp4
Data de Entrada
2020-06-25
Método de Entrada
Cessão
Proveniência
Fundação Roberto Marinho
Motivo da Entrada
Para compor exposição de Longa Duração do Museu da Língua Portuguesa.
Exposição
Angola
Data final
2021
Disclaimer
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